2018 in a Box: Melhores (e Piores) Animes do Ano

2018 in a Box: Melhores (e Piores) Animes do Ano

O ano acabou, animes ainda não. Então vamos fazer mais uma retrospectiva de tudo que rolou esse ano para aqueles que talvez tenham esquecido que existem animes além de Violet Evergarden e Darling in the FranXX. Dois títulos que, inclusive, surgiram na temporada de inverno, ao lado de Yorimoi, e abriram o ano da forma mais chamativa possível.

Este também talvez seja o ano que o sensacionalista poderia gritar com mais vontade que anime é uma mídia morta de um ponto de vista criativo, considerando que foi repleto de obras antigas ressurgindo ou finalmente ganhando uma adaptação. Mas remakes, ou revivals, não são um problema, porque eles entendem o contexto que estão inseridos e geralmente buscam uma releitura moderna. E mesmo se tentam capitalizar no fator nostalgia, são apenas mais um reflexo de vários da mídia como um todo. Há espaço para todo tipo de obra, afinal.

Por falar nesse espaço, a Netflix continua investindo cada vez mais no mercado de animes, incentivando os estúdios a criarem animes com apelo maior para o ocidente, embora não com o selo de qualidade que se esperaria da plataforma – o que acontece já há um bom tempo. De qualquer forma, o fato de que existe um interesse maior pelo ocidente, embora não ideal no momento, é algo saudável para que a mídia cresça e se fortaleça.

Então fiquem agora com nossas análises acertadas da cultura pop asiática, com categorias que expressam todo o nosso amor e ódio pelos títulos do ano. Ah! Mas antes disso, que tal nos dizer também quais foram os seus favoritos? Em parceria com o blog In Anime we Trust, criamos uma enquete com várias categorias para que vocês possam fazer o mesmo e decidir os melhores do ano. Vota lá!

Mais uma coisa: agora temos uma mascote! Depois de horas de brainstorming para escolher um nome, decidimos chamá-la de Junk-tan (feita pelo talentoso tengufdi). No melhor estilo yami kawaii, ela representa bem o quão frágil é a nossa inspiração para postar conteúdo no blog. Mas, mais uma vez, prometemos postar com mais frequência em 2019! Talvez.

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Eu editei esse post todo e tô exausto e sem inspiração nenhuma para comentar algo aqui. Assistam animes.

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Melhor Kuso Anime

Pop Team Epic

A adaptação de um mangá tão nonsense e desconexo como Pop Team Epic foi um mistério quando foi anunciado. De que forma o anime iria funcionar e como adicionaria ao estilo de humor do mangá? Bom, que tal distribuir as sketches entre quatro estúdios, ter uma segunda parte em que tudo se repete (com dubladores diferentes em cada episódio), e simplesmente ter a liberdade para criar qualquer coisa – como uma paródia de “Let’s Groove” com pelúcias das protagonistas.

Pop Team Epic é caótico no seu humor, com sketches que variam entre piadas bem elaboradas à simples referências obscuras à cultura pop que não comunicam muita coisa. Ele é mais um caso de algo tão absurdo que gera fascínio do que realmente de algo que conseguiu me entreter totalmente. Como se popularizou no twitter do Japão, o termo que o anime usava para se referir a si próprio, “kuso (lixo) anime”, é talvez o que melhor expresse o que ele tentava ser. Porque ele tinha noção de que era tosco, sem graça em alguns momentos, mas que se divertia em ser tão disfuncional.

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Melhor Slice of Life

Yuru Camp△

Ah, como não amar Yuru Camp, a minha nova definição do termo “comfy”.

Vindo da linha da Manga Time Kirara, uma revista de mangás que se firmou com um estilo de “cute girls doing cute things” bem característico, Yuru Camp talvez fosse mais um que usasse dessa fórmula. O que não é bem um problema por si, visto que agrada seu público, e ainda consegue me entreter um pouco. Mas geralmente não passa de algo divertido, porém esquecível. Porém, também não quero afirmar que Yuru Camp tenha fugido totalmente da fórmula – apenas que fez as mudanças necessárias para tornar tudo mais interessante.

A forma como a individualidade de Rin é respeitada, por exemplo, quando o normal na fórmula é ter o foco na união do grupo de protagonistas, é algo que deixa o anime muito mais charmoso, visto que não só enriquece a personalidade da personagem, mas como cria uma dinâmica de contraste entre os lugares e a forma como ela acampa em relação ao outro grupo de protagonistas.

Yuru Camp também não é só sobre acampar. É sobre hobbies e a satisfação que eles causam. Assim como uma das personagens adorava dirigir e outra beber álcool, as personagens se divertiam planejando o lugar que iriam acampar e cada passo para isso. E a forma como o anime conseguiu transmitir isso é o que torna Yuru Camp uma experiência contemplativa tão cativante de acompanhar.

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Melhor Abertura de um anime esquecível

Kokkoku

 

Kokkoku talvez não tenha sido um anime tão memorável, com uma premissa interessante que se perde um pouco na segunda metade e uma animação meh. Mas certamente teve uma das aberturas mais icônicas dos últimos anos.

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Pior abertura de um anime memorável

Shingeki no Kyojin Season 3

 

Eu sei que vou ser o clichê falando que Red Swan é a pior abertura de Shingeki no Kyojin, que não empolga e destoa das outras, e que o encerramento é muito melhor, mas… É. Desculpa Yoshiki e HYDE. Gosto de vocês, mas nem a música nem o storyboard da abertura são interessantes.

A princípio, não tendo lido o mangá, até imaginei que poderia ser uma boa representação do clima do arco atual que, como já havia lido por aí, focava mais em tramas políticas do que na ação. Mas não falaram que a trama política envolvia bastante ação! Então não consigo criar nenhum tipo de associação entre a temporada e a abertura, que parece se preocupar mais em querer fortalecer a relação de amizade entre o trio não tão principal agora – possivelmente para impactar mais futuros desenvolvimentos deles.

Não acho que seja um problema quebrar o padrão das aberturas passadas, mas também não acho uma boa ideia fazer isso com um estilo que não se relaciona tão bem com o que a temporada trabalhou. Então, repetindo o que todos já falaram: bem que podiam ter trocado o encerramento e a abertura de lugar.

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Melhor filme (?)  AINDA MEDIANO – DA OKADA MARI

Maquia

Maquia não é um ótimo filme. Até como já foi destacado num review aqui no blog. Mas talvez seja a única obra recente da Okada Mari que eu consiga defender até um certo ponto. E talvez por ser a obra mais autoral dela eu consiga ver algo positivo nisso.

Se eu tivesse que fazer um bingo de tropes e temas comuns nas obras da Okada Mari, a relação entre mãe e filho certamente seria uma das categorias. Maquia é a história de uma menina que nunca teve uma mãe e nunca entendeu o que é ser uma – até que ela decide ser. A jornada que acompanhamos dela durante o filme é falha, com cortes estranhos que omitem momentos importantes, e focando em subtramas que se preocupam mais em montar o tema principal do que tornar aquela história sobre uma mãe realmente comovente.

Mas em meio a tantas falhas, ainda existe uma tentativa válida de construir um drama sobre uma mãe que faz de tudo para dar ao seu filho o que nunca teve. Há momentos que realmente me tocaram e que me fizeram perceber que existe algo ainda no roteiro que não me faz ter total repulsa pela Okada Mari – e isso vindo de um ano em que tivemos Hisone to Masotan.

Okada Mari é uma roteirista prolífica que investe mais nos seus erros do que nos seus acertos, pois provavelmente não consegue ainda fazer uma autoanálise do seu estilo. Como diretora, é uma novata que não entende bem como montar um filme de forma satisfatória. Mesmo assim, talvez seja a posição necessária para ter sua visão realizada. Então espero que ela cresça como ambos daqui pra frente.

