Fairy Gone

Fairy Gone

Estúdio: P.A. Works
Direção: Suzuki Kenichi
Roteiro: Jyumonji Ao
Anime original
Número de episódios: 24
A história se passa em um mundo onde fadas possuem animais, dando-lhes habilidades misteriosas.  Ao remover os órgãos de um animal possuído e transplantá-los em humanos, as fadas podem ser convocadas como um alter ego e usadas como armas. Tais indivíduos que usavam fadas como ferramentas de guerra eram chamados de “Soldado das Fadas”. Depois que a guerra acabou e eles completaram seus papéis, os soldados perderam seu propósito. Alguns começaram a trabalhar para o governo, alguns se juntaram à máfia, e alguns até se tornaram terroristas.

Nove anos se passaram desde a guerra. A protagonista Mariya é uma nova recruta de “Dorothea”, uma organização que investiga e contém crimes relacionados a fadas. Em meio à instável situação política, criminosos com feridas persistentes da guerra e conflitos passados surgem e se envolvem no terrorismo como um ato de vingança. Esta é a história dos Soldados das Fadas, lutando por sua própria justiça em um caótico mundo pós-guerra.

P.A. certamente é o estúdio que mais investe em animes originais, quase sempre obtendo sucesso, mas seguindo mais ou menos a mesma fórmula: melodrama adolescente. E de vez em quando algo bom como Shirobako e Sakura Quest. Mas desde Canaan em 2009, o estúdio não parecia interessado em investir em um anime focado em ação. Isso parece ter mudado nos últimos anos com títulos como Kuromukuro e Sirius. São animes que dividem opiniões, e que, pior ainda, parecem ter passado completamente batidos pelo grande público, por mais que estivessem em uma plataforma grande como a Netflix.

Fairy Gone é a mais nova tentativa em fazer algo nesse estilo. Ambientado em um mundo em que fadas concedem poderes especiais aqueles que possuem, não demorou muito para que humanos se aproveitassem disso como uma forma de criar soldados, utilizados em batalhas entre nações. Com o fim da guerra, muitos deles acabaram vivendo na ilegalidade, trabalhando como mercenários ou servindo a mafiosos.

O maior inimigo deste primeiro episódio é o ritmo. Com uma montagem de cenas atropelada, tudo acontece sem quase nenhum build up e somos jogados num mundo em que não entendemos bem seu funcionamento e a implicação de alguns conceitos. É interessante, por um lado, como há pouca exposição e nos força a entender aos poucos o que está acontecendo. Mas não sinto que foi tão intencional, considerando que o pouco de exposição que teve foi colocado de forma mecânica.

A animação é competente o suficiente, com cenas de ação bem dinâmicas e um design de personagens bem atraente. Não é o típico anime da P.A. com cenários com cores vibrantes e chamativos, mas isso é o esperado pelo seu tom mais sombrio. E a trilha sonora também parece ser marcante e empolgante. O que provavelmente deve incomodar muitos, embora, é o 3DCGI usado nas fadas que os personagens invocam para batalharem.

Ainda sim, Fairy Gone parece promissor, com uma premissa que, se bem, explorada, pode funcionar muito bem. Por mais que muitos apontem a similaridade com o projeto anterior de ação da P.A., Sirius. É preocupante, mas vamos esperar que eles tenham aprendido com seus erros.

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Fairy Gone possui várias similaridades com o que chamaria de seu antecessor espiritual produzido pelo estúdio P.A. Works, Sirius: fantasia eurocêntrica sobre um tipo de criatura mítica de origem européia, guerra entre super soldados, a revelação do passado da protagonista e sua relação com o que parece ser uma figura chave da trama… Até mesmo o ritmo bagunçado do primeiro episódio é semelhante, com uma apresentação de personagens e do mundo bastante rápida para que haja tempo de entregar grandes cenas de ação logo de início e dar logo o ritmo da obra.

Não posso negar que as similaridades me deixam apreensivo e meio que sem palavras pra dizer que impressão inicial tenho desse anime, pois Sirius se mostrou uma experiência bastante frustrante após um bom início, já que nem sua história e nem seus personagens vão a lugar algum no fim das contas. Apesar das desconfianças iniciais, os momentos de ação já nesses 20 minutos são o bastante para animar e a leitura mais obscura do mito das fadas parece interessante. Espero que a história tome seu tempo para focar mais na existência dessas criaturas que são de longe, por enquanto, o aspecto mais interessante.

Mariya, a protagonista, infelizmente não teve um momento de destaque nesse primeiro episódio de verdade, mas espero muito que ela não seja eventualmente colocada atrás do protagonista masculino e sirva apenas como interesse romântico. Seria um desperdício muito grande de se testemunhar novamente. Aliás, torço para que as coisas comecem e terminem assim, com um bom aperto amigável de mãos.

Agora só posso esperar que Fairy Gone se mostre superior e mais coeso não só do que Sirius, mas também a todas as tentativas do estúdio de lançar grandes animes de ação no passado.

Quero acreditar no potencial da P.A. Works.

(Chega de Sirius!!)

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Até agora minhas experiências positivas com PA Works foram poucas, Sakura Quest e Shirobako sendo maior destaque. E eis que Fairy Gone chega para… não mudar nada provavelmente.

Não que Fairy Gone não tenha potencial. O anime possui uma animação bem bonita, apesar do CG estranho, designs intrigantes e uma protagonista que até o momento é bem simpática, com uma história de fundo que pode ser bem emocionante. Com isso tudo poderia ser uma das promessas mais fortes, não fosse o fato que o roteiro é completamente medíocre.

Começando pela introdução que é construída como uma exposição forçada. E mesmo sendo uma exposição, não conseguiu explicar nada, deixando mais dúvida do que provavelmente pretendiam. Mas logo o episódio entra em um ritmo de ação, que é quando começa a demonstrar a falta de habilidade para fazer algo se destacar.

O episódio é cheio de falas clichês, cenas de luta vazias e uma história que praticamente não consegue sair do lugar. Eu entendo que é para ser uma introdução, mas até essas podem ser mais interessantes quando se escolhe um tema diferente, como mostra Princess Principal. O primeiro episódio de Fairy Gone não tem tema algum fora mostrar que a protagonista conhece uma mulher que virou antagonista. Você pode facilmente resumir tudo que acontece em um parágrafo.

Já me enganei com primeiros episódios antes, então espero que seja o caso aqui. Porque se conseguir achar seu rumo, Fairy Gone tem potencial para ser uma obra interessante.