PREVIEW IN A BOX: TEMPORADA DE OUTONO 2018

PREVIEW IN A BOX: TEMPORADA DE OUTONO 2018

Nesta temporada: será que animes baseados em jogos de celular continuam sendo ruins? Um anime baseado num mangá francês é curioso, mas decente? Zumbis e idols são conceitos saturados, mas a junção disso também é? Será que dessa vez yuri está salvo? A Trigger consegue se redimir depois de DarFra? O novo da KyoAni é mais que um rosto bonito? Por que só estão correndo nessa nova temporada de Haikyuu? Um novo Tiger & Bunny que não é Tiger & Bunny? E o que diabos Doga Kobo!? E muito mais.

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Índice:

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Akanesasu Shoujo

Estúdio: DandeLion Animation StudioJumonji
Direção: Tamamura Jin
Roteiro: Yasukawa Shougo
Baseado num jogo de celular
Número de episódios: 12
Asuka e suas amigas do clube de radio participam de um ritual em que usam frequências de cristais em busca de outros mundos, se baseando numa lenda local. Um dia, ao encontrar um estranho cristal e tentarem o ritual, elas são teleportadas para uma estranha dimensão habitado por criaturas peculiares. E mas mais estranho ainda: elas encontram outras versões de si mesmas!

Baseado em um jogo mobile, Akanesasu Shoujo é um anime ruim. Muito ruim. Mas ainda sim, continuo assistindo.

Talvez o que chame atenção de alguns seja o fato de ser roteirizado por Uchikoshi Koutaro, o criador da série Zero Escape, e conhecido por suas Visual Novels de ficção científica. Inclusive foi um dos escritores de uma bem renomada, com um anime mega popular, chamada Steins;Gate. E a premissa certamente é similar a ele, com viagens para linhas temporais alternativas e um grupo de estudantes que faz experimentos em busca de descobrir outros mundos. Só que talvez o elemento mobage aqui seja o que mais se destaque nessa adaptação, com um sistema de batalha e monstros bizarro que não traz nada de interessante para a história.

Esse também não é o único elemento que se reflete pelo fato de ser baseado num jogo: toda a construção narrativa é tosca e conveniente, ao ponto que chega a ser cômico. Como o fato de umas das personagens encontrar uma cartomante no meio da rua, que lhe dá as coordenadas que a levaria para outro mundo, e isso nem sequer é questionado. Ou até o fato de que ninguém percebe que duas personagens são idênticas, até nas vestimentas, deixando claro que era uma versão alternativa de outro mundo. É tudo tão estúpido e trash que até parece proposital.

A animação também é péssima, com boa parte das cenas não tendo nenhuma consistência visual.

É ruim, mas é um ruim especial que me sinto tentado a ver o quão ruim ainda pode ser.

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Uma mistura de diversos elementos que unicamente deveriam resultar em algo interessante, mas que acabam sem funcionar.

Akanesasu Shoujo tenta criar uma história multi dimensional, desenvolver diversas personagens e ao mesmo tempo entreter com cenas de ação e elementos mahou shoujo. Só tenta. Cada um desses elementos e conceitos não mesclam bem um com o outro no próprio anime, e a forma com que os momentos slice of life são interrompidos com ficção científica é estranha — não é natural e dá a impressão da história se forçar a ter esses elementos, que precisam desse aspecto “sombrio” para se vender.

Um dos principais problemas do anime é o fato de usarem direto o conceito das dimensões paralelas para desenvolver as personagens as colocando em situações únicas… mas sem apresentá-las propriamente ao espectador. É difícil se interessar como uma das garotas principais pode mudar para sempre quando não tenho a mínima ideia de sua personalidade fora de uma escala superficial, logo não tenho ideia de quem ela realmente é ou devia ser.

A parte de ação é extremamente fora do tom também. Provavelmente a ideia é explicar isso mais para frente, mas por enquanto só me parece perda de tempo na história e não satisfatório, ainda mais com o fraco CG que usam.

Akanesasu Shoujo precisa de muito mais foco e consistência.

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Fico pensando: qual o maior problema quando se escreve um isekai? Você precisa colocar o protagonista em um mundo novo e apresentar esse mundo de forma sútil ao público assistindo. Porém, uma das reclamações mais prevalentes do gênero é o quanto se apela a exposição tediosa ao invés de tentar explicar o mundo de forma mais natural. Agora imagine esse mesmo problema se repetindo a cada dois episódios. Isso é Akanesasu Shoujo.

Akanesasu Shoujo lida com dimensões paralelas. Cada uma dessas dimensões precisa ser explicada para quem está assistindo. Lembrando que cada um desses mundos será deixado de lado no próximo episódio e substituído por uma nova necessidade de exposição. O problema é que essa exposição é ainda completamente forçada. O roteiro é completamente incompetente e não faz sentido. Por exemplo, uma personagem explica a duas outras garotas que ela acredita viverem naquele mundo sobre como o mundo funciona. Por quê? A mãe de uma personagem relembra ela de tudo que ela falou no passado. Completamente conveniente para a garota se ambientar naquele mundo.

Embora, no fim, não há muito o que se esperar de um anime que só está fazendo propaganda para o jogo de celular que logo lançará.

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Estúdio: Lerche
Direção: Kishi SeijiFukuoka Motoo
Roteiro: Sugawara YukieAoki YasukoShigenobu KouUezu Makoto
Baseado num mangá por Tony Valente
Número de episódios: 21
Em um mundo em que estranhas criaturas conhecidas como Nemesis atacam os humanos, aqueles que são amaldiçoados por eles conseguem usar magia e são conhecidos como magos. Seth é um jovem mago que deseja acabar com os Nemesis, mas acaba trazendo mais destruição do que os próprios. Ao lado de sua mestra Alma e de outros companheiros, Seth parte em busca do Radiant, o ninho dos Nemesis, para que possa destruí-los de vez e trazer paz ao mundo.

O mais chamativo em Radiant é com certeza o fato de ser baseado em um mangá francês, mas isso não quer dizer muito no final. Com uma premissa bem típica de shounen de aventura, o anime não adiciona nada de novo na fórmula.

O problema em tentar fazer um mangá em outro país é o fato de que é provável que o autor tente emular o que mais faz sucesso, ao invés de algo novo ou que reflita sua bagagem cultural. Radiant me parece totalmente o caso, em que vários clichês são jogados e não há nada que o identifique como uma obra feita por um quadrinista francês.

O protagonista, Seth, é tão caricato como o “garoto cabeça quente e inconsequente que tenta fazer o bem, mas acaba criando mais confusão” que já é o suficiente para deixar a história cansativa de acompanhar. Já sabemos o tipo de desenvolvimento que esse tipo de personagem tem, o fato de que ele eventualmente vai se provar o melhor e que aprenderá com seus erros. Não tem espaço para algo diferente do que já vimos em boa parte dos shounens.

Com uma animação mediana para ruim, Radiant é um anime esquecível que me faz questionar o porquê de simplesmente não terem adaptado algum shounen padrão do próprio Japão.

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Estúdio: Trigger
Direção: Amemiya Akira
Roteiro: Hasegawa Keiichi
Anime original
Número de episódios: 12
Yuuta é um garoto que acorda sem suas memórias e ouve uma estranha voz vindo de um computador antigo. Ele se identifica como Gridman, e diz que ele precisa cumprir sua missão. Com ajuda de seus colegas de classe, Yuuta tenta entender o que está acontecendo, mas algo surpreendente acontece: kaijus começam a atacar a cidade. Com a ajuda de Gridman, eles tentarão combater o que quer que seja que está tentando destruir a cidade.

