PREVIEW IN A BOX: TEMPORADA DE INVERNO 2018

PREVIEW IN A BOX: TEMPORADA DE INVERNO 2018

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O ano começa e muitos títulos interessantes já parecem ter marcado ele. Logo de cara tivemos o ousado Devilman Crybaby, adaptação do mangá clássico de Go Nagai com direção do renomado diretor Masaaki Yuasa, já disponível completo na Netflix (e com um review aqui). Além disso, temos finalmente um yuri que não envolve homens chantageando meninas numa relação tóxica com Citrus. Também temos vários slices of life que mostram que o gênero está mais forte que nunca (e como isso é bom). Cardcaptor Sakura também voltou, derrubando o site da Crunchyroll. E mais uma vez nos ensinando sobre o problema com hype, Violet Evergarden e Darling in the FranXX estão aí. Enfim, fiquem com nossos previews da temporada!

Índice:

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Citrus

82119l
Estúdio: Passione
Direção: Takahashi Takeo
Roteiro: Hayashi Naoki
Baseado num mangá por Saburouta
Número de episódios: 12
Yuzu é uma “gyaru” que, ao contrário do que afirma, não tem nenhuma experiência com relações amorosas. Após sua mãe se casar novamente, ela precisa se mudar e é transferida para um colégio apenas para meninas, onde ela conhece Mei, a rígida presidente do conselho, que a reprime por seu estilo chamativo. E para piorar, Yuzu descobre que ambas moram no mesmo teto, com Mei sendo sua meia-irmã a partir de agora. As duas parecem não chegar a um entendimento, mas isso também leva a um novo sentimento entre elas…

Tenho a teoria de que a Yuri Hime animou NTR Trap primeiro para Citrus parecer melhor do que é quando ganhasse sua versão animada. Isso explicaria o porque gostei desse episódio apesar de não ser um de meus mangás favoritos. Yuri é um gênero nicho e, como tal, fora de subtexto raramente é animado. Quando o é, geralmente a animação deixa muito a desejar, com exceção recente de provavelmente somente Yuri Kuma Arashi, que é de três anos atrás. É por isso que  todos os fãs de yuri, independente da opinião sobre o título, meio que esperavam curiosos para saber como o novo anime seria, para falar bem ou mal. Esteticamente, apesar de não conseguir capturar exatamente o traço do mangá (o que seria impossível), o anime consegue ser bonito. Direção e roteiro também são decentes, sendo uma adaptação fiel ao mangá.

Apesar do pacing ser muito bom, porém, essa é uma oportunidade na qual penso que podiam ter apressado um pouco o episódio. Sinto que após NTR, muitos vão pensar que a história com o professor tomará praticamente todo o anime, e simplesmente desistir de assistir. O que é errado, visto que deve encerrar já no próximo episódio. Não que Citrus seja sem drama, há um motivo pelo qual é chamado de novela mexicana, mas o drama é muito mais inofensivo do que o de NTR. A parte mais problemática são os ataques de Mei sobre Yuzu, mas mesmo esses não são colocados como algo aceitável, e Mei claramente tem problemas emocionais. Embora eu acredite que o anime fez um trabalho melhor em demonstrar como o beijo devia ser desconfortável do que o mangá, onde a autora fez questão de desenhar uma linha de saliva, deixando mais sexualizado.

Mas independente da qualidade final, acredito que Citrus é agora a melhor esperança que o gênero yuri explícito tem de ser reconhecido como um gênero viável para anime. É mais facilmente marketável, e o conteúdo é decente o suficiente. Mas ainda não acredito que será um sucesso. Se o futuro anime de Tachibanakan tiver um sucesso maior, vai ser meio triste, porém.


Adaptações yuri de verdade são raras de se ver, então vi Citrus com uma boa expectativa. Correspondeu? Olha, depende dos desenvolvimentos futuros.

É uma história até comum, com duas garotas completamente diferentes tendo um romance “proibido”, uma escola conservadora e fechada, família rígida e até um clima de querer quebrar as correntes da sociedade.

Os primeiros episódios parecem existir muito mais para criar um cenário para esse relacionamento de Yuzu e Mei. Entretanto o anime já vai jogando beijos e uma certa fetichização que não parecem combinar bem com os momentos em que foram colocados, só querendo trazer a “ação” direto ao espectador.

Ainda não sei bem o que pensar de Citrus, mas espero que o drama dissolva um pouco para que tenhamos uma ideia melhor das personagens e de seu relacionamento.

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82119l
Estúdio: C-Station
Direção: Kyougoku Yoshiaki
Roteiro: Tanaka, Jin
Baseado num mangá por Afro
Número de episódios: 12
Nadeshiko, uma colegial que se mudou de Shizuoka para Yamanashi, decide ver o famoso Monte Fuji no seu primeiro dia. Ela consegue chegar lá andando de bicicleta, mas é forçada a voltar por causa do clima. Cansada, ela desmaia em meio ao seu destino. Quando ela acorda, já é noite, num lugar desconhecido, sem saber como voltar para casa. Nadeshiko é salva quando encontra Rin, uma garota que estava acampando sozinha. Esse é começo das aventuras ao lar livre das duas.

Essa temporada nos deu dois animes adaptações da Manga Time Kirara para compensar o menos um da temporada passada. Entre Slow Start e Yuru Camp, este era o que eu tinha menor expectativa, em parte porque o outro anime sobre acampamento, Yama no Musume, enquanto um bom anime, não é nem perto de ser um dos meus slices of life favoritos. Mas posso dizer que o começo de Yuru Camp superou minhas expectativas baixas.

O visual é muito bonito, mas isso já era esperado. É o clima e as personagens que me dão esperança, com a animação conseguindo capturar a atmosfera ideal e as personagens cativantes o suficiente. Dito isso, não há muito mais a falar, exceto o que está no título. É um anime sobre acampamento e o ritmo é lento. Pode ser divertido assim como pode ficar tedioso rápido.


Certos slices of life são difíceis de entender o apelo. Embora tentem passar uma sensação relaxante ao se ver livre de qualquer drama, apenas focando no entrosamento entre as personagens, alguns não conseguem evocar isso por não construir bem a sua atmosfera – ou nem mesmo se esforçam em relevar a premissa para esse efeito.

Yuru Camp, por outro lado, é um anime sobre camping acima de tudo. A forma como ele se esforça em explicar as técnicas envolvidas, assim como demonstra a importância que aquilo tem para as personagens, constrói muito bem o clima que o anime tenta passar. É um anime bonito que sabe explorar a sua premissa para nos fazer não só se importar com as personagens, mas também contemplar ao lado delas aquela experiência.


O anime mais gostosinho de assistir nesse começo de temporada. Música calma, cenários bonitos, personagens fofas numa animação tão colorida e bem desenhada.

Yuru Camp é um nome que resume bem o anime. É uma história bem leve e simples sobre meninas acampando e que tenta nos demonstrar e ensinar o porquê dessa atividade ser legal, principalmente ressaltando o quão relaxante é.

Um ponto forte são as personagens. Nadeshiko, a protagonista, é uma avoada e animada menina que acaba se mudar para uma cidade nova e Rin, a outra garota com mais destaque neste começo e aparentemente a outra principal, é uma personagem que é antissocial, e possui um grande apreço por poder estar sozinha apreciando o ambiente.

É interessante como não fazem Rin parecer “má” por sua escolha. Ela ainda ajuda Nadeshiko no primeiro episódio (até pensa em a chamar para acampar) e conversa com outra amiga pelo celular. O anime decide nos apresentar personagens diferentes e divertidas, mas criando uma dinâmica interessante entre elas e que é divertida de assistir ー personalidades que contrastam, mas que se dão bem de uma forma natural. Uma naturalidade que funciona muito bem com os temas e cenários de Yuru Camp.