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Melhor PARÓDIA

Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online

SAO é uma franquia que nunca foi bom e nunca será nas mãos de seu autor original, que cada vez mais prova que precisa se sustentar em clichês e vilões forçados, competindo com Goblin Slayer no nível de escrita ofensiva e barata. Mas o conceito em si não é ruim. Talvez nas mãos de uma pessoa talentosa, como Keiichi Sigsawa, autor de Kino no Tabi, se tornasse algo interessante. Foi o que me incentivou a assistir GGO, um spin-off baseado em um dos arcos da light novel original. A visão de Sigsawa, entretanto, parece ser mais uma paródia da franquia como um todo. E isso é o que torna GGO tão divertido.

Pra começar, não há a dramaticidade dos jogadores presos num mundo virtual. São apenas personagens que usam daquele mundo como uma forma de escapismo ou que encontram alguma satisfação que não é possível no mundo real. Karen é apenas uma garota alta que se sente realizada num mundo em que é uma garotinha fofa vestida de rosa e com sua amada P-90 da mesma cor. Mas é no mundo virtual de GGO que ela encontra a versão feminina do Kirito: Pitohui, uma jogadora psicótica que parece ter sempre a sorte e as conveniências que um protagonista teria. Alguém que vive pelo thrill dos jogos VR de ação, e que seu maior arrependimento foi não ter participado de SAO.

Pito é claramente uma referência a Kirito, mas de forma a acentuar seu lado obsessivo, ao mesmo tempo que tira sarro da forma como ele sempre consegue ter algo que o coloca acima dos outros; seja uma arma específica ou uma habilidade única. Mas ela é o mais próximo de uma vilã na história, o que torna esses aspectos mais interessantes.

Com um protagonismo centrado em personagens femininas, e personagens masculinos emasculados, GGO parece entender todos os problemas de SAO e satirizar da melhor forma possível. O que, para alguém que odeia a franquia, foi um dos melhores tipo de entretenimento que eu poderia ter esse ano.

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MELHOR FREESTYLE DE RAP

Confissão de Kukun

(DEVILMAN CRYBABY)

 

Devilman Crybaby não foi um anime que me agradou muito. Como comentei no meu review aqui no blog, meu maior problema foi como a adaptação tentava criar algo novo, ao mesmo tempo que parecia se forçar a seguir a trama do mangá. O resultado foi que muita coisa trabalhada no começo do ano se torna irrelevante depois e a estrutura temática do anime é bem desconexa.

Algo que não posso negar, entretanto, é que a escolha de adaptar os datados delinquentes do mangá original como rappers, que agora agridem as pessoas com rimas freestyle, foi uma ótima decisão. Piadas à parte, a cena em que Kukun, um dos membros da gangue que era sempre menosprezado, expressa tudo que sentia (suas frustrações, receios e sonhos) por versos, como não só uma forma de declarar seus sentimentos por Miki, mas também de inspirá-la, é excelente na maneira como consegue conectar os personagens e validar seus dramas.

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MELHOR COMÉDIA E DRAMA
Hinamatsuri

De certa forma, talvez Hinamatsuri tenha sido a maior surpresa desse ano para mim. Tendo lido alguns capítulos do mangá bem antes do anime e não se impressionando tanto, minha expectativa não era das melhores. Mas o primeiro episódio do anime foi o suficiente para me convencer de que seria um ótimo anime de comédia.

Não que eu acredite exatamente que há piadas que só funcionem no anime, e sim que a forma como certas cenas foram animadas conseguiram tirar o melhor do humor do mangá. Cenas como o duelo entre Hina e Anzo no “olhe para cá” tomaram outra proporção cômica no anime.

Com uma forte direção, e uma animação que se preocupava em animar da melhor forma possível gestos sutis dos personagens, o anime conseguiu não só deixar as cenas do mangá mais engraçadas, como também tornar os personagens mais “reais” – e, da mesma forma, os seus dramas. A decisão de deixar de lado capítulos que tinham foco no uso dos poderes telecinéticos de Hina e da Anzu, dando espaço ao drama familiar das personagens e nos seus desenvolvimentos individuais, talvez tenha sido o grande toque que deixou essa adaptação tão única. O que era pra ser um arco cômico como da Anzu, se tornou algo surpreendentemente tocante e elevou o nível de qualidade do anime, que conseguia revezar entre momentos extremamente engraçados e verdadeiramente comoventes.

Não é algo tão em comum ter uma comédia com momentos dramáticos que funcionem sem destoar do resto. Gintama talvez seja um bom exemplo. Mas Hinamatsuri talvez tenha elevado o nível do que eu devo esperar de uma comédia (e drama) daqui pra frente.

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MELHOR PERFORMANCE TEATRAL

REVUE OF PRIDE (REVUE STARLIGHT)

 

Starlight é um projeto que chamou atenção por ser um anime original da Kinema Citrus, estúdio renomado por ter produzido Barakamon e Made in Abyss, e também pelo seu diretor, Tomohiro Furukawa, ter trabalhado em obras como Mawaru Penguindrum. Para aqueles que conheciam seu estilo, auxiliado pela premissa de Starlight, fez com que muitos fãs do Ikuhara se empolgassem com a possibilidade de algo próximo ao seu estilo – mais especificamente de Utena.

Assim como Utena, Starlight utiliza de duelos para comunicar os sentimentos dos personagens da forma mais extravagante possível, num palco com elementos evocativos que simbolizam tudo que caracteriza aquelas que performam nele. A protagonista, Karen, é uma idealista que acredita ser capaz de tudo com apenas força de vontade, e busca alcançar o papel principal da peça ao lado de Hikari, sua amiga de infância, após terem feito a promessa de que chegariam ao estrelato juntas. Após algumas vitórias, ela está confiante o suficiente de que derrotaria até mesmo Tendo Maya, a aluna mais talentosa da classe. Mas a sua arrogância é confrontada com o orgulho de Maya, que demonstra o quão distante é o nível entre as duas.

Intitulado Revue of Pride, o duelo entre elas é caracterizado por longas escadas que elevam Maya e forçam Karen a escalar para confrontá-la. No fundo, é possível observar a torre de Tóquio, um elemento muito constante durante o anime que representa a ideia de perseguir o topo do estrelato, mas que também simboliza a promessa entre Karen e Hikari de chegarem nele juntas. O frenético duelo intercala com o de outras personagens, enfatizando a ideia de que todas elas estão dando o seu máximo para alcançar o topo, e que Karen não entendia bem o tipo de esforço necessário para chegar lá.

A dramaticidade teatral e a incessante troca de golpes entre Karen e Maya conseguem passar toda a intensidade de seus sentimentos, transformando esse momento em uma das cenas mais icônicas do ano para mim.

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Melhor Revival

Talvez o que mais tenha marcado este ano foi o retorno de grandes clássicos, que tomaram diferentes formas. Gegege no Kitarou fez uma releitura moderna do clássico, atualizando a fórmula da franquia e tratando de temas bem atuais; bem como a parte V de Lupin. Por outro lado, também tivemos adaptações mais conservadoras como Cutie Honey e Captain Tsubasa. E algo como Devilman Crybaby, que tentou seguir os dois caminhos. Megalo Box, por outro lado, quis dar um passo maior ao homenagear o clássico mangá de boxe, Ashita no Joe.

Em um mundo em que o boxe agora é disputado com o auxílio de uma estrutura de metal chamada de gear, Junk Dog/Joe é alguém que busca a emoção do boxe real e quer desafiar o status quo daquele mundo. Ele decide então entrar no torneio Megalo Box, um grande evento feito unicamente para promover um novo modelo de gear, usando apenas seus punhos – o que lhe garante o apelido de “Gearless Joe”.

Como seu nome implica, Joe, inspirado por uma linha de uma propaganda, “Average Joe” (Zé Ninguém), é alguém que veio de uma cidade abandonada, sem um passado ou nome, e inspira aqueles ao seu redor na sua jornada – assim como o próprio Ashita no Joe fez na vida real. Ele é o cachorro sem dono que morde todos que tentam colocar uma coleira no seu pescoço, num sistema de classes em que é sempre necessário servir a alguém. E o que o torna um personagem fascinante é como o pouco que sabemos dele é mais que o suficiente para caracterizá-lo assim.

