PREVIEW IN A BOX: TEMPORADA DE VERÃO 2018

PREVIEW IN A BOX: TEMPORADA DE VERÃO 2018

Muitas comédias, animes de esportes com meninas, antropomorfização, duelos teatrais, um original do Satoshi Mizukami, um spin-off de Kaiji que ninguém pediu, uma adaptação de um mangá dos anos 80 que todo mundo pediu, Street Fighter II fazendo 30 anos e muito mais. Essa é a temporada de verão 2018. Fica aí nosso preview.

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Índice:

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Estúdio: LIDENFILMS
Direção: Ezaki Shinpei
Roteiro: Kishimoto Taku
Baseado num mangá por Hamada Kousuke
Número de episódios: 13
O time de badminton da escola Kitakomachi sofre com a ausência de membros, ao ponto de que nem conseguem entrar em competições oficiais. Kentaro, o técnico, se debate sobre o que fazer, até que se esbarra com Ayano, uma estudante que demonstra ter muita habilidade motora. Ele tenta convencê-la a entrar para o time, mas descobre que ela odeia badminton. Mas Kentaro não desiste e vai fazer de tudo para convencê-la.

Anime de esportes não é incomum, e tivemos muitos exemplos de sucesso com diversos temas diferentes no passado. Porém, anime de esporte focado em garotas é ainda uma raridade, com poucos exemplos de sucesso que não seja algo alternativo como super mahjong e guerra de tanques (Saki e Garupan são ótimos, porém). Por isso é uma surpresa que essa temporada não tenha somente um, mas dois animes de esporte com foco em personagens femininas. Hanebado, o primeiro deles, foca num time de badminton de uma escola e, apesar de possuir personagens masculinos no clube, o foco todo da partida parece ser nas personagens femininas do elenco.

Agora eu vou ter que falar que eu não entendo de drama de esporte. Eu acredito que se algo traz mais estresse, é preciso evitar. Por isso, a personagem Nagisa conseguiu deixar o início desse anime mais desinteressante do que devia com sua atitude de “badminton é muito sério! Se você não vai jogar bem, vá embora!”. Fez com que as personagens com quem eu mais simpatizasse nos dois primeiros episódios fossem as que desistiram do clube, já que pareceu a decisão mais sensata. Ainda apresenta um motivo fraco para tamanho drama que não consegue justificar sua atitude. O drama de Ayano não é muito melhor, apesar de mais justificado. Enquanto após três episódios o anime parece ter se acalmado e finalmente se encaminhar para um ponto onde badminton não é um esporte maldito que destrói vidas, acho difícil confiar.

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Acho que o principal atrativo de Hanebado é como esse anime consegue mostrar o quanto um esporte, no caso o badminton, influencia a vida e a personalidade de diversas pessoas, num sentido tanto positivo quanto negativo.

As duas principais da história possuem seus próprios traumas e conflitos nascidos diretamente da sua relação com o badminton. Hanesaki Ayano é naturalmente habilidosa, mas possui uma pressão enorme e culpa o esporte por alguns de seus problemas pessoais, enquanto Aragaki Nagisa se sente inferior a Ayano e às pessoas “naturalmente habilidosas” por uma grande derrota que sofreu num campeonato. A forma que isso as afeta também causa problemas à pessoas próximas e o anime trata isso com seriedade. É uma visão interessante do esporte.

A ideia de talento é prevalente também no anime inteiro, com Aragaki se sentido inferior a Hanesaki por seu talento, mas também tendo seu esforço e treinamento desprezado pelos outros por ter uma vantagem natural (altura). Existe toda uma escala do quanto o talento e o esforço estão diretamente ligados ali e o quanto isso afeta os personagens do elenco.

Alguns problemas se resolvem em parte e vemos um lado mais positivo das personagens, com o badminton as unindo como um amor em comum, que as trata como iguais.

Hanebado começa com um ritmo rápido que remete bem a uma partida de badminton, personagens fortes e com muito espaço para desenvolvimento (embora alguns drama um pouco melodramáticos) e uma maneira interessante de unir temas como pressão social, esforço e talento a uma história de esporte.

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Estúdio: MAPPA
Direção: Utsumi Hiroko
Roteiro: Seko Hiroshi
Baseado num mangá por Yoshida Akimi
Número de episódios: 22
Dino é um belo e carismático adolescente que foi acolhido pelo líder de um grupo mafioso local e lidera uma gangue de rua. Até o dia em que ele encontra um homem ferido na rua, que lhe entrega um tipo de droga chamada Banana Fish – as mesmas palavras que seu irmão, um veterano de guerra em estado vegetativo, sempre repete. Ao mesmo tempo, um jovem fotógrafo japonês chamado Eiji busca fazer uma reportagem sobre Ash, mas acaba se envolvendo mais do que queria.

Banana Fish é certamente um projeto ambicioso. Um renomado e influente mangá shoujo dos anos 80, famoso pela trama densa, a retratação da violência nas ruas e foco na ação, é também uma das obras mais importantes da cultura de Boy’s Love/Yaoi. Com direção de Utsumi Hiroko, famosa por Free, o anime eleva o mangá através de visuais com cores vibrantes e cenários detalhados de numa Nova Iorque suja.

O ritmo, embora frenético, não chega a ser um problema na construção dos personagens. Uma linha de diálogo acaba sendo o suficiente para defini-los ou expressar a relação entre eles sem que pareça muito expositivo. O primeiro episódio consegue estabelecer bem quem é Ash, como ele chegou à sua posição e qual é o seu objetivo, assim com tudo que o circula, sem realmente atropelar nada. Mas ainda sim não estou muito confiante em como será adaptado um mangá de 18 volumes em 22 episódios.