Ultraman é um ícone nacional no Japão. Ao se pensar em heróis japoneses seu nome logo surge ao lado de Kamen Rider ou das equipe Super Sentai. E esse anime não é sobre ele.

SSSS.Gridman é um anime que reinventa um dos heróis tokusatsu da Tsuburuya, o estúdio criador da franquia Ultra. Não vi o toku original, mas sei que se assemelha a uma série Ultra, mas com um elemento virtual/tecnológico com o herói titular existindo dentro de uma simulação de computador e enfrentando monstros lá para que não afetem a realidade.

Os conceitos originais estão todos ali no anime, mas num mundo diferente e com personagens novos.

A ideia é interessante e a história se passa pelo ponto de vista de um protagonista (Yuta) com amnésia, com a direção até tentando ser um pouco confusa e com cortes curtos para dar ao espectador a mesma sensação do protagonista. Com ele aos poucos vamos descobrindo o mundo de SSSS.Gridman, um ambiente incrivelmente realista para um anime.

Realismo é um ponto chave de Gridman. Não existe trilha sonora nas cenas comuns com os personagens indo à escola, caminhando por ruas ou conversando dentro da loja da família de Rikka (colega de classe de Yuta). Esse realismo também está presente nas interações entre as personagens, no diálogo e até na forma que se expressam – no lugar de reações elétricas, temos personagens que se expressam com poucas palavras, pouca entonação na voz e conversas curtas, secas e com maneirismos adolescentes.

Ao mesmo tempo, existe uma ameaça constante na forma de sombrios kaijus no background, que só Yuta parece conseguir ver. É nesse contraste que SSSS.Gridman existe.

Assim como na série original, o anime é um conflito entre o real e virtual. Quando os monstros atacam, os protagonistas precisam usar o computador para criar Gridman, um gigante herói tokusatsu para salvar o dia. Nas cenas de luta, a fantasia cria asas: trilha sonora bombástica com músicas heroicas, animação agitada e mais não convencional, poses tiradas diretamente de outras séries mecha/toku, etc. As lutas também são vencidas com os personagens abusando de tropes comuns da série Ultraman (que é uma série ficcional no universo deles), como abusar do ponto fraco do monstro da semana ou ganhar uma arma nova perfeita para o momento.

A história é totalmente ciente do que é. A relação dos dois mundos e desse confronto entre realidade e fantasia fazem de Gridman um dos anime mais interessantes da temporada, e o twist do segundo episódio dá força à ideia de que esse conflito é muito de como pessoas diferentes encaram suas realidades pessoais e como o virtual, o imaginário, podem influenciá-la.

É um anime do estúdio Trigger com semelhanças as outras de suas séries. Adolescentes lutando pelo destino do mundo, foco grande em relacionamentos desses personagens e ação. Mas ainda assim se destaca dos outros por não ser 100% over the top, criando algo diferente com as qualidades do estúdio e fazendo do velho algo novo.

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Estúdio: Studio VOLN
Direção: Nishimura Satoshi
Roteiro: Fujita Kazuhiro
Baseado num mangá por Fujita Kazuhiro
Número de episódios: 36
Masaru acaba de herdar uma grande fortuna após a morte de seu pai. No entanto, um grupo de pessoas está tentando colocar as mãos nele usando de qualquer meio necessário, mesmo que isso signifique matá-lo. Narumi acaba se envolvendo e impedindo Masaru de ser sequestrado por estranhas figuras. Ele descobre também que eles não são humanos, mas sim marionetes com uma incrível força. Depois de uma intensa batalha, Narumi percebe que não é páreo para eles, mas nesse momento surge Shirogane, uma conhecida do avô de Masaru, capaz de controlar marionetes tão poderosas quanto as que estão os atacando, que jurou o proteger.

Surgido como um dos projetos de uma network de estúdios que foca em adaptações, dando oportunidade à obras de sucesso no passado ressurgirem no presente, Karakuri Circus, um mangá dos anos 90, não parece trazer nada de diferente em comparação com os padrões atuais.

Quando comparado com obras como Banana Fish, um mangá clássico que trata de temas raros de ser ver em animes atuais, Karakuri Circus parece ser apenas mais um shounen padrão da época. Com uma fórmula de derrotar o inimigo da semana, não tem nada no enredo que consiga me atrair e querer saber o que acontecerá em seguida. Os personagens também não chegam a ser tão interessantes, com a doença do protagonista que o matará casa não faça ninguém rir levando a situações mais irritantes do que engraçadas.

Não diria que é de tudo ruim para o que está tentando ser, com a ideia de usarem de marionetes de combate sendo até interessante. A animação consegue evocar bem a estética do mangá original e possui seu charme, mas no geral, não há nada muito chamativo no anime. Talvez fique mais interessante no futuro, mas o que li sobre parece apontar o contrário…

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Tsurune

Estúdio: Kyoto Animation
Direção: Yamamura Takuya
Roteiro: Yokote Michiko
Baseado numa light novel por Kotoko Ayano
Número de episódios: Indefinido
Minato é um garoto que praticava kyuudou (tiro com flecha) quando mais novo, mas depois de um certo incidente teve que parar. Quando ingressa no ensino médio, ele reencontra com velhos colegas que o incentivam a participar do clube de kyuudou e voltar a praticar.

O mais novo anime da KyoAni, Tsurune é tudo que se pode esperar visualmente deles. De roteiro, bem, é difícil dizer por hora.

O anime foca em um clube escolar de kyuudou, uma arte marcial de tiro com flecha tradicional japonesa. O protagonista é um garoto que ainda vive com o trauma de ter perdido sua mãe cedo e isso parece influenciar na sua habilidade com o arco e flecha, o que o fez se distanciar da pratica até o ensino médio.

Isso é um pouco refrescante na fórmula de animes de esporte, mas o grupo de protagonistas ainda remete muito a outras obras da KyoAni. Com arquétipos de bishounens populares, como o amigo de infância extrovertido e contagiante, o rabugento que sempre anda com o seu polo oposto, o garoto sorridente e popular, o anime parece se preocupar mais em agradar um público que quer ver esse tipo de personagem do que criar interações e dramas interessantes.

Bom, esse é quase sempre meu problema com os animes da KyoAni, então não me surpreende ver essa fórmula de novo aqui. Mas o primeiro episódio me deu a esperança de ver um drama realmente interessante se desenvolvendo e, embora kyuudou não tenha me atraído tanto, talvez a animação consiga fazê-lo interessante o suficiente.

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Estúdio: MAPPA
Direção: Sakai Munehisa
Roteiro: Murakoshi Shigeru
Anime original
Número de episódios: 12
Minamoto Sakura é uma colegial que sonha em ser uma idol, mas não sabia o que a esperava. Depois de um trágico acidente, ela acorda numa velha mansão e se surpreende ao ser atacada por zumbis… até perceber que ela também é um! Eis que surge um excêntrico produtor e declara seus planos: criar um grupo idol de garotas zumbis para salvar a prefeitura de Saga.

