DESTAQUES DA SEMANA – 14/11/2017

Nesta semana: continuamos não entendo o conceito de schedule e o post da semana continua atrasando.


 

Overkilledred

Ballroom e Youkoso – #18

É curioso pensar que o segundo arco de Ballroom é onde há o maior conflito entre a dupla de protagonistas. Tatara já provou que pode ser um lead capaz, que consegue tirar o melhor da sua parceira, mas agora se mostra incapaz de mostrar sua capacidade com Chinatsu. Toda a construção desse arco foi no conflito de ideologias dos dois: Tatara almeja por um estilo de dança equilibrado, em que ambos os parceiros conseguiam sentir e aceitar os comandos do outro, enquanto Chinatsu não se sente confortável em ser controlada pelo seu parceiro. São duas visões que falam muito sobre a posição das mulheres na dança de salão, que é de onde vem todo o desconforto de Chinatsu. Ela não deseja ser apenas uma marionete do parceiro, nem que ele ganhe todo o mérito da dança. Mas sua frustração com isso é tanta que também não consegue ceder ao seu parceiro que entende esse sentimento e procura balancear isso.

Tatara também tem dificuldade em aceitar que o lead controle sua parceira num primeiro momento, pois não entendia bem o que aquilo significava. Sua visão de que há uma comunicação entre os parceiros, sem que um sobreponha o outro, é algo que também o distancia desse balanceamento ideal. A construção dele, como alguém covarde que não expressa o que quer, e da Chinatsu, como uma besta indomável que não cede a ninguém, é o que faz esse arco ser tão interessante. São dois opostos que precisam se entender através da dança e expressar seus sentimentos por ela. E como Hyodou notou, eles só precisam de um momento harmônico para se destacarem.

O anime aparenta ter um ritmo apressado agora, já que mal vimos a relação dos dois com a nova treinadora antes de irem para o campeonato, mas faz sentido se pensarmos que todo o desenvolvimento acontece nas competições. Tatara precisa de uma situação desesperadora para entender seu estilo e chegar numa solução ideal. Até porque, pela forma como as competições se organizam, há espaço para eles errarem. E é mais emocionalmente assim, de qualquer forma.

O final do episódio indica que essa sincronização entre eles está perto de acontecer, mas não por definitivo. Ainda há um conflito de interesses que precisa ser resolvido. Tatata ainda precisa entender e mostrar seu estilo de dança, algo que o próprio encara como algo egoísta, enquanto Chinatsu precisa entender que ela deve confiar no seu parceiro.


Lucina

3-gatsu no Lion Second Season –
#03-04

Depois de uma ótima primeira temporada, Sangatsu voltou com dois episódios mornos — potencialmente problemáticos, inclusive. No entanto, logo se restabeleceu com outros dois que foram fantásticos ao tratar com bastante delicadeza de um tema que requer bastante atenção: bullying. Fez isso com bastante calma e abrangendo uma variedade de emoções ao se focar tanto no Rei quanto na Hina para falar do assunto.

Por volta da segunda metade do terceiro episódio, começamos a nos aventurar no passado do Rei mais uma vez. Só que aqui ele fala como seus momentos de solidão se relacionam com o que sofreu em relação ao bullying, algo que não foi muito tocado em episódios anteriores, já que ele nos contava mais sobre seus sentimentos em si, sem muita atenção aos fatores externos. Ao mesmo tempo em que falar sobre esse assunto é importante para o desenvolvimento do Rei como um todo, ainda não dava para relacionar isso com a narrativa geral do episódio nitidamente. Contudo, nós temos a Hina, que tem se mostrado, também, menos enérgica e expressiva como normalmente é. Então, antes de mostrar o tema de encerramento no episódio, temos uma onda de névoa e escuridão que mantêm Rei sufocado nesses sentimentos negativos do passado. Por fim, o episódio nos sugestiona a pensar que haverá um momento afável na casa das três irmãs, como de costume após Rei ter um caso de depressão. Dessa vez parecia ser um pouco diferente visto que o fato de ele ter nos contado de seu isolamento em detrimento do bullying não estava diretamente relacionado a nenhum ponto do enredo atual, e é aí que o episódio dramaticamente termina com a Hina, chorando ao chegar na porta de casa. Nesse momento, todo o mundo, dentro e fora do animê, sabe exatamente o que está acontecendo, porém a sensação é de espanto. O desfecho é impecável.