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82119l
Estúdio: A-1 Pictures
Direção: Hashimoto Hiroyuki
Roteiro: Inoue Mio
Baseado num mangá por Tokumi Yuiko
Número de episódios: 12
Hana Ichinose é uma estudante de ensino médio de 16 anos. No entanto, há algo de diferente nela: ela acabou se matriculou no ensino médio um ano atrasado! Seus colegas não sabem disso, e Hana terá que trabalhar duro para alcançar todas elas.

O outro anime da Manga Time Kirara da temporada, fazendo companhia a Yuru Camp. Não há muito a dizer sobre Slow Start, sendo o anime sobre garotas colegiais fazendo coisas fofas na escola que já temos vários títulos. O que se pode dizer é que a animação é muito bonita e a atmosfera funciona muito bem, além de ter personagens carismáticas, algo essencial para o gênero. Em minha opinião pessoal, será um dos animes divertidos Kirara, ao invés de um dos esquecidos, mas isso pode mudar rápido nesse tipo de anime.


Slow Start é o slice of life mais comum que consigo imaginar. É basicamente a síntese do gênero quase. Mesmo assim, diverte.

Acho que a maioria das pessoas não deve ter tanta tolerância para esse anime. É basicamente fofura e diálogos entre as personagens principais.

Narrativamente, o mais interessante é a idéia da protagonista ter “perdido” um ano escolar e agora tenta esconder isso de suas novas amigas de classe. Não é algo comum e que, se bem explorado, pode gerar situações únicas e divertidas.

Outro destaque é a boa animação. É visível o quanto querem que as personagens pareçam “vivas”, os movimentos são muito fluídos e todas as partes do corpo delas pulam sem parar. Bastante charmoso.

Às vezes é bom de só ver algo simples e bem feito.

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82119l
Estúdio: Hoods Entertainment
Direção: Ueda Shigeru
Roteiro: Matsu Tomohiro (StoryWorks)
Anime original
Número de episódios: Indefinido
Kagimura Hazuki é uma garota que vive no seu mundo de imaginação e tem problemas em se relacionar com seus colegas de classe e sua nova família. Como forma de escapismo, ela sempre anda com algum livro em mão e esquece todos os seus problemas lendo histórias fantásticas. Mas quando um livro misterioso aparece na sua bolsa, ela encontra uma bruxa de verdade e, ao segui-la, vai parar num colégio de magia. Agora o mundo fantástico que ela sempre imaginou em seus livros está na sua frente.

Marchen Madchen é em parte um anime póstumo. Digo em parte porque Tomohiro Matsu, que faleceu em 2016, somente criou o conceito. A história desde então é escrita por outra pessoa pertencente ao grupo de escritores criado por Tomohiro.

Em parte Marchen Madchen é um isekai, como tantos outros que vimos serem animados nesses últimos anos, mas com um twist: a protagonista é uma garota. Esse estilo com protagonista feminina hoje não é raro, mas a maioria não é animado, então de certa forma ainda é uma novidade. E já vemos uma diferença do habitual no primeiro episódio: a protagonista, Hazuki, tem sua personalidade mais desenvolvida do que o protagonista habitual desse tipo de história, sendo uma garota comum que não consegue se sentir incluída com grupo nenhum no mundo dela, e portanto recorre ao escapismo de se enfiar no mundo dos livros. É uma história relatável para provavelmente quase todo mundo que era introvertido durante a adolescência, mesmo que o meio de escapismo possa variar. Eu acho interessante como esse estilo de história já é conhecido como escapismo e aqui é usado literalmente como isso para a personagem, mas isso também sugere que o tema deva ser trabalhado daqui para frente.

Como alguém que foge para o mundo de fantasia para escapar do mundo real, quando Hazuki encontra alguém que reconhece como residente desse mundo mágico, ela fica obcecada por virar sua amiga e a segue pela cidade. Esse é o começo de sua história, que a leva literalmente para outro mundo onde garotas usam os poderes de histórias para batalhar.

Sendo baseado em uma LN, era natural esperar que fanservice seria um fator presente, mas, ao menos no primeiro episódio foi usado de uma forma um tanto moderada. Era uma cena que não podia ser cortada, mas os ângulos usados eram muito menos apelativos do que geralmente acontece.

Para concluir, Marchen Madchen parece estar caminhando para uma história só de garotas com batalhas mágicas. Considerando que o único outro no estilo da temporada é Toji no Miko, essa é uma escolha mais interessante para quem procura algo assim.


Se uma light novel harém na verdade tivesse uma menina como protagonista: A Animação”.

O anime tem noção do que é e até brinca com isso, a narração diz claramente que Hazuki Kagimura, a protagonista, é uma antissocial que REALMENTE não possui amigos, diferente dos outros protagonistas antissociais de light novel que são cercados de belas garotas caindo a seus pés.

Obviamente isso não perdura por muito. Ao ver uma garota mágica, decide a seguir para firmar uma amizade e acaba indo para ~outro mundo~ (conceito original para uma história).

O primeiro episódio é realmente padrão desse tipo de anime. Isekai, várias garotas, poderes mágicos, escola especial. Mas só de variar com uma protagonista feminina, Märchen Mädchen apela ao meu bias. É uma história que possui potencial de ser realmente um yuri e, é, realmente isso já me interessa.

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82119l
Estúdio: Kamikaze Douga
Direção: Aoki Jun;  Umeki Aoi
Roteiro: Jun Aoki                                                      Baseado num mangá por Ookawa bkub
Número de episódios: 12
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Baseado numa série de tirinhas 4koma, Pop Team Epic tinha uma certa fama na internet por seu humor nonsense com uma dupla de garotinhas fofas. Diferente do que se tem 4komas, embora, ou nas que geralmente são adaptados, não há uma construção narrativa e tudo funciona em prol da punchline da piada (ou nem isso). Então era curioso como fariam anime disso. E como fizeram? Abraçando o humor absurdo do mangá e transpondo no seu formato.

O anime é basicamente alguém zapeando por canais de TV, com vários segmentos tendo um estilo de animação e humor único – algo que tem o efeito desejado, pois cada um deles é produzido e dirigido por uma equipe diferente. Inclusive, a versão para TV passa comerciais falsos para reforçar essa experiência, mas é algo que se perde na versão por streaming. E, por alguma razão, ele também repete o episódio uma segunda vez com dubladores diferentes. Esse formato talvez seja o que torne o anime tão fascinante e ao mesmo tempo uma experiência desagradável. Não há consistência no humor, com alguns segmentos sendo absurdos por serem absurdos, enquanto outros são mais elaborados. A repetição, por exemplo, embora tenha sido usada de forma interessante no segundo episódio, parece ser algo que acontece simplesmente pelo o quão é absurdo é o conceito.

Pop Team Epic é certamente uma experiência única, embora isso não implique exatamente em ser algo bom. O segundo e o terceiro episódio tiveram ideias mais interessantes e mais consistente, embora, então espero que ele siga o formato deles daqui pra frente.

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82119l
Estúdio: Studio Pierrot
Direção: Masashi Kudo
Roteiro: Takashi Aoshima
Projeto multimídia
Número de episódios: 12
Kouta Hasegawa, um colegial, adora o cachorro mascote Pom Pom Purin. Por coincidência, ele acaba frequentando a mesma escola que Yuu Mizuno, um garoto que gosta do coelho My Melody. Yuu diz a Kouta que não há nada para se envergonhar de gostar de personagens fofos de Sanrio. Juntos, Kouta, Yuu, Shunsuke Yoshino, Ryou Nishimiya e Seiichirou Minamoto aprendem a aceitar seu amor pelos personagens ao invés de sentir vergonha.

Quando você começa a assistir um anime focado em tentar te vender produtos da Sanrio (a empresa da Hello Kitty), a última coisa que espera é se emocionar, certo? Pois é, Sanrio Danshi vai contra essas expectativas.

Contando a história de Kouta Hasegawa, um adolescente com vergonha de admitir o quanto gosta de um personagem da Sanrio, e o quanto isso o deixa ansioso. Também existe uma história de fundo explicando o quanto essa sua conexão com o personagem é relacionada com sua relação com sua falecida avó.