A decisão de modernizar a ambientação, algo comum e muitas vezes necessário em adaptações de mangás antigos, é um pouco estranha nesse caso, considerando que a história é muito amarrada nos acontecimentos da época, assim como na caracterização dos personagens. Aparentemente é uma escolha feita pelo braço forte da diretora, conhecida por fazer mudanças que se adequem melhor ao seu estilo. Mas bem, é uma adaptação, de qualquer forma. Há sempre espaço para mudanças , que podem favorecer a obra original, mas interferência de um estilo mais autoral em excesso talvez tire a essência do original.

Como já destacado, a animação é um dos destaques de Banana Fish, seja na ambientação rica, nas expressividade dos personagens ou nas sequências frenéticas de ação. MAPPA é um estúdio competente… mas sinto que sempre falo isso em obras deles que me decepciono. Apesar que é mais por questão de roteiro. Mas um staff competente como no caso aqui deve carregar bem a série.

Banana Fish é uma adaptação que parecia improvável de acontecer em outros tempos, mas surge num momento em que o holofote parece estar em clássicos, com Devilman Crybaby sendo provavelmente o maior destaque. E que assim como nele, a direção por trás é o que realmente consegue fazer a obra ter forças nos tempos atuais.

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Estúdio: J.C.Staff
Direção: Suzuki Youhei
Roteiro: Mizukami Satoshi
Anime original
Número de episódios: 12
Souya é um garoto que perdeu suas memórias num acidente em que seus pais faleceram. A única coisa que ele lembra é de acordar ao lado de uma garota vestida de empregada e um gato gigante. Aceitando aquilo como sua rotina daqui pra frente, ele vive sua vida escolar tranquilamente. Até o dia em que um estranho objeto voador paira sobre a sua cidade e um grupo de heróis pilotando robôs gigantes tentam combatê-lo. É então que Souya descobre seu papel naquilo tudo.

Como grande fã dos mangás do Mizukami (inclusive fiz um post aqui sobre), não tinha como não ficar animado para um projeto original dele. Mais conhecido por Lucifer and the Biscuit Hammer, suas obras costumam ter algum twist numa fórmula comum, o que não é diferente em Planet With. Mas não é justo eu entregar aqui.

Por outro lado, acho que talvez o maior problema do anime até agora é que ele tenta ser o mais Mizukami possível, com alguns elementos wacky (como um gato gigante) jogados e um enredo que não tenta se explicar por hora. São elementos comuns em suas obras que são usados para desarmar o leitor. Para quem está acostumado com as suas narrativas, isso provavelmente não deve ser um problema, mas dá pra entender quem acha uma bagunça e não sabe o que tirar do anime.

Por mais que não seja bem a intenção comparar nesse caso, o mangá que acompanha o anime, feito também pelo Mizukami, me passou uma imagem melhor da obra. O humor, o pacing ou até o impacto de algumas cenas funcionaram melhor no mangá. O anime parece atropelar muito coisa que o mangá toma o seu tempo construindo. E embora a produção do anime não chegue a ser ruim, o uso de CG é um tanto desconcertante.

Se você for fã de Lucifer e dos outros mangás do Mizukami, vale a pena conferir. E se for o caso de ser seu primeiro contato e não ter uma visão clara até agora, insistir talvez vala a pena. E quem sabe ele não seja o responsável por abrir as portas para outras adaptações do Mizukami?

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Estúdio: Zero-G
Direção: Takamatsu Shinji
Roteiro: Takamatsu Shinji
Baseado num mangá por Inoue Kenji
Número de episódios: 12
O jovem Iori se mudou para a cidade costeira de Izu para morar com seu tio, o dono de uma loja de equipamentos de scuba diving, e suas primas, enquanto atende sua faculdade. O que ele não esperava era conhecer uma dupla de veteranos que farão de tudo para persuadi-lo a fazer parte do clube de scuba diving, mesmo embora ele não saiba nadar. E assim começa as suas desventuras como um universitário.

Humor é subjetivo Count: 01

É um pouco complicado falar de comédias. Por mais que eu disseque o humor de algo como Grand Blue e tente argumentar que é um anime ruim, se você riu de boa parte das piadas, então é o suficiente pra você discordar de mim com razão.

Particularmente, esse humor besteirol americano que tenta mostrar a faculdade como o momento mais louco e libertador da sua vida não funciona pra mim. Ainda mais quando basicamente se resume a situações em que o protagonista é forçado a beber até não lembrar o que fez. Ou ser forçado a fazer algo no geral pelos seus senpais da faculdade da forma mais constrangedora possível no pretexto de “você precisa experimentar coisas novas”. Por mais que funcione no contexto cômico do anime, é algo tão irritante que não consigo achar isso engraçado.

Não sei se alguém realmente esperava um anime de scuba diving aqui, visto o quão popular o mangá já era, mas se for o caso, bem, não espere um Amanchu. É do mesmo autor de BakaTest, o mesmo estilo de humor, então provável que se você tenha gostado dele, vá gostar de Grand Blue também.

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Estúdio: C2C
Direção: Kubooka Toshiyuki
Roteiro: Machida Touko
Baseado num mangá por Nyoi Jizai
Número de episódios: Indefinido
Após sua mãe precisar viajar para o exterior, Haruka se muda para Okinawa para morar com sua avó e prima Kanata. Fascinada pelo mar, ela não perde tempo em visitá-lo. É lá que ela acaba encontrando uma quadra de vôlei de praia e uma dupla praticando. Depois de perceber o quão divertido é o esporte, e que sua prima Kanata costumava jogar, Haruka decide forma uma dupla com ela e treinar para participar de competições.

