Granbelm

Granbelm

Estúdio: Nexus
Direção: Watanabe Masaharu
Roteiro: Hanada Jukki
Anime original
Número de episódios: ?
Há muito atrás, magia era comum no mundo, mas acabou desaparecendo com o passar do tempo. A história começa quando a colegial Mangetsu Kohinata, encontra Shingetsu Ernesta Fukami, que migrou de volta para o Japão da Alemanha, em uma noite de lua cheia.

Granbelm é, preciso admitir, o anime que mais tinha expectativa nessa temporada. Nunca assisti Re:Zero, mas sei que o diretor é bem conceituado. Porém, o roteiro é pelo autor do melhor anime do ano passado, Sora Yori Mo Tooi Basho. Não sendo esse o único anime que Jukki Hanada escreveu que acabou sendo um de meus favoritos. Por isso, aproximo Granbelm intrigado para o que aguarda nesse anime original. Não saio decepcionado com o primeiro episódio, mas a dúvida continua.

O primeiro episódio de Granbelm é mais uma introdução bem rápida ao mundo e personagens do que um começo da história. Temos uma visão rápida das sete garotas que compõem o anime, assim como seus robôs. Um pequeno resumo sobre aquele universo é compartilhado pela personagem Shingetsu, mas sem muitos detalhes, deixando um gancho para ser explicado provavelmente no segundo episódio. O que esse começo nos trouxe foi muita ação.

A parte técnica não deixa a desejar. Apesar dos robôs estranhos, parecendo com a versão chibi de Gundam, é um show de efeitos de luz e animação energética que também mostra um bom trabalho do estúdio Nexus, que não tem muitas obras em seu repertório mas conseguiu fazer animações bem agradáveis como a de Comic Girls.

Ao fim do episódio somos deixados com a expectativa do que esse universo reserva, somente sabendo que as personagens são descendente de magos, chamadas de Princeps, lutando em alguma espécie de guerra em um mundo de ilusão. Pode ser impressão, mas o primeiro episódio me lembrou muito a segunda parte de Mai-Hime, que consistia de lutas dramáticas entre as garotas para realizar seus desejos com consequências graves quando perdiam. Não sabemos aqui ainda as consequências de perder a batalha, apesar de uma personagem já ter feito isso no primeiro, mas o clima de drama e urgência já se faz sentir.

Mas não vou ignorar os pontos negativos. As personagens até agora foram não muito mais que estereótipos. O roteiro não apresenta grandes problemas, mas nada se destacou até o momento nas garotas que foram apresentadas. Embora, para ser justo, o mesmo pode ser dito sobre os personagens de todos os animes que vi nessa temporada até o momento, então dou um desconto.

Outro ponto que me preocupa é que, apesar da animação boa do episódio, a abertura e encerramento consistem de imagens estáticas e cenas dos episódios. Isso me faz temer que a qualidade em geral caia nos episódios futuros.

Porém, isso também me faz imaginar se não há mais do que o anime deixa a entender até agora. Isso porque nós temos sete personagens lutando em uma guerra e a primeira já perdeu no primeiro episódio, o que achei inesperado. Se continuar nesse ritmo, até o episódio 5 teremos somente as duas protagonistas. Podemos assim, a não ser que haja alguma enrolação em lutas futuras, chegar na metade do anime em uma situação que deveria ser o clímax. Seria possível que não temos uma abertura propriamente somente porque o verdadeiro tema do anime viria só então? Também me faz pensar no sub-título, revelado pela primeira vez na exibição do primeiro episódio, “As Duas Princeps”. Claro que sabemos que as duas meninas principais são o foco, mas me parece um título estranho de colocar considerando que há sete garotas que participam de batalhas individuais.

Bom, somente suposições. Provavelmente se confirmarão erradas. Aguardemos as próximas semanas.

***

Como fã de ambos os gêneros, o conceito de Granbelm de garotas mágicas x mecha é uma venda fácil pra mim. A execução que importava e, bem, o anime corresponde de princípio.

O plano de fundo da história é similar aos da série Fate, com uma grande guerra entre magos e o vencedor ganhando o direito de fazer um pedido. Nada muito inovador, mas que é uma forma simples e prática de ir logo para o foco nas personagens e nas batalhas.

Adotando aquele estilo dual de protagonistas tão comuns em outros mahou shoujo como Nanoha e Madoka, Granbelm foca em duas garotas, Mangetsu e Shingetsu, e como seu encontro afetará suas vidas.

A dinâmica delas é interessante por contraírem um pouco expectativas associadas a “arquétipos” do gênero. Mangetsu, que se espera ser a protagonista “rosa” super positiva, possui um lado mais triste, tratando os outros bem em busca de atenção, usando isso para suprir sua falta de talentos e se vê feliz por entrar na guerra mágica justamente por ser algo fora do comum; enquanto isso, Shingetsu é mais tímida e insegura do que deixa transparecer à primeira vista, com uma postura mais protetora em relação aos demais.

O anime no geral parece muito focar nessas ambições e histórias de fundo das participantes da batalha, sempre deixando pequenas pontas soltas para voltar futuramente. É o que me atraiu mais por enquanto no anime.

Quanto à parte mecha. As batalhas são bem fluidas e coloridas, com uma animação mais tradicional que já não é tão comum na era do 3DCG. No entanto, acho a ação um pouco confusa já que os poderes não são bem explicados, as lutas são frenéticas e os design mais “chibi” limitam o uso de articulações.

É um começo bom, embora não inovador. Resta ver as pretensões da série sobre as ambições contrastantes de suas duas protagonistas e o quão bem podem fazer um elenco relativamente grande funcionar.