Como lidar com isso de modo a afetar, do modo que seja, a vida do Rei, ao mesmo tempo que faça sentido para a Hina como personagem? Sangatsu decide fazer com que Hina desempenhe um papel semelhante ao que ela e suas irmãs vinham fazendo desde sempre em relação ao Rei: que fosse seu aconchego, nesse caso em forma de uma salvadora. Ela cresce emocionalmente junto dele naquele momento, porque ume estende a mão para outre. No caso do Rei, ele o faz fisicamente, dando um calor e validação de que ela precisava por ter lutado para fazer a coisa certa. No caso da Hina, é como se ela desse um abraço de uma mãe que ninguém nunca deu para o Rei depois de ele ter sofrido sozinho por tanto anos.

Como de costume, a melancolia e a dor transpiram ao redor da ambientação escura que tenta definir ambos episódios em maior parte. Seja a coloração do céu ameaçador à noite, seja em sonhos ou num caminhar de derrota ao ter o mundo inteiro virando as costas para si. Em contraste, essas cenas borradas são purificadas pelos rosas e amarelos doces e recheados nos últimos instantes.

A produção desse quarto episódio, em particular, estava estupenda. Talvez a melhor utilização de música na série até então, embora simples e óbvia, ocorreu em sua cena final. Um fechamento, agora, finalmente esperançoso e colorido, sem ambiguidade. Existe amargura em todo o processo — e até após o ocorrido — , mas ver como essas personagens cresceram nos traz um sentimento muito mais poderoso.


Raizon

Yuuki Yuuna wa Yuusha de Aru: Washio Sumi no Shou – #05-06

Com esses dois episódios, chegamos ao fim da história de Washio Sumi. Eu ia mencionar o fato que os dois episódios poderiam ser um só, mas é exatamente isso que aconteceu nos OVAs. O terceiro e último OVA corresponde aos episódios 5 e 6 da série, então faz sentido que pareçam tão interligados. No primeiro vemos a consequência do sacrifício de Gin. Sempre acho que funerais ajudam a dar um clima pesado para histórias onde há mortes e acho estranho como é raramente usado. Há algo extremamente melancólico em ver um monte de pessoas devastadas em uma cerimônia com um corpo sem vida no centro. Não que seja sem os seus clichês, como pessoas hipocritamente falando sobre como foi uma honra morrer pela causa ou o irmão chorando e gritando porque um deus permitiria sua irmã morrer. Tudo isso acaba dando um peso maior à morte, que não seja somente “ela já foi, vamos pra próxima”, como muito anime gosta de fazer.

O episódio 5 serve ainda para enfatizar a posição de Washio e Sonoko no meio disso tudo. O episódio todo é construído para que elas decidam que Gin não deve ser esquecida, e que é uma heroína como elas, ainda lutando pelo que acredita. A cena mais marcante sendo Sonoko pedindo para que não seja esquecido que “nós três somos heroínas”, não esquecer Gin. Não posso deixar de pensar que essa cena teria um impacto maior em uma série maior, mas ainda é importante por demonstrar como a morte de Gin abalou as duas, principalmente Sonoko. Nesse episódio ainda somos brevemente apresentados ao sistema de fadas que é usado em Yuki Yuna, e aqui, como já sabemos das consequências, o anime não tenta esconder o quão pesado ele vai ser para as heroínas. Um detalhe triste a se notar é como Gin não está mais na animação de encerramento, mostrando somente Washio e Sonoko na escola.

O episódio 6 chega então para fechar essa parte da história. Tinha a preocupação que o episódio poderia ser muito corrido, visto que havia ainda muita coisa para acontecer. Não acho que ficou mal feito, embora as coisas ocorreram de forma diferente do que imaginei. Importante notar aqui como a família tanto de Washio quanto de Sonoko sabiam exatamente o que o novo sistema faria com suas filhas. Pode parecer natural, visto que já haviam concordado em deixá-las lutar, mesmo com o risco de morrer, mas visto que Tougou considera esse um destino pior que a morte na série passada, há de se pensar se essa decisão não foi um tanto cruel. Ainda mais considerando que não parece ter havido coerção no processo. Ou ao menos qualquer coerção que não seja a de responsabilidade religiosa. A mãe somente questiona deixar a filha continuar lutando sem saber das consequências do novo sistema, ao que o pai responde que seria mais cruel contar a elas. Vale pensar que o verdadeiro motivo de esconder as consequências deva vir do fato que faria com que hesitassem em usar o novo poder se soubessem.

E finalmente quando chegam na última batalha que tudo acontece, tanto o reconhecimento do novo sistema, como Sonoko descobrindo a verdade daquele mundo. Isso tudo em uns 10 minutos de animação, mas não pareceu muito forçado. O interessante aqui é como o heroísmo dessa vez é todo de Sonoko. É curioso que a série se chama “Washio Sumi é uma heroína”, mas Sonoko e Gin foram as verdadeiras heroínas. Diferente da série anterior, onde Yuki Yuna realmente fez o sacrifício maior.