O segundo anime de esporte focado em garotas na temporada. É nomeado com um nome ship das duas protagonistas (Haruka e Kanata), então já começa bem. A maior diferença entre Harukana e Hanebado é que aqui as garotas gostam de jogar o esporte que praticam, o que torna a experiência de assistir menos frustrante. Há algum drama, mas é tratado como um problema a ser superado, e não o fim do mundo.

Diria que provavelmente ambas as séries têm públicos diferentes. Para pessoas procurando por dramas esportivos pesados e sérios, Hanebado é mais indicado. Para quem prefere algo mais divertido, fofo e com… (amizade extremamente forte) entre garotas, Harukana é uma escolha melhor.

Animação aqui é bonita, apesar do CG mesclado não funcionar sempre. E apesar do anime se passar todo em uma praia, na maior parte do tempo o fanservice se concentra somente no fato que as garotas usam biquinis.

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Harukana Receive é um anime de vôlei de praia feminino. Lendo isso, aposto que maioria das pessoas deve achar que só deve ser fanservice sensual, mas o anime é mais do que isso. 

Não, não que não tenham cenas do tipo, mas a parte esportiva e as interações das personagens são os meus maiores destaques para esse anime.

Haruka se muda da cidade grande para Okinawa no litoral japonês para viver com sua avó e sua prima Kanata. O que normalmente seria uma história sobre uma garota urbana aprendendo a valorizar uma cidade menor é, na verdade, uma história de como Haruka, já apaixonada pela ideia da vida na praia, puxa Kanata de seu casco enquanto as duas decidem começar a jogar o vôlei de praia – pela primeira vez para Haruka e um retorno ao esporte para Kanata.

O esporte é retratado de forma mais “realista” no anime (ao menos para o padrão de séries de esporte), com as personagens explicando os básicos e a personagem principal não sendo naturalmente perfeita já (embora ela seja boa em esportes no geral). As partidas são divertidas de ver, possuem um bom ritmo, uma ambientação bem colorida e animação fluída.

Harukana é interessante em como apresenta as personagens bem mesmo com essas partidas, com seus dramas e histórias pessoais aparecendo durante as jogadas. Também resolve as coisas surpreendentemente rápido, com a relação de Haruka e Kanata se desenvolvendo bem, sem parecer corrido e com alguns dramas não sendo alongados desnecessariamente.

Ver esse crescimento das duas no esporte enquanto se entendem, uma parte essencial do vôlei de praia por ser um esporte de duplas, deve ser interessante ao longo da série se a qualidade continuar tão boa quanto a dos primeiros episódios.

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Estúdio: Lerche
Direção: Kishi Seiji
Roteiro: Yuuko Kakihara
Baseado num mangá por Suzukawa Rin
Número de episódios: 12
Kasumi é uma garota que nunca gostou de brincadeiras, pois sempre perdia para sua irmã, que as usava como uma forma de força-la a fazer favores. Quando Hanako e Olivia, duas colegas de classe, desafiam uma a outra numa brincadeira em sala e tentam persuadi-la a participar, ela a principio recusa, mas aceita com a condição de Olivia ajuda-la a aprender inglês. As três então decidem criar um clube com foco em brincadeiras.

Eu não achava o mangá de Asobi Asobase engraçado, do pouco que li, mas também não descartei a possibilidade de talvez funcionar melhor como anime. Assim como não achava Hinamatsuri particularmente engraçado como mangá, mas devido a uma excelente direção conseguiu ser uma das melhores comédias dos últimos anos. Com um diretor famoso por seu trabalho em comédias, talvez ocorra uma fenômeno parecido, certo? Bom, não nesse caso.

Talvez meu maior problema com o humor aqui é que só consigo definir como preguiçoso. As situações cômicas são quase todas bem banais, com nada realmente engraçado acontecendo, em que as expressões exageradas das personagens são a punchline das cenas. Não que seja um problema ter uma ou outra cena em que a expressão da personagem seja o desfecho da piada, mas perde a graça bem rápido quando todas as cenas são isso. Não é bom quando humor que ele se propõe a fazer já se exausta no primeiro episódio.

Asobi Asobase talvez funcionasse melhor como um slice of life cômico, algo como Minami-ke, que tenta te investir nas personagens e o humor surge naturalmente na interação entre as personagens. Mas é tudo tão caricato que as personagens em si já são as piadas e não há interação significativa entre elas.

Novamente, humor é subjetivo Count: 02. E se for seu tipo de humor então vai fundo.

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Estúdio: J.C.Staff
Direção: Yamakawa Yoshiki
Roteiro: Urahata Tatsuhiko
Baseado num mangá por Oshikiri Rensuke
Número de episódios: Indefinido
Sem talento artístico ou para os estudos, Yaguchi é um garoto que investe todo o seu tempo no fliperama tentando ser o melhor jogador de Street Fighter II. O que ele não esperava, entretanto, era que sua colega de classe Ono, a garota mais popular, inteligente e rica, se provasse uma melhor jogadora que ele. Através dessa rivalidade, os dois acabam tendo uma estranha relação de amizade.

Cinco anos depois de ter sido anunciado, com vários problemas legais impedindo que o próprio mangá fosse publicado, finalmente o anime de High Score Girl é uma realidade. Será que valeu a espera? Bom, visualmente certamente não.

Para quem não sabe, o mangá se passa em 1991, a época em que os fliperamas eram a grande sensação, com Street Fighter II sendo a febre do momento. E não, não é Fighting Street II, Stream Fighter ou qualquer título que evite envolver questões legais. Na verdade, todos os jogos em HSG estão com os títulos preservados e usam até footage de gameplay. Mas bem, é publicado na Gangan, uma revista da Square Enix, então talvez não tenha problema se eles tiverem conversado sobre o uso dos jogos em questão, certo? O problema foi que a editora parece ter esquecido disso e usou a imagem dos jogos sem pedir nenhuma permissão, o que causou uma série de processos. Mas pelo visto conseguiram resolver tudo e o mangá e o anime foram pra frente. O anime já tinha sido anunciado a esse ponto, em 2013, e ficou na geladeira até agora, embora o mangá tenha voltado a ser publicado em 2016.