O anime vai apresentando outros diversos personagens, indo do craque do time de futebol da escola ao garoto mais popular com as garotas do colégio, e seu apreço por esses mascotes.

É uma história que trata de vários temas interessantes: auto aceitação, ir contra essas expectativas sociais (no caso, um homem não poder gostar de coisas vistas como “femininas) e até da pressão que adolescentes sofrem para se encaixar nesses grupos escolares.

É um anime que diz logo no segundo episódio “não tenha vergonha de amar”, não é só algo feito para fanservice ou venda dos produtos.

Sanrio Danshi não tem valores de produção muito bons (ê, Studio Pierrot), mas os bons diálogos, personagens e histórias prometem uma série bem interessante e com potencial único.

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82119l
Estúdio: Geno Studio
Direção: Kyougoku Yoshiaki
Roteiro: Kimura Noboru
Baseado num mangá por Horie Seita
Número de episódios: Indefinido
Yukawa Juri é uma jovem moça que vive com seu e pai e irmão desempregados, seu avô aposentado e sua irmã, uma mãe solteira. A situação financeira da família já não é boa, quando para piorar seu irmão e sobrinho são sequestrados. É nessa hora que seu avô revela um segredo da família: o poder de parar o tempo. Mas talvez eles não sejam os únicos que sabem disso.

Agora, esse tipo de anime é difícil avaliar. Eu lembro de ter achado o primeiro episódio de Boku Dake Ga Inai Machi bom, mas ficar decepcionado quando mais foram exibidos. Isso porque quando se tem um anime de mistério com uma premissa complexa, é muito fácil se perder nas idéias, por mais interessante que o contexto seja. Kokkoku segue uma família basicamente fracassada, como a narração da protagonista Juri quer nos convencer. O pai não trabalha, o irmão de 30 anos é um hikkikomori. A protagonista também chama atenção para o fato que a irmã tem um filho que ninguém sabe quem é o pai, mas isso dificilmente é um problema em minha opinião. Embora ela deixe claro que admira a irmã por trabalhar muito para cuidar do filho sozinha. A história segue esses personagens atípicos e começa quando o sobrinho e irmão de Juri são raptados e os sequestradores demandam uma quantia que a família não tem. É então que o avô de Juri revela um segredo passado pelos seus ancestrais sobre um mundo chamado Stasis, que é basicamente uma dimensão onde o mundo real é paralisado e Juri e sua família são os únicos que conseguem andar dentro dele. Logo fica claro, porém, que o sequestro era uma forma de fazer o vô de Juri usar seu poder, quando outro grupo que consegue se mover dentro dessa dimensão aparece. Junta isso com um monstro gigante feito com um CG feio e temos uma premissa um tanto curiosa, mas que vai depender de uma boa execução para se manter interessante.

O que me incomodou no primeiro episódio foi a rápida revelação de outro grupo que pode ser mover naquele mundo, por mais que isso fosse inevitável de acontecer. Isso porque parece uma oportunidade perdida de trabalhar melhor aquele conceito antes de entrar na história principal. Dito isso, a narração de Kokkoku por agora funciona, mesmo que o visual não seja dos mais interessantes. Aparentemente a ausência de cores é uma escolha popular quando se quer deixar claro que se trata de uma história séria. O monstro feito em CG mal feito também é decepcionante, mas sem saber o quão importante e frequente ele será na história, é difícil dizer se foi uma má ideia. No geral foi uma estreia interessante, só espero que se mantenha assim.

O que gostaria de colocar é que a ideia para a animação de encerramento não parece uma das melhores escolhas, visto que fanservice não parecer ser algo que a série está tentando vender. A abertura, por outro lado, é uma das melhores dessa temporada.


Quem nunca sonhou em parar o tempo e aproveitar isso para fazer o que quiser?

Kokkoku usa essa ideia de tempo congelado de uma maneira diferente da esperada. A protagonista Juri Yukawa é uma jovem mulher procurando um emprego para crescer na vida ao se ver frustrada com a condição de mediocridade de sua família. Seu irmão é um NEET, o pai é desencantado com as coisas, o avô está aposentado, a irmã teve um filho na juventude. Ela só vê esperança no sobrinho jovem.

Esse é o quadro que o anime nos apresenta. Tudo muda quando Juri se vê obrigada a resgatar seu irmão e seu sobrinho, sequestrados por um grupo exigindo milhões de ienes. O avô então apresenta uma solução: irão usar uma magia para parar o tempo e resgatá-los.

Kokkoku não usa o tempo parado como uma forma de Juri realizar seus desejos, mas como uma medida desesperada de proteger sua família.

É um anime interessante ao não se prender na estética manjada de seinen de pintar todos seus personagens e mundo como naturalmente “sujos”, de uma forma a mostrar uma realidade repulsiva. A família Yukawa não é tratada como “má”, é um grupo de pessoas falhas, mas que são realistas justamente por terem também um lado bom. Consigo me interessar no destino dessas pessoas.

Também ressalto o quão interessante o mundo congelado é: existem regras nele e a história acerta em explicar o suficiente para tanto nos situar bem de suas regras, quanto deixa um pouco de mistério para gerar interesse.

Um seinen que foge dos meus maiores problemas com o gênero, Kokkoku surpreendeu bastante no seu começo com seus bons personagens e história que prende.


Em seinens, é comum ter um tipo de caracterização mais sombria, mostrando como a sociedade é podre e o quão cruel é o ser humano. O problema é que isso geralmente é feito de forma caricata que tira todo o peso das situações e não te convence que aqueles personagens são reais, logo não há um vínculo com eles (como um certo anime da temporada passada). E é nesse ponto que Kokkoku destoa de outros do gênero.

O que torna o anime tão fascinante não é exatamente o conceito de parar o tempo e tudo que isso implica, mas sim como uma família disfuncional é o centro disso tudo. Ele entende esse conceito e trabalha os personagens de uma forma realista que, por mais que todos eles sejam seres humanos falhos, há espaço para empatia. É interessante também como ele ainda tenta manter esse realismo mesmo quando introduz seus conceitos sobrenaturais, com um dos personagens questionando a física por trás daquilo e os usos mais plausíveis daquele poder. Ele se preocupa em manter a caracterização daquele mundo sempre pé no chão para deixar os personagens mais humanos e fazer com que a história não dependa apenas de um gimmick narrativo.

Mesmo embora pareça envolver algum tipo de conspiração maior, Kokkoku tem no seu núcleo uma família tentando sobreviver. Por mais que seus previews do episódio seguinte não ajudem muito, o suspense é muito bem construído e te deixa apreensivo com o que pode acontecer com os personagens.

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82119l
Estúdio: Studio Gokumi
Direção: Koudai Kakimoto
Roteiro: Takahashi Tatsuya
Projeto multimídia
Número de episódios: Indefinido
Existem criaturas malignas chamadas de Aratama que atacam pessoas, e um grupo de “mikos” têm exorcizado essas criaturas usando espadas desde tempos antigos. Aquelas que usam uniformes e espadas são chamadas de Toji, que têm permissão legal para usar as espadas. O governo estabeleceu cinco escolas de treinamento consistindo em níveis altos e superiores para as estudantes participarem. Elas passam sua vida estudantil normalmente e usam habilidades especiais com as espadas quando realizam missões para proteger as pessoas. Mas na primavera, essas cinco escolas devem participar de uma competição.


Como toda forma de arte, às vezes a qualidade de um anime depende do quanto aqueles envolvidos se importam com o projeto. É possível ver produções grandes se tornarem medíocre e produções pequenas se tornarem sucesso por isso. Toji no Miko é um dos casos no qual infelizmente podemos perceber que ninguém envolvido no projeto liga muito para ele e só quer fazer um produto rápido para entregar. A animação é fraca, mas isso não é o pior. Não há nada interessante em termos de roteiro aqui. São várias cenas genéricas colocadas juntas para dar um motivo para essas garotas lutarem. As únicas partes interessantes provavelmente não vêm do anime, mas do conceito criado pelo projeto multimédia para ser usado no jogo de celular.

