2017 IN A BOX: MELHORES (E PIORES) ANIMES DO ANO

Mais um ano em que olhamos para trás e percebemos que assistimos animes demais, e que talvez estejamos cada vez mais imersos na mídia pela nossa paixão por essa belíssima arte oriental. Ou simplesmente porque não temos escolha, já que parece que filmes e séries ocidentais estão ficando cada vez mais saturados. O que, sim, entendo que sempre dá pra achar coisas interessantes sabendo onde procurar, mas é o mesmo argumento que usaria para os que falam mal da indústria de animes atual. E mesmo assim sinto que há mais liberdade artística em animes.

2017 foi um ótimo ano, certo? Pelo menos em termos de surpresa. Quem diria que algo como Kemono Friends seria o mega sucesso que foi? Numa mídia em que apresentação é tudo, um anime feito por dez pessoas baseado em um jogo de celular que havia fechado seu serviço, com uma animação de baixíssimo orçamento, conseguiu conquistar o mundo. A velha história de como se permite inovar quando se veem obrigados para tirar o melhor da situação – ou talvez a paixão dos criadores fale mais alto quando não há uma grande ambição por trás. É uma pena que os responsáveis tenham sido afastados e provavelmente não devem se envolver mais com a franquia, mas quem sabe não venham outros projetos por aí. Da mesma forma, a China continua sua empreitada na indústria com investimento em projetos modestos. E esse ano foi a vez da Cruncyroll fazer o mesmo. O mercado está crescendo e aceitando aos poucos investidores de fora, o que talvez traga cada vez mais variedade. E quem diria que esse ano aprenderiam a usar CG de forma decente? De qualquer forma, fiquem agora com a nossa retrospectiva com o que teve de bom e ruim, em categorias bem disputadas!

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Quando eu acho que assisti menos animes do que o ano passado, esse post me faz perceber como estava errado. Pelo visto a mídia ainda continua sugando minha vida e me fazendo miserável… Nah. Ainda sinto que é onde acho obras com as quais mais me identifico e que está sempre me surpreendendo em novos estilos, formas e abordagens. Em contrapartida, Hollywood só me traz desgosto e decepção. Então eu acho que esse post vai ter sempre conteúdo. E continuando a tradição…

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MELHOR ANIME SOBRE DANÇA DE SALÃO
Ballroom e Youkoso

Ballroom foi um anime que gerou um tanto de controvérsia, seja pela sua anatomia única, pela execução das cenas de dança, ou, acima de tudo, pelo tratamento das personagens femininas e a maneira como ele distorceu alguns conceitos das competições de dança para reforçar a importância do papel do homem. Eu entendo bem todos esses pontos levantados, mas tirando o último, eles não conseguiram me tirar do anime de forma alguma, com os infames pescoços sendo uma escolha artística que se encaixa bem no contexto do anime. E a forma como as danças são demonstradas do anime, embora de forma curta e com menos movimentação do que se espera, utilizando muito de recursos  mais baratos como still frames, são extremamente expressivas e impactantes nos momentos-chave para relevar essa falta de consistência. Talvez por isso tenha sido um dos animes do ano que mais me apeguei emocionalmente: as danças evocavam e transmitiam os sentimentos conflitantes e a paixão dos personagens. A dinâmica entre os parceiros foi uma boa forma de demonstrar isso, com a comunicação na dança se dando pela forma como um conseguia transmitir os sentimentos para o outro. O anime talvez não tenha trabalhado tão bem a dança de salão como um esporte, mas soube elevá-la como uma expressão artística. E esse é o maior mérito dele.

Como disse, eu entendo e concordo em parte com quem encara a maneira que o anime tratou essa relação dos parceiros como uma representação conservadora (e machista) de como deve ser uma relação entre um homem e uma mulher, mas sinto que ainda há uma certa subjetividade para eu conseguir relevar certas questões e tirar minhas próprias conclusões. E recomendo que façam o mesmo.

Ballroom é um anime sobre dança, mas não da forma como as pessoas esperam.

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MELHOR SLICE OF LIFE SOBRE
UM GOLPE DE ESTADO
ACCA

ACCA é um anime curioso. Ele começa preparando terreno para uma conspiração política, com personagens misteriosos agindo nas sombras e uma tensão em cima do fato de que haverá um novo governante em breve, mas que, ao mesmo tempo, era extremamente casual na forma como desenvolvia isso. Não havia, de fato, um peso dramático naquilo, e o anime foca mais em explorar a cultura e as tradições de cada estado que o protagonista visita na sua função de inspetor. É mais como se tudo fosse um pretexto para ter essa estrutura em que conhecemos aquele país e o quão culturalmente rico ele é. E o que torna ACCA tão fascinante é a forma como isso é apresentado: com uma direção de arte fantástica em que a ambientação de cada estado era belamente detalhada e conseguia construir uma identidade visual única da cultura deles.

Com personagens carismáticos, uma ótima direção de arte e um clima descontraído, ACCA foi um passeio charmoso de acompanhar.

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MELHOR ANIME ISEKAI DO ANO
Isekai Shokudou

Isekai, um subgênero de histórias de fantasia em que um personagem é teleportado para outro mundo, talvez seja algo que sempre esteve presente em várias mídias, mas é evidente que houve um boom nos últimos anos entre os animes, com grandes sucessos como Re:Zero, KonoSuba e No Game no Life sendo expoentes. São histórias que se vendem muito na forma como elas criam uma sensação de bem estar e realização, em mundos que parecem ter sido feitos para o protagonista demonstrar seu valor.