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Zombieland Saga é um projeto curioso. Com poucos detalhes na sua divulgação, tudo que se dava pra especular é que seria… bem… um anime sobre zumbis. Só depois de o primeiro episódio ser exibido que começou a ser promovido como um anime sobre idols zumbis.

Por mais bizarro e curioso que seja o conceito, o que realmente o faz funcionar é o fato de que cada personagem tem um background diferente, vindo de diferentes gerações. Isso faz com que a interação entre as personagens seja mais interessante e gere interesse em querer conhecer mais de cada uma, assim como o que elas trarão para o grupo.

Talvez meu problema maior por hora seja o produtor (que parece ter tomado bastante inspiração do seu dublador), que chega a ser um tanto exagerado em alguns momentos, mas é um personagem que funciona na construção do absurdo do anime.

Não sei se diria que Zombieland é um projeto original ambicioso, mas certamente tem seu charme e tenta trazer uma fórmula nova. De um gutural com headbanding para batalha de rap, o aspecto idol do anime se apresenta de diferentes formas e diverte na expectativa do que terá de inusitado em cada episódio.

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Um anime que é difícil resumir e que é ainda mais difícil falar sobre sem estragar as surpresas dos dois primeiros episódios — boa parte da diversão de Zombieland Saga está exatamente aí, é extremamente único e surpreendente.

Entrando em território de “spoilers”, Saga é uma comédia com um humor que varia do sombrio ao leve em instantes. Às vezes a piada envolve o fato das personagens estarem mortas, às vezes é só o produtor agindo que nem um lunático. É um tom bizarro, mas que funciona e que faz com que esse humor seja imprevisível mesmo quando você já acredita estar acostumado ao estranho mundo do anime.

Um ponto forte de Saga é o quanto esse tom está presente em todos os aspectos do show. A animação é fluida e consistentemente boa (obrigado estúdio Mappa), mas sabe quando se distorcer e brincar com as situações únicas da história; os dubladores também fazem um trabalho ótimo se deixando levar e fazendo de seus personagens marcantes (Mamoru Miyano e Kaede Hondo sendo excelentes nos primeiros episódios).

Falando em personagens, destaque para o quão bem construídos são. Logo no começo suas personalidades são estabelecidas de forma interessante e os pontos únicos de cada uma são ressaltados o suficiente de forma que em dois episódios sinto que já as conheço bem, mas ainda dando espaço para desenvolvimento e construção de suas histórias de fundo.

Saga começa como um anime montanha russa desde sua primeira cena. Cada momento é tão imprevisível quanto o passado, mas de uma forma muito divertida — você nunca sabe o que está na esquina.

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Às vezes temos algumas surpresas na temporada que não esperávamos nada ou até esperávamos algo horrível e nos deparamos como uma das melhores séries. Zombieland Saga foi isso para mim. Com uma premissa que, para ser honesto, não soa muito interessante, Zombieland consegue se destacar com sua ótima produção e comédia funcional. A ideia de fazer “idols, mas com um twist” pode muitas vezes ser usada para fazer algo que acabe se perdendo e se tornando somente mais uma série genérica – Idol Jihen que o diga. Mas Zombieland consegue se sustentar com uma ótima direção e roteiro, além de uma boa caracterização de suas personagens.

A ideia, apesar de boba, ainda não é totalmente aleatória. Ao se colocar zumbis tentando reanimar uma cidade como idols, o anime tenta inserir uma moral que, talvez se não diretamente, não é completamente destoante da vida do público. Como zumbis, as personagens estão mortas. Mas aceitam o desafio para se sentirem vivas. Não literalmente, mas para conquistar algo, achar um sentido para sua existência. Viver, ao invés de meramente existir.

O curioso sobre essa série é o envolvimento da empresa Cygames, conhecida por fazer jogos para celulares. Apesar de possuírem um estúdio de animação próprio, seus projetos sempre estavam envolvidos com a divulgação de um novo jogo da empresa. O que leva a imaginar como e porque esse projeto, que não parece ter nada mais associado com ele, surgiu.

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Yagate Kimi ni Naru

Estúdio: TROYCA
Direção: Katou Makoto
Roteiro: Hanada Jukki
Baseado num mangá por Nakatani Nio
Número de episódios: 13
Yuu sempre adorou mangás shoujos e sonhava com o dia em que iria se apaixonar e ter finalmente a sensação de estar voando nas nuvens. Quando esse dia finalmente chega e ela recebe uma confissão de um amigo próximo, ela não sente nada. Desapontada, ela começa a sua vida no ensino médio se sentindo isolada no seu mundo em que romance não mais lhe excita. Até o dia em que ela presencia Touko, uma membra do conselho estudantil, recusando uma confissão, pois acredita que nunca sentirá algo por ninguém. Eventualmente, as duas se tornam amigas, mas Touko sente algo especial quando Yuu compartilha suas angustias com ela…

Yagate Kimi ni Naru é um título conhecido por praticamente todo fã do gênero yuri, ao menos no Japão. Geralmente aparece no topo dos rankings de melhor mangá do gênero e é considerado um sucesso em uma revista popular de gêneros variados. Seu sucesso provavelmente foi influência maior no fato de Kadokawa começar a publicar as antologias yuri Éclair e colocar mais do gênero em suas revistas.

Porém, tendo lido parte do mangá, é difícil avaliar o anime por si só. É uma produção bastante competente com boa direção, animação decente e cenários muito bonitos, mas ainda me incomoda o jeito como foi adaptado. Sinto que o clima do anime se afasta demais da sensação que o mangá passa. O mangá, apesar de ter drama, possui uma atmosfera mais realista e contemporânea, enquanto o anime parece apostar em criar um clima mais lento que parece emular clássicos de romance. Seja pela escolha de trilha sonora ou ritmo lento das cenas. Isso já demonstra na abertura, que parece bem destoante do clima que o mangá passa.

Naturalmente, é questão de adaptação e gosto pessoal. Yagate Kimi ni Naru é uma produção decente e provavelmente vai agradar a maioria que assistir, sejam fãs do original ou não. Gostaria que preservasse a sensação que o mangá passa, mas isso provavelmente seria muito difícil.

No geral, o que espero é que o anime de alguma forma ajude a aumentar ainda mais a relevância do gênero yuri. Seja por influenciar novas obras ou novas adaptações. Mas por favor, Kadokawa, Kago no Shoujo não.

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Romances gostam muito de repetir os mesmos cenários e histórias. O gênero se prende muito a arquétipos e “fórmulas de sucesso”. Felizmente, YagaKimi é um anime yuri que tem sua própria personalidade e vai contra as expectativas do espectador de maneiras interessantes.

Vemos a história de uma garota (Koito Yuu) começando sua vida colegial insegura do que fazer quanto à confissão romântica que recebeu de um amigo. Nesta situação conflituosa, conhece uma aluna mais velha (Touko Nanami), logo fascinando-se e aproximando dela.

O anime cria expectativas da mais jovem se apaixonar pela mais velha e esquecer do garoto, certo? Errado. A história foca mais em como Yuu se sente pessoalmente em respeito a amor em si, o que é amar e como ela se sente incapaz disso. Touko é quem se sente atraída pela sua colega mais nova, e não demora a expressar seus sentimentos (logo rejeitados por Yuu).

E mesmo com tudo isso, YagaKimi não se torna um drama excessivo. As personagens tem personalidades não caricatas, seus dilemas internos são demonstrados bem e dão mais profundidade à história. Não é uma história sobre duas pessoas que se amam, mas sobre o que é amar.