Entretanto, ainda tenho alguns problema com o anime. Talvez a maior falha de Megalo Box tenha sido a falta de consistência com seus temas. A perseverança de Joe e Nanbu, seu treinador, em desafiar o sistema é o ponto mais forte do anime, com a jornada de ambos mantendo um nível de tensão fora e dentro do ringue. Cada luta trazia um peso maior em questões que não dependiam apenas dos punhos de Joe para serem resolvidas. Mas, por outro lado, não havia nada de muito interessante no arco de Yuuri e todo lado corporativo representado pela Yukiko. Ou ao menos algo que conversasse bem com o arco de Joe e Nanbu.

Ambos claramente representavam o lado oposto, mas não havia nada que realmente contrastasse entre eles no final das contas. De fato, Yuuri parecia um personagem mais interessante quando apenas apoiava Yukiko em seu sonho, alguém que aceitou a coleira para um bem maior, mas isso passa a ser totalmente irrelevante depois. O arco de ambos, no final, não parece comunicar nada e apenas cede espaço para que o drama dos protagonistas seja totalmente desenvolvido.

De qualquer forma, o que funcionou em Megalo Box, funcionou muito bem. Ele talvez não tenha vivido as expectativas de algo tão impactante culturalmente e socialmente como Ashita no Joe, mas talvez ele não precisasse também. O contexto é outro e ser uma obra sólida por si só já é uma boa forma de homenagem.

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Pior anime com último episódio decente

Akanesasu Shoujo é um anime ruim, ao ponto de que chega ser triste ressaltar isso, visto que é baseado num jogo de celular que já teve seu término anunciado e as vendas de BD/DVD individuais canceladas. Mas havia algo de fascinante em acompanhar as aventuras disfuncionais e bobinhas das protagonistas, que me divertiam na forma tosca como se desenrolavam e eram resolvidas.

Porém, o mais fascinante foi com certeza o último episódio. Com leve inspiração em Evangelion, o episódio foca na protagonista confrontar uma versão de si mesma que se estagnou no momento em que teve seu maior trauma: o desaparecimento do seu irmão. O que parecia ser um elemento do enredo que teria uma explicação mágica é transformado num arco sério, em que a protagonista precisa fazer uma autoanálise dos seus sentimentos e ajudar a si própria a superar a morte do seu irmão. Acompanhado de um visual evocativo e impactante, o episódio consegue ser surpreendente bem feito na forma como desenvolve algo tão dramático num anime que, até então, era sobre aventuras temáticas em outros universos; como ir parar no velho-oeste americano em pleno Japão.

De qualquer forma, não estou fazendo uma recomendação. Não sou do tipo que acredita em uma recompensa após enfrentar vários episódios ruins. Mas é algo que queria relatar por achar tão curioso. Anime é realmente uma mídia intrigante.

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MELHOR ANIME DE INCENTIVO AO TURISMO

Zombieland Saga

É fácil falar que Zombieland Saga foi uma surpresa, pois seu marketing foi bem nebuloso. Não havia nada que indicasse que o anime seria sobre um grupo de idols zumbis tentando revigorar a prefeitura de Saga. Não sei ao certo dizer se isso contribuiu de alguma forma para o sucesso do anime, mas certamente comunicou bem o quão inesperado cada episódio seria – a começar pela primeira cena do anime.

É algo bem comum no Japão hoje que cada prefeitura tente ao seu modo chamar atenção do público e promover o turismo local. É provavelmente o melhor momento para trabalhar como mascote. Mas eles também perceberam que animes são uma ótima forma de atrair o público. Como o nome implica, Zombieland Saga não esconde que realmente está promovendo a prefeitura de Saga, com boa parte dos lugares que as personagens visitam sendo uma representação bem fiel.

Com a jornada da Franchouchou sendo de salvar a prefeitura de Saga, o anime torna vários dos lugares reais memoráveis ao relacionar com cenas icônicas e conseguiu promover a cultura local de uma forma bem natural. E parece ter sido bem eficiente.

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MELHOR JOJO

JoJo no Kimyou na Bouken: Ougon no Kaze

Mais um ano, mais um anime de Jojo. Bom, pra ser exato, dois anos.

Vento Aureo é uma parte que tem uma fama curiosa: é conhecida como a pior parte no ocidente, mas é tão amada quanto a parte 3 no Japão. Mas o que é mais curioso é que muita gente acompanhando a obra pela primeira pelo o anime não entende esse ódio, que parece cada vez mais concordar com o público japonês. Tendo lido o mangá, eu sempre tive um certo fascínio com a parte 5 e sua temática com mafiosos, assim com a forma como recupera o espírito da aventura que foi deixado de lado na parte 4. Talvez o maior empecilho em me fazer gostar mais dela foi a tradução duvidosa e scans de péssima qualidade, que tornavam as lutas – que já eram complexas – em algo extremamente confuso.

Com o crescimento da popularidade de Jojo, o estúdio responsável, David Pro, também teve seu mérito reconhecido, e acabou recebendo mais projetos. Carregando adaptações como o popular Hataraku Saibo e a nova adaptação de Captain Tsubasa em 2018, não parecia muito provável um anúncio de que fariam Jojo esse ano. Mas fizeram. Com as mãos cheias e boa parte da equipe mais competente ocupada, criou-se o receio de que a adaptação da parte 5 fosse ser a típica produção bagunçada, e que não teria o charme das outras adaptações.

Mas o que parecia um desastre anunciado acabou sendo uma forma de trazer um novo olhar para a franquia. As adaptações passadas, embora adicionassem alguns detalhes, se prendiam demais ao fato de que precisavam preservar a essência do mangá e, para isso, uma adaptação quase literal era necessária – pois só assim algo tão estilizado como Jojo funcionaria como anime. Foi, de fato, o estilo que tornou o anime tão único, mas era preciso mudanças para recuperar aquele espírito de algo inovador e refrescante como foi a primeira adaptação.

Agora com uma equipe quase que totalmente nova, o estúdio parece ter se desprendido do purismo em adaptar de forma literal, tendo bastante liberdade criativa ao adicionar cenas que caracterizam melhor os personagens, contextualizam melhor a trama e parece ter entendido melhor que todos o quão icônico era o momento da dança, transformando num espetáculo visual que entregou mais do que devia.

É complicado afirmar o quão vantajoso essa nova visão será a longo prazo, e se o nível técnico da produção irá se manter, considerando que o anime ainda está no seu primeiro terço. Mas o que essa adaptação de Vento Aureo entregou até agora já conseguiu elevar o mangá mais do que qualquer outra temporada passada.

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MELHOR ISEKAI

TENSURA

Ainda em andamento, mas estou confiante para afirmar isso. TenSura é um isekai que talvez reúna tudo que mais odeio no gênero: reencarnação e algum tipo de habilidade extremamente poderosa concedida ao protagonista. Mas aparentemente um bom autor é o suficiente para remediar isso e trazer algo interessante dessa fórmula.

O caso de TenSura talvez seja o approach. É um anime que pega elementos de épicos de fantasia e a típica estrutura de videogames que isekais modernos tanto gostam, e transforma em algo mais gratificante na forma como grandes conflito se resolvem de forma pacífica, com Rimuru, o protagonista, sempre tentando dialogar ou buscando a forma mais eficaz de resolver um conflito, o que dá um ar refrescante a fórmula. Embora o anime atualmente esteja indo para um lado mais focado em grandes batalhas, não sinto que há uma falsa subversão do gênero, pois ainda fica subentendido que, se houvesse a opção de dialogar, toda essa situação já teria sido resolvida.

TenSura tem um elenco de personagens divertidos, uma visão muito mais interessante da fórmula, e um bom roteiro que é sagaz para fazer boas sacadas com a premissa. É tudo que peço de um isekai.