A dinâmica entre os personagens lembra um pouco Takagi-san, com o protagonista Yaguchi sempre se dando mal e perdendo para sua colega Ono – embora não num clima muito fofinho, já que ela o transforma num saco de pancadas. Boa parte do humor vem de situações em que os dois se desafiam em jogos de luta, se envolvem com algum adversário agressivo ou até se veem forçados a jogarem juntos pela ameaça de serem expulsos enquanto chove. Como alguém que adora fliperamas e os jogos dessa época, todos essas cenas tiveram um apelo maior para mim.

A animação é 3D e não é um uso muito exemplar dessa tecnologia. Embora não seja algo tão incomodo assim, visto que boa parte das cenas entre os personagens é jogando – o que só deixa mais estranho ainda terem barateado a animação.

Talvez seja uma comédia que demande um pouco do seu apego por essa época e pelos jogos que os personagens jogam, que também usa de muito tecnicalidade deles no seu humor, mas vala a pena conferir se você tem curiosidade por essa era ou simplesmente goste de curiosidade de jogos no geral.

Coincidentemente, Street Fighter II está comemorando 30 anos com uma versão especial que já saiu no ocidente e sai em outubro no Japão – que, a propósito, está por ¥5000. Não que isso tenha relação com o anime diretamente, mas se eu fosse você, já garantia o seu!

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Estúdio: Kinema Citrus
Direção: Furukawa Tomohiro
Roteiro: Higuchi Tatsuto
Anime original
Número de episódios: 12
Starlight é uma trupe de música e dança adorada pelo o mundo tudo. Karen e Hikari prometeram uma a outra quando eram crianças que um dia elas estariam juntas nesse palco. Hikari, entretanto, transferiu-se de escola para o exterior. Doze anos se passaram desde então, e Karen ainda está muito animada com as lições de teatro todos os dias, mantendo sua promessa. Mas as engrenagens do destino começaram a se mexer e as duas se veem destinadas a se encontrar novamente. Num estranho processo de seleção, elas irão competir para serem aceitas na trupe.

Esse era o mais esperado por mim, visto que é uma franquia da Bushiroad focada em um cast totalmente feminino e que seria animado por Kinema Citrus. É difícil julgar pelo primeiro episódio, visto que a história parece mais complexa do que apresenta. Tecnicamente o primeiro episódio foi incrível, então tem o maior potencial.

Mas o que queria colocar aqui é que é possível que crie expectativas diferentes da realidade no público. Mesmo com o twist tomado no episódio, o anime parece ainda estar adaptando uma história que já existe nas peças de teatro. A parte mais abstrata da história deve ser para simular a mesma ideia que as batalhas passam na peça, já que garotas lutando num palco de teatro parece mais emocionantes que lutas dentro de uma escola. Sendo assim, não acredito que isso será “Utena 2.0” como muitos acreditam. Isso seria trair as expectativas de fãs que já existem, e duvido que fariam isso.

Porém, a ideia da história parece ser contra a competição excessiva que muitas escolas e clubes tentam impor. Karen acredita que todas possam ser a melhor juntas, o que vai contra as idéias da escola, que pretende escolher uma top star. Isso é muito interessante, visto que animes mais vezes incentivam esse tipo de competição do que condenam. Até mesmo em algumas histórias infantis, como recentemente Aikatsu Stars, esse foco em uma competição dramática coloca uma atmosfera negativa na atividade toda. Se a ideia aqui é realmente Karen lutar pelo seu ideal onde todas podem brilhar juntas sem se derrubar umas às outras, promete ser uma boa história.

Minha única reclamação por agora é que a girafa não parece fazer sentido algum. Mesmo se considerar que o diretor aprendeu com Ikuhara, este ao menos colocava um sentido nos animais que colocava em suas histórias. Talvez a girafa tenha algum simbolismo que não conheço? Bom, não é nada que incomode. Então mesmo se for só pra chamar atenção, talvez não seja problema.

Ah sim, o anime é gay. Isso é importante.

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O quão excitante é um anime original do estúdio mais promissor dos últimos anos? Ainda mais com a direção de Furukawa Tomohiro, que trabalhou ao lado do Ikuhara em Mawaru Penguindrum e Yuri Kuma Arashi.

Nos últimos anos, as peças de teatro baseadas em animes e jogos cresceram bastante, ao ponto de que anunciam uma nova quase toda semana. Não sei exatamente explicar a razão, mas imagino que seja algo mais viável que uma adaptação para o cinema com atores, visto a tendência de fracassarem e o investimento que seria. No teatro, há muita mais liberdade poética e dificilmente dá pra reclamar de ser uma adaptação ruim. Fora que se torna viável o fato das próprias dubladoras fazerem as personagens.

Starlight é um projeto multimídia que se aproveita disso. Baseado em uma peça/musical que já existe, feitas pelas dubladoras, o anime cria uma nova tendência, embora ainda próximo do estilo de animes idols que surgiram nos últimos anos. Mas é refrescante a ideia de focar num grupo de atrizes que precisam se esforçar para conseguir o papel desejado. Também é divertido como os elementos teatrais são incorporado nas personagens, seja na forma dançante e elástica que elas se mexem ou quando se expressam cantarolando. A direção também toma muita liberdade em criar momentos deslumbrantes que expressam a relação das personagens. O palco, por sua vez, é onde toda a experiência de Furukawa como Penguindrum parece se expressar, além das claras homenagens à Utena.

