PREVIEW IN A BOX: TEMPORADA DE PRIMAVERA 2018

PREVIEW IN A BOX: TEMPORADA DE PRIMAVERA 2018

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Em uma temporada que parece mais celebrar o passado e os clássicos, com remakes, releituras e reboots, será que vai ter espaço para algo além deles se destacar? O que esperar do novo SAO, mais fantasia de empoderamento masculino? E o novo projeto de anime original da Bones, com roteiro da Okada Mari, terá alguma chance de se safar de seus melodramas e se distanciar totalmente do conceito original? Seria Hinamatsuri a melhor comédia dos últimos anos? E o que diabos foi aquele urso em Golden Kamuy?! Fica aí nosso preview dessa nova temporada!

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Índice:


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Estúdio: TMS Entertainment
Direção: Moriyama You
Roteiro: Manabe Katsuhiko; Kojima Kensak
Baseado num mangá por Kajiwara Ikki
Número de episódios: 13
Projeto em comemoração aos 50 anos de Ashita no Joe. JD (Junk Dog) é um lutador de Megalo Box, um nova forma de lutar boxe, envolvido em partidas combinadas de apostas no subterrâneo, mas cansou dessa vida e busca partidas de verdade. Sua ambição toma mais proporção quando ele conhece o torneio Megalonia.

Megalo Box é um projeto em comemoração aos 50 anos de Ashita no Joe, o clássico e renomado mangá de boxe, uma das obras mais influentes de todos os tempos, com tamanho impacto que inspirou jovens em situações parecidas com da protagonista a iniciarem protestos por seus direitos. Uma nova adaptação de algo tão impactante socialmente e culturalmente carrega um enorme peso e teria que ter uma direção tão marcante quanto a de Ozaku Dezaki. Curiosamente, o diretor é um novato e esse é seu primeiro trabalho.

Pensando inicialmente como uma sequência, Megalo Box acabou sendo uma releitura de Ashita no Joe, mantendo os elementos de alienação e disparidade social do original, numa ambientação com alguns elementos futurísticos. O boxe agora é lutado com um tipo de suporte mecânico, que parece ser apenas um gimmick para modernizar o conceito sem perder a essência das lutas.

A estética do anime, tanto no design dos personagens como na caracterização daquele mundo, é charmosa e rica, com cenários detalhados que constroem os dois lados sociais dele. As partidas são dinâmicas e dá pra sentir o impacto de cada golpe, com os machucados sendo bem viscerais.

Talvez incomode um pouco a emulação de um anime antigo com a qualidade em baixa resolução, que embaralha um pouco os detalhes nos cenários, mas que, por outro lado, também ajuda na forma como cria a ambientação desejada.

Megalo Box tem todos os elementos do clássico que está tentando ser e, por hora, não tenho dúvidas que se torne. Embora o diretor seja novato, a direção do anime tem tanto potencial quanto o original. É a releitura de um clássico que consegue elevar a obra original.

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Estúdio: Nexus
Direção: Tokumoto Yoshinobu
Roteiro: Jukki Hanada; Michiko Yokote;
Touko Machida
Baseado num mangá por Hanzawa Kaori
Número de episódios: 12
A jovem mangaká Kaoruko Moeta, pseudônimo Kaos, não consegue fazer um mangá interessante e que seja bem aceito pelos leitores. Como recomendação de sua editora, ela decide morar num dormitório com outras mangakás, para que assim possa fazer amizades e aprender com suas colegas de profissão o que faz um mangá ser interessante.

Essa é uma temporada fraca em questão de animes slice of life comparada a anterior, mas como acontece em quase todas, podemos contar com a adaptação de um título da Manga Time Kirara. Comic Girls segue a história de Kaos, uma mangaká tentando ganhar uma série mas que não consegue apoio do público por não conseguir criar garotas colegiais realistas, apesar de ser uma. Assim passa a viver em um dormitório para garotas mangakás para estudar como garotas de sua idade se comportam e usar em sua história.

A adaptação é mais bem feita do que esperava, com uma animação bonita e bom timing para as piadas. Sendo adaptação de um 4koma, esse é elemento o mais essencial para que funcione.