Na maioria dos casos, isso se desenvolve de forma barata, numa tentativa apenas de fazer o leitor se projetar no protagonista. Isekai Shokudou, por outro lado, usa o conceito de uma forma mais casual e se desenvolve como um slice of life em que raças de um mundo fantástico se conectam com um restaurante no nosso mundo e se deliciam com pratos típicos daqui. É um anime charmoso que, tal como um isekai, se preocupou apenas em proporcionar conforto e uma sensação de bem estar, com uma animação simples, mas que destacava o que era mais importante para uma melhor apresentação da sua premissa.

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SEQUÊNCIAS QUE FORAM
MELHORES QUE SEUS ANTECESSORES
Boku no Hero Academia 2, KonoSuba 2 e Shingeki no Kyojin 2

Talvez BokuHero seja o caso mais evidente para muitos, já que parece ter sido onde o anime comprou de vez o grande público. Foi realmente uma temporada bem divertida, que sofreu com o pacing no começo, mas que logo se encontrou e entregou um arco bem divertido que foi o do torneio. No caso de KonoSuba, diria até que foi onde consegui achar graça no anime, com boa parte das piadas da primeira sendo previsíveis e chatas pra mim. A segunda tem uma dinâmica mais única, com a ideia dos personagens vivendo juntos criando uma relação mais genuína, e que agora me divertiu mais na forma como eles tiravam sarro um do outro. E Shingeki, bom, sinto que foi uma temporada bem mais sólida, tanto em questão de produção como em desenvolvimento do enredo, e a dinâmica de focar nos outros personagens foi bem interessante. O anime também soube como executar bem as grandes reviravoltas dessa temporada, que era uma preocupação minha, e me fez ter mais confiança nele, ao ponto de esperar a terceira ao invés de pular para o mangá por hora.

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JOIA ESCONDIDA DO ANO (pun intended)
Houseki no Kuni

Não quero me estender muito sobre Houseki, porque é o que não vai faltar nesse post, mas queria ressaltar o quão único ele é na sua apresentação e execução. É um anime que usa a animação 3D e 2D como ferramentas que se complementam na forma como a história é contada – seja na sua direção de arte, na movimentação das personagens ou na forma como transmite as suas emoções. Com uma direção fantástica, o anime demonstrou que o 3D pode ser uma ótima ferramenta quando bem aproveitado e intencionado.

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PIOR ANIME SOBRE FLASHBACKS
Juuni Taisen

Juuni Taisen talvez tenha sido a maior decepção do ano para fãs do NisioIsin, autor conhecido pela série Monogatari e seu estilo excêntrico de diálogos, com um tom bem humorado, provocativo e questionador. Toda a sua sagacidade, embora, passou longe aqui, e o anime parece ter sido exatamente o que aqueles que criticam o autor afirmam: filosofia barata, reflexões vazias e extremamente previsível – ao ponto de deixar óbvio a ordem das mortes. Talvez o último ponto não fosse um problema, visto que o autor costuma usar isso de forma interessante (vide Katanagatari), mas em Juuni isso não tem um propósito; de fato, vai contra o que se espera de um battle royale e o fator de nunca saber quem vai sobreviver ou não. Temos episódios centrados em personagens, vendo seu passado e o plano que desenvolveram para ganhar o jogo, mas logo de cara o anime estabelece a regra de que todo personagem com foco vai morrer no final, deixando toda a construção do episódio sem propósito algum. Os flashbacks, inclusive, são totalmente descartáveis, pois não servem de forma alguma para simpatizar com os personagens e só criam uma dissonância com o que vemos (e o que importa) daquele mundo. Inclusive a novel original só foca na ambientação do jogo e coloca o passado dos personagens nas suas fichas de descrição à parte, deixando tudo bem vago propositalmente. Para algo que se esforça em criar uma premissa absurda, com personagens com habilidades especiais e designs excêntricos, esse lembrete através dos flashbacks de que aquilo ainda é o mundo real e que aqueles personagens vivem vidas normais só cria a sensação de que um dos dois lados era totalmente descartável, com um meio-termo que não deixa nada daquilo interessante ou palpável.

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MELHOR ANIME NETFLIX “ORIGINAL”
Little Witch Academia

Digo “original” como sinônimo de “paguei os direitos de distribuição exclusivos da minha plataforma, mas vou lançar num selo que pessoas leigas vão entender que somos os principais responsáveis pela produção”. Sim, aquele anime que nos forçamos a ver seis meses depois da estreia, perdendo as discussões e o entrosamento com a comunidade. Não que isso de fato tire o valor do anime, mas é óbvio como isso é uma questão importante para muitos e o porquê de muitas plataformas de streaming valorizarem o simulcast. De qualquer forma, é curioso como esse selo “Netflix Original” acaba valorizando a obra, por mais que não queira dizer nada em questão de qualidade do conteúdo.

A série de Little Witch Academia foi divertida. Não tanto quanto eu esperava, embora, mas não me senti exatamente decepcionado. As personagens eram divertidas o suficiente pra me sentir satisfeito de ter acompanhado o anime nos seus altos e baixos, e felizmente teve um arco final muito bom com uma conclusão satisfatória. É um anime charmoso que vou lembrar com carinho.

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MELHOR ANIME QUE AINDA NÃO SEI COMO LIDAR COM O ÚLTIMO EPISÓDIO
Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu: Sukeroku Futatabi-hen

Rakugo Shinjuu é, sem dúvidas, um anime fantástico, e consigo perfeitamente encarar o final da primeira temporada como a conclusão definitiva do arco do Yakumo. Mas ainda aprecio muito a forma como a segunda desenvolveu os outros personagens e todo o dilema sobre preservar o rakugo como uma arte centenária, ou criar novas histórias para ser melhor aceito pela nova geração – e assim possa sobreviver. O “shinju” (suicídio duplo) tem um sentido na primeira temporada, mas aqui se refere à relação do Yakumo com o rakugo. É algo que é realmente fascinante e muito bem construído, tal como o arco do Youtarou e da Konatsu. Porém, o último episódio levanta um questionamento que destrói, na minha visão, boa parte do que foi trabalhado nessa temporada. É comum o final não atender as nossas expectativas e nos fazer desapegar um pouco da obra, assim como, em contrapartida, pode enaltecê-la, mas Rakugo Shinjuu é um caso sério em que o final parece não entender sobre o que se tratava a obra. Posso até comparar à algo que ocorreu com outro anime/mangá famoso, mas talvez seja spoiler demais.