Uma ou outra cena esbarram em características comuns do gênero. E elas parecem estranhas por isso em comparação com o resto do anime. A personalidade de Touko numa dessas cenas não parece muito condizente com as ações habituais dela (embora toquem no fato dela não ser exatamente como parece).

A animação e direção são bem agradáveis também. O ritmo da história é mais lento e calmo, mesclando bem com o bonito traço/design das personagens, as belas cores dos cenários e a boa animação nos momentos chave. Há um constante uso da câmera em primeira pessoa que dá uma certa originalidade ao anime também.

YagaKimi é um dos meus favoritos do começo de temporada. É um romance que parece ter algo a dizer e que todo episódio é um prazer de assistir e não só uma repetição das mesmas coisas que já vi em diversos outros animes.

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Yuri não é um demográfico muito favorecido em animes. Com poucas adaptações, e títulos como Citrus sendo carregados de cenas problemáticas, é difícil saber o que esperar quando anunciam um novo anime yuri, mas a opinião geral parece ser negativa. Na expectativa de ter uma obra que consiga mudar essa impressão, e até mesmo abra espaço para outros títulos no mercado, surge Yagate Kimi ni Naru, baseado num famoso mangá, adaptado pelo estúdio TROYCA, famoso por obras como Re:Creators e Aldnoah.Zero.

Yuu é uma garota que quer se apaixonar pela sensação de se apaixonar, mas percebe que talvez não há ninguém no mundo que consiga tocar seu coração. Da mesma forma, Touko é uma garota que sempre recusou confissões sem pensar duas vezes, pois nada a atingia. Isso é suficiente para estabelecer uma conexão emocional entre as duas garotas, mas Touko percebe que talvez ter alguém que a trate como alguém comum, sem colocá-la em um pedestal de superioridade, seja o suficiente para despertar seus sentimentos adormecidos.

O mais interessante de YagaKimi é o fato de que as duas protagonistas são personagens que se sentem deslocadas entre amigos e colegas de classe por não entenderem bem o que é se apaixonar, com a ideia em si parecendo algo alienígena. Elas se sentem desconectadas da realidade, isoladas num mundo submerso dentro de si próprias. Koito finalmente se conecta com alguém quando Touko entende seus sentimentos, mas ironicamente, Touko se apaixona por ela. Isso faz com que Yuu se sinta isolada de novo, chegando a ter inveja dela. Mas, ao mesmo tempo, ela tenta entender Touko e o que a fez se apaixonar por ela.

Embora a declaração de amor de Touko à Yuu tenha sido abrupta, a relação das duas é muito bem trabalhada, num ritmo que lento (mas não cansativo), em que aos poucos você vai entendendo a personalidade das personagens e a forma como uma encara a outra. É interessante como também a um respeito à personalidade de Yuu, que não se sente confortável com seus sentimentos (ou a falta deles), mas também não se vê forçada a confortar os sentimentos de Touko e fingir que também a ama. Ela sinceramente sente que deseja apoiar Touko, pois ao confrontar os sentimentos dela por ela, Yuu percebe o quão frágil ela é – e o tanto de esforço que ela faz para não parecer.

Mesmo sendo por um diretor novato, a direção consegue deixar tudo mais atraente, com transições de cenas dinâmicas, jogo de luzes e close-ups que transmitem bem a emoção das personagens. A animação também deixa tudo mais charmoso, com cenários de background vivos e detalhados.

YagaKimi é um yuri muito charmoso, com uma dinâmica romântica bem cativante de acompanhar, e uma produção que torna a experiência visual mais única. E talvez seja realmente o yuri necessário depois de Citrus.

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Estúdio: Sunrise
Direção: Furuta Jouji
Roteiro: Suzuki Tomohiro
Anime original
Número de episódios: 13
Kirill é um jovem policial que sonha em se tornar um grande detetive e ser consagrado como um herói. Quando ele acidentalmente ajuda uma operação que envolvia uma droga letal, conhecida como “Anthem”, ele é transferido para um departamento especial chamado SEVEN-O, que se especializa em combater a tal droga. Com o seu novo parceiro, Doug, os dois tentam combater o crime e resolver o mistério por trás dessa droga.

7 anos após a exibição de Tiger & Bunny, Sunrise finalmente lança novo projeto de uma de suas franquias mais populares. Apesar de ter assistido à série original, minha memória sobre ela não é muito recente, então é difícil comparar. Portanto, não havia muita expectativas sobre o que esse novo projeto seria. Embora eu com certeza não esperava que fosse tão divertido como acabou sendo.

Double Decker não é bem uma sequência para Tiger & Bunny. Ainda não é possível dizer onde a série se encaixa no universo, mas é possível especular que seja uma espécie de prequel. Na história não existem heróis e super poderes só aparecem na forma de uma droga utilizada por um grupo criminoso. É difícil no momento imaginar como isso levará à história de heróis patrocinados por empresas que o original remete. Mas Double Decker é divertido por si só, e essa distância do original faz com que seja possível assisti-lo isolado.

O mais curioso é que uma série de aventura tenha um humor que funcione tão bem. Está ao lado de Zombieland como uma das séries mais engraçadas da temporada. O momento das piadas funciona perfeitamente e a personalidade dos personagens ajuda nisso.

Outro ponto interessante e inesperado é o quanto a série trabalha com temas sociais. Já é esperado que animes no estilo possuem personagens femininas mais ativas e independentes e homoerotismo, considerando o público alvo. Porém, Double Decker vai além, colocando até situações de direitos trabalhistas, greves e abuso policial. Mas bem, como a série não se passa no Japão, talvez tenha sido mais fácil criticar tais temas abertamente.

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Anunciado como um dos novos projetos relacionado à Tiger & Bunny, ainda não é certo se Double Decker faz parte do mesmo universo como um prequel ou se simplesmente é um projeto “irmão” feito pela mesma equipe, reaproveitando alguns conceitos da série original.

Num mundo em que não existem super-heróis patrocinados por marcas, Kirill quer ser um herói mais tradicional, salvando o dia como um policial. Quando seus sonhos de grandiosidade finalmente o colocam num grupo especial, ele percebe que ainda precisa aprender muito para chegar no nível do seu parceiro experiente, Doug.

A dinâmica da série vem muito da interações entre os dois, assim como de outras duplas do mesmo departamento, remetendo muito ao estilo de filmes clássico de “buddy cop. Mas embora o anime trate de questões pesadas, como o tráfico e abuso de drogas, assim como assassinatos brutais, há um clima descontraído e cômico por boa parte dos episódios. Com uma narração que zomba de clichês e tropes, até dos próprios personagens, Double Decker parece se divertir tentando construir uma narrativa cômica, mas também focada no que é interessante na história.

O anime abusa muito de modelos CG, o que é um problema. Embora Tiger & Bunny mesmo também usasse deles nos trajes especiais dos protagonistas, não era algo que chamava tanta atenção nas lutas. Não é como se Double Decker também precisasse para tornar a ação mais dinâmica, visto que nem foca tanto nisso. Difícil dizer se foi uma escolha estética ou simplesmente para baratear o custo, mas não vejo muita razão para ambos.

Double Decker sabe ser divertido e intrigante, tal como Tiger & Bunny, e talvez seja o sucessor adequado para a franquia.