Sobre a série em si não há muito o que se falar, fora o fato que usa piadas com as personagens fazendo mangás e os dilemas que encontram em cada estilo. Kaos parece uma protagonista Kirara padrão, mas é um tanto pervertida, o que acaba sendo uma personagem diferente e ajuda na comédia. Particularmente não sou fã do tanto de piadas com peitos que o anime teve até agora, visto que esse tipo de piada é tão usado que já perdeu a graça. Olhando por cima o mangá parece ter um lado humorístico bem mais forte, então espero que esse seja só o começo e vai começar a focar no ponto forte do humor logo.

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Estúdio:  feel.
Direção: Oikawa Kei
Roteiro: Ohchi Keiichiro
Baseado num mangá por Ohtake Masao
Número de episódios: 12
Nitta, um membro do yakuza, vive tranquilamente sua vida até o dia em que um estranho objeto aparece na sua casa, contendo uma garotinha chamada Hina – e mais surpreendente é o fato que ela tem poderes telecinéticos. Nitta se vê forçado a tomar conta da garota e tentar controlar seus poderes para que não aconteça algo desastroso.

Esse anime me lembra muito um anime do ano passado chamado Alice to Zouroku (que inclusive nunca é demais recomendar), seguindo aquela fórmula de garota com super-poderes que encontra o protagonista e passa a viver com ele, mas focando em uma relação paternal ao invés de romântica. Embora Alice to Zouroku tenha uma história mais séria e focada em aventura, Hinamatsuri é quase completamente comédia. Um plot sério é insinuado, mas até o momento parece mais plano de fundo que qualquer coisa.

A comédia de Hinamatsuri não é do tipo absurdo como por exemplo Gintama, mas algo muito mais pé no chão, tirando o fato que algumas das personagens possuem super-poderes. De fato, até o momento esses super-poderes só são usados como gimmick para piadas, ao invés de algo realmente significante, e aparentemente esse vai ser o maior foco da série.

Porém, o humor funciona. E, principalmente, os personagens também funcionam muito bem. Mesmo se a série focar somente nesse aspecto, tem a chance de terminar como uma das comédias mais divertidas já produzidas.


Eu já esperava Hinamatsuri ser uma boa comédia, até pelo pouco que li do mangá, mas não esperava ser tão bom assim.

Hinamatsuri é uma dessas comédias que não toma curvas absurdas para criar seu humor, que surge naturalmente na construção do episódio. Ou até em casos em que a reação de um personagem é algo contido e sutil, quando o mais esperado é ser o oposto. Não que eu tenha problema com o estilo tradicional de humor em animes, a típica interação manzai de tsukkomi e boke exagerada, mas é algo já saturado. E animes como Hinamatsuri surgem como algo extremamente refrescante.

É um desses casos também em que a animação faz total diferença na execução do humor. Cenas em que o humor depende da expressividade dos personagens, ou até mesmo precisam demonstrar algum impacto, como no caso dos poderes da Hina, são elevadas com a ótima animação do estúdio feel, que sem dúvidas vai ser o responsável por popularizar tanto o anime nessa temporada.

É uma ótima comédia com uma ótima animação. Não tem como deixar ele passar batido.

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Estúdio: Geno Studio
Direção: Nanba Hitoshi
Roteiro: Takagi Noboru
Baseado num mangá por Noda Satoru
Número de episódios: 12
Em Hokkaido, nas terras ao norte do Japão, Sugimoto sobreviveu à guerra russo-japonesa da era Meiji. Apelidado de “Sugimoto, o Imortal”, ele agora busca as riquezas prometidas pela corrida do ouro, na esperança de salvar a esposa viúva de seu agora falecido companheiro de guerra. Durante sua busca, ele descobre que o ouro havia sido roubado por um grupo de criminosos e que precisa capturá-los para encontrá-lo. Ao lado de uma Asirpa, garota Ainu que salvou sua vida dos perigos da região, e pertencente a tribo de quem o ouro foi roubado, eles se aventuram em busca dos criminosos.

Golden Kamuy foi um mangá que sempre me chamou atenção pela ambientação na guerra russo-japonesa e o foco nos Ainus, uma tribo indígena japonesa… embora tudo que visse do mangá indicasse que seria uma comédia. Mas é bastante violento. E tem bastante ação. Então, pra ser mais exato, essa mistura de gêneros que me chamava mais atenção.