Bang Dream foi um exemplo de anime com produção fraca que se tornou um sucesso após o jogo do projeto virar um hit. Porém, Bang Dream tinha um roteiro que se importava com as personagens, algo que até o momento não se vê aqui. Portanto acho difícil alguém dar uma segunda chance ao anime, mesmo que o jogo se torne um sucesso. O que é triste, pois os design das personagens originais são muito bonitos.


Um desastre completo. Toji no Miko é um anime que não consegue suceder em nada que tenta.

Primeiramente, animação. Logo de cara temos uma bela luta com um CG horrível e coreografia sem graça, com espadachins com os golpes mais sem graça imagináveis. As personagens são constantemente tortas, as lutas quase não possuem movimento e, falando em movimento, os cenários tem pessoas congeladas de fundo constantemente! É como se os backgrounds fossem quadros estáticos gigantes. Por que isso, Gokumi?

Seguindo… a história. Basicamente nos jogam num mundo qualquer claramente criado para um jogo mobile, com escolas criando garotas espadachim para proteger o país dos típicos monstros genéricos de títulos assim. Ok. Daí já vão logo apressando o primeiro episódio para criar uma situação de conflito no qual a heroína precisa se aliar à rival que enfrentaria no torneio-de-qualquer-coisa contra a líder das meninas samurai. O anime não se importa em explicar mais do que isso e depois faz umas revelações que tiram toda a graça de uma possível ambiguidade moral do enredo.

Por fim, as personagens. Eu não consigo falar nada de quase nenhuma. Gosto de como Kanami larga a melhor amiga (e toda sua vida social também) do nada e segue uma estranha que nunca trocou mais de duas palavras com, mas depois tiram um pouco o peso disso dando uma razão moral para ela ter feito isso além de “eu quero a enfrentar no auge de seu potencial”, o que seria uma caracterização mais única. Ficamos só com uma protagonista clichê mesmo então. E a Hiyori? Bom, não sabemos muito dela, mas já vi que o foco vai ficar mesmo na relação das duas.

Eu queria que meus comentários sobre esse anime fizessem mais sentido para quem não viu, mas é difícil com Toji no Miko, acreditem.

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82119l
Estúdio: A-1 Pictures
Direção: Omata Shinichi
Roteiro: Yano SatoshiMizuno Ryou
Baseado numa novel por Mizuno Ryou
Número de episódios: Indefinido
Em um continente governado pelo caos, os lordes têm o poder de um selo sagrado que pode acalmar o caos e proteger as pessoas. No entanto, antes que alguém perceba isso, os lordes deixaram de lado seu credo de purificar o caos e, em vez disso, começaram a lutar entre eles pelos selos sagrados uns dos outros para conquistar seus domínios. Shiruuka, um mago isolado que despreza os lordes pelo abandono de seus credos, e um cavaleiro errante chamado Theo, que está em uma jornada de treinamento para libertar sua cidade natal um dia, fazem um juramento eterno para se unirem e reformarem o continente dominado por guerras e caos.

É fácil descrever Grancrest. Imagine a história de um JRPG dos anos 90. Pronto, isso é Grancrest. O problema é que é tão genérico quanto parece. Animação também deixa muito a desejar, o que parece já ter se tornado padrão para animes de ação da A-1 Pictures. Vai ser um preview curto, mas não tenho muito mais o que falar dele. Para quem assistia animes de fantasia nos anos 90, sabe exatamente o que vai encontrar. Assim, para pessoas fãs do gênero que querem algo que não seja isekai harém, podem acabar gostando. Desde que não esperem nada excepcional, mas algo mediano.


Conheço Ryo Mizuno, autor da obra original, como criador de Lodoss War. Nunca li, mas por gostar dos jogos de Fire Emblem, sabia que era uma grande inspiração para alguns jogos como Fire Emblem 4. O que eu não esperava era que Grancrest Senki parecesse tanto um videogame.

O anime começa mostrando uma guerra sendo interrompida pelo casamento de nobres dos dois reinos que batalhavam antes. Isso acabaria com o conflito. No entanto, um ataque por uma vilã (?) causa mortes, interrompe a cerimônia e dá reinício às batalhas entre as duas nações.

Nesse cenário somos apresentados à Siluca, uma maga indo cumprir contrato com um lorde por quem não se interessa. No caminho até a província de seu novo mestre, conhece Theo, um lorde simples sempre disposto a proteger os mais fracos. Siluca se cativa pelos seus ideais e decide servir Theo como sua maga.

Isso tudo acontece bem rápido. Logo Grancrest se torna um videogame de verdade: os brasões que dão poder para os lordes podem subir de nível vencendo batalha, lordes que derrotam outros possuidores de brasões capturam novas terras e, no estilo mais Fire Emblem possível, pessoas são recrutadas pelos protagonistas no meio da luta como se fosse a coisa mais natural possível!

Grancrest é realmente estranho nisso. As batalhas parecem meio sem consequência no momento devido à atmosfera não séria e o foco parece ser em criar um grupo grande de personagens com características únicas e que sejam capazes de varrer exércitos inteiros sozinhos.

Se possui interesse por ver uma adaptação de videogame não baseada num videogame de verdade, Grancrest é o melhor nisso! Tirando isso, não me pareceu nada demais por enquanto. Ah é, a roupa de batalha da Siluca é absurdamente pior que a normal. Eu precisava falar isso.

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82119l
Estúdio: Lerche
Direção: Andou Masaomi
Roteiro: Yoshida Reiko
Baseado num mangá por Kashiki Takuto
Número de episódios: Indefinido
Num mundo minusculo, vivem Hakumei e Mikochi, duas garotas que compartilham seus dia a dia em pequenas aventuras.

Hakumei to Mikochi é provavelmente um dos animes mais relaxantes da temporada. Em parte lembra Shoujo Shuumatsu da temporada anterior, mas sem o clima depressivo de um mundo pós-apocalíptico. Hakumei to Mikochi segue duas mini garotas vivendo numa floresta, interagindo com uma comunidade de mini-pessoas e animais falantes. Descritivamente, isso é tudo o que se pode falar sobre a história. Em um estilo slice of life o anime nos mostra a vida das duas protagonistas e como interagem com esse mundo. É charmoso e um dos animes mais iyashikei da temporada.

Tecnicamente ele chama ainda mais atenção. Lerche é um bom estúdio, mas muitas vezes acaba se tornando um pouco preguiçoso na animação, como visto em certas cenas de Kino no Tabi na temporada passada. Hakumei é diferente, com cenários muito bem detalhados, sem CGs intrusivos, e o uso de quadros para mostrar reações de personagens é interessante, e nos lembra de que essa é uma adaptação de um mangá. Também é bom termos outro anime com roteiro da Yoshida Reiko, mesmo que seja uma adaptação, visto quão decepcionante Violet Evergarden se demonstrou até então.


Com uma premissa peculiar, Hakumei to Mikochi é um anime bem confortável de assistir, com cada episódio dividido em dois ou mais contos sobre duas garotinhas num mundo minúsculo no meio de uma floresta.

O interessante é como as histórias remetem muito à contos de literatura infanto-juvenil,  em meio a um mundo de animais falantes e seres mágicos. A estética do anime também é um charme, com sequências  de quadros simulando o mangá e flashbacks com molduras e um filtro de pintura antiga.

É um slice of life charmoso que, mesmo embora não seja o que falte nesta temporada, ainda vale a pena acompanhar por seus aspectos únicos.

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82119l
Estúdio: 8bit
Direção: Kaori
Roteiro: Mieno Hitomi
Baseado num web mangá por Utsugi Kakeru
Número de episódios: Indefinido
Sora Kashiwagi recebe um pacote misterioso do seu pai autoproclamado “aventureiro”, mas a última coisa que ele esperava era ter uma pequena múmia – ao ponto de caber na palma da mão dele!

