Kanata no Astra

Kanata no Astra

Estúdio: Lerche
Direção: Andou Masaomi
Roteiro: Kaihou Norimitsu
Baseado em um mangá por Shinohara Kenta
Número de episódios: 12
O ano é 2061, quando viagens espaciais agora são possíveis e comercialmente viáveis, e os estudantes da escola Caird embarcam em um acampamento espacial. Mas, logo após o grupo chegar ao acampamento planetário, uma misteriosa  esfera de luz os persegue e os manda para o meio do espaço sideral, deixando-os a 5012 anos-luz de distância de seu planeta natal.

Com a descoberta de uma antiga nave espacial não tripulada por perto, o grupo de estudantes deve manter a esperança, administrar seus recursos limitados e permanecer unidos na escuridão do espaço, para que todos possam sobreviver a longa e perigosa jornada de volta para casa a bordo do Astra.

Kanata no Astra é um drama de sobrevivência sobre um grupo de estudantes perdidos no espaço, a anos luz de distância do seu planeta natal, que precisam aprender a trabalhar juntos para saírem dessa situação. Do mesmo autor de Sket Dance, famoso mangá gag da Jump, ele certamente não esconde seu histórico e traz uma forte veia cômica que se carrega por todo o episódio.

Com um episódio inicial de 50min, o anime teve muita folga para estabelecer a premissa e apresentar um pouco de cada um dos personagens. Em um futuro distante, no qual a humanidade possui uma avançada tecnologia para exploração espacial, se tornou comum ter acampamentos espaciais em que alunos são jogados em um planeta designado e precisam cooperar como um tipo de projeto escolar. Os nove protagonistas fazem parte de um grupo escolar com esse intuito, mas se veem numa situação muito mais desesperadora do que poderiam imaginar ao serem jogados abruptamente no meio do espaço, o que tornará o exercício designado a eles muito mais necessário se quiserem sobreviver.

Também conseguimos tirar um pouco da personalidade de cada um, com as mais evidentes sendo a de Kanata com sua capacidade de liderança e seu altruísmo; Aries como a menina atrapalhada, mas que serve como o “coração” do grupo e traz positividade; e Zack como o gênio que consegue apurar melhor a situação e achar soluções práticas. O resto dos personagens parece seguir certos arquétipos básicos, mas nada notável de comentar até agora.

Não entrarei em detalhes que vão além do primeiro episódio, tendo lido o mangá completo, mas já é perceptível a forma como a funcionalidade dos personagens está acima de uma caracterização mais complexa. Por mais que o lado cômico traga um pouco de carisma para eles, a forma mecânica como é incorporado o traço de personalidade mais visível de cada um nas situações torna a obra um tanto artificial. Como estamos falando de um mangá shounen, embora, talvez não seja tão um fator tão inesperado e incomodo assim, pegando o exemplo recente de Yakusoku no Neverland, que conseguiu tirar melhor proveito da sua premissa pela funcionalidade dos personagens e certos gimmicks narrativos. Inclusive, acho que dá para afirmar que se Neverland funcionou para você, Astra não será um problema – como é o meu caso.

A direção é bem competente em criar a tensão angustiante nas partes espaciais e algumas cenas novas que foram adicionadas são benéficas para a composição da obra, mas o nível de produção não chega a ser algo destacável. A estranha mudança de proporção de tela durante o episódio também é algo bem questionável — talvez com a intenção de criar uma experiência mais cinematográfica —, mas que acabou gerando mais desconforto do que qualquer coisa.

De qualquer forma, estou contente de que foi viável ter um primeiro episódio duplo e como ele entregou de forma desejável o que esperar do anime daqui para frente. Como leitor do mangá, estou ciente dos pontos fortes e fracos da obra, mas ainda posso afirmar que estou empolgado em revisitar a obra na sua versão anime e tenho confiança de que essa adaptação será uma boa adição à obra.