É difícil não vender ele como um filho do Ikuhara, mas talvez seja bom não criar tanto expectativa em cima disso por hora. O anime certamente é bastante influenciado por Utena, mas ainda é baseado em algo que já existia previamente a ele. Não dá pra saber se ele tomarar um rumo mais autoral, utilizando apenas da estética como algo chamativo. Mas se tem alguém que possa herdar o estilo do Ikuhara, é o Furukawa.

Starlight é um desses projetos que são chamativos o suficiente para o público japonês, mas que passam muito batido no ocidente, seja pela premissa ou pelo design. Então depende muito de qual lado você geralmente fica.

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Um anime sobre teatro Takarazuka (com parte do staff tendo saído de lá) com direção influenciada pelas obras de Kunihiko Ikuhara (Tomohiro Furukawa, o diretor, foi diretor assistente de Yuri Kuma Arashi)? Revue Starlight prometia demais para mim antes da estreia. E entregou.

Revue Starlight começa como um episódio slice of life normal (Love Live ou Hibike! Euphonium de teatro?) introdutório e acaba o primeiro episódio com batalhas fantásticas e roteiro utilizando de alegorias e simbolismo para retratar os conflitos de suas personagens e do meio no qual vivem.

A história é sobre garotas tentando se tornar a estrela principal da sua rígida escola de teatro, fortemente influenciada pelo clássico teatro feminino Takarazuka e o quanto esse ambiente extremamente competitivo afeta seus desenvolvimentos como artistas e pessoas.

É tanto uma ode a esse tipo de teatro quanto a uma crítica, representada pela personagem principal, Aijou Karen, que se mostra contrária ao ideal da estrela única, querendo brilhar ao lado de sua amada amiga Hikari Kagura, a quem fez uma promessa no passado.

O anime não se explica diretamente ao espectador, e espera que você entenda o quanto cada cena não é só para ser vista num sentido literalmente, mas alegoricamente também. As ambições e personalidades das personagens não estão só em suas palavras e diálogos, mas também em seus movimentos durante duelos, nos cenários, nas suas armas, nas canções.

A forma com que vamos do mundo normal, do treinamento diário na escola, para o simbolismo e idealismo dos musicais após a sequência de transformação, transforma completamente como Revue Starlight deve ser visto. É um anime que não só tem teatro como um gancho, mas teatro como sua principal identidade em toda forma possível.

Acho que conseguiria falar (e elogiar) Revue Starlight por dias, cada cena desse anime possui tanto para se comentar sobre,. Rever uma cena é descobrir ou perceber algo novo nela, e entender um pouco mais daquele mundo e de suas protagonistas.

Ansioso para ver mais dessa excelente animação, direção e storyboards que fluem tão bem em conjunto e uma história com tanto potencial. A melhor performance desse início de temporada.

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Ongaku Shoujo

Estúdio: Studio Deen
Direção: Nishimoto Yukio
Roteiro: Mieno Hitomi
Anime original
Número de episódios: Indefinido
O grupo idol Ongaku Shoujo nunca teve muito sucesso em vendas, mas seu produtor nunca perdeu a esperança e decide buscar uma nova adição que possa mudar tudo. Por isso, ele decide abrir testes para um novo membro. É assim que o grupo conhece Hanako, a garota que pode ser responsável por levá-las ao estrelato.

Ongaku Shoujo é um ótimo OVA que nasceu do projeto Anime Mirai, com personagens carismáticas com boa química entre elas, animação bonita e música eletrônica original. É provavelmente um dos melhores projetos que Deen teve nos anos recentes e definitivamente deve ser checado por qualquer pessoa que curte animes com música.

Ah sim, essa temporada tem uma série de anime com o mesmo nome que joga fora tudo que tornou o OVA especial. É ruim, não recomendo.

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Esse talvez seja o meu pior e mais decepcionante anime da temporada até aqui. Ongaku Shoujo é uma adaptação para TV de um especial feito para o projeto Anime Mirai, que visa treinar novos animadores para a indústria japonesa de anime.

Enquanto o original possuía bastante personalidade, contando uma história de como uma garota vinha como um furacão e mudava completamente a vida de outra transformando-as num dueto de música, Ongaku Shoujo TV é basicamente a versão Deen de Love Liveー e por Love Live eu digo um grupo grande de meninas com personalidades completamente diferentes sendo membras de um grupo idol.

O problema é que Ongaku Shoujo TV não entende o que fez o seu especial original e Love Live funcionarem: a boa interação entre as personagens que faz o público se importar com elas, com seus desafios e seu crescimento. Sim, as personagens do original ainda estão no anime de TV, mas elas não agem em nada similar a como eram, sendo reduzidas a “mais dois rostos” num amontoado de personagens que são jogadas de qualquer forma para o público, ao invés de propriamente apresentadas.

Além de problemas mais técnicos, como direção sem graça e animação fraca, Ongaku Shoujo TV acredita que só usar o nome de um especial bem recebido é o suficiente para vender um produto de fabricação em massa. Eu entendo que a menina de óculos é para ser a “Nico” desse anime, Deen! Eu só não entendo como vocês acham que alguém vai conseguir se importar só com um arquétipo… sem recheio e sem nenhuma substância.

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Estúdio: Nomad
Direção: Hikaru Sato
Roteiro: Kazuyuki Fudeyasu
Baseado num web mangá por Yukiwo
Número de episódios: Indefinido
Yurine é uma goth loli que, através de um ritual demoníaco, invoca uma garota demônio, metade humana metade cobra, chamada Jashin. As duas se veem forçadas a viverem juntas pelo pacto, mas Jashin percebeu que a forma mais prática de voltar ao inferno é matando Yurine.