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Estúdio: Production I.G
Direção: Nomura Kazuya
Roteiro: Kiyasu Kohei
Baseado numa novel por Miura Shion
Número de episódios: 23
Kakeku é um jovem corredor que acaba sendo pego roubando comida, mas é salvo Haiji, um também corredor, que se impressiona com sua velocidade. Com o sonho de correr uma famosa maratona, Haiji tenta convencer Kakeru a entrar no seu time, ao lado de mais oito pessoas que vivem no mesmo apartamento que ele. O problema é que nenhum deles tem qualquer tipo de treinamento. Kakeru acha o sonho de Haiji impossível, mas ele não pretende desistir sem antes tentar.

O mais novo anime da Production I.G, que agora parece se dedicar a fazer animes sobre esportes e competições no geral. Bom, considerando o sucesso de Haikyuu, e o fato de que esperavam Ballroom ser o novo hit, é uma aposta que eles estão seguros e que são capazes de fazer algo atrativo para um grande público.

Como bem típico de animes de esporte, o protagonista, Kakeru, possui algum tipo de trauma que o fez se distanciar da corrida, mas o sonhador Haiji, que precisa de um time de dez pessoas, quer tentar de tudo para que ele embarque no seu sonho em correr uma famosa maratona.

O mais interessante no anime é o fato dos personagens não terem nenhuma pretensão com o esporte, nem a capacidade física para tal. Sem muita escolha, o grupo que compartilha o mesmo apartamento é forçado a correr todos os dias, numa tentativa de se tornarem aptos para a tal maratona. Cada um deles possui uma personalidade forte, mas aos poucos vão cedendo a tenacidade de Haiji em seguir seu sonho. Não existe um grande fator de competitividade, mas sim de querer tentar o que parece ser impossível – simplesmente porque eles têm essa escolha.

É um anime inspirador, com uma boa interação entre os personagens, e com uma animação de qualidade. Vale a pena.

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Anime de esporte que consegue escapar das convenções comuns de outros títulos do gênero. Kaze ga Tsuyoku Fuiteiru não tenta ser extremamente realista, mas ao mesmo tempo tem como seu foco maior nos seus personagens e o esporte existindo como a forma de apresentar suas diferentes personalidades e ambições e não o foco total da história.

O ponto forte desse show é o grupo de personagens universitários no lugar do típico cast de ensino médio. É um grupo diverso, chamativo e divertido — é fácil se interessar por eles já pelas pequenas introduções do primeiro episódio (que basicamente apresenta todos seus personagens antes mesmo de explicar a situação dos protagonistas).

Os dois personagens principais não têm suas histórias pessoais apresentadas de cara, só sabemos que eventos passados os moldaram como pessoas e a forma que encaram o esporte. Deixar esse mistério no ar intriga, queremos saber como eles chegaram nesse novo “status quo”. A falta de um porquê dá profundidade para os personagens e cria uma sensação de imprevisibilidade nas suas ações.

O anime tem como outro ponto de interesse a forma com como o grupo principal possui uma missão “impossível” como meta pessoal, semelhante a outros do gênero, mas a sensação que existe é de que teremos a construção em longo termo de como essa meta passa a ser possível, ao invés de todos ganharem habilidades absurdas de um dia para o outro. Esse pé no realismo, nessa falta de poderes, dá uma identidade própria a uma fórmula num gênero que precisa de um pouco mais de variedade.

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Estúdio: Doga Kobo
Direção: Satou Masako
Roteiro: Shimo Fumihiko
Baseado num mangá por Unohana Tsukasa
Número de episódios: 12
Kohane Hatoya é uma jovem que adora ajudar os outros. Ao ingressar no ensino médio, ela fica fascinada com líderes de torcida e decide entrar para o grupo da escola. Ao lado dela, está a experiente Hizume e sua amiga de infância, Uki.

O combo que mais devo comentar aqui: Manga Time Kirara + Doga Kobo. A revista mãe dos anime slice of life com garotas e o estúdio que faz o melhor trabalho em adaptar essas obras.

Anima Yell apresenta a fórmula comum do gênero com uma comédia bem leve, personagens excêntricas com personalidades bem distintas e um foco grande nas interações dessas garotas entre si. Seu diferencial é o foco num esporte não muito comum, cheerleading.

Kohane, a personagem principal, é extremamente prestativa e pensa mais nos outros que em si. Basicamente virar uma garota de torcida se encaixa perfeitamente em sua personalidade, mas curiosamente é o que a faz finalmente tomar decisões para seu benefício próprio enquanto tenta convencer suas colegas a se juntar ao clube.

É uma proposta comum, mas bem executada. O anime tem boas piadinhas (com mais tsukkomi seco do que eu esperava) e carisma.

Doga Kobo faz um trabalho ok nas partes técnicas. Nada parece ruim, mas poucas cenas em si se destacam, com a animação não sendo incrível. O melhor momento é no terceiro episódio, quando o estúdio lida de maneira excelente com uma situação peculiar, preferindo um pouco mais de lentidão e falta de trilha sonora para dar impacto à cena.

Esse momento me dá esperanças de que Anima Yell possa usar esse tema de “torcida” de forma interessante, dando situações inusitadas para vermos diversas formas que essas garotas podem apoiar os outros, indo de danças e coreografias até simples conversas sinceras.

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Comecei assistindo Anima Yell com um certo preconceito. Tanto por já ter lido e me decepcionado com um mangá anterior da autora, quanto pela premissa me parecer bem desinteressante. Após três episódios, posso dizer que minhas impressões estavam corretas, ao menos quanto ao mangá. Por outro lado, a forte direção do anime consegue mascarar os problemas do original. Não que consiga ajudar nas péssimas piadas. Nenhuma direção conseguiria salvar aqueles trocadilhos com cadeira. Mas várias cenas só conseguiram ser engraçadas pelo ótimo timing da piada, pois fora isso são medíocres.

Uma certa cena no episódio 3 foi muito acima do esperado, principalmente pela execução. Apesar que, novamente, por ter sido a execução que acertou, pode ser um mérito do anime mais do que do original. O problema é que se o original for fraco, não importa o quão boa a direção seja, sempre voltará a ser medíocre com o passar dos episódios.

Infelizmente, Anima Yell tem a direção que eu gostaria de ver em Tonari no Kyuuketsuki, que falha em quase tudo que Anima Yell acerta, apesar do mangá ser divertido.

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Estúdio: TMS Entertainment
Direção: Nigorikawa Atsushi
Roteiro: Yamada Takashi
Baseado num jogo por ForwardWorks
Número de episódios: 12
No futuro, em Onomichi, os peixes desapareceram dos mares do mundo todo e apenas as baleias vivem no oceano. O Ministério da Pesca decide instalar gigantescos tanques de peixes no espaço. A União de Pesca de Onomichi é estabelecida e começa a treinar pescadores espaciais. As mulheres pescadoras são requisitas devido ao fortalecimento de uma lei de emprego igual para homens e mulheres. Esta é a história de seis novas pescadoras espaciais que são selecionadas e mandadas ao espaço.

Um caso curioso da temporada. Sora to Umi no Aida é a adaptação animada de um jogo mobile lançado no Japão em 2017, comum até aí, certo? O problema é que, diferente da maioria dos anime baseados em mobage, Sora to Umi no Aida está promovendo um jogo que praticamente “morreu” já, com uma quantidade minúscula de usuários ativos e basicamente não fazendo dinheiro.