De qualquer forma, é só um questionamento levantado por um dos personagens, que propositalmente não é respondido. Num anime sobre contadores de história, sobre a importância do ponto de vista na interpretação de uma, talvez seja algo que não tenha peso real, com o único intuito de plantar uma semente de dúvida na cabeça dos telespectadores. Mesmo assim, não deixa de ser algo ofensivo para quem acompanhou toda essa saga e ainda não sei bem como lidar.

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PIOR REMAKE, MAS QUE AINDA FOI OK
Kino no Tabi: The Beautiful World

Kino no Tabi é um anime aclamado por muitos e uma nova temporada sempre gerou muita expectativa. Quatorze anos depois tiveram suas preces atendidas, mas talvez não tenha sido bem o que esperavam.

A nova versão teve seus arcos escolhidos por meio de uma votação popular, então alguns já animados na versão antiga acabaram ganhando um novo tratamento aqui – e nos quais os problemas dessa adaptação são mais evidentes. Episódios como o do coliseu foram totalmente destruídos nessa versão, descaracterizando a personagem e não desenvolvendo bem a ideia por trás do conto. Mas talvez o maior problema seja a escolha aleatória dos arcos. Por mais que os arcos sejam stand-alone, ainda há uma certa construção narrativa entre eles na forma como descobrimos coisas novas sobre Kino e que lado da humanidade cada país representa. Os contos são trágicos, mas também são excêntricos e divertidos. Isso se perde quando não há uma seleção específica de quais arcos animar, e não se estabeleça uma diversidade de ideias que se complementam narrativamente.

Esta nova versão de Kino serviu para mostrar que uma adaptação não se sustenta só com o material original, e que uma direção competente é necessária para manter consistência e tirar o melhor da obra. Entretanto, ainda teve episódios inéditos bem decentes e não consigo descartar totalmente essa versão. Ainda vale a pena para aqueles que queriam ver Kino e o Hermes de volta.

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ANIME DO ANO PASSADO 
Sangatsu no Lion

É difícil dizer ao certo se é justo colocar Sangatsu aqui, já que estou considerando mais a primeira temporada que começou ano passado e terminou no começo desse. Mas eu queria premiar ele de alguma forma esse ano, então vou acreditar que sim.

Sangatsu é um anime sobre depressão e a forma como o protagonista, Rei, lida com isso. Ele precisa ter um objetivo, algo que tire os seus pensamentos de toda a dor e vazio que sente, e encontra isso no shogi. E isso de forma alguma é uma paixão dele, mas sim o refúgio dos seus pensamentos instáveis e perturbadores. A relação que ele estabelece com os outros personagens, seja através das competições ou pessoas ao seu redor que se importam com ele, é o que de fato dá o significado que ele busca na vida, ao mesmo tempo em que consegue trabalhar seus traumas. O anime trabalha de forma magnífica os sentimentos dos personagens através de vários estilos de animação, com uma direção de arte fantástica, que acentua cada cena emocional. As caminhadas na noite estrelada de Rei e o minimalismo e a escuridão do seu apartamento, que contrasta com a aquarela viva da casa apertada das irmãs; toda a caracterização do ambiente serve para contar algo sobre os personagens.

Provavelmente já se falou demais sobre o anime, inclusive os pontos que destaquei, mas só queria reforçar o trabalho fantástico que é a direção de Sangatsu, que continua tão poderosa quanto na segunda temporada.

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Desenhos que parecem bonitos, mas que só se recomendaria para o Rei Charioce
Kujira no Kora wa Sajou ni Utau, Shingeki no Bahamut: Virgin Soul e Kuzu no Honkai

Apesar do Rei Charioce de Bahamut ter seu nome no título, Kuzu no Honkai leva o prêmio. Kujisuna tem um roteiro medíocre em meio a uma ambientação bastante viva e ideias interessantes; Bahasoul parece um animê belíssimo onde decidiram que um romance fascista era a melhor forma de desenvolver toda a narrativa; mas Kuzu no Honkai, por outro lado, consegue ofender várias pessoas ao mesmo tempo e frustrar todos que assistem mesmo tendo uma direção que engaja e visuais que complementam muito bem toda cena. É uma pena que essa seja a única adaptação do estúdio Lerche que destacarei, pois ele sempre se esforça para entregar algo que dá gosto de ver, com seu melhor trabalho este ano sendo Konohana Kitan —  muito bom, por sinal.

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Desenho ruim que só fui
dropar no último episódio
 The Reflection

Só queria declarar isso mesmo, já que não é a primeira vez que insisto até (quase) o fim em algo que, no fundo, sei que não presta. The Reflection não usa clichês de forma convencional, tampouco de forma inovadora. Ao tentar construir algo em torno de tropes saturadas de comics ocidentais, acaba sendo tudo o que de mais sem graça e irritante existe em quadrinhos estadunidenses. Em todo episódio, me perguntava: “O que será que essa obra vai ter de diferente do resto?”, e no último a pergunta mudou para: “O que é que ainda estou fazendo aqui?”.