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MELHOR DARLING IN THE FRANXX (E MELHOR DIRETOR)

Sendo literal agora. Gridman talvez tenha sido uma surpresa maior por ter vindo no mesmo ano em que a Trigger co-produziu, ao lado da A-1, Darling in the FranXX, um anime que também tomava suas inspirações em Evangelion. Com a Trigger sendo composta por animadores da falecida Gainax (agora Gaina), talvez seja natural que o Anno se torne a maior inspiração em questões de direção e temática. Mas enquanto o Nishigori, diretor de DarFra, talvez tenha tirado o pior dessa inspiração, transformando a ideia dos dois pilotos em algo sexual e problemático na sua visão heteronormativa, reduzindo muito dos dramas dos personagens a um melodrama adolescente barato, Amemiya conseguiu evocar através da sua direção e dos temas algo tão impactante quanto EVA.

A compatibilidade de Amemiya com Anno talvez tenha sido o que fez Gridman tão especial. Assim como Anno, que começou sua carreira fazendo filmes amadores de Ultraman, Amemiya nunca escondeu sua paixão por tokusatsus, e Gridman parece ser algo um tanto especial para ele – que inclusive já havia produzido um episódio sequência especial da série da 93. Indo de referências óbvias à forma como construiu a atmosfera do anime, com diálogos dispersos e longas pausas, a direção de Gridman conseguiu ser mais que uma simples homenagem na forma como transmitiu a estranheza daquele mundo e como isso se comunica com o que o anime tentava construir tematicamente. O realismo silencioso da escola, contrastado com o momento estrondoso e bufante nas batalhas da parte “super robot”, criava uma dupla realidade que sinalizava o que aos poucos vamos descobrindo sobre aquele mundo.

Em um ano em que tivemos vários animes ressurgindo como homenagens, Gridman talvez seja o que mais sobre aproveitar da sua reverência ao gênero mecha e as séries de tokusatsu – tornando-se um clássico moderno no processo.

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MELHOR ANIME DE 2-cour CONDENSADO EM 13 episódios

Double Decker! Doug & Kirill

Anunciado como um tipo de spin-off de Tiger & Bunny, que a princípio não ficou claro se seria uma sequência ou se passaria antes, ou se simplesmente seria um “sucessor espiritual” por ter o mesmo estilo sendo produzido pela mesma equipe (o que acabou sendo o caso), Double Decker é melhor do que deveria ser.

Não falo isso como uma forma de demérito pelo estilo do anime. Mas sim  porque ele claramente tem um roteiro de um anime de 2-cour (22-26 episódios), com episódios bem interessantes tematicamente, mas executadas de forma controversa pelo ritmo apressado. O arco final, em específico, quase conseguiu destruir tudo que o anime havia construído. E aí talvez entre o maior mérito do anime; porque ele não conseguiu.

Double Decker tinha noção de suas fraquezas. A equipe sabia que precisava cortar certas cenas para priorizar o que era mais importante para a construção do enredo como um todo. E disso saiu uma ótima sacada: deixar o narrador ser interativo e, em tom cômico, fazê-lo anunciar o quão desnecessário seria mostrar certas cenas. Isso acabou caracterizado muito o estilo de humor de anime que, ao lado de personagens carismáticos, uma temática que puxava comentários sociais, o anime acabou sendo um milagre na forma como conseguiu contornar o que deveria ser um desastre narrativo.

Talvez não tenha sido o novo Tiger & Bunny que todos esperavam, mas Double Decker certamente conseguiu demonstrar que há uma equipe competente por trás, que ainda têm ideias interessantes para colocar no papel, e que estão dispostos a arriscar caso as condições de produção não sejam das melhores.

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Anime do Ano

Sora yori mo Tooi Basho

Yorimoi é algo que não vai faltar nesse post, mas mesmo assim sinto que preciso expressar meu amor por ele.

O que faz Yorimoi tão bom é que ele entende o que é ser adolescente. Ele entende a adolescência como uma fase de atos impulsivos, de lutar contra a inércia e fazer coisas novas. De buscar novos lugares não por pura insatisfação da sua rotina, mas porque uma força te impele a se mexer. Como representado no segundo episódio, o ato de literalmente correr traz conforto para as personagens, que encaram como a adolescência na sua forma mais pura.

Cada uma das personagens busca um novo começo nessa jornada. Não apenas ao escapar da sua vida rotineira e das pessoas ao seu redor, mas sim como uma forma de incentivo a causarem mudanças em si mesmas. Acima de tudo, elas não queriam provar nada a ninguém além delas mesmas. Nunca vemos a reação das colegas de escola de Shirase e Tamaki quando fazem o discurso de despedida, que antes as ridicularizam por acharem a viagem à Antártica algo absurdo, como algo catártico, porque não importa. Da mesma forma, quando as ex-colegas de Hinata tentam apoiá-la, ela as renega, porque sabe que as únicas pessoas que importam são aquelas que estão do seu lado e que acreditaram nela.

A jornada também tem um peso emocional maior para Shirase pela relação com sua mãe. Ela busca uma conclusão não apenas para o trabalho de vida da sua mãe, mas também para que ela consiga aceitar melhor sua perda. E seu pico emocional é com certeza um dos melhores episódios do ano.

Yorimoi é um anime que conseguiu tirar o melhor do drama adolescente que, carregado pela excelente direção de Atsuko Ishizuka, tornou-se sem sombra de dúvidas um clássico instantâneo.

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Fim do ano de novo. O que significa mais um ano de destaques em animação japonesa e etc… Nem sei se devia fazer uma introdução, mas acaba aqui porque não tenho nada para falar. Feliz Ano Novo. Que o próximo ano seja…. Ah, não vai ser, tanto faz.

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Mangás Yuri que Finalmente Receberam Adaptação

Citrus Yagate Kimi ni Naru

Como fã de yuri, é sempre bom ver o gênero crescendo e adaptações em anime são geralmente um bom indicativo do quão popular o ele está. Se preciso ser honesto, nem Citrus nem YagaKimi são perto de serem meus favoritos. Porém, acredito que qualquer adaptação do gênero merece ser comemorada e torcer para que impulsione mais no futuro.

Citrus teve uma boa recepção em streaming e YagaKimi parece ter vendido razoavelmente bem, além de ser uma boa adaptação, com animação consistente e boa direção.

Então torço que daqui saia mais confiança em comitês para adaptar outros mangás ou, melhor ainda, um projeto original dentro do gênero.

E sim, há outros animes no ano que podem ser considerados yuri, mas esses são os únicos que são romance mesmo, o que dispensa questionamentos.

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Adaptação de Mangá Yuri que Foi Melhor do que Esperava

Kase-san

Kase-san também não é um dos meus mangás favoritos, o que faz com que seja ainda mais significando o quanto acabei gostando do movie de uma hora baseado nele. Ele tenta animar vários volumes em pouco tempo, mas é muito bem dirigido que funciona. Eu diria que ultrapassa ainda a emoção que o mangá transmite.

Definitivamente meu anime yuri preferido do ano.

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Melhor Transformação de Mahou Shoujo

Cure Amour e Cure MaCherie

(Hug tto! Precure)


Sinceramente, não preciso nem explicar. Olha que fofo.

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Melhor Anime com Animação Lixo

Kokkoku

Penso se surgiu a seguinte conversa no estúdio:

“O que a gente faz como nosso primeiro anime?”
“Que tal aquele anime que nada se mexe? Muito fácil animar!”

Mas é um bom anime. Sério. É feio, mas um bom anime.

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Melhor Anime Que Ninguém Viu

Miira no Kaikata

Não vou julgar ninguém aqui. Meus motivos para assistir o anime também foram completamente aleatórios. No fim acabou sendo muito bom. Não há nada especialmente notável, mas o anime diverte de uma forma que não é fácil conseguir com uma premissa tão aleatória. Não sei se é o tipo de anime que eu recomendaria fora da temporada, mas fiquei satisfeito com o que vi.

