Dr. Stone

Dr. Stone

Estúdio: TMS Entertainment
Direção: Shinya Iino
Roteiro: Kido Yuuichirou
Baseado em um mangá por Inagaki Riichiro e Boichi
Número de episódios: 24
Um dia fatídico, toda a humanidade foi petrificada por um raio ofuscante de luz. Depois de vários milênios, o colegial Taiju desperta e se vê perdido em um mundo de estátuas. No entanto, ele não está sozinho! Seu amigo igualmente amante da ciência, Senku, está acordado há alguns meses e ele tem um grande plano em mente: reviver a civilização com o poder da ciência!

Numa civilização que sucumbiu a um tipo de energia que transformou todos em pedra por quase quatro milênios, dois estudantes, Senku e Taiju, tentam reconstruí-la usando dos seus conhecimentos científicos. Empoderamento de adolescentes e da ciência, yay.

Dr. Stone é como se dois adolescentes estivessem jogando uma mistura de Age of Empires com Doodle God. Sendo (até agora) os dois seres humanos que escaparam do estado petrificado, eles aceitam a missão de buscarem uma solução para salvar o resto da civilização, com Senku sendo extremamente recursivo no seu vasto conhecimento científico, e Taiju servindo como os músculos para operar tudo que requeira força bruta. Como os jogos citados, é bem gratificante ver a forma como os dois avançam e chegam em soluções inusitadas, se aproveitando dos poucos recursos disponíveis. É didático em momentos, quase como se a situação fosse apenas uma desculpa para o autor jogar seu conhecimento, mas não me incomodou tanto aqui como geralmente acontece.

Os personagens também são só os arquétipos necessário para a história progredir e ter uma dinâmica interessante, e a forma como a única personagem feminina apresentada tem um papel de um “troféu” para um dos protagonistas ser recompensado pelo seu esforço é algo que me incomoda, ao mesmo tempo que posso dizer que é esperado da Jump. Responsável por outro mangá de sucesso da Jump, Eyeshield 21, que também não tinha um bom tratamento de personagens femininas, o autor ainda parece sofrer com a síndrome “sou tão adolescente quanto meu público e não sei lidar com mulheres”.

Mas talvez o que mais me incomode seja o traço do Boichi, que aparentemente só sabe desenhar homens com traços pesados e expressões duras, enquanto mulheres são quase personagens da Key de tão forçadas para serem “fofas”. A produção parece ser bem decente, então tomo isso como uma compensação.

Ainda não sei bem o que esperar de Dr. Stone a longo prazo. É um shounen longo em andamento, que pode desandar na tentativa de se arrastar o máximo possível, ou simplesmente não se sustentar em personagens tão básicos.  É um risco, como sempre, mas meu coração está aberto a um bom shounen no momento.