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Surpresinha do Ano
 Kemono Friends

Kemono Friends é… Divertido. É como se tivessem pego o conceito do jogo no qual é baseado e dissecassem tudo o que o teria feito funcionar da forma mais agradável possível. Existe muita lógica nesse animê quando se trata do roteiro. Ele funciona a partir de etapas de um jogo em relação à sua temática episódica, e entende o que precisa para fazer disso um bom entretenimento. Todas as peças estão ali por algum motivo e nada parece desperdiçado. Pelo contrário: com uma produção de baixos recursos, trouxeram o máximo potencial de cada elemento da obra.

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Melhor desenho com psicopatas
lésbicas viciadas
Kakegurui

Embora o título já diga tudo, Kakegurui é, resumidamente, um ótimo animê psicológico. O último episódio é completamente descartável, além de existirem várias cenas de mau gosto no decorrer da obra. Mas o produto como um todo consegue trazer toda uma tensão e uma aflição sem apelos gráficos grotescos. Está tudo na sugestão. Kakegurui incita o medo, o horror, o desespero e a destruição a partir de uma premissa que, na verdade, está lá para cumprir somente esse papel de premissa. O combo de jogos de azar com ambiente colegial é estético e não diz muito sobre o que esperar dos eventos. O suspense está em tentar adivinhar como o próximo espetáculo se dará — e como as envolvidas vão se encaixar nele.

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Finale do ano
Made in Abyss

Made in Abyss é um animê muito consistente. Todo episódio é recheado de aventuras e de contos que estimulam nossa curiosidade. A Riko só incrementa nosso interesse por esse mundo, que é compartilhado pelo protagonismo de Reg, ignorante à sociedade do animê e a tudo relacionado ao abismo. Juntamos isso aos visuais estonteantes, à trilha sonora memorável e à competente direção e temos um “build-up” de sentimentos para o final da série. Tal final pega todas as expectativas do quanto Made in Abyss poderia rasgar esses nossos sentimentos em pedaços e desce em um nível ainda mais profundo desse abismo.

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Slice of life maluco do ano
Shoujo Shuumatsu Ryokou

Volta e meia aparecem uns slice of life que implementam em si elementos mais recorrentes em outros gêneros e proporcionam um experiência única. Este ano mesmo tivemos outro ótimo exemplo com Alice to Zouroku. Shoujo Shuumatsu será o destaque da vez com sua variação extremamente sutil de tom dentro de cada ato. Procurar mantimentos em um mundo pós-apocalíptico, por exemplo, soa tanto como uma realidade dura quanto como uma tarefa simples do dia a dia da forma como é retratado no animê. As perguntas que pairam nessas situações trazem uma ambiguidade de sentimentos que se conectam puramente com o mundo à nossa volta, representados por nossas duas heroínas até à mensagem final da série.

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Melhor do Ano
Houseki no Kuni

A estética de Houseki no Kuni trabalha intimamente com seus temas. Como se sua história, personagens e criação de mundo já não fossem profundos o suficiente, a dublagem, cenários, arte, cores, animação, direção, música e todos os elementos técnicos e artísticos da obra original juntamente aos da adaptação elevam mais ainda todo esse esplendor. Cada episódio é uma obra à parte a se analisar. As características humanas de personagens em Houseki no Kuni sempre nos indicam os assuntos reais da obra e como se conectam conosco, como piadas recorrentes no nosso dia a dia que não necessariamente fazem sentido no contexto da história, mas é justamente por isso que entendemos por que ela é tão crível. É uma das séries que falam da forma mais crua possível sobre o que nós, humanos, sabemos acerca do e como vemos o mundo — o que, é claro, inclui falar de nós mesmes.

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Slice of Life Gay do Ano
New Game S2

Foi um ano bom para esta categoria com animês como Konohana Kitan, Gabriel Dropout, Urara Meirochou e até Hina Logi. Contudo, nada supera New Game, especialmente com todo o desenvolvimento nessa segunda temporada. A composição das cenas mais emocionais, a introdução de novas personagens mostrando o quão bem escritas cada uma delas pode ser, a mudança das personagens antigas (embora algumas tenham ficado um pouco de lado em detrimento das novas), o relacionamento da Kou e da Rin, o crescimento pessoal da Aoba e o aprofundamento de sua relação com sua senpai… Tudo nesse animê é delicadamente medido com um brilho excepcional.

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Meu favorito é problemático demais
 Kobayashi-san chi no Maidragon

Nada me fez tão feliz este ano quanto ver Kobayashi e Tohru juntas construindo uma família, dando todo tipo de apoio uma à outra e vivendo felizes depois de terem tido vidas solitárias e difíceis. É um animê que lida mais com o lado descontraído e besta da vida pós-traumas, depois de se passar por perrengues ao tentar se adaptar a uma sociedade que não se adapta a você. Essas histórias ruins do passado continuam sendo parte de nós mesmo anos depois, o que não quer dizer que não possamos seguir em frente. Infelizmente, uma das piadas recorrentes desse animê e que definem duas personagens é extremamente sexista e pedófila ao mesmo tempo. O mangá que baseia a história possui outros problemas tão repugnantes quanto. Por isso, fica o aviso. Maidragon é um animê falho em vários sentidos por diversos motivos, dentro e fora da obra, mas que consegue em todo episódio nos tocar e fazer rir em meio a essa bagunça.

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Steampunk com espiãs e princesas gay que merecia mais uns episódios
Princess Principal

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Novamente com um melhores… piores… retrospectiva…? Bom, não importa. É o momento de olhar para os títulos do ano e relembrar os momentos mais marcantes, pelo lado positivo ou negativo. Talvez seja uma premiação sem sentido, mas ei, pelo menos não temos comercial do McDonalds durante os intervalos.