As cenas finais são cheias de trigger tentando provocar emoções, embora não ache necessariamente algo ruim. A entrega da fita para o cabelo, no estilo Madoka (que é a mesma fita que Tougou usa na série anterior, inclusive), a sala de aula com a mensagem de parabéns pela graduação, que claramente não teve Sonoko e Washio, apesar de ambas terem prometido estar lá e a animação de encerramento dessa vez somente com uma sala de aula vazia.

Um fato que entendi errado na série anterior e é melhor demonstrado aqui é como elas perdem o sentido. Como uma espécie de fita fica sobre o lugar onde o sentido foi perdido, sempre imaginei que Shinju selava ele, como uma espécie de sacrifício. Porém, é claro que o sentido é perdido porque o corpo humano não consegue suportar a força usada, e aquela “fita” é usada para lhes dar aquele sentido de volta na hora da luta para que possam continuar lutando.

E agora somente espero para a continuação na próxima semana, dessa vez com história inéditas, junto com Yuki Yuna e o resto da equipe. Considerando como a série passada acabou, fico curioso para saber como todas serão usadas novamente desta vez. Também espero ver como a adição de Sonoko no grupo será trabalhada, visto que ela parece ter mantido um ressentimento contra Taisha pelo que aconteceu, inclusive apoiando Tougou na série passada quando ela tentou trazer o fim do mundo. Só espero que a série mantenha o estilo e não acabe caindo nas armadilhas do gênero de virar puro shock value.


Dimentioluc

Aikatsu Stars – #80-81

É difícil de encontrar histórias que usem bem moralidade cinza: personagens com espectros morais que vão além do certo e do errado. O episódio 80 de Aikatsu Stars trabalhou isso bem, de uma maneira impressionante.

No geral, Elza Forte e sua escola, Venus Ark, são as principais rivais das personagens principais, mas o anime não tenta degradar sua moral — mas sim a apresentar como uma ideologia talvez tão válida quanto o de Yume, embora completamente oposta.

Kizaki Rei é uma das principais personagens da Venus Ark e a história fez um build up grande para o seu retorno à carreira de idol. Esse episódio funciona perfeitamente como sua volta triunfal, a caracterizando de uma maneira única e interessante.

Rei faz questão de deixar claro que respeita as filosofias das outras personagens, mas que ela vê um sentido diferente para sua carreira de idol e que logo irão entender seus sentimentos.No show de abertura de sua nova banda a surpresa: Rei não está voltando por seus fãs. Tampouco volta por si. Volta por Elsa, sua existência e sua carreira giram em torno de Elsa e ela não se incomoda de ter o mundo como inimigo por sua ambição.

Mesmo que contrapondo tanto a filosofia de Yume e suas amigas, Aikatsu Stars não tenta passar uma imagem negativa de Rei. É algo que seria tratado como errado em tantos outros anime, mas Rei é respeitada por sua decisão e, apesar da controvérsia inicial, seus fãs aceitam sua meta.


81 é a outra face de AiStars. Um episódio simples focado em comédia e interações entre as personagens do grande elenco da série.

Num estilo de programa de variedades, o episódio trata de um jogo televisionado do S4 em busca de papeis “S” escondidos pela cidade. É bobo, insano e divertido – extremamente Aikatsu.

Não são muitos episódios que tratam do S4 como o grupo em si. A história da Venus Ark tirou o foco do S4 logo que Yume conquistou o espaço ali, Yuzu fazer parte do grupo também enfraquece a dinâmica do quarteto, já que é normalmente excluída das histórias “normais” para ceder lugar à Laura ou Koharu. Ter uma história envolvendo o grupo é algo que o anime já devia há um certo tempo.

O roteiro não vai fundo no que é ser parte do S4, mas funciona bem em ser Aikatsu. Seguir do confronto moral de Rei com o mundo, para a inocência quase infantil desse episódio, mostra o quão bem o anime consegue mudar seu tom e se adaptar.

Enquanto alguns episódios podemos ter moralidade cinza, é sempre bom poder ver outros episódios que terminam só com as personagens principais salvando um gatinho de uma árvore. Aikatsu funciona por seus dois lados.