A história é basicamente sobre um ex-soldado que precisa de dinheiro, pois fez uma promessa com um companheiro falecido que cuidaria de sua esposa, e embarca numa jornada em busca de ouro na região de Hokkaido. Lá, ele escuta uma história peculiar sobre um criminoso que roubou todo o ouro da região, que estava na posse de uma tribo Ainu, mas que foi preso logo em seguida. E a única forma que ele conseguiu de revelar o local escondido com todo o ouro para seus companheiros foi tatuando em outros criminosos uma mensagem, que só faria sentido quando todas elas fossem coletadas Depois de ser salvo por uma garota Ainu, que também deseja recuperar o ouro que pertence a sua tribo, ambos partem numa jornada que consiste em caçar criminosos e arrancar suas peles.

É uma premissa bem interessante, com os dois protagonistas, Sugimoto e Asirpa, tendo uma boa dinâmica, com ela tendo um grande conhecimento de caça e ensinando suas tradições a ele, misturado com ação e uma comédia pontual. Exceto que os dois últimos não funcionam tão bem no anime, que é uma produção apressada e sofre com cenas animadas de forma travada, inconsistente e, o pior de tudo, com expressões faciais bem limitadas. Boa parte do humor do mangá parte das expressões exageradas e caricatas que os personagens fazem. Num anime que sofre em fazer cenas de ação empolgante, rostos expressivos também não são uma opção.

Golden Kamuy é um bom mangá, mas esta adaptação é totalmente dispensável, que não apenas não adiciona nada como torna inferiorEntão, fica aí a recomendação de um bom mangá.

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Estúdio: Fukushima Gainax
Direção: Ryūtarō Suzuki
Roteiro: Itami Aki
Baseado num mangá por Isshiki Makoto
Número de episódios: 12
Kai é filho de uma prostituta e aprendeu a tocar em um piano abandonado na floresta perto de sua casa quando era criança. Shuuhei, por outro lado, sempre foi instruído a tocar piano por ser filho de uma família de prestigiados pianistas. Mas é o elo comum deles com o piano que acaba entrelaçando seus caminhos na vida.

Piano no Mori é um desses mangás que ouço falar desde sempre, mas, tirando o que posso inferir pelo título, nunca tive interesse o suficiente para pesquisar sobre seu enredo. Nem sabia que havia tido uma adaptação anterior a essa como filme. E daí finalmente resolvem adaptá-lo com uma série de TV.

Com um título bem literal, o anime é sobre um garoto pobre que aprende a tocar através de um piano abandonado numa floresta perto de sua casa, que na verdade pertencia a um grande músico – e que também calhou de ser seu professor de música. Depois de sofrer um acidente de carro e ter comprometido sua habilidade como pianista, o professor agora vê nele uma chance de continuar seu sonho.

A ideia de tocar um piano abandonado no meio de uma floresta é bem evocativo e entrega cenas interessantes, embora com um 3D não tão atrativo. Gainax, como muitos podem imaginar já que não devem ter ouvido mais falar do estúdio, não anda bem das pernas e a maioria dos projetos que anunciam acabam num limbo. Com a partida dos seus fundadores, e boa parte da equipe responsável pelos seus maiores títulos, agora ele é apenas uma casca vazia que deve viver de fazer um novo EVA Rebuild a cada 5 anos.

É um anime básico que usa de tropes bem comuns, mas que tem uma premissa intrigante o suficiente pra dar uma chance.

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Estúdio: Bones
Direção: Kobayashi HiroshiHiguchi Shinji
Roteiro: Okada Mari                                                                Anime original
Número de episódios: Indefinido
Hisone Amasaku é uma recruta do JSDF na área da Força Aérea, que sempre acaba falando de mais por sua personalidade muito sincera e tem problemas em se relacionar. Um dia, ela acaba sendo recrutada para pilotar um “OFT”, que para sua surpresa é na verdade um dragão escondido na base. Hisone agora tem a missão de voar nos céus com seu novo companheiro e entender o laço que ambos compartilham.

Hisone to Masa-tan é um daqueles projetos que pelo conceito, estúdio e estilo de animação, parece ser algo ambicioso o suficiente para ter uma grande chance de ser o maior destaque da temporada. O porém aqui, entretanto, é o maior nome por trás dele: Okada Mari. Talvez a roteirista mais prolífica de animes dos últimos anos, Okada Mari é responsável por títulos renomados como Hanasaku Iroha, Anohana… e Wixoss, Kiznaiver… e nem tão renomados como Black Rock Shooter, Fractale, Nagi to AsakuraMayoiga. Pra ser justo, muito dos projetos que ela se envolve não são conceitos que ela desenvolveu desde o principio ou que ela é a principal responsável. Mas o histórico dela é preocupante e o receio dela estragar de alguma forma é algo que sempre não vai me deixar investir com tudo no que ela faz.