Temos nessa temporada um anime sobre criar bebês, e também, da mesma forma, temos um anime sobre criar múmias. É claro que sabemos qual dos dois é melhor, afinal múmias são muito melhores que bebês!

O conceito aqui é tão absurdo quanto parece. O pai de Sora está sempre viajando e direto manda presentes para o filho, mas os presentes são sempre coisas bizarras que acabam atacando-o, na melhor da hipótese. Mas dessa vez o presente que Sora recebeu foi mais “normal” (como definido pelo próprio): uma múmia.

Miira no Kaikata é sobre o dia a dia de Sora enquanto tenta, hã, criar uma múmia. Desde descobrir o que ela pode comer até como ela toma banho. A múmia aqui é mais um pet similar a um cachorro do que um monstro. O que é curioso, visto que múmias são supostamente pessoas mortas. Talvez a ideia é que seja uma criança, ou um animal mesmo, visto o comportamento infantil dessa. Embora não imagino que a história tentará trabalhar isso.

Miira no Kaikata aposta em ser fofo, e, no que diz respeito a nossa múmia, Mii-kun, consegue exatamente isso. É difícil saber para onde a história irá se encaminhar quando mais personagens e monstros aparecerem, como a abertura e o encerramento sugerem.

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82119l
Estúdio: Silver Link.
Direção: Kawamura Tomoyuki
Roteiro: Yasukawa Shougo
Baseado num mangá por Katsuwo
Número de episódios: 12
“Colors”, um grupo de três amigas, se divertem protegendo a sua cidade enquanto descobrem novas brincadeiras.

Outro da lista “adaptações de mangá que já lia”. Esses são sempre difíceis avaliar, porque é praticamente impossível separar a obra do original. Sendo assim a avaliação acaba sendo como a adaptação foi feita ao invés de como se sustenta sozinho. Felizmente, com base no primeiro episódio, minha impressão da adaptação é positiva. Colors é sobre um trio de garotas que monta um grupo para defender a cidade. Mais especificamente é uma comédia sobre três garotas procurando algo para brincar na região onde moram, atormentando o policial que cuida do parque onde passam a maior parte do tempo e sendo auxiliadas por um vendedor que gosta de óculos excêntricos. É impossível não comparar Colors com Ichigo Mashimaro, tendo tanto um design similar como um humor parecido, embora bem mais inocente.

O que posso dizer tendo lido o mangá é que a comédia é muito boa, e não se desgasta quanto mais capítulos são feitos. A adaptação até o momento capturou bem o original, o que é um acontecimento feliz, visto que comédias podem ser facilmente destruídas com um pacing ruim. Mas no geral, a dica que fica é realmente: para fãs de Ichigo Mashimaro que sentem faltam de algo parecido, Colors com certeza vai ser uma boa diversão.


A ideia de um slice of life cômico focado na vida de crianças e seu mundinho de brincadeiras é algo que Yotsubato já conseguiu demonstrar bem todo o apelo.

Assim como Yotsubato, o que faz Mitsuboshi Colors ser tão bom é a forma como ele consegue caracterizar bem suas protagonistas como crianças e constrói seu humor com base nisso. Uma delas é a criança que parece viver no seu mundinho, que ri das suas próprias piadas e tudo precisa girar em torno dela; a outra pensa em tudo a partir de conceitos de jogos, como puzzles, e sempre dramatiza tudo; e a outra é apenas uma garota inocente que se deixa levar pelas duas e acredita em qualquer coisa. As três estão sempre buscando novas brincadeiras e transformam situações banais em algo empolgante e divertido dentro da escopo da imaginação delas.

É um anime bem divertido que, embora não tenha uma animação tão consistente (com alguns cenários em 3D e personagens de fundo CGI), tem uma direção de arte decente e usa cores bem vivas para deixar tudo bem colorido – tal como o mundo de uma criança.


“Isso deve ser do autor de Ichigo Mashimaro, certo?”

Não, não é.

Mitsuboshi Colors é muito parecido com o clássico anime/mangá slice of life de Barasui. As personagens possuem uma mistura de inocência infantil com uma certa arrogância perante aos adultos, o humor é muito parecido ao querer dar destaque às reações imensas das garotas com fatos banais do cotidiano e até o traço se parece muito com o de Ichigo Mashimaro.

Isso faz de Mitsuboshi Colors uma cópia? Não também. O anime ainda consegue se firmar como algo único e, mais importante, engraçado. As personagens logo de cara são marcantes e nenhuma narração foi necessária para nos explicar os trejeitos de cada uma.

A produção é decente, embora alguns cenários tenham pessoas congeladas bizarramente atrás (essa é uma trend da temporada pelo visto), mas que não incomoda tanto por causa do cuidado que a Silver Link teve com as personagens principais (boas expressões faciais) e o uso de cores bem vivas.

Colors é um slice of life frenético assim como as suas protagonistas. Torcendo para que consiga manter o ritmo.

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Estúdio: Kyoto Animation
Direção: Ishidate Taichi
Roteiro: Yoshida Reiko
Baseado numa novel por Akatsuki Kana
Número de episódios: 14
Violet é uma jovem garota que lutou nos campos de batalha de uma guerra e agora precisa começar uma nova vida. Em busca de entender o significado das palavras deixadas por um ente querido, assim como sentimentos de modo geral, ela começa a trabalha como uma “Auto Memory Doll”, alguém que escreve cartas encomendas e tentam transmitir a emoção do seu remetente.

Violet Evergarden é muito bonito. Há dois problemas com essa afirmação. A primeira é que isso é o mínimo esperado de uma produção feita pra Kyoto Animation, ainda mais com colaboração da Netflix, em que era visível em prévias nos pequenos trailers desde o ano passado. Se fosse qualquer coisa menos impressionante que eles seria um problema, mas já posso dizer que esse não é o caso. O outro problema é que esse é, no momento, o único elogia que posso dar.

A série segue Violet, que aparentemente é uma garota normal, apesar de não ser claro, que lutou na guerra ao lado do major Gilbert e agora tenta viver num mundo de paz. Tem muita coisa que me incomoda no roteiro desse primeiro episódio, então só vou citar as mais óbvias. Primeiro, não tem nenhum motivo para esconder o destino de Gilbert da Violet, e consequentemente do público. Não há muitas possibilidades diferentes e Violet claramente entende o conceito de morte. O único motivo que consigo imaginar é para arrastar essa revelação até o final onde chegará a cena que o anime nos dirá “ok, pode chorar agora”. O conceito principal da história, Violet querendo entender sobre sentimentos ouvindo a história de outras pessoas, é falho por dois pontos principais: primeiro, Violet é teoricamente humana, não um androide como alguns pensavam. Caso isso se torne falso, toda essa questão é resolvida, mas não temos no momento nenhum motivo para pensar nisso. Outro problema é que ela acabou de sair de uma guerra. Se ver os companheiros morrer, perder os braços e precisar abandonar a única pessoa com quem se importava na vida não foram suficiente para lhe despertar sentimentos, acho que já é caso perdido. Você pode dizer que ela quer aprender sobre “amor” em particular, mas é praticamente a mesma coisa, além de que o anime nos faz questão de colocar como ela é fria por ser uma “arma”. Outra parte que me incomoda é como a última cena implica que “Violet finalmente pediu algo para ela mesma”, o que não é verdade, visto que seu pedido foi para entender melhor seu “mestre”, ou seja, a mesma coisa que ela fez a vida toda.

Também é engraçado como a família Evergarden em um momento aceita Violet e no outro, de repente ela não pode mais morar com eles. Imagino se o anime vai explorar isso, que foi colocado de modo muito aleatório, ou eles só existem porque um anime chamado “Violet” chamaria menos atenção.