Ah sim, estou pulando o “melhor anime” dessa vez, porque… simplesmente não gosto dessa categoria. Me parece meio sem sentido e previsível. Mas se quiser saber, provavelmente Houseki no Kuni ganharia. Anti-climático, né? Essa categoria é assim.

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Melhor Romance com Hitler
Shingeki no Bahamut: Virgin Soul

Já falei demais sobre esse durante o ano, mas nada mais justo do que uma última despedida. Alguém achou uma boa ideia trazer uma escritora de dramas japoneses para um anime de ação, visto que a protagonista é feminina dessa vez, e ela decidiu que fazer um romance tão problemático quanto os de dramas japoneses foi a melhor solução.

Dito isso, a ideia de chamar uma roteirista feminina não é ruim. Porém, anime já tem várias roteiristas competentes que provavelmente fariam um ótimo trabalho, então por que recorrer à uma roteirista de drama? A ideia de que por ter uma protagonista feminina, uma história de aventura vai virar romance é muito errada, e provavelmente é o que se passou na cabeça dos produtores. A roteirista inclusive admitiu não ter entendido a história após assistir a primeira temporada pela primeira vez, o que é justo, simplesmente não é a área dela.

Curiosamente, Charioce vai ser adicionado como bônus do BD do anime no jogo Granblue Fantasy. As reações são curiosas. Com gente até falando que se ele for adicionado no jogo normal e tirarem ele, vão deletar a conta toda. Personagem tão amado assim.

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Melhor Propaganda
Granblue Fantasy

Granblue Fantasy não foi uma boa adaptação. Algo que eu não podia ter certeza quando vi os primeiros episódios, já que nunca havia jogado o jogo. Porém, apesar do roteiro fraco, o setting do anime foi suficiente para me fazer ter interesse na franquia em geral, o que me fez baixar o jogo de celular. Visto que o jogo cresceu tanto nesse ano, algo que o próprio produtor admite que deve ter sido efeito do anime, mas que entre os jogadores o anime é uma piada de tão mal feito, sinto que ele existe como uma promoção enorme do original do que uma obra em si.

Claro, mesmo quem nunca jogou o jogo pode gostar da animação apesar de seus clichês só pelo fato de lembrar um RPG clássico, mas não é uma obra que fez jus ao seu original. E sem a existência desse, provavelmente cairia no desconhecido. Mas como se trata de um dos maiores mobile games do Japão, uma nova temporada já está garantida. Esperamos que seja melhor produzido dessa vez. Talvez começando por um novo estúdio…

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Melhores Dois Episódios Finais
Re:Creators

Uma das opiniões que defendo é que maior quantidade nem sempre é uma boa ideia, e Re:Creators é talvez o melhor exemplo disso. Como um anime que subestimou totalmente a inteligência do seu público, enchendo de exposição onde não precisa, é entendível que a maioria perdeu a paciência para acompanhá-lo até o fim. O que talvez seja uma pena, pois os dois últimos episódios são verdadeiramente bons. Esse anime podia consistir de seu começo e fim, sendo o meio uma infeliz necessidade.

Com desenvolvimentos que quebram expectativas e uma forte carga emocional, Re:Creators consegue ter uma das melhores conclusões, em uma mídia na qual geralmente finais são seu aspecto mais decepcionante. Infelizmente os produtores tiveram a péssima decisão de fazer 24 episódios, então não tenho coragem de recomendá-lo por isso, o que seria mais fácil com uma série de 12 episódios.

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Melhor Mangá com uma
Adaptação Infeliz
Centaur no Nayami

Centaur no Nayami é um bom mangá, mas pode ser difícil de perceber pela sua adaptação. Apesar de ter gostado razoavelmente dela, eu entendo perfeitamente seus problemas, e é difícil recomendar. O problema não se concentra somente na animação, pois mesmo algumas decisões de modificações acabam dando uma imagem diferente a assuntos que eram muito mais sutis no mangá. Então… é… é um bom mangá.

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Melhor Battle Shounen
Symphogear AXZ

Pode não ser a escolha que a maioria das pessoas esperaria para um “battle shounen”, mas é claramente um. Com uma protagonista muito melhor que a maioria. Geralmente protagonistas me incomodam por não serem nada especial, mas a história viver girando em volta deles. Mas Hibiki, por algum motivo, é diferente. A história gira em volta dela no fim, mas é um dos poucos momentos onde acho merecido. Hibiki para pra considerar as consequências do uso de seus poderes e os sentimentos de seus inimigos, algo que “heróis” geralmente falham em fazer. Talvez seja algo simples, mas exatamente por isso, é irritante que muitos esqueçam o quão importante é.

Dito isso, apesar de ainda ser chamado de mahou shoujo por algum motivo, Symphogear é mais um super sentai em sua origem. E, apesar de ter desistido da série uma vez com sua primeira temporada, quando resolvi dar uma segunda chance, por algum motivo acabou sendo uma das minhas séries de ação favoritas. Talvez por não esperar muito dessa vez. Afinal, ainda é um tanto bobo, como todo battle shounen.

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Assim Que Se Faz 3D
Houseki no Kuni

Ok, isso não é “melhor” nada, mas uma coisa que eu pensei enquanto assistia Houseki no Kuni, é o quanto a série acerta em algo que a maioria erra. Há muita coisa boa para se falar sobre a série em si, mas tenho certeza que os outros membros farão isso. O que queria focar é no fato de que essa série usa 3D não para deixar mais “cheap”, mas como um estilo que o próprio diretor disse ser mais adequado para o que pretendia. Apesar de ser 3D, os processos são os mesmos de uma animação tradicional, o que faz com que seja um dos animes de melhor qualidade de animação no ano. Sinto que isso possa trazer uma revolução para o gênero. Se a transição para 3D eventualmente se tornar inevitável, que seja feito assim. Afinal, é entendível que apesar de todo o cuidado tido, a animação provavelmente ainda saiu mais barata que o estilo tradicional.