O anime de alguma forma reflete isso. Há uma sensação constante de falta de capricho final, o conceito bizarro e único de meninas pescando peixes espaciais soa interessante, mas o anime não consegue fazer jus a ele — sendo estranhamente monótono graças aos diálogos fracos (basicamente todas as interações com os outro pescadores é fraca e exagerada) e ação nunca empolga, com direções e animações pouco criativas.

Tenho uma certa esperança do anime se recuperar. Gosto do conceito, os cenários são bonitos e dão um tom divertido à série (tanto a cidade costeira na qual as personagens vivem quanto os mares espaciais) e o confronto entre elas e o preconceito da associação de pescadores pode ser ainda interessante, se bem trabalhado.

Dito isto, essas esperanças não são tão realistas, considerando o que foi apresentado até aqui. Queria gostar mais de Sora to Umi no Aida.

Estúdio: Lay-duce
Direção: Satou Akira
Roteiro: Takahiro
Anime original
Número de episódios: 12
A cidade de Sorasaki é comandada por uma misteriosa organização criminosa conhecida como Moryo. Mas o grupo de espiãs Tsukikage protege a cidade pelas sombras, participando de operações secretas. Momo é uma garota que sonha em seguir os passos do seu falecido pai e ser uma policial, mas lhe falta coragem. Seu talento, entretanto, é reconhecido pelo Tsukikage e ela começa seu treinamento para ser uma espiã e proteger sua cidade.

Release the Spyce é um anime original que parece não ter chamado tanto atenção. Numa temporada com SAO, Goblin Slayer, JoJo e um novo anime da Trigger, assim como outros animes originais de estúdios renomados, talvez não seja uma surpresa. Até o fato da protagonista também lamber o suor das pessoas para tirar informação parece ter perdido espaço.

Com roteiro de Takahiro, autor de Akame ga Kill e Yuuki Yuuna, e design da Namori, autora de Yuru Yuri, o anime tem uma premissa que lembra Princess Principal do ano passado, mas com um clima mais descontraído. A ideia de serem ninjas-espiãs cria cenários over the top bem divertidos, remetendo muito a filmes como Missão Impossível e 007, em que o uso de acessórios tecnológicos absurdos e técnicas sorrateiras são o grande charme.

Para quem procura algo despretensioso e bobo na dosagem certa, bem como fofo, Release the Spyce é uma boa opção.

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Uma idéia criativa: usar designs da mangaka Namori, de Yuru Yuri, para fazer um anime de ação sobre garotas espiãs.

Release the Spyce é um anime divertido pela sua natureza descontraída num tipo de anime que é tão sério normalmente como séries de ninja/espionagem. Existe um roteiro sério de fundo, mas a ação é excitante, as personagens são carismáticas e o tom é muito animado e com um ritmo acelerado.

Esse ritmo carrega o anime, os episódios parecem passar rápido. Mesmo que o roteiro da novata tentando se tornar uma boa espiã não seja muito original, a execução é boa o suficiente para me manter torcendo por ela.

Destaque para as lutas também, com bastante variedade nas técnicas e poderes e uma trilha sonora forte que adiciona a essas cenas.

Espero que, quando o roteiro inevitavelmente vá para um tom mais sério, saibam dosar bem isso com a parte mais carismática e honesta deste começo.

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Diria que essa é a série que vai me fazer decidir finalmente minha opinião sobre o escritor Takahiro. Parei de ver Akame ga Kill pela metade por causa de quão forçado o anime era e tinha receios quando fui assistir Yuuki Yuuna, que acabou sendo um dos meus animes preferidos do ano que saiu. Em Release the Spyce, com a arte de Namori, mangaká de Yuru Yuri, Takahiro volta a fazer uma história sobre garotas sendo heroínas, o tema principal de YuYuYu. Dessa vez, até o apelo GL é mais óbvio, começando pela escolha no character design. Me faz imaginar se Release the Spyce nasceu pelo sucesso de YuYuYu ou Takahiro sempre esteve propenso a fazer histórias assim. De qualquer forma, até agora o anime é o mais distante possível de sua série mais conhecida, Akame ga Kill.

Não que Spyce seja especial. É uma história de aventura padrão, seguindo garotas espiãs defendendo a cidade de um crime organizado. Se em YuYuYu a intenção era focar no heroísmo das garotas, o mesmo parece acontecer com Spyce. Dessa vez, o clima é um tanto mais descontraído, porém, apesar de revelar seus momentos mais obscuros em partes. A parte onde encontram garotas sequestradas e forçadas a se prostituir em especial parece um tanto pesada demais para a proposta do anime. Não é nada que atrapalhe, mas o próprio clima descontraído não mudando nesse momento é um tanto estranho.

Mesmo assim, continuo lembrando que YuYuYu era só uma história sobre garotas mágicas salvando o mundo até o episódio 7, no qual o drama finalmente começou. No caso já era esperado, pelas semelhanças com Madoka Magica, que fosse ir por aquele rumo. Com Spyce estamos novamente sem saber se o clima atual se manterá até o final.

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Estúdio: Doga Kobo
Direção: Oota Masahiko
Roteiro: Aoshima Takashi
Baseado num mangá por Nakamura Kanko
Número de episódios: 12
Tsubame é uma ex-militar que está em busca de um novo emprego, quando encontra o que parece ser a vaga que sempre sonhou: ser a empregada de uma garotinha fofa. Misha é uma garota que perdeu sua mãe e que se isola do mundo, forçando todas as empregadas que seu pai contrata a desistirem. Mas Tsubame é mais resistente do que ela imaginou, e ela vai tentar de tudo para se aproximar de Misha… talvez até demais.

Doga Kobo é um estúdio que consegue criar obras bastante charmosas, independente do seu conteúdo. Conhecidos por seus slice of life, suas animações focam muito em enfatizar a atuação física dos personagens, criando movimentações realistas ou exageradas para efeito cômico. Por isso, o humor de suas obras acaba partindo muito da animação em si do que de diálogos manzai ou algo mais típico em animes. Dito isso, UzaMaid é realmente um anime que caiu nas mãos certas, pois não teria nenhum interesse caso contrário.

Com a premissa de uma ex-militar que decide ser empregada de uma garotinha russa, pois sempre foi seu sonho, o anime não tenta disfarçar o que gera boa parte das situações cômicas: ela é uma pedófila e quer se aproveitar da situação. Talvez isso pudesse ser amenizado caso a ideia fosse que ela apenas aprecia coisas fofas, mas ela deixa bem claro que “não gosta de meninas que já menstruaram”. É, não tem o que defender.

Ainda sim, existe uma certa redenção pelo fato da personagem tentar ser uma figura materna para a garota, que ainda sofre com o trauma de ter perdido sua mãe e não consegue mais socializar com outras pessoas. Ou talvez nem tanto, visto que a empregada consegue, de alguma forma, atingi-la emocionalmente justamente quando é bem creepy.

O anime até tenta deixar claro que a empregada é perigosa na sua obsessão, tocando uma BGM reminiscente de um filme slash quando ela faz algo assustador, mas nada que mude o tom do anime em geral.

Como já dito, a animação é o grande destaque e consegue tornar cômico o que realmente não devia ser engraçado. É o que me compele a continuar a acompanhar, mas não sei se vai ser o suficiente. Talvez a Doga Kobo aprenda a pegar projetos menos problemáticos na próxima vez, certo? Errado.