O que me dá esperança em episódios futuros é que o formato episódico que o anime parece estar montando nos dê umas histórias mais interessantes. Yoshida Reiko é uma boa escritora, e imagino que ela só não soube trabalhar um conceito que já não faz sentido. Da história da Violet em si, eu tenho muito pouco interesse e não espero sair nada de bom.


Violet Evergarden é um anime que falhava em gerar hype comigo. Talvez porque eu costume acompanhar animes desde sempre e tenha noção da frequência de quanta coisa interessante e que me surpreende costuma sair, logo não fico nessa expectativa de que vai sair um anime sem igual que vai despertar meu interesse na mídia novamente – ainda mais quando se vende pela sua animação.

A história sobre uma jovem moça que não tem sentimentos e busca entendê-los escrevendo cartas, com o intuito de passar a emoção do seu remetente nelas, é algo que soa interessante. Exceto que a Violet é alguém que lutou numa guerra e demonstra ter uma relação afetiva com seu ex-comandante. Ela claramente já teve um arco dramático em que ela deveria ter entendido melhor sobre emoções.

O arco de Violet é sobre alguém muito dependente, que acha que precisa sempre seguir ordens, e não sabe agir por conta própria. Quando ela busca entender que sentimento está associado às palavras deixadas por seu comandante, o anime coloca isso como uma forma dela finalmente se libertar da sua velha personalidade – por mais que ela faça isso com o intuito de entender os sentimentos de outra pessoa. É um conto sobre independência de uma mulher de um homem, ao mesmo tempo em que ela faz tudo com a intenção de buscar seu afeto. A sua jornada é de entender o que ele sentia por ela, e não sobre ela entender mais sobre si própria e alcançar sua autonomia.

A personalidade dela, inclusive, é algo um tanto problemático. Ao invés de passar a ideia de ser alguém frio e que vive pelo seu dever de uma forma dramática, parece mais que isso é um charme dela, quase como se fosse algo inocente. Não consigo imaginar alguém que lutou numa guerra, perdeu companheiros e até seus braços tenha esse tipo de inocência. É algo presente em várias obras da Kyoani, que tenta vender o anime por esse tipo de appeal.

A animação é realmente muito bonita, mas não é algo que carrega o anime pra mim. E eu entendo a importância do visual na narrativa e como o anime usa isso. Mas não sinto que o que Violet está tentando fazer através da sua direção, emulando técnicas cinematográficas, seja algo tão interessante assim para a mídia. Por mais que possa parecer algo novo, ainda é uma experiência comum no cinema. Não é algo que consiga me interessar como animação.

Violet é um anime que constrói sua premissa de uma forma desleixada e tem a pouco a oferecer fora da sua parte técnica. É algo que simplesmente traz o pior lado da Kyoani.


Qualidade de produção absurda da Kyoani. Você ouvirá isso de todo mundo. E é justo porque realmente é absurdamente bonito, fluído, detalhado e charmoso na sua animação. Violet Evergarden parece um anime de cinema.

E agora é o momento que sou chato: não sei se a história me interessa tanto a princípio. Uma protagonista robótica que não entende amor não é muito original, mas o que vale é a execução, certo? Bom, é aí que fica difícil de julgar um episódio introdutório como o primeiro desse anime: ele não começa a contar as histórias individuais da série e mais foca em nos deixar maravilhados com sua beleza, enquanto monta o cenário para desenvolver sua protagonista.

A ideia de um amor entre alguém sem personalidade e um comandante não me soa tão boa se for para só reforçar o quão lindo é, e isso que me preocupa em relação ao anime. Subvertendo minhas expectativas ou até indo por aí (um amor sem explicação), mas possuindo boas histórias individuais, ficarei mais feliz de assistir esse excelente trabalho em animação da Kyoani.

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Estúdio: Brain’s Base
Direção: Shūsei Morishita
Roteiro: Kakihara Yuuko
Baseado num mangá por Oosawa Mina
Número de episódios: 12
Depois que seus pais são mortos em um acidente de avião, Ryuuichi e seu irmão mais novo, Kotarou, são adotados por um diretor, que eles nunca viram antes, de uma escola de elite. Ryuuichi então se torna a nova babá da creche escolar.

Tem algo bizarro sobre Gakuen Babysitters. Quando assisti sem ler muito sobre, imaginei se tratar de uma escola para formar babás, o que faria sentido até. Quem diria que o que encontro é na verdade um anime sobre clube escolar… clube de cuidar de bebês. Talvez seja o fato que essas crianças não parecem humanos de verdade, sendo do tamanho do calcanhar de um adulto, mas algo faz parecer que a história não leva a sério a responsabilidade de cuidar de uma criança. Em certa parte eu imaginei que podiam ter trocado essas crianças por cachorro e o resultado seria o mesmo.

A história é menos comédia em origem do que imaginei, porém. Ryuuichi e Kotarou são dois irmãos que perderam os pais recentemente num acidente. Como Ryuuichi cuida de Kotarou desde que nasceu por seus pais viajarem demais, é convidado a viver sobre os cuidados da diretora de uma academia e estabelecer um clube de cuidar de criança. A escola aparentemente tem professores loucos o suficientes para deixar os filhos nas mãos dos alunos. O episódio foca mais na relação entre os irmãos e o drama da morte dos pais de Ryuuichi, além de apresentar um twist no fim que foi tão previsível que não sei como não notei antes. O clima lembra muito mangás shoujo, e, após pesquisar um pouco sobre o mangá, parece que haverá alguns romance no meio junto. No geral, porém, o clima é mais de slice of life do que comédia. O maior defeito que consigo pensar agora é que uma das crianças é muito irritante. Provavelmente vai largar a escola e formar uma gangue de delinquente quando crescer.

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Estúdio: A-1 PicturesTrigger
Direção: Nishigori Atsushi
Roteiro: Hayashi Naotaka
Anime original
Número de episódios: Indefinido
Num futuro distante em que as terras foram desoladas, a humanidade vive em um forte ambulante chamado de Plantation. Crianças sem nome são criadas lá para, em casais, serem pilotos de robôs chamados de FranXX e lutarem contra formas de vidas misteriosas conhecidas como Kyouryuu. Code: 016, também conhecido como Hiro, era um piloto prodígio, mas que por alguma razão se torna incapaz de pilotar novamente. Um dia, ele encontra uma misteriosa garota com chifres que talvez mude sua vida.

Darling in the FranXX certamente nunca se vendeu como algo original. A premissa de um grupo de adolescentes que pilotam mechas para proteger a humanidade de algum tipo de forma de vida misteriosa é algo que ronda o gênero desde sempre, com o sucesso de Evangelion sendo o principal responsável. O que chamava atenção de fato era ser uma co-produção da Trigger e da A-1, com direção de Nishigori Atsushi, que trabalhou em grandes títulos como TTGL, Diebuster e até mesmo no primeiro filme Rebuild de EVA. Além disso, o storyboard das cenas de ação é feito por Hiroyuki Imaishi, co-fundador da Trigger e diretor de Kill la Kill. Por mais que em níveis de produção seja um anime da A-1, ele teria a marca de um anime da Gainax/Trigger.

E o que deu pra tirar disso? Um anime cheio de clichês, personagens sem personalidade e um fanservice tosco, mas que mesmo assim vai ser valorizado pela sua estética e animação.

Assim como a Sunrise tenta desde sempre fazer um sucessor de Code Geass, com abominações como Valvrave, mas parece não entender exatamente o que fez ele ser tão bom, os títulos que tentam usar da fórmula de EVA não entendem o que faziam os personagens e os seus dilemas serem interessantes – talvez porque nunca sejam tridimensionais. Todos os personagens de Darling parecem arquétipos típicos, com uma caracterização que você esperaria numa comédia romântica – que por mais que ele tente se desenvolver de forma dramática, há mais elementos que você esperaria de uma ali.