Dito isso, o primeiro de HisoMaso foi bem divertido! É charmoso, com um conceito interessante e uma protagonista um tanto caricata, mas divertida. Ele de fato entregou tudo que o anime prometia ser. Mas daí o segundo já deixa um pouco mais evidente que é um roteiro da Okada Mari, com um drama mais padrão que se desenvolve de forma previsível e com personagens masculinos que parecem existir só pra ter piadas de assédio. Ela tinha que balancear, pelo visto.

De qualquer forma, é uma aposta que tá valendo a pena investir por hora. Se acabar sendo uma decepção, então, bom, vou me sentir em casa.

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Estúdio: Telecom Animation Film
Direção: Yano Yuuichirou
Roteiro: Okouchi Ichiro                                                  Baseado num mangá por Monkey Punch
Número de episódios: 24
Lupin e sua gangue roubam todo o lucro de um site ilegal que vendia todo tipo de droga chamado Marco Polo. Como retaliação, os seus criadores desenvolvem um forma de caçá-los: um jogo chamado “Lupin Game” em que todos os internautas podem participar e seu objetivo é ajudar em sua capturá. Agora, todos ao redor do mundo são policiais!

Lupin III é um anime um tanto versátil, dependendo do diretor e roteirista por trás. O Lupin de Miyazaki, por exemplo, mais conhecido pelo filme Cagliostro no Shiro, é algo mais próximo do arquétipo do ladrão cavalheiro e suaviza muito dos traços anti-herói do personagem. O da parceria da Sayo Yamamoto com Okada Mari, Fujiko Onna, tem uma pegada mais sensual e violenta. O Lupin mais próximo do Monkey Punch, autor original, entretanto, é algo mais presente nas últimas adaptações em OVAs e na última série de TV, que também é a base para essa versão: um Lupin sacana, ganancioso e sem remorso, similar a um arquétipo de hard-boiled.

Depois de sequestrar uma hacker responsável pela segurança de um site de vendas ilegais e roubar todo o seu lucro, Lupin faz inimigos com um grupo de criminosos que entende a época em que vivemos, e usam do poder da internet para caçá-lo em um jogo em que todos podem compartilhar informações sobre sua localização – e é óbvio que a internet compraria a ideia de caçar o ladrão mais famoso do mundo. É basicamente um Escape Room de Carmen Sandiego, afinal.

O mais interessante dessa versão é a ideia de modernizar o conceito do Lupin como o ladrão que deseja ser perseguido pelo thrill e que adora ser criativo em suas fugas. A ideia de criar uma perseguição através de uma mobilização nas redes sociais é algo que serve tanto para contextualizar a ideia, quanto pra enaltecê-la, criando situações em que Lupin e sua gangue estejam sempre tentando elaborar algum plano de fuga ou formas de lidar com seus inimigos.

Todo o charme dos personagens está nessa adaptação, que entende bem como deve usá-los para explorar melhor o arquétipo de cada um, mas que ainda são familiares para aqueles que acompanharam outras versões – que também conseguiu evoluir a fórmula sem perder a sua essência. É um Lupin que consegue surpreender e empolgar mesmo aqueles que acompanham o personagem desde sempre.

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Estúdio: Toei Animation
Direção: Ogawa Kouji
Roteiro: Oonogi Hiroshi                                              Baseado num mangá por Mizuki Shigeru
Número de episódios: Indefinido
Projeto em comemoração aos 50 anos desde a transmissão do primeiro anime. Kitarou é um garoto youkai que tenta manter a paz entre humanos e sua raça, resolvendo casos sobrenaturais com ajuda de seus companheiros.

Em comemoração aos 50 anos desde a transmissão do primeiro anime de Gegege no Kitarou, o mangá clássico de Shigeru Mizuki, volta com uma nova animação, em uma temporada que parece abraçar esses projetos. Tomando o lugar de Dragon Ball Super, o anime tem uma fórmula bem típica de séries desse horário: uma estrutura episódica em que o protagonista Kitarou resolve casos relacionados à youkais, criaturas da mitologia japonesa, com uma certa lição de moral no final. A temática de youkais também não é uma novidade, mas, pra ser justo, foi o próprio que popularizou.