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Esperando Episódio Final

Marchen Madchen

Um dia sai. Um dia…

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Melhores Kirara

Slow Start, Comic Girls, Harukana Receive, Anima Yell

Não acho que tenha nenhum anime no estilo Kirara (que não necessariamente precisa vir de uma revista Kirara, apesar que todos esses vieram) que se sobressai sobre os outros este ano, então nada mais justo que juntar todos aqueles que merecem uma menção.

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Melhor Comédia

Hinamatsuri

Tá aí uma surpresa. Não esperava literalmente nada desse anime, mas acabou sendo o mais interessante da temporada que estava passando. Hinamatsuri não é só uma boa comédia, como também possui boas histórias dramáticas e desenvolvimento de personagem. Mas como comédia é o gênero, e nisso se dá muito bem, inclusive melhor que outra certa comédia que decidiu virar uma história séria chata, acredito que merece o título.

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Volta Para Wixoss

Mari Okada

Sério, Wixoss não está dando certo sem ela, e ela não está dando certo com nada. É o ideal!

Bom, não exatamente. Acredito que ela ganhe dinheiro porque as pessoas gostam do roteiro dela no fim. Ainda acho que é o magnum opus dela, porém!

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Melhor Sword Art Online

Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online

Sem mais comentários.

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Melhor Morte

Happy Sugar Life


Há várias coisas boas para se dizer sobre Happy Sugar Life, um anime que muita pouca gente deve ter assistido. A adaptação foi muito bem feita e a história era mais interessante do que se poderia julgar a princípio. O porquê essa morte é tão impactante, tanto no anime quanto no mangá é difícil de explicar sem o contexto necessário, mas quem assistiu vai entender. Além disso, a animação da cena estava muito bem feita.

Só um aviso: O vídeo a seguir é um spoiler grande da série. Se ainda pretende assistir, recomendo não ver.

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Melhor Aula de Biologia

Hataraku Saibou

Um dos animes mais populares do ano é um anime educativo novamente, o que é curioso. Porém, o porquê de Cells at Work ser tão popular é óbvio quando você passa a assistir. O jeito que elementos de biologia são incorporados em um setting de aventura é no mínimo curioso.

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MELHOR CHANTAGEM PARA TER SEGUNDA TEMPORADA

Jashin-chan Dropkick

Foi um bom anime. Comprem Jashin-chan.

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Melhor Propaganda para Jogo de Celular

Revue Starlight

Acabei gostando de Starlight menos do que imaginei, mas é óbvio que a alta produção do anime (e MayaKuro) ajudaram a popularizar a franquia, que já era popular pelo teatro, e fazer o jogo de celular que vai dar muito mais dinheiro popular. Então vitória para eles. Por outro lado…

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Maior Fracasso

Akanesasu Shoujo

Jogo de celular cancelado em tempo recorde. Venda de DVDs cancelada e venda de BDs transformadas em box. É claro que Akanesasu Shoujo foi um fracasso que não era previsto pelos seus idealizadores. Um anime muito mal feito pode ser o motivo, ou a maldição de Uchikoshi em não fazer nada que venda bem. Só espero que Release the Spyce tenha um pouco mais de sorte.

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WataTen é Melhor

UzaMaid

Digo que não deixe preconceito contra UzaMaid impedir você de assistir Watashi ni Tenshi ga Maiorita na próxima temporada, que tem uma premissa parecida. Posso garantir que WataTen é mais engraçado… e menos creepy.

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Melhor Grupo Idol

Franchouchou (Zombieland Saga)

Não esperava nada desse anime. Para mim era só outro esquema maligno da Cygames para tirar dinheiro das pessoas por meio de gacha no futuro. Porém, acabou sendo para mim o mais forte dessa última temporada do ano. Franchouchou, inclusive, é um grupo idol diferente do que se espera, com personagens que não se encaixam nos clichês conhecidos pelo gênero.

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Melhor Apresentação de Idol

Identity por Mirai (Aikatsu Friends)

Só para não deixar Aikatsu com ciúmes de perder melhor grupo idol. A apresentação é muito boa, porém.

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ANIME DO ANO

Sora Yori Mo Tooi Basho

Ano passado não coloquei melhor anime, mas esse ano é fácil. É até meio triste que a primeira temporada teve o que considero facilmente o melhor anime do ano, mas tudo bem. Eu não vou explicar o porquê, pois não acho necessário. Se não assistiu, só assista. Se não quiser também, tudo bem

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2018 é apenas o segundo ano em que acompanho alguma fração dos animes lançados por temporada. Com isso, acho que posso dizer que sou ainda novato nessa coisa, assim como novato aqui no blog – na verdade minha primeira participação. Mas mais sobre 2018 e menos sobre mim, foi um ano deveras interessante, que logo de cara nos trouxe YoriMoi lá na temporada de inverno, que com certeza é o AOTY pra muita gente por aí. Uma temporada de primavera com tantos shows diferentes que falhei miseravelmente em acompanhar o que pretendia, mas que veio carregada de grandes títulos e quem sabe futuras grandes referências. Logo a temporada seguinte trouxe o polêmico Goblin Slayer e várias discussões sobre até onde certas tropes são realmente consistentes e onde ultrapassam limites, transformando-se apenas em shock value sem sentido.

Houveram também iniciativas que me chamaram atenção e envolviam vários animes, como a de trazer mangás clássicos adaptados para a TV – Banana Fish e Karakuri Circus, por exemplo. Além disso, uma frequência maior de animes originais lançados pela plataforma de streaming da Netflix que me encheram de expectativas quando foram anunciadas no ano de 2017, mas infelizmente elas (ainda) não foram alcançadas.

Contudo, não foi nada disso o que mais me entreteve em 2018 (YoriMoi sim!!). É provável que um ou outro dos poucos animes listados abaixo não deva ter passado pelo radar de muita gente, então espero que isso faça alguém se interessar por algum deles de alguma forma, nem que seja do que não elogiei.

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Melhor Revival do Ano

Cardcaptor Sakura: Clear Card-hen

Clear Card-hen é uma sequência direta do anime/mangá original dos anos 90 de tanto sucesso e foi lançado em comemoração aos 20 anos de existência de CCS.

Bom, havia uma certa apreensão da parte dos fãs, e me incluo nesse grupo, de que houvesse algum tipo de retcon maior no meio da produção do novo anime. Não é incomum que revivals possam causar algum tipo de crise de identidade em certas franquias e é sabido que o anime dos anos 90 já possui alguns elementos que divergem do mangá. Mas bem, isso não aconteceu, e é evidente o cuidado da CLAMP e Madhouse em entregar um produto coeso, que não se contradiga muito com o que já foi criado na versão anime. As maiores diferenças são encontradas no character design, único aspecto que realmente mudou de mãos, agora por Kunihiko Hamada (Chihayafuru, Nana, Ore Monogatari, etc).

O ponto forte da temporada é mesmo usar e abusar do fator nostalgia que a obra pode fazer aflorar. Ao invés de tentar criar algo completamente novo, que agrade o público alvo dos dias de hoje, procuram preservar o que faz de CCS tão notável: a atmosfera romântica bem comum de shoujos, os relacionamentos entre os personagens, as trocas de fantasias da Sakura em ação pelas mãos da Tomoyo que tornou o mangá tão famoso, e por aí vai.

Infelizmente isso pode funcionar como uma faca de dois gumes, pois se a dose cavalar de nostalgia não funcionar para o espectador, o que resta é apenas uma breve introdução à nova aventura de Sakura e um anime fortemente formulaico. Com seus 22 episódios o show mal consegue arranhar a superfície das implicações do novo mistério e dos desafios que estão adiante. Na verdade, acho que nem o mangá conseguiu fazer isso ainda.

A nova transformação das cartas Sakura segue em sincronia perfeita com as transformações na vida de sua guardiã, que está descobrindo mais profundamente as todas nuances do amor. Só posso torcer para que não seja a última vez que veremos Sakura e sua turma animados.