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Melhor Kirara
Urara Meirochou

Eu fiz uma categoria assim ano passado, não? Bom, que seja. É esperado que nesse quesito a maioria escolha New Game S2 esse ano. Mas, apesar de ser realmente muito bom, New Game ainda é uma sequel, o que acaba diminuindo o efeito para mim. Urara Meirochou surpreende por ter um formato diferente do que se espera de animes da Manga Time Kirara, tendo uma atenção maior para plot e worldbuilding, o que resulta na criação de um universo bem interessante.

Chiya é também uma das protagonistas mais interessantes no gênero, o que me deixa triste pelo fato que a recepção fraca signifique poucas possibilidades para uma nova temporada do anime. Ao menos posso relembrar as personagens no novo mobile game da Kirara, além de claro, poder acompanhar o mangá eventualmente.

Aliás, o pior é Blend S (lê-se Bland S). Só queria colocar isso aqui.

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Melhor Cópia de Madoka que Conseguiu se Distanciar de Madoka
Yuuki Yuuna Wa Yusha de Aru Yuusha no Shou

Qualquer história de meninas lutando contra monstros em um setting dark hoje em dia recebe o rótulo de “cópia de Madoka”, por mais diferente que seja. Não há como negar, porém, os paralelos com Madoka na primeira temporada de Yuuki Yuuna. Felizmente, esses paralelos acabaram na sua continuação, que resolve abraçar de vez seus temas religiosos na história principal, nos trazendo algo que definitivamente é diferente.

Embora satisfeito até agora com o resultado, considerando que o último episódio só sairá ano que vem, vou me abster de dar muitos elogios para a série, considerando a possibilidade de me desapontar no último episódio. O que, visto o quão imprevisível o rumo da história está, é bem possível.

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Melhor Yuri
Konohana Kitan

Ok, eu admito, eu só queria criar essa categoria e não colocar Netsuzou Trap nela. Eu sei que o mangá está acabando também e é melhor esquecer, mas enfim…

Porém, Konohana Kitan é realmente muito bom, e a autora merece reconhecimento após sua luta para manter o mangá vivo no formato que ela planejou. Não há como negar que o foco em yuri diminuiu na transição da Yuri Hime para a nova revista, mas ele nunca desapareceu totalmente, e a autora tem claramente talento para contar boas histórias. Sucesso para Amano Sakuya.

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Melhor Anime Que Ninguém Viu
Alice to Zouroku

É claro que ninguém viu é um exagero (como é tudo na vida), mas Alice to Zouroku é o anime com um bom roteiro e boa direção que foi mais ignorado nesse ano. Talvez o maior motivo seja a animação fraca, sendo provavelmente o anime da mesma temporada que recebeu menos budget do estúdio. E falando nisso…

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Animes Mais Originais
com Pouco Budget
Kemono Friends, AnimeGataris e Urahara

Às vezes acabo pensando: “se sabem que não vão vender, podiam fazer algo diferente com isso logo”. Esses três títulos provavelmente pensaram o mesmo, pois foram três dos títulos com histórias mais diferente do ano, apesar de terem a animação mais fraca. E ao menos no caso de Kemono Friends, essa aposta deu certo, resultando em um grande hit improvável.

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Eu Queria Colocar Aqui
Mas Não Sei a Categoria
Princess Principal

Bom, o que posso dizer? No aguardo de uma segunda temporada, visto que fez sucesso o suficiente para fazer uma.

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Melhor continuação em andamento
3-gatsu no Lion 2

É difícil não colocar Sangatsu como um dos meus preferidos do ano. Uma história de depressão e felicidade, que varia dos momentos mais singelos para as dores mais profundas. A história de Kiriyama Rei continua sendo absurdamente real, a forma com que a vida varia tanto é o que faz as outras emoções passadas por ele funcionem tão bem. Os momentos doces são a sobremesa após o ardor dos sofrimentos pelo qual ele passa, e é isso que os deixam tão especiais.

É uma sequência que melhora em tudo do anime anterior, o que é incrível considerando a qualidade constante da série desde o começo! O desenvolvimento de Kiriyama é fantástico: a forma com que se aproxima e tenta ajudar a família Kawamoto, ou como agora vê Nikaido realmente como seu rival e amigo – algo que achei que seria usado para piadas o anime todo. São cenas como essas que permitem te olhar para o começo e ver o quanto ele cresceu.


Mas indo além do protagonista… Quando você se emociona com uma história de dez minutos sobre um homem adulto criando pombos você sabe que esse é um anime especial.

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Anime que mais causou
conflitos na minha cabeça
Love Live Sunshine 2

Sunshine é um anime complicado. Sua história se baseia em criar expectativas baseadas na história do Love Live original, e tanto as personagens quanto os espectadores são levados a acreditar em como as trajetórias se repetiriam, como a escola Uranohoshi seria salva pelas bravas nove garotas que decidem se tornar school idols.

Ao mesmo tempo em que essa história vai quebrando uma após a outra as nossas expectativas, ela vai se tornando formulaica e previsível em outros sentidos. As personagens do Aquors começam a falar de forma não natural em sequências “inspiradoras” após os momentos dramáticos e o foco na escola vai longe demais quando a história é justamente sobre encontrar outras metas, seu brilho próprio.

E ainda de alguma forma, essa temporada consegue brilhar muito em certos momentos. Chika entende as suas amigas bem ao crescer como líder, a história com as Saint Snow é inesperada e empolgante, etc. Sunshine 2 vai e volta do 0 ao 100 — um anime que às vezes me decepciona, mas que tem picos tão altos que não tenho certeza direito de como o definir.