Diferente dos outros animes revival dessa temporada, Gegege não tem muitas pretensões além de modernizar o conceito e o tornar mais amigável. Sua proposta é apenas de ser algo divertido de se acompanhar no domingo de manhã, tal como seu predecessor de horário, assim como apresentar os personagens para uma nova geração – que parece já ter abraçado devido a um certo redesign.

Talvez não chame muita atenção daqueles que querem apenas acompanhar os animes mais empolgantes e intrigantes da temporada, mas é um bom anime na sua proposta de passatempo.

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Estúdio: production doA
Direção: Matsubayashi Tadahito
Roteiro: Ikami Takayo
Baseado num mangá por Satou Kentarou
Número de episódios: 12
Aya Asagiri é uma colegial que sofre bullying tanto na escola quanto em casa por seu irmão mais velho. Enquanto navega pela internet, um site aparece em seu computador com uma pessoa de aparência assustadora. Essa pessoa parece ter pena dela e anuncia que concederá poderes mágicos para Asagiri.

Geralmente tento falar de animes da forma mais neutra possível, mesmo quando eu particularmente não gosto. Sei que pessoas procuram coisas diferentes na mídia e portanto não é justo que eu julgue qualidade objetivamente baseado no meu gosto somente.

Dito isso, Mahou Shoujo Site é um lixo completo com nenhuma qualidade redimível.

Primeiro de tudo, o anime é completamente torture porn. Não é possível ter qualquer investimento emocional na história porque a protagonista passa por coisas terríveis mas nunca é desenvolvida como personagem. Ela é só a menina que sofre bullying, do modo mais exagerado possível. Uma das primeiras cenas quando ela considera se matar, ela acaba pensando: “Deus, por que isso tá acontecendo comigo?”. Minha resposta é: “Não sei, não sei nem quem é você”. Acho que a idéia é colocar alguém que sofre abuso todo dia desde que nasceu, mas mesmo nisso acaba falhando e digo o porque mais para a frente. Tudo é exagerado ao extremo aqui, nem a protagonista nem outros personagens fazem sentido algum. Não há nem mesmo um motivo para ela sofrer bullying, por mais besta que seja. Uma comparação é como a protagonista atual de Wixoss na história original sofria bullying na escola por se chamar “Kiyoi”, o que parece “kimoi”. Mesmo que seja um motivo besta, ainda existe, e geralmente motivos bobos assim que desencadeiam essa situação. Nesse caso só consigo imaginar que o motivo é ela ser a protagonista. Isso porque não é só na escola. Mesmo os professores, a família, até mesmo pessoas desconhecidas na rua a tratam mal. Quem reage a uma pessoa que claramente pensou em se atirar na frente do trem com: “sai do meio da rua!”?

O foco que deram em como seria horrível a tentativa de estupro e a cena onde ela pede para o irmão não bater no seu estômago ou sua menstruação não viria deram uma imagem de “virgem pura” que parece mais fetichizar a personagem do que qualquer coisa, o que numa obra que é totalmente torture porn é mais perturbador do que outra coisa.

Após tudo isso, quando a protagonista finalmente ganha poderes sobrenaturais e os usa para deter as pessoas tentando atacá-la, ela se sente culpada. E é aí que faz menos sentido ainda. Uma pessoa que só sofreu a vida toda, nunca sentiu a simpatia de ninguém, como ela mesmo fala, se sente culpada por matar um homem tentando estuprá-la e a garota que o chamou para isso? Fica ainda pior quando depois ela é confrontada pelas garotas que sobraram e uma puxa um estilete, no que a outra grita: “você está indo longe demais!”. Sério mesmo? Encher os calçados dela de tachinhas, matar o gato dela, chutar ela o dia todo e chamar alguém para estuprar ela é ok, mas ameaçar cortar a boca dela é ir longe demais? Essas personagens não fazem sentido. Não tem um roteiro aqui, o que tem é um monte de clichê atirados quando o autor sente a necessidade de usá-los. É impossível sentir qualquer coisa assistindo porque não há nem uma história ou qualquer possibilidade de relacionar esses acontecimentos ao mundo real. Esse anime é o equivalente de passar foto de gente morta no Whatasapp. E sinceramente sei que vou sentir incômodo sempre que compararem essa aberração com Madoka.