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Melhor anime sobre culinária (e cute boys) do ano

Rokuhoudou Yotsuiro Biyori

Honestamente, Rokuhoudou não vai tão mais longe do que outros animes focados em comida já foram. O que faz dele tão agradável mesmo são as conexões humanas apresentadas de forma tão competente. O anime segue por um bom tempo uma fórmula mais desprendida de um plot central, concentrado nos dilemas do dia-a-dia que os próprios clientes do café acabam trazendo até suas mesas, mas sem permitir que seus protagonistas percam seu espaço dentro da obra e fiquem apenas no plano de fundo – como já vi acontecer em outros animes do gênero.

A história de Sui, o que o levou a seguir em frente com o legado e café de seu avô,  assim como o relacionamento com seu irmão, foi o aspecto dessa história que realmente me cativou. A relação dos dois não segue o caminho mais óbvio e nos deixa um gosto agridoce de mundo real: a vida geralmente não flui da maneira que gostaríamos que fosse e por vezes se faz necessário entender que a única constante nela é que tudo muda com o tempo — inclusive relacionamentos com as pessoas que você ama — e muito provavelmente a distância fará com que seus caminhos tomem rumos diferentes em algum lugar da jornada. O que vale mesmo é como você reage a esses eventos e o que somos capazes de aprender a partir das escolhas que tomamos para nossas vidas.

No mais, Sui também foi capaz de descobrir que família vai muito além de meros laços sanguíneos.

Animação, arte e trilha sonora aqui tem como principal papel evidenciar a atmosfera calmante, quase terapêutica necessária dentro de Rokuhoudou, comum de Iyashikeis, e contrastar com a monotonia do dia-a-dia urbano. Sua produção tomou seu tempo para entregar um produto muito bem polido em cada pequeno detalhe. Um colírio aos olhos por diversos motivos (você entendeu.)

Enfim, pra quem gosta do subgênero como eu, Rokuhoudou Yotsuiro Biyori é certamente um prato cheio. (ba dum tsss… É, não.)

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Melhor stalk online do ano

Lupin III: Part 5

Arsène Lupin III é um velho conhecido de todos e já dispensa apresentações.

Apesar do subtítulo “Part 5”, esta é sua sexta adaptação feita para a TV,e dessa vez leva Lupin à França, bem como em uma breve viagem à seu passado antes de receber o nome do seu avô e se tornar o maior ladrão do mundo.

A Parte 5 tem uma abordagem bastante interessante e competente em se tratando de inserir Lupin e seus comparsas no mundo atual, passando por breves histórias (são quatro atos) que envolvem intrigas políticas, golpes de estado e até o crescimento da vida online e o impacto dos avanços tecnológicos referentes a isso. Levemente diferente dos outros títulos da franquia que assisti, Lupin aqui é retratado através de novas perspectivas, como um protagonista que vai além da persona de ladrão astuto, revelando mais de suas vulnerabilidades e suas paixões.

E quando falo de paixões quero obviamente dizer Mine Fujiko. O relacionamento entre os dois ladrões ganha um novo grau de profundidade, inclusive deixando de lado o tom humorístico meio “gato e rato” da maioria de suas interações e dando lugar a uma roupagem mais dramática na última parte do anime. Não é apenas em relação a Mine Fujiko que Lupin precisa reorganizar seus sentimentos, no entanto. O teste de confiança de seus parceiros de crime também se faz presente, colocando à prova os laços peculiares construídos entre eles durante os anos passados e revelando ressentimentos que há muito pensavam ter deixado para trás. Mas tudo isso sem deixar de lado os momentos frenéticos de ação já tão característicos das histórias da franquia.

O anime também conserta um momento do passado, em outra série da franquia, que me deixou bastante desapontado: a existência de Oscar em Mine Fujiko to Iu Onna.

Como disse, Lupin faz uma breve viagem ao seu próprio passado nesta temporada e acaba por encontrar Albert d’Andrésy, um ladrão e ex-parceiro de Lupin disfarçado de agente do governo, que um dia chegou a disputar o lugar de sucessor do nome e legado de Arsène Lupin, servindo assim de link maior com o passado. Particularmente fico feliz e satisfeito com a adição de Albert à história, um homem gay que não é tratado como piada, com nenhum tipo de nojo ou aversão por parte do elenco e muito menos como vilão insano praticamente desumanizado por sua própria sexualidade. Os meros mortais carentes desse tipo de representação nesse meio ficam muito agradecidos.

No geral essa temporada presta uma enorme homenagem à história de Lupin III e seu legado como série de TV e mangá. Sua conclusão deixa uma sensação de ciclo fechado muito satisfatória, ainda que não seja o fim da história de nenhuma dessas pessoas. Até porque grandes mistérios estão apenas começando a ver a luz do dia.

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Pior low budget do ano

Angolmois

Tomo esse espaço mais como um rant descarado, já que não consegui encontrar motivos para que essa série tenha sido tão elogiada pela internet (*cof*setepontovinteedoisnoMAL*cof*). Só consegui encontrar um fator que pudesse redimir a produção desse anime de verdade: contexto histórico.

O anime (e mangá) trata das invasões mongóis do Japão e só por isso já serve bastante para educar o espectador ao menos sobre a existência desse período obscuro e remoto da história do país, algo que você não vê muito sendo retratado em anime, geralmente vê-se bem mais do período Sengoku, inclusive. O problema é que a produção apresenta vários problemas: enredo fraco, problemas de continuidade, elenco ruim — irrelevante, sendo franco. Uma das protagonistas, Teruhi-hime, parece ter sido criada apenas como interesse amoroso do protagonista e ainda é responsável por momentos, no mínimo, de qualidade narrativa duvidosa quando tenta mais de uma vez arrancar um beijo de Jinzaburou enquanto o mesmo dorme. Há plots inacabados, o que talvez seja aquele aviso de que você deve continuar no mangá, não sei.

Para acompanhar os vários diálogos quase que infantis durante todo o anime, ainda há a questão de qualidade de animação. Não seria exagero dizer que o anime é quase todo produzido em stills e em momentos cruciais atende ao nível “O Poderoso Thor” de qualidade,  mas isso já é o esperado do estúdio NAZ, infelizmente… Tá, eu tô exagerando e sei que esse fator não seria um grande problema caso a narrativa fosse mais interessante.

Enfim, encontrar todos esses obstáculos na hora de apreciar o anime me fizeram chegar a conclusão de que ler a própria página da Wikipédia sobre o momento histórico cujo show se propõe a nos contar é bem mais interessante.

Aliás, recomendo.

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Melhor decepção de 2018

Violet Evergarden é um exemplo perfeito de muita beleza e pouca profundidade: a direção de arte é simplesmente impecável, tal como é o padrão KyoAni. No entanto, os aspectos que me agradaram ficam por aí.

Após o deslumbramento inicial pelo trabalho do estúdio, o que sobra são vários elementos da história que me impediram de apreciar a obra pelo que pretendia ser.

Grande exemplo é o que parece ser uma fetichização da figura feminina em Violet. Afinal de contas ela é a única mulher que aparece fazendo parte do exército e agindo na guerra de forma ativa. Uma única garota treinada como máquina de matar — aliás, também única que parece existir — enquanto todo o resto da população feminina do lugar é ignorada como guerrilheiras em potencial. Este é um detalhe que não consigo ler senão dessa forma: no início a heroína parece existir como heroína unicamente para se fazer possível o amor recíproco entre ela e do seu Major Gilbert. Também o flerte com relacionamentos cujo grande contraste em suas partes é a idade, visto não apenas na idealização do amor entre Violet (14 anos) e Gilbert, que ao menos interpreto como romântico, mas também entre a princesa Charlotte e o príncipe Demian.

Outro detalhe difícil de entender é a decisão da KyoAni em adicionar personagens originais ao anime, sendo que já haviam três personagens recorrentes que praticamente não adicionam nada à evolução do enredo a não ser uma inconsistência gritante na qualidade de escrita do anime. Adicionar conteúdo original às suas adaptações parece ser um mau hábito que o estúdio vem cultivando já há um tempo.