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Dragon Quest do ano
Mahoujin Guru Guru

O único “Dragon Quest do ano” é também o melhor. Não porque é o único, mas provavelmente seria o primeiro mesmo contra outros imaginários cem anime parecidos. Guru Guru é incrivelmente perspicaz no que parodia de RPGs. É um remake que envelheceu muito bem, com piadas que funcionam ainda hoje ao mesmo tempo em que mantêm esse charme retrô.

Ter uma história cativante com bons personagens (todos utilizados bem) ajuda ainda mais a manter esse sentimento. A saga de Kukuri e Nike é um must watch para qualquer fã de RPGs clássicos… e para qualquer um afim de boas risadas, fofura ou aventuras.

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Família do ano
Alice to Zouroku

Sana, Sanae e Zouroku fazem a melhor família do ano. É incrível o quão carismáticos os três são e o quanto o anime me fez importar tanto com o bem estar deles.

Alice to Zouroku é basicamente “Index, mas se o protagonista masculino na verdade fosse um homem velho”. Zouroku é ranzinza e não tem paciência para besteira, enquanto isso Sana é uma heroína infantil e curiosa, que não tem ideia de como se portar em sociedade. A relação entre os dois é excelente, com Zouroku tendo um bom coração por trás de seu rosto tão fechado.

Sana conhece Sanae, a ultrapositiva e simpática neta de Zouroku, e é adotada posteriormente. Os três são claramente diferentes um dos outros, mas se amam e crescem juntos superando as adversidades que enfrentam tentando proteger Sana.

AliZou é um bom twist no “boy meets girl” e transforma isso numa história de compreensão, aprendizado e família.

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O mecha que não
foi uma decepção do ano
ID-0

Se existe um gênero que ama me decepcionar, é mecha. O potencial existe ali para contar histórias com fundos políticos interessantes e temas mais maduros, mas também há a possibilidade de fazer um super robot com excelente ação e roteiros over the top divertidos. E o que mais fazem com mecha? Clones de Gundam Seed e Code Geass com roteiros medíocres. Curiosamente, Goro Taniguchi, diretor de Code Geass, volta esse ano com um bom anime mecha CG.

ID-0 é basicamente uma série real robot com temas interessantes, como a questão de identidade, e um cast divertido de “piratas” espaciais tendo como protagonista uma garota que nem luta. Mesmo com um pacing um pouco apressado pelo número de episódios, foi um bom anime que me surpreendeu pela sua incrível façanha de não descarrilhar no meio.

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O anime que mais
me fez sorrir no ano

Kemono Friends

A história Cinderela do ano. Quem acreditaria que um anime CG sobre um jogo mobile com o serviço já encerrado poderia ser o hit do ano? Kemono Friends é prova de que uma história competente com um cenário único pode cativar as pessoas. Uma aventura num tom infantil atravessando diversos biomas, apresentando animais e com um formato episódico divertido. KemoFure é único e não se focou em imitar outras produções de sucesso, mas sim em ter sua própria identidade.

É injusto falar que apenas a forma como a lore foi passada ou o cenário pós-apocalíptico fizeram de Kemono Friends um sucesso, mas sim o quão isso foi bem feito junto com a sua positividade e inocência. 
Às vezes é bom relembrar que apesar de nossas diferenças, somos todos especiais de nossa própria forma. Obrigado, Serval e Kaban-chan!

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Melhor protagonista do ano
Phos (Houseki no Kuni)

Phosphophyllite é um protagonista que não vemos muito por aí. É comum que tenhamos heróis e heroínas como metas pessoas bem definidas desde o começo. Phos sente tédio. Em busca de algo, acaba conhecendo Shinsha (Cinnabar) ーuma das pedras do mundo de Houseki no Kuni, que vive sem uma função específica além de proteger a noite. Ali ganha sua ambição: achar uma função feliz para Shinsha. Phos não é convencional. É idiota, arrogante e sarcasmo é seu forte. Não possui grandes habilidades físicas ou resistência.

Entretanto, com o tempo Phos vai crescendo. Suas perdas se tornam em seus ganhos: consegue pernas fortes, braços poderosos. Sua personalidade muda. Phos cresce muito, e ao mesmo tempo vai se quebrando mais e mais por dentro. Sua busca é uma de autodestruição, ao mesmo tempo que se reconstrói. Até que ponto Phosphophyllite é Phosphophyllite? Aos passos que essa história avança, nos preocupamos mais e mais em reconhecer os pedaços que ali estavam desde o começo na personalidade dessa personagem que foi a que mais me intrigou no ano.

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OP e ED favoritas do ano
Mahoujin GuruGuru OP1/ Shoujo Shuumatsu Ryokou ED

Essa é uma categoria difícil, mas que sinto que preciso colocar. Aberturas e encerramentos são partes essenciais dos anime: são as portas de entrada e saída dos episódios, aonde diretores, animadores e storyboarders podem ser livres, brincar e nos fazer uma síntese daquilo que a série é. Minhas escolhas são basicamente relacionadas aos animes que vi e tendendo bastante ao que gosto, mas ok.


De abertura: ORESAMA esse ano fez minhas três músicas de abertura preferidas (Alice to Zouroku e as duas de Guruguru), mas essa é a que pega o primeiro lugar pela animação que acompanha. Não que as outras não sejam excelentes também, mas o caos divertido do storyboard do próprio diretor da série, Hiroshi Ikehata, encapsula perfeitamente o quão frenético e divertido Guruguru é.