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Estúdio: Yokoyama Akitoshi
Direção: Moriyama You
Roteiro: Takahashi Natsuko
Baseado num mangá por Go Nagai
Número de episódios: Indefinido
Honey Kisaragi é uma estudante católica normal. Isto é, até o dia emque seu pai, um renomado cientista, é assassinado pela Panther Claw, uma organização criminosa que buscava um dispositivo capaz de criar qualquer coisa. Ela então descobre que na verdade é uma androide criado por seu pai e contém esse dispositivo dentro dela. Agora, ela tenta viver uma vida normal como uma estudante, enquanto concilia com suas batalhas contra a Panther Claw.

Em meio a tantos projetos de comemoração que tentam modernizar a obra original, Cutie Honey Universe surge como algo não tão ambicioso nesse sentido, sendo algo bem próximo do mangá original, uma obra dos anos 70. Então, mesmo embora ainda seja um pouco dosado, todo o estilo do Go Nagai e o contexto de sua produção estão presentes nessa adaptação.

Não que isso seja um problema por si. Ainda é um projeto de qualidade, com ótimas cenas de ação e com uma animação bem consistente. Mas o estilo sacana e campy do Go Nagai não é algo que converse muito com um público atual e, como esperado, sua recepção não tem sido uma das melhores. É previsível, mas, depois do sucesso de Devilman Crybaby, muitos fãs de obras antigas o usaram como holofote para atrair esse novo público aos clássicos, falhando em perceber que o que havia cativado eles foi a liberdade criativa que essa nova adaptação de Devilman teve, assim como o estilo de animação do Yuasa.

Assim como várias obras do Go Nagai, Cutie Honey foi predecessor de um subgênero/trope na mídia : o de “guerreiras mágicas ”, num formato similar a um tokusatsu –  tal como Sailor Moon. Combinado com o estilo de Nagai, entretanto, a obra é mais conhecida pelas suas cenas eróticas e um humor descarado, assim como cenas bastante violentas.

Então, se você já estiver familiarizado com o estilo de Go Nagai e gostar, provavelmente Cutie Honey Universe é pra você. Caso contrário, melhor assistir algo como Re: Cutie Honey, que, assim como Devilman Crybaby, tentou adaptar para um novo público – e a direção de Hideaki Anno talvez seja algo atraente para os fãs de EVA.

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Estúdio: LIDENFILMS
Direção: Mitsunaka Susumu
Roteiro: Hino Akihiro
Baseado na série de jogos por Level-5
Número de episódios: 50
Baseado na série de jogos Professor Layton, a história segue a vida de Katrielle Layton, sua filha, e os casos que ela soluciona.

Baseado na série de jogos de puzzle, mais especificamente no último título, Layton Mystery Tanteisha tem como protagonista a filha do famoso professor e investigador Layton, Katrielle Layton, tomando seu lugar e resolvendo mistérios com sua agência especializada nisso. E com um cachorro falante, por alguma razão.

Layton segue uma fórmula episódica em que Katri desvenda algum mistério supostamente sobrenatural, recolhendo pistas que são destacadas para o telespectador, assim como no jogo, de forma que você possa tentar acompanhar o raciocínio da personagem e chegar à solução sozinho. Mas talvez quem esteja familiarizado com os jogos e conheça as soluções absurdas tenham mais facilidade com isso.

É isso, acho. É um anime divertido para os fãs da série de jogos e para quem gosta desse formato.

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Estúdio: A-1 Pictures
Direção: Hiraike Yoshimasa
Roteiro: Yoshimasa Hiraike
Baseado num mangá por Fujita
Número de episódios: 11
Narumi é uma funcionária de escritório que é secretamente uma fujoshi e esconde de todos por medo de ser julgada. No seu novo emprego, ela reencontra Hirotaka, seu amigo de infância, e um otaku de jogos. Depois de se abrirem um para o outro sobre as dificuldades em manter um relacionamento, os dois percebem que talvez sejam o par ideal, mas as coisas não são tão simples…

WotaKoi é algo que parece surgir como mais um anime sobre a relação entre otakus e tudo que isso envolve, o que geralmente implica em algo bem pandering e uma caracterização que define mais os personagens pelo hobby.