Com uma decisão esquisita, Jashin-chan começou adaptando capítulos bem avançados do mangá, em que todas as personagens já foram apresentadas e estão consolidadas na dinâmica da série. Talvez isso não importe tanto estruturalmente, visto o quão nonsense e episódico ele é, mas se o humor parte muito das personagens e suas características únicas, assim como da dinâmica entre elas, ter uma introdução apropriada de cada uma é importante. Afinal, você precisa entender como se estabeleceu a relação entre as personagens, qual dinâmica é mais comum entre elas e o que define elas individualmente. Como quando as personagens questionam o fato de umas delas estar participando de um encontro entre elas, o que levanta a possibilidade de uma situação atípica e cômica, mas você não teve contato com nenhuma delas antes para estabelecer isso.

Sobre o humor em si, bem, é basicamente Dokuro-chan. Jashin é um ser imortal que sempre se regenera e precisa matar Yurine, sua invocadora, para voltar ao inferno. Isso gera situações em que Jashin prepara planos bobos para matá-la, que sempre são descobertos, e Yurine a punindo da forma mais gráfica possível. As outras personagens  também aparentam apenas circundar essa dinâmica entre as duas, então é provável que o anime todo só siga essa fórmula. Isso cria o receio do humor do anime cansar muito rápido, que já não é tão engraçado assim, embora as personagens em si ainda sejam divertidas.

Jashin-chan talvez não ofereça muita variedade no humor, mas talvez as personagens consigam carregar. Só espero que ele tente seguir uma ordem cronológica que favoreça as piadas daqui pra frente.

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Um slice of life moe que tem como diferencial o cast composto por garotas “demônio” e um humor mais violento e sarcástico.

É difícil falar muito mais do que Jashin-chan Dropick é além disso. E funciona? Ao menos eu gostei. Não é tão especial, mas as dinâmicas de personagens são divertidas e únicas o suficiente. Yurine é uma gótica lolita que invoca Jashin-chan, uma demônio, do inferno e possui diversos interesses em assuntos relacionados à demonologia, monstros, horror, etc… mas é extremamente respeitosa e atenciosa aos outros, respeitando seus limites e ajudando o quanto pode (basicamente, ela não é um chuuni lunática como o esperado). Já Jashin-chan é mais como o que se espera de um ser das trevas, tendo uma personalidade mais negativa e arrogante, ao mesmo tempo que tenta matar Yurine para voltar ao inferno.

A graça é justamente como Yurine se transforma quando Jashin-chan a provoca, irritando-a a ponto dela massacrar Jashin-chan completamente.

Há outras personagens do mundo dos demônios e dos céus, todas com personalidade meio opostas ao que se espera (embora isso talvez seja comum para anime agora).

A violência do anime também é bem cartunesca, ao mesmo tempo que o mais explícita possível. De alguma forma a atmosfera leve não desaparece mesmo com algumas cenas brutais no meio… é estranho.

Pode não ser o anime mais bem feito ou único da temporada, mas são 24 minutos que passam rápido considerando o quanto eu gosto do gênero.

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Estúdio: Diomedea
Direção: Inagaki Takayuki
Roteiro: Takayuki Inagaki
Baseado num mangá por Kawasaki Tadataka
Número de episódios: 12
Para Chio, todo dia é uma aventura para chegar a tempo na escola, com situações peculiares e inconvenientes acontecendo no caminho.

Chio-chan é uma dessas comédias que o humor parte muito da protagonista e seus dilemas internalizados, seja a rota para chegar a tempo na escola ou simplesmente falar com uma colega de classe que do nada tenta puxar assunto. Tentando sempre evitar a pior situação, mas pensando demais por conta da sua ansiedade, Chio acaba tomando a decisão mais absurda, o que acaba a colocando em situações mais constrangedoras ainda.

A fórmula parece simples o suficiente para funcionar como uma curta, mas não chega a ser cansativa. A Chio é uma personagem que traz muito do humor com seus monólogos internos, então não fica tão preso a ideia de que é preciso seguir algum tipo de fórmula para ter uma situação cômica.

Numa temporada com tantas comédias, talvez não seja algo que se sobressaia tanto (sem contar que Grand Blue vai ser a grande estrela aqui), mas deve ficar como uma alternativa para quem não curtiu nenhuma das outras em particular.

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Estúdio: Ezo’la
Direção: Nagayama NobuyoshiKusakawa Keizou
Roteiro: Machida Touko
Baseado num mangá por Kagisora Tomiyaki
Número de episódios: 12
Sem nunca ter apego a ninguém e não entender bem o que é amar, Satou se envolvia livremente com qualquer homem que tentasse ter alguma relação com ela. Até o dia em que ela conhece Shio, uma garotinha que desperta um forte sentimento nela de querer viver sempre ao seu lado, e decide protegê-la a qualquer custo – até mesmo tomando atitudes extremas.

Como leitor do mangá, sinto que um preview de Happy Sugar Life adequado é um trigger warning gigante. Felizmente o anime não tenta esconder sua natureza, então é possível falar sem estragar qualquer surpresa. Happy Sugar Life é uma história pesada. Não pela violência. O fator gore é praticamente inexistente nesse anime e a contagem de corpos é baixa. O horror aqui é psicológico. O primeiro episódio já contém indicação de violência sexual, e, apesar de somente outra história vá trazer algo semelhante, aviso que será ainda mais pesado. Fora isso, Happy Sugar Life lida muito mais com chantagem emocional e dilemas morais do que violência física, embora ela é existente em quantidades moderadas.

Outro aviso é que a série não é para pessoas com problemas de serem desafiadas moralmente. O amor entre Satou e Shio é real e recíproco. Não é sexual (Satou é praticamente assexual), mas é romântico. O problema é que quanto mais a história evolui, mais é possível começar a torcer por elas, apesar de todo o horror que o relacionamento delas representa. Também é difícil julgar as coisas pelo primeiro episódio, pois a situação não é como aparenta.