Em um anime sobre relações humanas, me parece essencial que o protagonista, que muitas vezes serve como nosso guia dentro daquele mundo, pareça minimamente humano, principalmente quando esse detalhe acaba sendo simplesmente a peça central que amarra todo o enredo. Nesse aspecto a obra falha completamente em transformar Saber, digo, a Violet em algo – ou melhor, “alguém”.

Violet Evergarden tem, no fim das contas, uma premissa interessante sobre amor e guerra, mas falha grandemente em crescer por conta de sua incessante necessidade de arrancar lágrimas do espectador através de clichês melodramáticos saturados, enquanto se esquece completamente do seu próprio mundo pós-guerra por grandes intervalos de tempo, tornando-se por vezes tão insípido quanto alguns daqueles romances em filmes antigos de princesas da Disney.

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Quando a questão é anime sazonal, sinto que sou muito menos entusiasta — ou pelo menos flexível — que meu colegas do blog, a cada temporada minha lista de dropados aumenta exponencialmente em comparação a de completos. Dito isso, sempre me sinto fora do loop quando o assunto é comentar sobre o ano ou alguma temporada especifica, meu hábitos de consumo simplesmente não contribuem para uma dissertação abrangente do assunto, entrelaçando isso a fatores externos que impediram minha produtividade, minha aparição será breve e com uma escolha bastante pessoal.

Categoría única

Anime mais legal

Hakumei to Mikochi

O que faz um Slice of Life ser interessante? Da minha perspectiva, a resposta máxima seria uma ambientação diferenciada. Aria, Haibane Renmei, Shoujo Shuumatsu Ryoukou, Emma. Todas essas obras possuem um valor especial por criarem mundos extremamente orgânicos e críveis, regrados e exuberantes em seu senso de cultura. Distanciar-se do conforto de uma ambientação mais familiar e moderna não é propriamente um mérito, mas é definitivamente um esforço a ser reconhecido que traz “refrescância” para o gênero.

Hakumei to Mikochi é digno de fazer parte dessa lista. O conceito “pequenina vida no bosque” é inteiramente explorado, todo episódio transborda criatividade em criar situações divertidas e confortáveis que utilizam a ambientação ao máximo. Não se contendo apenas nisso, a caracterização também traz frescor a experiência. Apesar do tamanho, todo o elenco é composto por adultos vividos, realizados em seus interesses e personalidade, cuja maturidade lhes permitem lidar muito bem com conflitos e desentendimentos, mantendo o encantador tom sereno e saudável da obra por toda sua duração.

Unindo biodiversidade a estilos de vida distintos em um traçado delicado e único até mesmo em sua coloração, HakuMiko é com certeza uma das obras com mais identidade desse ano, contando até mesmo com um diretor peculiar, Masaomi Andou, conhecido pela utilização de painéis que incrementam a narrativa visual, como utilizados em Kuzu no Honkai e na abertura de White Album 2. Mas a utilização desses em HakuMiko teve uma repercussão divisiva devido a sua enorme recorrência. Particularmente eu gostei bastante,  que especulo ser uma forma criativa de economizar dinheiro, alocando recursos em áreas que necessitam de mais consistência visual, como o background e o desenho dos personagens. E esses aspectos se mantiveram impecáveis durante todo o anime, fator importantíssimo de imersão do anime, que consegue até mesmo superar as obras inicialmente citadas.

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Mais um ano, mais um post imenso. Sempre tenho muito para falar de tantos anime… deveria fazer isso com mais regularidade talvez. Esses são meus destaques do ano (ou os que consegui relembrar de alguma forma nos momentos que escrevi minha parte)

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Melhor apresentação idol

 My Dream / WITH (Idol Time Pripara)


Pripara foi popular ao longo dos anos por ser a franquia de idol a mais ignorar convenções realistas dessa indústria.

Idols não precisam seguir um padrão de beleza em Pripara, podem ter vidas pessoais em calma, e são livres para fazer o que quiser. E que melhor forma de encerrar a série do que derrubando ainda mais barreiras? No último episódio, os grupos My Dream e WITH, após um longo conflito meninos x meninas ao longo da série, trocam suas vestimentas e músicas. My Dream cantando uma canção estilo boys band com vestimentas de mordomo e o WITH com roupas rosas cantando um grande moe pop.

Pripara até o fim tem orgulho de sua identidade subversiva, bizarra e extremamente divertida.

Runners-upFranchouchou (Zombieland Saga, episódio 1) — o headbang que conquistou tanta gente que não tem interesse em anime idol. “Respect”.

Pure Palette (Aikatsu Friends, episódio 16) — sabem que não posso deixar Aikatsu em branco, certo? Adoro as apresentações de Mio e Aine, então vamos de Minna Minna!.

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Adaptação mais não intencionalmente hilária

Ito Junji Collection

Dizem que as histórias de Ito Junji são bizarras e perturbadoras. Bom, esse anime realmente é bizarro e perturbador, mas pelos motivos errados. A atmosfera de horror das histórias nunca corresponde com as fracas animações, direções e até dublagens desse anime. Ficava até ansioso toda semana para ver o mais novo episódio dessa antologia. Não pelos contos, mas sim pelas cômicas cenas estáticas e mal adaptadas que faziam tudo parecer uma grande piada.

Runners-up: Hakyuu Houshin Engi – 23 volumes de mangá adaptados em 23 episódios de anime. O que pode dar errado?! Equivalente a ler uma sinopse de Wikipédia.

Märchen Mädchen– O anime começou em Janeiro de 2018… os episódios 11 e 12 só saem Janeiro 2019. E nem procure imagens do bizarro episódio 9 (procure).

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Melhor atuação

Irokawa Ruki (Comic Girls)

O quarto episódio de Comic Girls apresenta sua narrativa de uma forma diferente dos demais episódios. O foco está em Ruki, jovem autora de mangás românticos bem apimentados, e sua constante agonia com a percepção que os outros possuem dela e de seu mangá — ainda mais quando precisa lidar com um evento ao-vivo com as fãs de sua obra.

Ruki suspira e sofre ao longo do episódio. Seu estado psicológico fica estampado em seu rosto e suas ações e muito do desenvolvimento da história está em como ela se vê (e como a vemos também por essa visão), com a cena que tenta arrumar seu cabelo em frente a um espelho sendo perfeita para passar a sensação de incerteza e apreensão. 

O episódio termina com um tom positivo com Ruki se aceitando, com um ótimo trabalho do staff do anime em mostrar essa transformação em sua face e seu olhar. Um dos meus momentos favoritos em anime no ano.

Runners-up: Kagayaki Homare (Hugtto! Precure, episódio 4) – Um episódio de Precure sobre falhar e tentar de novo. Homare aparece receosa e assustada. Seus movimentos e feições deixam aparente seu estado mental. É o episódio inicial de Homare e em apenas 24 minutos vemos (sim, vemos, não somos apenas contados) suas forças e fraquezas da maneira mais simples e bem executada possível.

Takarada Rikka e Shinjou Akane (SSSS.Gridman) – Quase impossível escolher um único episódio para ressaltar a importância da naturalidade e realismo nas feições e movimentos de Rikka e Akane em Gridman. Você pode entender seus sentimentos apenas por seus olhares. A relação das duas dá o tom do anime e foi essencial que as entendêssemos com o mínimo possível de palavras.

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Melhor ED

Uzamaid

 

Só posso dizer que tentei meu melhor para não dar isso para Uzamaid… mas realmente não acho que tem nada melhor que o divertido encerramento desse anime. Uma bela animação que caracteriza as duas personagens principais melhor do que o programa em si (a Kamoi treinando socos e a Misha batendo o pé são as duas melhores cenas do anime inteiro). Excelente storyboard que flui bem com a música, bom uso de cores. Ah, Doga Kobo, você me força a essas coisas…

Runners-up: Shoujo Kageki Revue Starlight – Ótima música e melhor uso de variações por episódio, sempre se adaptando à história. Fly me to the star~

SSSS.Gridman – Assista o anime inteiro e depois reveja a ending prestando mais atenção. Ingenioso, Trigger.