O legal de WotaKoi, por outro lado, é a ideia dos personagens conciliarem seus hobbies com a vida adulta, com personalidades que fogem muito dos arquétipos desse tipo de comédia, o que faz com que o humor não se limita apenas à referências da cultura otaku. Ainda há uma relação sendo desenvolvida entre um casal com compromissos de trabalho e que já sentem o amargor da vida adulta. Embora o hobby seja algo que defina parte da suas personalidades, eles ainda interagem com o mundo como pessoas responsáveis.

Mesmo sendo da A-1, estúdio responsável por animes similares como Working! e Servant x Service, WotaKoi não tem uma animação charmosa, dependendo muito de modelos 3D e expressões um pouco limitadas. Mas bem, é o padrão A-1 atual.

WotaKoi é uma boa comédia que não se sustenta só pelo fato dos protagonistas serem otakus, mas a relação entre eles e com as suas responsabilidades como adultos.

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Estúdio: Studio Pierrot
Direção: Watanabe Odahiro
Roteiro: Mikasano Chuuji                                          Baseado num mangá por Sui Ishida
Número de episódios: 12
Continuação direta de Tokyo Ghoul. Dois anos depois do ataque à cafeteria Anteiku pela CCG, foi criado um esquadrão especial de caça aos ghouls conhecido como Quinx, o qual seus integrantes são metade humano metade ghoul. Seu comandante, Haise Saseki, entretanto, parece esconder um passado sombrio…

Tokyo Ghoul, como anime, é uma série complicada. A segunda temporada, Tokyo Ghoul √A, tomou uma rota alternativa do mangá e meio que descartou todo desenvolvimento do protagonista, sem nem ao menos terminar de uma forma parecida com a do mangá para que servisse de ponta para o re, sua continuação direta. Então por que diabos tem o anime do re? Se a ideia era animá-lo eventualmente, por que simplesmente não seguiram o mangá?

Não o bastante ser uma adaptação que vai deixar todos que só acompanhavam pelo anime confusos, ela também sofre com um ritmo apressado e uma animação travada, com cenas de ação sem dinâmica alguma. Então, mesmo quem acompanha pelo mangá, provavelmente vai se decepcionar com essa adaptação.

Então… leiam o mangá, acho. Não tem nada aqui para você que viu o anime.

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82119l
Estúdio: J.C.Staff
Direção: Risako Yoshida
Roteiro: Michihiro Tsuchiya
Anime original
Número de episódios: Indefinido
 Quarta temporada de Wixoss.

Primeiro de tudo:

Não assista essa temporada se não tiver assistido as três anteriores e o filme.

Isso não é uma recomendação, mas um requerimento. O história de Conflated é uma continuação direta das histórias passadas e não realiza nem uma tentativa de tentar situar novos espectadores. O que faz sentido, visto que as histórias anteriores são muito grande para resumir. Além disso também é aconselhável ler o mangá Peeping Analyze, visto que vai ser importante para a história. O segundo episódio tenta adaptar essa história, mas faz o trabalho esperado quando consideramos que são mais de 400 páginas de mangá adaptadas em 20 minutos.

Dito isso, é impossível fugir de spoilers das séries passadas enquanto falando de Conflated, então tenha isso em mente antes de continuar.

Conflated Wixoss é o que gosto de chamar de Wixoss All Stars por agora. A história pega a protagonista das temporadas anteriores, do mangá e personagens importantes dos três e joga todos na mesma história. O objetivo é claramente fechar a história de Wixoss, visto que a temporada passada não foi muito popular. O problema é que a maioria dessas personagens já tinham suas histórias fechadas com finais satisfatórios, e há a chance de isso ser arruinado agora, já que elas só foram chamadas de volta por serem personagens populares. Mas não sabemos se isso acontecerá até o fim. Tudo o que posso dizer por agora é que Conflated é uma história melhor que o primeiro Lostorage em praticamente todos os sentidos.

Uma grande melhoria é no fato que direção é diferente, e aquelas faces contorcidas que parecem ter saído de Kakegurui , agora foram substituídas por faces mais psicóticas lembrando aquelas da primeira série. Ou ao menos é o que parece estar acontecendo como visto na primeira re-aparição de Akira.

