Katsute Kami Datta Kemono-tachi e

Katsute Kami Datta Kemono-tachi e

Estúdio: MAPPA
Direção: Shishido Jun
Roteiro: Murakoshi Shigeru
Baseado em um mangá por Maybe
Número de episódios: 12
Durante a Guerra Civil, o Norte – desesperado para derrotar o Sul – utilizou de uma magia proibida que transformou seus soldados em seres monstruosos conhecidos como “Encarnados”. Em troca de sua humanidade, eles receberam um imenso poder para derrotar seus inimigos. Mas, apesar de suas terras terem sido salvas, alguns passaram a temer os Encarnados após a guerra, fazendo com que fossem evitados – e alguns até mortos.

Anos depois, em uma cidade no meio do nada, Nancy Schaal Bancroft finalmente encontra seu alvo: o homem responsável por matar seu pai, um Encarnado. Mesmo demostrando sua sede de vingança, o homem parecer ter uma questão mais premente a tratar: o assassinato de outro Encarnado. Durante o confronto, Schaal descobre que o assassino de seu pai é na verdade um Encarnado, e que a morte de seu pai se deve a uma promessa que ele fez há muito tempo: qualquer Encarnado que perdesse sua humanidade será morto por outro deles.

O Encarnado conhecido como Hank convida Schaal para acompanhá-lo em sua jornada, para que assim ela possa entender a verdade por trás da morte de seu pai e por que esses seres monstruosos são melhores mortos pelas mãos de seus antigos companheiros.

Kemono-tachi começa com o recurso favorito de animes duvidosos: narração expositiva sobre reinos fantasiosos seguida de dispensáveis cenas de guerra que rapidamente se tornam apáticas. A história tenta rapidamente caracterizar o lado retratado da guerra com uma desconcertante mistura de momentos descontraídos e cenas de guerra contraditoriamente triunfantes.

Após meio episódio, uma condição minimamente interessante é finalmente apresentada. Trágica, imperdoável e estarrecedora, porém pouco impactante, considerando quão pouco contato tem-se com o elenco. A narrativa não possui o tempo necessário para executar uma clausula tão fúnebre e meios mais sagazes e sutis que poderiam culminar em algo intrigante.

Os últimos momentos apresentam um plot twist tão notoriamente brega e previsível que com certeza alguma novela mexicana poderia processar o autor por plágio, mas pelo menos consegue inclinar a história em uma conjectura menos exaurida. O episódio não perde tempo e logo instiga a dinâmica pela qual perdurará: um boy meets girl repleto de angustia e sentimentos conflitantes que com certeza tentará ao máximo alcançar um zênite emocional em um trágico desfecho; bravo!

A produção é mediana e inofensiva, o que também quer dizer ofensivamente genérica, dependendo de quão ativa a barra de “ódio a anime moderno” estiver no dia. Dou mérito para a direção em utilizar todo segundo da duração em prol de narrativa (mesmo que ela não ofereça praticamente nada). É algo que deveria acontecer mais vezes em estreias ou episódios solenes.

Não é uma estreia forte, mas pode ficar mais interessante dependendo de quão cativante será as novas dinâmicas da narrativa. Prevejo que a protagonista será um dos xodós da temporada e que a maioria do público não terá uma reação tão indiferente quanto a minha. E também que o mangá seja muito mais palatável artisticamente falando. Olhem a capa do primeiro volume do mangá, é muito boa! Pena que eu já esqueci o nome do anime pra procurar pra ler.