De encerramento: É desenhado pela própria autora do mangá original de Shoujo Shuumatsu Ryokou, Tsukumizu. Uma animação estilo flip book que mesmo assim passa as nuances das personagens, com seus rostos sendo deformados como pudim e divertidos usos das noções de movimento. É mundano com uma pitada de infantilidade, mas que se encaixa perfeitamente no mundo das duas garotas que, apesar de suas diferenças, estão ali viajando juntas, acendendo fogueiras e dormindo juntas.

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Pior anime com o melhor final
Chaos;Child

Chaos;Child é um desastre de adaptação. A história é corrida, as reviravoltas não causam o impacto pretendido, os personagens são fracos e clichê. Por que esse anime teria um bom final?

Porque, de uma forma bizarra, parece que a intenção foi toda de fazer um anime ruim e bizarro. É difícil dizer sem o contexto da novel original, mas todo tema que a histórica toca é meta de alguma forma. Uma crítica aos que fantasiam com as histórias da Science Adv? Eu duvido que a Silver Link tenha pretendido fazer um anime ruim por 11 episódios para o twist no fim, mas de alguma forma isso funciona perfeitamente com os temas do anime, intencionalmente ou não.

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Pior revival do ano
Jigoku Shoujo: Yoi no Togi

Num ano com vários lançamentos e anúncios de franquias antigas, Jigoku Shoujo Yoi no Togi se destaca… negativamente.  A série da garota sobrenatural que envia pessoas para o inferno sempre foi um pouco torta. Muitos episódios não funcionam simplesmente ao tentar pintar cenários com moralidade cinza e deixar o espectador num conflito interno. Deveria a pessoa puxar o laço da boneca e enviar a outra ao inferno? Yoi no Togi consegue piorar isso ainda mais. Nenhuma história soa realista, a violência sem sentido vira o foco de venda e nenhuma história parece cinza, por mais que o anime incessantemente nos diga que são.

Não dá, Yoi no Togi. Com sua qualidade terrível em todos os sentidos, quem mais merecia ir para o buraco era o próprio anime.

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Apresentação de Idol do ano
The idolm@ster side-M Episode of Jupiter

Num bom episódio extra focado no Jupiter, temos o grande momento de reviravolta na apresentação final do grupo. Superando a saída de sua antiga companhia, eles realizam uma empolgante apresentação no fim com Brand New Field tocando e marcando o momento que decidem finalmente se juntar à 315 Production.

O bom roteiro de Ayana Yuniko e Yukie Sugawara ajuda a cena a ficar mais marcante e forte. A decaída dos garotos do Jupiter e seus problemas são deixados para trás ao som da música e da boa coreografia.

Assim como essa cena abre as portas para o futuro do Jupiter, ela nos dá boas vindas à história de SideM ー e da melhor forma possível.

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Melhor do ano
Houseki no Kuni

Chover no molhado? Houseki no Kuni nos leva a um mundo único e nos prende ali. Queremos ver o desenvolvimento das personagens, que descubram os segredos daquele lugar, que os mistérios sejam revelados. Ao mesmo tempo queremos a volta da inocência daquele começo, nos arrependemos um pouco dos nossos desejos. Houseki no Kuni brinca com nossos sentimentos com sua história cativante, bela animação e direção de deixar sem ar.

Num ano de muitos grandes anime, Houseki no Kuni consegue brilhar tanto. É atestado de sua qualidade.  Uma segunda temporada, por favor!

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MENÇÕES HONROSAS

Anime em que os envolvidos não tinham noção de como se fazia um
Hand Shakers

Quando a GoHands foi longe demais e achou que estilo fosse mais importante que qualquer critério básico de uma animação – tal como o fato das coisas, sabe, serem animadas.

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Anime que não pensamos em uma categoria, mas que vão reclamar
se não estiver aqui
Gabriel Dropout

Satania is a bless.

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Pior anime sobre androides
Sakurada Reset

O anime tenta propor uma discussão filosófica quando uma das personagens questiona se seria possível descobrir quem dentre eles é um androide. Mas com tantas falas mecânicas, eu tenho quase certeza que todos ali eram.

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Melhor anime idol sem panty-shot
Wake Up, Girls! Shin Shou

 E que tira sarro do Yamakan por isso.

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Pior releitura cristã de Scooby-Doo
Vatican Kiseki Chousakan

Teria conseguido se não fosse esses padres intrometidos.

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Franquia que vai ser
desconfortável
gostar daqui pra frente
Rurouni Kenshin

Como arruinar um legado.

Junk Box

Blog sobre cultura pop que às vezes rola uns posts.

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3 Comentários em "2017 IN A BOX: MELHORES (E PIORES) ANIMES DO ANO"

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Bacco
Visitante

Eu simplesmente adoro esse blog, enquanto eu já me sinto sufocado em ver tanto comentário idiota como ” a indústria ta morrendo; nossa só tem anime ruim esse ano” eu entro aqui e consigo me livrar dessas conversas repetitivas e chatas. Nunca comento nada, mas achei que dessa vez deveria. O blog de vocês é muito bom, me diverto lendo tudo o que vocês postam. Continuem com o bom trabalho, e feliz ano novo o/

Overkilledred
Admin
Muito obrigado por acompanhar o blog e pelos elogios! Tentamos passar toda nossa paixão por animes e trazer um conteúdo que valorize a riqueza da mídia – justamente como uma forma de combater essa mentalidade. Até porque os especialistas em animes são sempre os que menos consomem e possuem essa mentalidade depreciativa por quererem mais do mesmo, ao invés de abraçar a mídia como um todo. Queremos falar de animes sempre ressaltando o potencial e a diversidade de títulos que sempre têm, e acreditamos que a indústria está mais forte do que nunca. Feliz ano novo para você também e… Read more »
Edungeon
Visitante

Usando os animes comentados aqui para montar uma listinha de coisas para ver nas férias que perdi no ano <3 (e evitar também)

Obrigado

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