Uma coisa que me preocupou em primeiro momento ao ver a nova abertura é se essa série não ser um fanservice sem sentido, considerando o tanto de cenas questionáveis que só abriam perguntas como: “Por que Tama é um LRIG de novo?”, “Como diabos Akira e Remember são selector e LRIG?”. Felizmente o terceiro episódio dá a entender que ou a abertura é completamente enganadora, ou ao menos nos dá uma possibilidade de chegar a ela sem forçar muito. Ao menos parece que os escritores sabem o que estão fazendo.

Por enquanto Conflated é uma temporada satisfatória. Talvez não chegue ao mesmo nível de Selector e do mangá, mas com certeza já é muito mais interessante que o primeiro Lostorage.

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82119l
Estúdio: Studio 3Hz
Direção: Sakoi Masayuki
Roteiro: Kuroda Yousuke                                            Baseado numa novel por Sigsawa Keiichi
Número de episódios: 12
Karen Kohiruimaki é uma jovem moça que sempre teve um complexo por ser alta demais. No meio da febre dos jogos de realidade virtual, ela decide começar uma nova vida em que pode viver seu sonho de ser baixa. Depois de inúmeras tentativas em diversos jogos, ela finalmente encontra o avatar ideal em Gun Gale Online, um MMO baseado em armas de tiro.

Eu odeio SAO. Não um arco específico, como parece ser o caso de muita gente, e sim do começo ao fim. Os personagens são horríveis e tudo é construído de uma forma à enaltecer o protagonista Kirito. Para algo da franquia me interessar, só sendo algum tipo de spin-off sem ligação alguma com o plot e os personagens originais, de preferência de algum autor que eu goste. Bom, esse é exatamente o caso de SAO Alternative: GGO.

De Sigsawa Keiichi, autor de Kino no Tabi, um gunota assumido, GGO é um anime focado no MMO que os personagens da série original jogam na segunda temporada. Exceto que dessa vez o foco é num modo battle royale, chamado de Squad Jam. Nunca cheguei a ver a segunda temporada de SAO, então não fazia ideia se isso era um conceito original ou não, mas o terceiro episódio confirmou (de uma forma extremamente meta, por sinal) que é de fato algo novo.

É interessante como GGO não tenta forçar nenhum tipo de evento dramático, como estarem presos no mundo virtual e terem algum tipo de risco de vida, focando apenas na relação dos personagens e seus dilemas, assim como suas interações com mecânicas do jogos e em eventos especiais dentro dele.  Ou ao menos é o foco por hora.

É também curioso pensar como uma light novel escrita em 2014 conseguiu ter um anime que coincidisse com o boom de jogos FPS e TPS, tais como PUBG e Fortnite, focados em battle royale. Foi realmente um ótimo timing, mas não que seja algo que uma franquia como SAO precise pra se popularizar.

De qualquer forma, GGO é um anime divertido que te faz esquecer que pertence a franquia SAO, com foco em personagens femininas que não se limitam a fazer parte do harém do protagonista, sofrer algum tipo de assédio sexual e serem mortas para servirem de motivação para ele.


Eu nunca assisti Sword Art Online. Nunca tive interesse pelo estilo e gênero. Porém, um spin-off sem Kirito e o gênero harém, com uma protagonista feminina, o escritor de Kino no Tabi e animado por um estúdio que eu realmente gosto, tinha que pelo menos conferir. Eu não posso fazer uma comparação com a série principal porque não sei muito dela, mas posso falar sobre o anime em si.

Preso em mundo de jogo é outro conceito associado com SAO que geralmente eu evito, porque não gosto de praticamente nada que o use. Felizmente GGO é diferente. As personagens não estão presas no mundo de jogo virtual. Elas podem sair e o fazem quando bem entende. Não há nenhum risco de vida, visto que morrer no jogo só traz qualquer penalidade que morrer em um jogo trás. Assim, ao invés de uma aventura, o anime é mais sobre esporte, mas usando vídeo-game ao invés de esporte de verdade.

Imagino que é mais fácil recomendar GGO para fãs de shooters do que para fãs de SAO em si, visto que esse é o foco todo da história, com detalhes em estratégias e técnicas de tais. Ou talvez para fãs de armas, visto que esse foi o principal motivo de chamarem o escritor de KnT para fazer a história.

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Junk Box

Blog sobre cultura pop que às vezes rola uns posts.

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