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Melhor OP

Jojo’s Bizarre Adventure: Vento Aureo


Sou fraco para aberturas de Jojo que abusam das vibrantes cores e poderes da série. Fighting Gold é um espetáculo que representa o anime da forma mais excitante possível — aquela cena do Aerosmith usando os braços do Narancia de pista! — e disputa fortemente com Bloody Stream como minha abertura favorita da série.

Runners-up: Sword Art Online Alicization – Uma das melhores músicas do ano num storyboard que a usa de maneira excelente, com uma animação fluida e bonita. Tecnicamente excelente.

Hanebado! – Representação perfeita tanto do badminton, quanto da natureza das personagens da história: indo freneticamente de um lado para o outro, o tempo todo .

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Não deveria ser tão bom quanto é

Sanrio Danshi

Basicamente um anime feito para promover produtos da Sanrio. E o que fazem com ele? Discussão sobre pressão e expectativas sociais baseadas em gênero e como isso afeta cinco garotos diferentes ao longo da vida e no cotidiano, usando a Sanrio como símbolo da cultura “kawaii” que os une. O que poderia ser apenas um grande comercial ou outro romance harém, vai além ao criar um roteiro tão único e interessante.

Runners-up: Toji no Miko – anime promovendo mobages assim costumam ser bem rasos, mas Toji no Miko é excitante de assistir pela narrativa com vilões com pontos de vista diferentes, intriga política e boas interações entre as personagens. Não é perfeito, mas é um bom show e superou muito minhas expectativas.

Chuukan Kanriroku TonegawaSpin-off de comédia de Kaiji focando num dos vilões da série. O humor adulto de escritório é bem único e, absurdamente, os personagens, quase todos muito idênticos visualmente, são marcantes e carismáticos.

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Dose semanal de felicidade

Yagate Kimi ni Naru

YagaKimi semana a semana foi o anime a mais me gerar ansiedade pelo próximo episódio. Não pela história deixar vários cliffhanger ou por forçar muito drama, mas sim exatamente por conseguir contar uma história com personagens interessantes e desenvolvimento contínuo sem apelar para formas baratas de “prender” o espectador.

A relação entre Touko e Yuu, os problemas emocionais de Touko, Sayaka entendendo sua sexualidade. Essas histórias possuem momentos dramáticos, as personagens têm seus problemas e falhas, mas nunca o foco passa a ser criar uma atmosfera pesada, e sim como elas crescem diante desses problemas e como suas interações afetam seu desenvolvimento pessoal.

Romances caem muito na armadilha do exagero, em dramatizar demais certos momentos, em não saber balancear o lado doce e o amargo de relações humanas (oi, Citrus). YagaKimi prova que há espaço para um romance mais sério e realista que prende o espectador pela boa história sem apelar para dramas baratos.

Existem problemas no relacionamento de Touko e Yuu e o anime nunca os esconde, mas também nunca tenta mentir para nós: elas representam mudanças positivas uma para a outra e esse é o sentimento que foi majoritariamente passado ao fim de cada episódio. Mais disso, por favor!

Runners-up: Hinamatsuri – Hina para uma comédia familiar absurdamente hilária; Hitomi para as situações mais bizarras possíveis e Anzu para lavar a alma com tanta positividade (e a Mao existe, eu acho?). Era impossível não contar os dias para o próximo de Hinamatsuri!

Yuru Camp△ – Ah, a doçura de fazer as coisas sozinho! E ah, a doçura de compartilhar momentos de felicidade com amigos! Yurucamp é o pacote completo de comfiness.

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ANIME DO ANO

Bom, era fácil ter Revue Starlight como meu preferido do ano. É um anime que basicamente atinge diversos dos meus aspectos preferidos da mídia. Uma história criativa que usa diversas alegorias e uma direção não convencional que se molda para encaixar na história não conformista que quer contar, com muita influência do teatro Takarazuka e do diretor Kunihiko Ikuhara, animação linda em storyboards cheios de dinamismo, incrível uso de música nas cenas dramáticas, personagens fortes e com relações interessantes. Starlight me acerta em cheio… e não é nem por isso que foi meu favorito.

Starlight não existe apenas como “mais um”, embora muito de sua identidade venha das suas influências. A história das jovens atrizes é também uma grande alegoria à indústria teatral japonesa, em sobretudo ao Takarazuka no qual tanto se inspira. É tanto uma ode às atrizes, quanto uma crítica à competitividade e expectativas que são lhe impostas.

Embora uma história sobre o esplendor do destino, representado no reencontro de Karen e Hikari, Starlight também faz suas personagens o confrontarem continuamente. As contradições na história dão o tom da obra, de conflito de ideias e de personagens incertas sobre seu futuro e as ações que precisam tomar.

Esse aspecto faz de Starlight um conto sobre tomar o controle de seu próprio destino, de subverter o que lhe é esperado. Várias vezes ao longo da história o espectador é inclinado a acreditar em algo, em esperar um evento específico, para logo em depois ter essas expectativas quebradas.

Uma obra que inicialmente me interessou tanto pelo que eu já esperava dela no fim terminou me impressionando ainda mais pelo que fez de novo. Pela estrela que alcançou de sua única maneira. Starlight talvez não seja o anime mais “completo” do ano, não é perfeito, mas é o que mais marcou por como, igual suas personagens, se atreveu a criar uma identidade tão forte.

Runners-up: Sora yori mo Tooi Basho – Histórias inspiracionais de superação são comuns. Existem milhões por aí sobre os mais diversos assuntos e é comum as encararmos com um olhar cínico de “bom, só é possível porque é ficção” ou até acreditarmos em suas singelas mensagens, mas sem levar muito a sério.

Yorimoi vai muito além disso. Somos convidados a duvidar de cada passo dado por Shirase e suas amigas. Sim, torcemos por elas, mas os objetivos de nossas heroínas parecem impossíveis, a obra nunca esconde o tamanho das dificuldades a elas impostas.

“Seria bom que elas conseguissem, mas é irreal que aconteça, certo? Deve ser uma obra sobre dar seu melhor e aceitar os limites” Foi o que pensei. E a história, tentando ao seu máximo existir naquele limite entre o incrível e o real, sempre foi escalando e escalando até que, sim, comecei a deixar minhas dúvidas de lado. Minha torcida pelas personagens era também uma torcida contra meu próprio cinismo.

Um dos anime mais belos do ano (se não o mais), Yorimoi não convida apenas a sonhar com o impossível, mas de, passo a passo, te fazer realmente acreditar.

Hugtto! Precure – Difícil às vezes acreditar que Precure é uma franquia anual pela forma que se reinventa a cada temporada. Hugtto é uma das séries mais consistentemente forte da franquia, com os primeiros episódios já tendo roteiros maduros, como a questão do “falhar”, e bem escritos que não subestimam o público alvo infantil da obra.

Hugtto é especial justamente por isso. É um anime sem medo de falar de questões sociais (literalmente tudo envolvendo Henri é difícil de imaginar em outro programa, para não spoilar muito), de colocar conflitos realistas para seus personagens, mas que também não tem medo de mostrar caminhos para soluções e crescimento pessoal diante dessas questões.

De enfrentar as dificuldades presentes, mas também de acreditar num bom futuro. Hugtto abraça ser Precure, de mesclar sombras com luz. O resultado é uma das séries mais criativas, divertidas e corajosas do ano.

 

 

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MENÇÕES HONROSAS

FOI LEGAL, MAS POR FAVOR ADAPTEM OUTRAS OBRAS DO MESMO AUTOR

PLANET WITH

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MELHOR ANIME ONLY 90’S KIDS

HIGH SCORE GIRL

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Melhor Propaganda Governamental para o Aumento da Taxa de Natalidade

Darling in the FranXX

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