Toda a cena em que o protagonista encontra a Zero Two, a garota com chifres, é algo que chega a ser ofensivo de tão clichê, com o protagonista de alguma forma não notando que pegou a calcinha dela (quando claramente ele pegou intencionalmente), forçando uma química entre os dois que não se justifica de forma alguma. Como a Zero Two comentando que os dois são parecidos, por mais que não ocorra nenhuma construção dele nesse sentido para afirmar isso. Tudo parece extremamente conveniente para criar uma relação entre os dois e avançar o plot de uma vez. Afinal, já vimos esse começo tantas vezes que tanto faz, né? Pelo menos parece ser a intenção do roteirista.

Não há como negar, embora, a questão técnica do anime, que realmente traz todo o charme de uma produção da Trigger e da A-1, assim como de antigos trabalhos da Gainax. Embora certamente não sejam dois estúdios que sirvam de exemplo para consistência na animação – ainda mais numa produção de 2-cour.

Darling in the FranXX é um anime que parece não se importar com o quão forçado e clichê é seu roteiro e abraça tudo que já vimos a exaustão no gênero, mas piora com situações caricatas e personagens sem carisma. Afinal, o que esperar de um anime que faz piada com assédio sexual?

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Estúdio: Shin-Ei Animation
Direção: Hiroaki Akagi
Roteiro: Michiko Yokote
Baseado num mangá por Yamamoto Souichirou
Número de episódios: 12
“Se você corar, você perde.” Vivendo por esse princípio, Nishikata é alvo constante de brincadeiras por Takagi, sua colega de classe. Com seu orgulho destruído em pedaços, ele promete se vingar dela um dia. Será que ele será capaz de fazer Takagi corar de constrangimento alguma vez?

Primeiro, acho importante deixar algo claro: se você está procurando uma romance, procure assistir outra coisa. Não que Takagi-san não tenha um clima de romance. Ambos os personagens claramente gostam um do outro e o anime trabalha cena para demonstrar isso. Ele é, porém, aquele tipo de série que utiliza essa relação para piada, e que, no momento que ela se desenvolver mais, é quando a piada, e consequentemente o anime, acabam. Pense em Nozaki-kun como exemplo.

O formato da série é que vou chamar de “anime Tom & Jerry”. Ou seja, temos Takagi-san, uma menina esperta e bem humorada que é apaixonada por Nishikata e utiliza toda sua habilidade para provocá-lo, o que geralmente acaba com ele se dando mal. Essa estrutura provavelmente vai continuar pela série toda, com Takagi sempre tendo o melhor resultado de suas interações e Nishikata sempre se dando mal, porque, novamente, essa é a piada. Como todo anime com formato assim, porém, há uma grande possibilidade que vai ficar chato logo. O primeiro episódio é divertido, mas lembre-se que essa fórmula vai continuar por 12 episódios ainda.

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Estúdio: Studio Deen
Direção: Tagashira Shinobu
Roteiro: Kaoru Sawada
Baseado num mangá por Ito Junji
Número de episódios: Indefinido
Adaptação de vários contos do Junji Ito, autor renomado por seu estilo surreal de horror.

Primeiro quero deixar claro que não sou fã de Junji Ito. Tendo lido Uzumaki e Gyo, não curto como seu horror é mais visual do que temático. Sendo assim, eu discordo da opinião que outros lugares tem da adaptação do anime que ela não consegue captar o horror do original. Essas opiniões implicam que o problema é na adaptação e que é impossível fazer uma decente. Mas se uma história não funciona apesar de ser completamente fiel à original, talvez o problema não seja da adaptação.

Dito isso, a escolha para primeiro episódio não foi boa. Afinal, para um anime de terror, escolheram começar animando o que é claramente uma comédia. Humor negro, mas ainda comédia. Porém, há um claro esforço para transpor o clima de horror original para o anime, assim como uma fidelidade na adaptação. Assim, quando uma história de horror de verdade for adaptada, talvez o resultado seja satisfatório. No momento, eu ainda recomendo o anime para fãs de Junji Ito, visto que há uma preocupação em se manter fiel às suas obras. Portanto, para quem gosta do original, deve tirar algo mais do anime.

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Estúdio: Madhouse
Direção: Ishizuka Atsuko
Roteiro: Hanada Jukki
Anime original
Número de episódios: Indefinido
Mari Tamaki está em seu segundo ano de ensino médio e sente que precisa começar algo novo. É então que ela conhece Shirase, uma menina com poucos amigos, considerada estranha pelo resto da sala, e apelidada de “Antártica”, pois é só o que ela sabe falar sobre. Diferente dos seus colegas, Mari se comove pela dedicação de Shirase e decide que, mesmo embora seja improvável que duas colegiais cheguem à Antártica, ela vai tentar fazer com que as duas consigam ir um dia.

Animes originais são algo especial. Geralmente são apostas do estúdio para conseguir um sucesso próprio, em contra-partida com algo em que o sucesso será dividido com as donas originais do título. Porém, ao mesmo tempo, é uma aposta também para o público, visto que não temos a garantia de qualidade que o título original nos proporcionam. Tudo depende de quem está fazendo o anime, e muitas vezes mesmo nomes competentes não são garantias. Outras vezes o estúdio parece fazer as piores escolhas nesse sentido, como visto em um certo anime da temporada passada. Madhouse é conhecida por conseguir fazer adaptações de qualidades, mas seus originais são geralmente os títulos menos lembrados. Dessa vez apostou em um gênero pelo qual o estúdio talvez não seja mais conhecido, apesar de não ser novato: slice of life com colegiais.

Já é esperado que em se tratando de um anime da Madhouse, a parte técnica não deixa a desejar, e a animação é realmente muito bonita. Mas foi no roteiro que mais me surpreendi. Já esperava algo decente, mas ele é consegue quebrar as expectativas por colocar questões emocionais não superficiais na história. O escritor Juuki Hanada já tem experiência em escrever histórias focadas em sonhos de garotas, visto o que provavelmente é seu maior roteiro de sucesso: todas as temporadas de Love Live. Mas em uma obra na qual provavelmente possui mais liberdade, é fácil notar o quão mais longe consegue ir. O anime é dirigido por Atsuko Ishizuka, uma das poucas diretoras femininas na mídia, que sempre demonstrou um grande talento em suas obras, apesar da maioria não serem no estilo que eu curta (Hanayamata é muito bom, porém). Ainda é difícil saber a onde a história irá, mas quando o começo tem uma animação bonita e roteiro decente, é fácil ter esperanças de um ótimo anime.


O sentimento de querer sair da rotina, de um dia abandonar tudo e partir para uma jornada é comum, especialmente numa rotina desgastante e repetitiva. E se um dia colocássemos esses planos imaginários em prática? Isso é basicamente Yorimoi.

Mari Tamaki é uma adolescente que se vê presa nesse ciclo e sonha um dia quebrar isso e sair numa aventura, mas não possui coragem o suficiente… Isso é, até ouvir os sonhos absurdos de Shirase, uma garota de sua escola que insiste em dizer que vai à Antártida.

O anime lembra bastante Hibike! Euphonium aí (até o escritor é o mesmo: Jukki Hanada): Shirase inspira Mari de uma forma similar com que a ambição obstinada de Reina inspira Kumiko em Eupho. Ouvir alguém querendo ir além a leva a querer ir também.

Yorimoi vai construindo uma escada. Vemos as personagens dando passos em direção à meta impossível de viajar para o continente gelado, tudo de uma forma crível, mas comicamente divertida e carinhosa. A direção de Ishizuka Atsuko brilha, nos dando outra obra empolgante, colorida (ah, as cores são tão bonitas!) e que cria uma história fácil de se identificar e torcer pelas personagens. Yorimoi é único e promete usar um cast feminino para uma história não sobre o cotidiano, mas de como o quebrar.