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Primeiramente pela parte técnica. UzaMaid é muito bem animado com uma direção competente. Humor é padrão, mas no geral divertido. Basicamente tudo que se espera de um anime slice of life de comédia.

Agora para a parte que todo mundo se importa: sim, a protagonista é uma pedófila. O quanto isso vai incomodar quem assiste varia de pessoa para pessoa. Particularmente, talvez esteja acostumado já, mas foi menos problemático do que imaginei. Conhecia o mangá por cima e nunca havia lido, então talvez por isso estivesse esperando algo muito pior. Porém, o anime, que aparentemente eliminou todo fanservice com a garotinha existente no mangá, coloca a atração da maid como não puramente sexual. Ela gosta de ver garotas fofas e vestir elas, e possui uma lógica interna inteira para explicar isso. Ok, no fim isso é tudo para explicar porque ela é lolicon. O anime vai naquela ideia de “pedófila boazinha”, do tipo que gosta de crianças, mas nunca machucaria uma. Ela inclusive acusa pedófilos predadores em um episódio específico (ou talvez o problema é eles serem homens, sei lá).

Não que isso esteja muito longe da realidade. Existem pedófilos que não querem machucar crianças e fazem o possível para controlar seu desejo. O problema é, isso inclui não participar de interações consideradas eróticas com tais crianças, como por exemplo tomar banho juntos. Nesse ponto o anime é completamente fora da realidade. O que não é exatamente um problema, mas muitos claramente serão afastados por isso.

Minha conclusão é que, se o tema do anime é algo que incomoda, não vai perder nada evitando-o. Mesmo a animação muito boa do primeiro episódio não parece consistente. É recomendado para pessoas que leem a sinopse e isso não as afasta completamente.

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Estúdio: 8bit
Direção: Kikuchi Yasuhito
Roteiro: Fudeyasu Kazuyuki
Baseado numa light novel por Fuse
Número de episódios: 24
Satoru é um salaryman de meia-idade que acaba morrendo num assalto enquanto teve proteger um colega de trabalho. Entretanto, ele acaba sendo enviado para outro mundo com outra aparência, na peculiar forma de um slime, o monstro mais fraco de todos. Num mundo de fantasia, Satoru agora embarca em grandes aventuras na sua forma gelatinosa.

Eu não sou fã de isekais, nem de histórias em que envolvem algum gimmick em que o personagem renasce com outra forma. Porque, no final, é apenas uma forma de aproveitar uma fórmula batida. O fato de ser uma comédia, por boa parte, ajuda, mas mesmo esse subgênero de isekai em que o protagonista tem algum tipo de desvantagem ao renascer/ser jogado em outro mundo já se transformou numa fórmula.

Mesmo com meus bias, entretanto, TenSura ainda consegue me divertir. Tem algo um tanto gratificante em ver o protagonista resolver situações ao ganhar habilidades necessárias para isso, simulando bem a ideia de um jogador resolvendo pequenas quests enquanto constrói sua base naquele mundo. O fato de tudo naquele mundo ser carismático, num tom bem amigável, também ajuda a passar a sensação de uma aventura leve e divertida.

Talvez meu problema por hora seja o fato do protagonista ser útil até demais com suas habilidades, deixando todas as adversidades sem nenhum senso de perigo ou urgência, mas ainda é interessante ver como ele busca meios não violentos ou eficazes para resolver as situações.

A animação também é um destaque, com cenas de ação bem fluidas, e bem consistente no geral. A estética também é bem agradável, e até a forma como é exibido as novas habilidades do protagonista tem uma escolha de design interessante. Ah, e claro, a movimentação fluida do protagonista como slime consegue deixá-lo bem expressivo.

É um anime divertido o suficiente para me fazer guardar minhas ressalvas com o gênero.

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Estúdio: P.A. Works
Direção: Shinohara Toshiya
Roteiro: Kakihara Yuuko
Anime original
Número de episódios: 13
Hitomi é uma jovem garota descendente de uma família de bruxas. Por ter perdido o senso de cores quando era muito nova, ela tem dificuldade em se relacionar com outras pessoas e sentir grandes emoções. Sentindo pena do futuro de sua neta, Kohaku, uma grande bruxa, manda Hitomi para o passado. Interagindo com seus avôs e seus colegas de clube, Hitomi aprenderá mais sobre o mundo e as pessoas.

Acho que o primeiro de Irozuku resume bem minha experiência com animes da P.A. Works: visualmente lindos, mas enredos desnecessariamente convolutos para enfiar romance adolescente.

A ideia de uma protagonista que é daltônica, enxergando tudo em preto e branco, e por isso vive num mundo vazio emocionalmente é bem interessante. Mesmo sendo uma feiticeira, magia não é algo que lhe traz qualquer satisfação; até odiando por algum motivo. Sua visão monocromática do mundo lhe isola das outras pessoas, com receio de não conseguir compartilhar as mesmas emoções ou simplesmente causar qualquer desconforto para elas. É um drama muito interessante, aliado ao fato de que magia é algo comum naquele mundo, e que me deixaria empolgado de acompanhar… caso não fosse da P.A.

Romance adolescente não é de fato algo muito atrativo para mim, mas nada que eu não acredite que possa ser bom caso seja bem escrito. Se os personagens forem bons e o romance se desenvolva de uma forma interessante, com certeza terá meu interesse. Os romances da P.A., entretanto, são geralmente os que mais me incomodam. Com típicos personagens adolescentes e situações convenientes que empurram de forma forçada o romance na história, são sempre animes que penso que seriam mais interessante sem esses elementos.

Irozuku é totalmente o caso. Enquanto existem elementos interessantes, como o drama da protagonista, a sua relação com magia, bem como a relação com seus familiares no passado, todo o elenco de personagens da escola é insuportável. E o romance que se desenvolve é o que menos me importa, pois parece a forma mais fácil de desenvolver o drama da protagonista. Seria tão mais interessante a viagem dela ao passado ser mais uma forma de conhecer o mundo e a si mesmo do que se envolver romanticamente com alguém.

Talvez eu só esteja batendo na porta errada aqui, visto que seus animes têm um público que adora isso, mas com tantos animes que conseguem desenvolver dramas pessoais hoje sem enfiar romance (e serem populares da mesma forma), me intriga o fato da P.A. ainda insistir nessa fórmula. Apesar que nos deram Sakura Quest e Shirobako. Aprendam com vocês mesmos!

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Estúdio: Studio GokumiAXsiZ
Direção: Akitaya Noriaki
Roteiro: Takahashi Tatsuya
Baseado num mangá por Amatou
Número de episódios: 12
Akari é uma garota fascinada por bonecas. Ao ouvir um boato de um fantasma de uma garota que lembra uma boneca morando numa mansão abandonada, ela acaba se perdendo numa floresta. Mas acaba sendo salva por Sophie, que revela ser uma vampira. Akari não parece se assustar com ela; pelo contrário, se vê fascinada pela garota. As duas se tornam amigas enquanto percebem o quão diferente é o modo de vida de cada uma.

Adaptação de um mangá 4-koma da Cune, uma revista similar a Manga Time Kirara. E o anime é basicamente o que se espera por essa descrição. Uma garota apaixonada por bonecas decide morar com uma vampira e a partir disso temos comédia leve e bastante doses de doçura com o dia a dia dessas personagens, que vão aos poucos se conhecendo e interagindo.

