RobiHachi

RobiHachi

Estúdio: Studio Comet
Direção: Takamatsu Shinji
Roteiro: Kanesugi Hiroko
Anime original
Número de episódios: 12
Neo Tokyo, o ano G.C. (Galaxy Century) 0051, que marca meio século desde que o primeiro contato foi feito. Os humanos obtiveram tecnologia de navegação super leve e formaram uma comunidade de planetas com alienígenas. Uma onda de má sorte continua para o autoproclamado jornalista independente Robby Yarge. Ele falha no trabalho, então seu contrato é cortado. Sua namorada o deixa, ele quase morre em um acidente de trânsito e é perseguido por grupos perigosos por suas dívidas.

Um dia, um ladrão rouba a bolsa de Robby e um jovem o ajuda. Hatchi Kita, um garoto de 18 anos, pega o criminoso e lhe devolve a bolsa. Como gratidão, Robby lhe oferece uma refeição em troca, ao mesmo tempo que os dois se conhecem melhor. A dupla logo descobre que eles são completamente opostos e seguem suas vidas. No entanto, Hatchi aparece novamente na vida de Robby como um cobrador de dívidas e revela que trabalha para um dos agiota que persegue Robby, Yan.

Robby consegue despistar Hatchi e fugir para o espaço enquanto se livra do grupo de Yan. Seu plano é fugir para Isekandar, um planeta distante e lendário da Via Láctea, que é dito ser um paraíso. Mas Robby logo descobre que não está sozinho, pois Hatchi invadiu sua espaçonave. Sem escolha, os decidem viajar pela galáxia juntos rumo à Isekandar.

RobiHachi é o novo sci-fi original do Studio Comet criado por Hiroko Kanesugi, responsável pela segunda temporada de Diabolik Lovers (seja lá o que isso significar pra você).

De início, confesso que não faço a mínima ideia de qual é a proposta desse anime. A história se passa em algum lugar do futuro chamado Neo Tokyo, onde humanos e aliens vivem em comunidade. Com um visual colorido e abrindo o episódio já com uma cena de perseguição, os próximos quase vinte minutos estão repletos de momentos igualmente frenéticos, mas não uma boa execução na hora de introduzir o elenco e seus objetivos. O encontro de Robby e Hachi é tão mecânico que segundos depois já estão interagindo como se conhecessem há um bom tempo. Até mesmo os seiyuus não parecem ter conseguido encontrar o tom correto para a interação inicial dos dois soe um pouco mais orgânica – o que foi bem estranho de se testemunhar.

Minhas impressões do elenco: Robby Yarge, um homem em busca de vida fácil, completamente carente de qualquer carisma e que parece cair no clichê de macho alfa estranho que as pessoas gostam tanto de repetir em anime, mas que não passa de um loser. Aliás, não só ele me lembra muito o personagem Zapp de Kekkai Sensen, como o visual todo do anime também. E então há Hatchi Kita, um jovem misterioso, sem muita pretensão, a não ser a de viver novas aventuras e escapar da vida tediosa que leva graças aos avanços da tecnologia. Pessoalmente acho que essa é uma razão completamente aleatória se comparada às ações que toma durante os eventos iniciais, o que o torna bem… medíocre. Os dois parecem como água e óleo e não possuem nenhuma química como parceiros.

E então seus perseguidores, com suas roupas e penteados extravagantes que parecem ter saído diretamente de uma versão mobster de Yu-Gi-Oh!, que, apesar de aparecerem nas imagens promocionais do anime, nada relevante foi dito claramente sobre eles ainda.

As outras aparições são um robô meio pet/mordomo engraçadinho de Robby e mulheres sem nome, objetos de prazer do protagonista. Esse elemento específico pareceu fora de lugar, como se a produção estivesse gritando, “OLHA AQUI! É BRO-MAN-CE QUE VAI ACONTECER! PARA COM ISSO!!” para alguns espectadores (se é que me entendem), mas talvez eu esteja exagerando…

O resto fica a cabo da sinopse mais acima. Eu sei que essa é uma explicação confusa do início de RobiHachi e completamente improdutiva, mas é que eu também não o entendi muito bem o que vi… 🙁

Bom, nos aspectos técnicos não há absolutamente nada memorável a não ser um estranho mecha 3D aparecendo do nada no final do episódio por algum motivo, porém o uso de 3DCGI nos momentos que se passam no espaço não é de todo ruim e não destoa taaanto assim da qualidade gráfica geral da obra.

Quem sabe eu possa ser surpreendido e daí pra frente se inicie uma divertida aventura no espaço. Sinto que se manter minha mente aberta e não levar as coisas a sério, assim como o anime em si não se leva, possa ser surpreendido. Ou talvez a experiência se revele mais uma completamente esquecível, como acontecer de vez em quando.

***

Talvez o que mais chame atenção em RobiHachi, um anime original do estúdio Comet, seja o fato de que seu diretor tenha trabalhado em Gintama, Danshi Kokousei no Nichijou e, mais recentemente, em Grand Blue. Seu repertório em animes de comédia realmente passa muito confiança para uma produção em que o humor parece ser um dos focos. Mas será que ele consegue mesmo transpor isso aqui?

RobiHachi, em alguns pontos, me remete muito a ClassicaLoid, outro projeto original que também tinha um diretor de Gintama por trás. Ambos parecem largar muitos elementos juntos, numa mistura que supostamente tornaria a obra mais excêntrica e em que seria natural ter cenas cômicas – algo que remete até o próprio Gintama. Mas em nenhum dos casos eu conseguia enxergar algum tipo de criatividade nessa construção e em como o humor era desenvolvido, que pareciam ser mais guiados pelo nonsense ou “isso deve ser engraçado de tão aleatório”.

Não é de tudo ruim. Mesmo que a personalidade de Robby como o fracassado que sempre cai em golpes e a de Hatchi como o garoto gênio que se empolga quando não prevê uma situação sejam um tanto artificiais, a interação entre os dois rende alguns momentos divertidos. Com o foco sendo a viagem dos dois pelo espaço, talvez as coisas sejam mais interessante daqui para frente.

Uma referência interessante, que os familiarizados com Uchuu Senkan Yamato devem reconhecer, é a paródia no nome do planeta que Robby sonha em ir, “Isekandar”, referenciando o planeta que, assim como para ele é o paraíso, era a última salvação para os humanos em Yamato, Iscandar.

Entre paródias de super sentai e animes clássicos, RobiHachi, por hora, é uma bagunça que não conseguiu se vender no primeiro episódio, mas que talvez consiga achar seu rumo eventualmente.