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Estúdio: Studio GokumiAXsiZ
Direção: Setou Kenji
Roteiro: Takahashi TatsuyaUrahata Tatsuhiko  Baseado num mangá por Narumi Naru
Número de episódios: 12
Koizumi é uma colegial misteriosa e atraente. Mas o que a maioria das pessoas não sabe sobre ela é que ela é um mestre de ramen que está sempre à procura de excelentes restaurantes. Todos os dias ela procura por lugares que servem os melhores pratos de ramen.

Anime sobre comida, algo que nunca consigo entender completamente o apelo. Sempre me parece forçado personagens agindo como se comida fosse a melhor coisa na vida deles. Mas quando é só um personagem, pode parecer mais entendível. O anime nos apresenta duas personagens principais no primeiro episódio, Koizumi e Yuu. Koizumi ama ramen e Yuu ama Koizumi, que é obcecada com ela porque ama garotas fofas. Koizumi é uma mestre de ramen enquanto Yuu tem a mesma opinião minha de que é só massa com um monte de caldo e carne.

Sendo anime sobre uma comida única, imagino que logo acabará o tema para trabalhar, e aí é onde o anime terá que ser original ou ficará extremamente medíocre rápido. O primeiro episódio foi divertido, mas nada inesquecível. Embora minha opinião do tema possa não ser a melhor, então se é um tema que lhe interesse, leia a provável outra opinião de outros membros do blog que são mais fãs desse estilo.


Um dos vários anime sobre comida que estão sendo feitos recentemente. Koizumi-san é uma comédia sobre uma garota séria que só realmente demonstra grandes emoções quando se delicia comendo ramen. Koizumi, a protagonista, ama o prato e a forma com que deixa isso aparente cria reações engraçadas das outras personagens secundárias.

É difícil de falar muito sobre um anime que é tão sincero em nos dizer o que é, mas ao menos posso dizer que achei funcional. Dei risada e senti fome.

Vale dizer também que é razoavelmente bonito, com um traço limpo, diferente de Toji no Miko ー outro anime do estúdio Gokumi na temporada (mas talvez isso seja resultado da parceria deles com a AXsiZ em Koizumi-san).

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82119l
Estúdio: C-Station
Direção: Aizawa Masahiro
Roteiro: Takahashi NatsukoIkeda RintarouOokusa Yoshiki
Baseado num mangá por Fujisaki Ryuu
Número de episódios: 23
Quando seu clã é exterminado por um demônio, o jovem Taikobo é encarregado do misterioso Projeto Houshin. Sua missão: encontrar todos os imortais que vivem no mundo humano e selá-los para sempre.

Nova adaptação de um mangá clássico da Shounen Jump, Houshin Engi é mais um dos anime surfando a onda de nostalgia recente que anda gerando tantas adaptações de obras mais antigas.

Houshin Engi, do ponto de vista de alguém que nunca leu o mangá ou viu o anime antigo, é interessante. Ele realmente tem uma vibe meio oldschool e um mundo único, com o cenário chinês sendo maravilhoso. Seu maior problema? É uma adaptação absurdamente corrida.

Logo de cara conhecemos o heroico Taikobou e o vemos recebendo a missão de salvar seu reino selando os demônios que infestam o mundo dos homens. Até aí, tudo bem. Mas só num episódio vamos disso para Taikobou conhecendo um rival, desafiando Dakki (a vilã), sofrendo uma grande derrota, tendo que ver um massacre por sua causa, ficando quebrado por dentro, se recuperando, partido para uma jornada. E eu resumi muito do que acontece!

Esse anime parece obstinado em ir para as partes “mais interessantes” do mangá ou, até quem sabe, adaptar seus VINTE E TRÊS VOLUMES em VINTE E TRÊS EPISÓDIOS!

Eu preciso de tempo para digerir as coisas. Quero mergulhar no mundo de Houshin Engi. Essa bela China mística é muito atraente e cheia de potencial para os personagens tão não humanos que a história apresentou logo de cara, mas eu preciso degustar isso. Como posso me sentir mal por Taikobou se nem o conheci direito ainda? São corridas que não me deixam apreciar as boas idéias que o anime parece ter.

Uma pena que tenha começado assim, mas fico na torcida por uma possível desacelerada. O importante é contar uma história que seja interessante, não contar uma história imensa.

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82119l
Estúdio: Wit Studio
Direção: Watanabe Ayumu
Roteiro: Deko Akao
Baseado num mangá por Mayuzuki Jun
Número de episódios: Indefinido
Akira Tachibana é uma colegial que costumava fazer parte do clube de pista e campo, mas, devido a uma lesão, não é mais capaz de correr tão rápido quanto antes. Tendo que trabalhar meio-período em um restaurante para ter seu sustento, ela se vê inexplicavelmente apaixonada por seu gerente, um homem divorciado de 45 anos e com um filho. Apesar da diferença de idade, Akira abraça de todo o coração seus maneirismos e sua natureza gentil, algo não bem vistos pelos seus colegas de trablho, e pouco a pouco os dois começam a se entender. Embora incapaz de explicar por que exatamente ela se sente atraída por ele, Akira acredita que uma razão não é necessária para realmente amar alguém. Em um dia chuvoso, ela decide finalmente contar ao gerente sobre como ela se sente… mas como ele reagirá?

Com uma animação charmosa e acolhedora, Koi wa Ameagari é um anime que deixa seu visual falar mais que os personagens e constrói as relação entre eles de uma forma bem sutil. O problema, embora, é que o que está sendo construído é a relação de uma colegial com um homem de quase 50 anos.

É difícil imaginar a intenção dele, que parece usar dessa premissa mais para desenvolver uma dinâmica entre os dois, sem realmente estabelecer algo romântico mútuo. Talvez a ideia seja realmente mostrar que o sentimento dela é algo puro e como ela lida com o fato daquilo não ser algo correspondido, mas não dá pra saber. É sempre um risco e eu não quero tomar.

Não sei bem o rumo que a história deve tomar, mas não sei se é algo que tenho interesse em acompanhar para saber. Se a relação dos dois não for um problema para você, eu diria que vale muito a pena acompanhar. É um anime com muitos momentos silenciosos de contemplação, tal como ouvir o barulho da chuva e aprecia-lo, além de um traço que remete ao estilo dos anos 80, que deixa tudo mais charmoso.

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82119l
Estúdio: Madhouse
Direção: Asaka Morio
Roteiro: Ohkawa Nanase
Baseado num mangá por CLAMP
Número de episódios: 22
Continuação do clássico anime. Depois de misteriosamente perder a magia das suas cartas, Sakura agora precisa descobrir quem é o responsável enquanto embarca em uma nova aventura e captura novas cartas!

Opinião impopular: e se animes que acabaram há mais de 20 anos não voltassem nessa onda de revival, tentando emular exatamente o que era a série antiga e lucrar em cima de nostalgia e o apelo emocional que isso envolve?

Eu imagino que a maioria discorde disso. E eu entendo. É mais fácil gostar de algo que criamos um vínculo emocional na nossa infância do que algo totalmente novo. Mas eu acho que é importante superar isso, principalmente para ter uma maior aceitação de outras coisas. É importante colocar um ponto final nas coisas e devemos valorizar mais o fechamento de uma narrativa.

Não sou exatamente contra a ideia de revival, embora, dependendo mais da forma como isso é feito. Uma releitura moderna, por exemplo, é algo interessante. Mas nesse caso é totalmente desnecessário. Por mais que eu ainda goste de Sakura, essa continuação não tem nenhum significado pra mim. Ela não traz nada de novo, repetindo a mesma fórmula da série clássica. Assim como Digimon Tri, a intenção dessa sequência é simplesmente te lembrar de cenas clássicas. É claro que o objetivo aqui é justamente te remeter à infância, não te deixando escolha senão gostar.

Não é algo que me sinto confortável assistindo, então não devo continuar. E novamente, entendo quem prefere esse tipo de obra, mas recomendo sempre manter a mente aberta à novas possibilidades. Principalmente quando você quer opinar sobre o mercado de animes.

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Junk Box

Blog sobre cultura pop que às vezes rola uns posts.

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