O traço do anime é bonito e a comédia se assemelha a outras obras similares, como Kin’niro Mosaic. Boa parte das piadas envolvem o quão mais estranha a personagem principal é em comparação à vampira, mas ainda entretém se você gosta desse tipo de humor.

A construção de algumas cenas é um pouco estranha dada a natureza do material original e o anime não fazendo transições muito naturais.

É uma boa opção para fãs dessa escola de slice of life “Kirara”. Não inova muito, mas entrega o que se espera de anime do tipo.

*** 

É sempre difícil falar de animes baseados em mangás da Cune ou Manga Time Kirara porque, apesar de curtir a maioria, geralmente não há nada que se destaque o suficiente para apontar. Tonari no Kyuuketsuki pode ser resumido como: “Kiniro Mosaic com vampiros.” Ao invés de uma garota obcecada por garotas loiras, temos uma garota obcecada por bonecas. E uma vampira ao invés de uma menina loira.

O que dá para se falar sobre é como a direção infelizmente não é muito consistentes. Alguns momentos são bem trabalhados e o humor funciona, mas na maioria das vezes o mangá só é transcrito para a tela sem preparação alguma. Ao menos é fofo.

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Estúdio: CloverWorks
Direção: Masui Souichi
Roteiro: Yokotani Masahiro
Baseado numa light novel por Kamoshida Hajime
Número de episódios: 13
Certo dia, Sakuta Azusagawa encontra uma garota vestida de coelhinha na biblioteca da sua escola, mas aparentemente só ele consegue enxerga-la. E não é qualquer garota, mas sim Mei Sakurajima, uma famosa atriz que decidiu pausar sua carreira. Sakuta, no entanto, tem uma possível explicação para o que está acontecendo: a “Síndrome da Adolescência”, um fenômeno sobrenatural que acontece com aqueles que estão no período de puberdade.

Você sabe quando o anime vai ser pretensioso quando ele cita o gato de Schrödinger para embasar algum conceito pseudo-cientifico e torná-lo mais complexo do que é.

Eu meio que sabia o que me esperava em Bunny Girl. Quando o charme do anime é um protagonista solitário, que demonstra sua sagacidade em diálogos irônicos, o que leva muitos a compararem com personagens como Kyon de Haruhi e Hachiman de Oregairu, a chance disso explodir na cara e ser apenas um anime pretensioso é bem grande. E realmente, diferente dos exemplos citados, não consigo ver nenhum charme no protagonista. Ou em nada no anime, pra ser sincero.

Todo o conceito de “coisas sobrenaturais que acontecem especificamente com adolescente” parecia algo desgastado já na época de Kokoro Connect. Ainda sim, não seria um problema caso fosse algo bem feito. Mas a interação entre o casal principal é boba, com diálogos que rapidamente entram em piadinhas sexuais, e o desenvolvimento é extremamente mecânico. As situações no geral parece que são um checklist de clichês de light novels, com tudo favorecendo o protagonista a ter alguma interação ligeiramente romântica ou sexual com alguma personagem feminina.

É quando surge um anime assim que você percebe como personagens como o Kyon e o Hachiman deviam ser mais valorizados e melhor interpretados. Eles não são interessante simplesmente por seguirem um arquétipo; e sim porque são suportados por uma boa escrita. Mas você já ouviu falar do gato de Schrödinger?

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Estúdio: CloverWorks
Direção: Watanabe Ayumu
Roteiro: Tomioka Atsuhiro
Baseado num jogo por Capcom
Número de episódios: Indefinido
Segunda temporada de Gyakuten Saiban, anime baseado na renomada franquia de jogos.

Segunda temporada do anime de Ace Attorney pela A-1. Começa tão medíocre quanto a temporada passada, direção sem graça (muitas cenas com dezenas de pessoas paradas só mexendo a boca), animação fraca, escolhas ruins para a dublagem, ritmo extremamente corrido nos casos que não permite o espectador a seguir a lógica interna dos personagens, etc.

Serve para matar a curiosidade de como o terceiro jogo da trilogia original seria animado e é isso.

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Estúdio: J.C.Staff
Direção: Nishikiori Hiroshi
Roteiro: Yoshino Hiroyuki
Baseado numa light novel por Kamachi Kazuma
Número de episódios: 26
Terceira temporada de Index.

Muitos anos após a segunda temporada, finalmente Index III está aqui. Ele corresponde ao hype? Sinceramente, diria que por enquanto, não

Index III é mais Index. Já começamos com a fórmula padrão da série jogando Touma numa situação bizarra precisando enfrentar inimigos poderosos só com seu Imagine Breaker e alguns amigos ajudando-o (normalmente garotas apaixonadas por ele).

É, a história é uma continuação de um arco maior que havia parado no meio na segunda temporada, mas talvez até por meus gostos terem mudado um pouco desde aquela época, Index parece datado como anime e principalmente como adaptação.

A história é muito corrida e com eventos difíceis de assimilar, todos jogados diretamente pelos personagens em diálogos extremamente expositivos. Quando você entende realmente o que está havendo, é tão simples que fica difícil de entender porque gastaram tantas palavras nessas conversas imensas.

Ao mesmo tempo as cenas de ação parece serem curtas demais. Mal temos tempo para compreender e gostar dos poderes de Terra, o vilão desse primeiro arco.

A dimensão dos eventos em Index III é maior em comparação às temporadas passadas. Só desconfio que isso possa ser um problema para a série – ainda mais se o ritmo continuar estranho como está.

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Estúdio: A-1 Pictures
Direção: Ono Manabu
Roteiro: Murakoshi Shigeru
Baseado numa light novel por Kawahara Reki
Número de episódios: 24
Terceira temporada de Sword Art Online.

Esqueça tudo que você sabe de SAO. Ok, não tudo. Mas Alicization começa basicamente como algo diferente das temporadas anteriores.

O início do primeiro episódio é misterioso e mostra um Kirito criança vivendo num mundo fantástico medieval como se aquele fosse seu mundo “real”. Alicization basicamente nos apresenta primeiro ao seu mundo antes de explicar o que é, o que está por detrás daquilo. Entretanto, faz isso de uma maneira fraca, com muita exposição e diálogo exagerado.

Fazer desse novo mundo crível é algo interessante em comparação aos arcos anteriores de SAO, que nunca escondiam a natureza videogame daqueles universos. É algo um pouco diferente do habitual de SAO, com mais cuidado em construir esse cenário, as regras e história desta terra, e seus habitantes

As maiores críticas (justas) às temporadas anteriores são relacionadas muito aos seus personagens. Kirito é poderoso e amado demais pelos demais, e os outros personagens dependem demais dele em sua construção e caracterização. A princípio Alicization contorna alguns desses problemas com um Kirito mais falho e personagens secundários com um pouco mais de profundidade e independência. Como Eugeo, o segundo protagonista do arco.

O mais impressionante dos primeiros episódios é o quão boa a direção é. Não apressando o ritmo da história, tomando tempo, mas deixando pontas para gerar interesse para os próximos episódios. Vale destacar a excelente animação também, até não parecendo um anime de TV.

Não sou fã de SAO, e até por isso fiquei impressionado por quanto Alicization me prendeu neste começo. Torcendo para que se mantenha nessa qualidade.

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Junk Box

Blog sobre cultura pop que às vezes rola uns posts.

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