Resumindo, se não tiver problema com as partes fortes, Happy Sugar Life é um dos poucos horrores psicológicos com uma personagem “yandere” (não concordo em chamar ela assim, mas não vai ter como evitar) que é bem escrito. É uma história interessante, mas pessoas que esperam violência e gore podem sair decepcionadas.

Quanto a adaptação, está decente. Exceto pela primeira cena que, ou está entregando algo planejado pelo mangá, ou vai ser um final original, já que não existe nele ainda.

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Estúdio: J.C.Staff
Direção: Suzuki Kentarou
Roteiro: Yoshinobu Fujioka
Baseado num jogo por Kudan Nazuka
Número de episódios: 13
Rachel, uma garota de 13 anos, acorda um dia amarrada no porão de um prédio abandonado. Sem memórias, e algo para guia-la, ela vaga pelo prédio até encontrar Zack, um garoto com faixas amarradas por todo o seu corpo e uma foice. Um estranho laço une os dois, com Rachel fazendo estranho pedido a Zack.

Satsuriku no Tenshi me surpreendeu. Não por muitas mortes ou violência, mas justamente por deixar a ambientação e diálogos tomarem conta da maior parte do anime.

É um anime de suspense com assassinos, mas que deixa a atmosfera tomar conta e consegue funcionar melhor assim do que só jogando cena de violência atrás de cena de violência.

Um aspecto que gosto também é da dinâmica dos dois protagonistas, Rachel e Zack. Rachel não possui medo, é misteriosa e contrasta bastante com a personalidade violenta e explosiva de Zack. É um par interessante de ver interagir e que não tem muito em comum.

Admito que acho um pouco estranha a “glamourização” de Zack considerando como ele a trata, mas por enquanto é algo muito mais verbal e que o anime mostra como estranho. Mas espero que em algum momento essa relação deles alivie um pouco, acho que é um tom que não seria interessante por inúmeros episódios.

Outro aspecto estranho é como o anime adaptou alguns elementos do jogo (a obra original). Não toquei no jogo, mas é visível como algumas cenas ali que não funcionam bem num contexto de uma animação, como as de Rachel tentando ler escritas na parede e procurando objetos como se ela estivesse clicando em pixels numa tela de videogame.

Satsuriku no Tenshi não possui o conceito mais original do mundo com esse clima de death game/trap, mas o executa melhor a princípio do que outros anime do tipo. Dar ar para o espectador respirar faz os mistérios mais interessantes e as cenas de ação mais impactantes.

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Estúdio: David Production
Direção: Suzuki Kenichi
Roteiro: Kakihara Yuuko
Baseado num mangá por Shimizu Akane
Número de episódios: 13
Seja transportado oxigênio ou lutando contra bactérias que invadem nosso corpo, as células estão sempre mantendo nosso corpo saudável e funcional. Acompanhem o dia a dia delas como seres antropomórficos enquanto cumprem suas funções.

Hataraku Saibou é aquele conceito de antropomorfizar algo e transformar num anime que as pessoas adoram. Apesar que geralmente é mais pela piada do que realmente “queria acompanhar uma história assim”. Mas nesse caso eu realmente sinto vontade de acompanhar.

A forma como cada grupo de células é caracterizada e como seguem sua função é o que é o divertido do anime. Enquanto as células vermelhas estão sempre ocupadas transportando algo pelo corpo, as brancas, responsáveis por eliminar bactérias do corpo, são psicopatas que matam da forma mais sanguinária possível seus inimigos. As plaquetas, com o tempo de vida entre 8 a 10 dias, são criancinhas que trabalham em grupo. E por aí vai.

Só não sei se tem muito o que fazer com esse conceito. Os dois primeiros episódios foram bem parecidos estruturalmente, com uma ameaça externa sendo o foco. Seria interessante se variasse mais e tivesse episódios mais slice of life, já que a interação entre os personagens e o lado educativo é o mais divertido até agora.

É um anime divertido que soube dar personalidade ao conceito, mas não sei se vai conseguir carregar bem até o final.

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Estúdio: Pierrot Plus
Direção: Toru Hosokawa
Roteiro: Toru Hosokawa
Baseado num mangá por Akatsuka Fujio
Número de episódios: Indefinido
Do mesmo autor de Osomatsu-kun, Tensai Bakabon é um anime sobre um pai excêntrico e sua família.

Do mesmo autor de Osomatsu-kun, essa nova versão de Tensai Bakabon tenta um approach bem parecido ao adaptar um mangá dos anos 60: zombar de todos os conceitos da época de produção e das características dos personagens da série original, fazendo o próprio protagonista buscar formas de se adequar aos tempos atuais. Isso funcionou bem em Osomatsu, embora eu não seja muito fã do anime, e em Bakabon também. Mas daí o problema é como ele vai manter isso.

Assim como Osomatsu-san, esse primeiro episódio serviu mais para estabelecer que essa nova versão será totalmente diferente das anteriores, extrapolando ao máximo as adaptações que podem ser feitas nessa adequação aos tempos atuais; chegando ao ponto de mudar o dublador, a estética e o gênero do protagonista. A preocupação em não só tentar pegar uma audiência moderna, mas também de subverter elementos que podiam ser ofensivos da obra original, é o que fez Bakabon pra mim. Ainda sim, é um episódio especial que, embora passe a ideia da proposta do anime, não corresponde exatamente ao estilo do anime de fato – o que já se mostrou um problema em Osomatsu.