Kino no Tabi: The Beautiful World – The Animated Series – #06

Meu contato com a franquia Kino no Tabi é todo por esse novo anime. Por ele, sinto uma variação na qualidade dos episódios e roteiros. O pacing normalmente não acompanha a qualidade das histórias e o anime joga a informação verbalmente na minha cabeça, como nos episódios do barco e o da cidade de mentirosos. O episódio seis foi o primeiro que realmente senti tudo fluindo.

Uma história de uma garota escrava de um grupo de ricos comerciantes itinerantes. Logo no começo a vemos sendo maltratada e abusada pelos seus donos e quando questionada se sente ódio, responde que não. Havia aprendido por sua criação religiosa que nunca deveria odiar outra pessoa, que deveria aproveitar toda situação e que nas mãos de seu assassino daria apenas um sorriso, para o ajudar a entender a vida.

Esse conceito perturba os dois homens que a questionaram. É algo bizarro para eles que logo começam a comentar como a vida é baseada na sorte, no nascimento, em como sua casta social é o que importa. Eles são ricos por terem nascido em famílias ricas, ela é escrava por ter nascido órfã.

Os abusos continuam até a cena irônica que muda o destino de todos os personagens. A garota escrava sem querer faz uma sopa com veneno para a família de comerciantes. Em meio ao filho mais jovem repetindo os ensinamentos de darwinismo social de sua família e recebendo apreço de seus pais por isso, a escrava tenta impedir que morram envenenados. Em vão. Ela é ignorada e atacada. Nem conseguir tomar a sopa para morrer junto consegue, já que atiram seu prato no chão.

O destino, a sorte em que acreditavam trai a família de elite e beneficia a escrava. A cena em que ela tenta se matar, voltando a falar com o homem da espingarda é o momento em que a história brilha. Ele a liberta e ensina a manejar a arma, mas faz com que a bala o acerte. Morre sorrindo para ela.

Morrer sorrindo para seu assassino. O que a escrava pregou como sua filosofia impacta o homem à beira da morte. “Ela estava certa”. Ele acredita que o destino o puniu. Aquele sorriso é o da vitória moral da jovem garota sobre seus agressores, mesmo que essa vitória resulte em momentos de dores e tristeza de alguém inocente o suficiente para chorar por aqueles que a pretendiam matar.

O episódio termina com Photo, a menina que não tinha nome, agora vivendo feliz. O único jeito de morrer, o maior desejo que ela sentiu naquele dia, é vivendo.

O mundo de Kino no Tabi muda de acordo com o personagem que seguimos. De Kino temos um olhar observador, de Shizu a ambição pessoal por um lar e de Photo a vontade de fazer o bem. Enquanto os países de Kino no Tabi são únicos e dão o tema das histórias, finalmente conseguimos ver uma temática muito mais pelas idéias pessoais da protagonista do que uma mera observação de fora.


 

Kira Kira Precure A La Mode – #39

Basicamente esse foi um episódio de luta e um confronto direto entre as Cure e um dos vilões principais, Grave. O que destaca ele? A forma com que ele parece quebrar uma certa inocência da série e abre caminho para os episódios finais.

Depois de uma reunião com as fadas buscando meios de enfrentar Noir, a cidade é atacada por uma misteriosa onda venenosa. Quando as heroínas vão checar o que está acontecendo, descobrem a cidade cheia de monstros, logo descobertos como os moradores de Ichigozaka.

Grave se apresenta como o autor do ataque e mostra seu novo carro, que absorveu Diable. Nesse momento as Cure não entendem o porquê disso. Grave não só as está forçando a lutar contra as pessoas que amam, mas destruiu seu próprio aliado por mais poder. A cena com Cure Whip tentando avisar Grave que está sendo manipulado soa como um grito de indignação e uma busca por uma justificativa. “Ninguém faria algo assim por vontade própria”.

A resposta de Grave de que está ciente de suas ações e que existem pessoas más no mundo é um choque para o mundo de Kira Kira Precure. Julio e Bibury foram manipulados por Noir, ele se aproveita das fraquezas humanas para instigar o ódio e o conflito, mas agora temos um personagem urrando o quanto está convicto de suas ações terríveis.

A cena de Bibury logo em seguida defendendo as fadas é um contraposto entre os tipos de vilões que o anime teve até aqui. Uma que se redime e outro que se orgulha de sua maldade.

No fim temos a volta de Pikario/Julio/Rio para lutar contra Grave e o anime abre mais espaço para aprofundar essa relação entre os vilões e até mesmo as ambições de Noir. Curioso para ver como as Cure vão encarar esse mundo mais sombrio do que esperavam.

Posts relacionados:

Deixe um comentário

Seja o Primeiro a Comentar!

Notify of
avatar
wpDiscuz