O segundo episódio já confirmou em parte meu receio. Embora o humor continue com a mesma pegada, as sketches em si não são particularmente engraçadas, com piadas que não seguem um fluxo ou são construídas naturalmente. Assim como em Osomatsu-san, parece que não há uma visão clara do que querem e o humor acaba sendo só extrapolação das expectativas.

De qualquer forma, o primeiro episódio foi divertido ao adaptar um anime que não tem mais espaço hoje em dia, a não ser num domingo ao lado de Sazae-san, fazendo o próprio se auto-parodiar. O segundo me deixou com o pé atrás, mas pretendo continuar por hora. Talvez ele se encontre eventualmente.

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Estúdio: Madhouse
Direção: Keiichiro Kawaguchi
Roteiro: Mitsutaka Hirota
Baseado num mangá por Hagiwara Tensei
Número de episódios: 24
Spin-off de Kaiji. Segue Tonegawa Yukio, gerente da Teiai, e sua relação com o seu chefe excêntrico e seus subordinados, antes de se encontrar com Kaiji.


Essa temporada chegou num nível realmente absurdo de comédias, até transformando um anime como Kaiji em uma.

Esse talvez seja o spin-off mais desnecessário que, ao mesmo tempo, se demonstra necessário, pois supre uma carência de Kaiji ou de qualquer outra adaptação de um mangá do Fukumoto. O Tonegawa certamente é um antagonista marcante de Kaiji, mas acompanhar uma comédia sobre a sua vida? Não tenho certeza se é algo que quero. E mesmo depois de ter assistido, ainda permanece a dúvida.

O humor aqui é basicamente uma paródia de Kaiji, usando de um narrador que interage com o que está acontecendo em tela, algo bem marcante na obra original, mas com um tom mais cômico. Assim como o “ざわ ざわ” e as metáforas visuais sendo usados para ilustrar as piadas. Mesmo os “mob characters” do Fukumoto, os famosos “homens em ternos preto e óculos escuros” são parodiados por serem todos iguais, com o Tonegawa propondo que cada um diga seu nome e hobby para criar alguma distinção.

Não dá pra dizer que o humor não funciona se você é familiarizado com o anime original, mas é algo que realmente vai te fazer querer acompanhar aqueles personagens como eles eram originalmente. Até imagino os problemas em fazer uma terceira temporada de Kaiji, visto que até a segunda só saiu por conta do filme na época, e o foco é basicamente em mahjong. Sem contar que fazem 7 anos desde o final da segunda temporada, então o timing não é muito ideal.

Talvez realmente esta seja a única opção viável para termos um conteúdo relacionado a Kaiji. Se você se contenta com isso, o que deve ser difícil para quem gostava pelo Kaiji em si, os jogos de aposta, o drama psicológico ou até a atmosfera sombria, então vai fundo. Caso contrário, o mangá tá aí, pois perca as esperanças de uma terceira temporada.

Ou não.

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Basicamente um anime de comédia mundana usando as técnicas das obras de Nobuyuki Fukumoto (Kaiji, Akagi) de criar tensão, mas como forma de contar piadas.

É basicamente um spin-off de Kaiji que transforma Yukio Tonegawa, um dos vilões principais da série, numa figura cômica que precisa saber balancear seu papel de homem forte da empresa, mas sem se tornar muito distante de seus funcionários. O vemos como uma pessoa normal que sofre no papel de gerente intermediário como qualquer outro.

O contraste entre as reações dos personagens e as situações banais que estão, como uma viagem de empresa, gera a maior parte das risadas do animeー cria-se uma certa relação de identificação com os personagens, algo como “quem nunca se sentiu assustado em dar opiniões numa reunião”, etc.

A outra fonte de humor se dá por meio das várias referências às obras de Fukumoto. Por isso é mais recomendável assistir Tonegawa após as duas primeiras sagas de Kaiji.

Tonegawa não é um clássico como a obra da que deriva, mas por enquanto conseguiu me fazer rir. A maior preocupação é esse ritmo conseguir se manter por 24 episódios sem enjoar, mas por enquanto fico feliz só de ouvir “zawa, zawa” de novo num anime (ainda mais quando ganhamos um novo a cada episódio, por diferentes dubladores!).

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Estúdio: Kyoto Animation
Direção: Eisaku Kawanami
Roteiro: Masahiro Yokotani
Baseado numa novel por  Ooji Kouji
Número de episódios: 12
Terceira temporada de Free!

E as continuações da Kyoto Animation continuam não me agradando. Eternal Summer, a segunda temporada de Free, focou em reusar basicamente o mesmo roteiro da primeira: alguém do passado dos personagens retorna e gera um monte de drama por sua visão sobre a natação, quebrando a dinâmica dos personagens e gerando irritantes situações de conflito que nunca são resolvidas até o último episódio.

Dive to the Future não respeita seu próprio nome e decide fazer a mesma coisa pela terceira vez seguida. Agora o novo amigo do passado é Ikuya, do filme prequel de Free, e ele é basicamente a mesma coisa dos outros: ele mudou em relação ao passado e agora age de maneira negativa em relação aos seus antigos amigo e até mesmo a natação. Haru se culpa e basicamente os mesmos dramas de sempre estão aqui.

Com Haru na universidade e entrando no mundo da natação profissional, esperava por algo completamente novo e que conseguisse desenvolver os personagens em novas direções. Os membros do clube não estão mais juntos e a dinâmica da série podia mudar de grupo para algo mais de relações individuais. Só que é, pelo visto vão só continuar a mesma coisa só que num ambiente diferente.

Free continua com alguns méritos como uma boa animação e personagens masculinos que não possuem vergonha de demonstrar emoção, mas mergulha na mesmice e em situações carregadas demais por coincidências e mal entendidos.

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Junk Box

Blog sobre cultura pop que às vezes rola uns posts.

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