DESTAQUES DA SEMANA – 3/11/2017

Difícil manter ritmo de postagem, porque aparentemente é muito difícil assistir anime semanal e comentar. Esse blog nunca tentou fazer algo por prazo, então tá sendo complicado entender o conceito. Mas um dia vamos conseguir. Fica aí com os destaques da semana… passada. E alguns dessa.


LUCINA

Shoujo Shuumatsu Ryokou – #3

Quase oposto ao deveras descritivo Konohana Kitan, Shoujo Shuumatsu consegue transmitir muita coisa através da composição total das cenas. A introdução de nosso primeiro personagem episódico acentuou vários dos elementos que fazem desse animê único. Atitudes juntamente aos diálogos e cenário conversam com espectadores acerca da filosofia da obra, que é uma junção curiosa de pós-apocalipse e slice of life.

Para já nos terceiro episódio o animê trazer com tudo questionamentos do sentido da vida, nós temos esse novo personagem, Kanazawa. A primeira metade do episódio é composta por cenários de coloração azul, como uma representação do status quo da solidão e do isolamento. Mais para o fim, ele fica caloroso e intenso, porém devastador, com marrons e laranjas. Termina com uma escuridão seguida por vários pontos de luz provindos da cidade, como se as pequenas coisas da humanidade e do mundo como um todo trouxessem iluminação. Essa é basicamente a construção de Kanazawa para dialogar conosco quanto às indagações feitas por Chi e trabalhadas, até certo ponto, pelas interações dela com Yuu.

Mais interessante é como a presença de um terceiro nos ajuda a reconhecer vários traços das personalidades das duas. Este episódio teve como foco a Yuu, no entanto. Como sentimentos mais crus rodeiam seu caráter. Como suas ideias mais brutas e mesmo insensíveis complementam a atmosfera do animê. Como ela se comunica com Kanazawa através de brincadeiras bobas, dizendo que vai “queimar seu mapa” para testar “se ele morre mesmo”, e dando comida para ele como forma de reforçar um laço. Seu instinto protetor, muito bem representado por sua arma, corre solto quando ela pensa que Chi pode estar em perigo de qualquer forma.

Esse episódio teve uma composição singular comparada aos dois anteriores. Um grande arco onde todas as peças dele conversam uma com a outra. Tudo o que surge como um ponto essencial no enredo é conectado com os outros pontos, o que se manifesta na narrativa. Há menos cenas no episódio, portanto, os eventos dão a sensação de estarem acontecendo em uma tomada só: elas estão em uma vibe existencialista; elas querem atravessar um abismo que não tem ponte; elas encontram um rapaz que pode ajudá-las; elas passam o abismo; o rapaz fala sobre a razão do seu viver, que é ‘perdido’ momentos depois; o episódio fala sobre essa cooperação entre humanos (em contradição ao que vimos anteriormente sobre conflitos), onde Kanazawa cria uma ponte para elas atravessarem e se ligarem a ele também; as atitudes das duas indicam que suas existências são importantes uma para a outra. O episódio conclui com elas, em meio à uma cidade solitária e fechada, correndo em direção a um ponto brilhante no horizonte.

Ainda me encanta como Shoujo Shuumatsu faz parecer que as meninas não falam muito, mas nós aprendemos muito sobre elas — e com elas — ao passar das semanas. A combinação de uma série que traça uma linha tênue sobre vida e morte com as interações sinceras e naturais das heroínas. Nós sabemos que Chi é uma personagem complexa mesmo sem que ela coloque em palavras tudo o que pensa, pois temos outra personagem muito completa e cheia de vida cuja perspectiva podemos tomar sempre que quisermos. Shoujo Shuumatsu realmente captura, ao mesmo tempo, a profundidade de perguntas difíceis e a simplicidade do dia a dia.


Raizon

Yuuki Yuuna wa Yuusha de Aru: Washio Sumi no Shou – #4

Nas previews da temporada, falei que uma das coisas que esperava de Yuuki Yuuna é como lidariam com o fato que dessa vez a série lidaria com morte de personagens. E esse momento inevitavelmente chegou. Se lembrarmos da primeira temporada, que era continuação da história atual, seria fácil imaginar o que aconteceria. Afinal, tínhamos lá Sonoko e Tougou (Washio), mas não Gin. Mesmo sem juntarmos esses pontos, seria fácil perceber que esse episódio lidaria com algo acontecendo com ela porém, visto que todo o episódio é montado focando em quão incrível ela é e como todos adoram ela. Não só esse, mas episódios anteriores também nos davam dicas de que a série planejava algo para a personagem. Não que isso fosse ser necessariamente morte, visto que a série passada fez isso com outros resultados. Ainda assim, é difícil ignorar esse tipo de flag, pois deixa uma impressão artificial da história.

Fora isso, minha preocupação é que finalmente lidando com morte de personagens, a série acabasse fragilizando as personagens, quando o foco sempre foi o de serem heroínas. Ao menos no caso de Gin, porém, isso não acontece. É exatamente o oposto, visto que sua última batalha é usada para enfatizar sua coragem ao proteger Sonoko e Washio e lutar até a morte, nunca desistindo não importa o quanto fosse atacada, Gin se recusa a cair mesmo após a morte, o que felizmente não a ideia da série. É evidente nesse ponto que ela se tornará um símbolo para as outras duas no final e imagino que possa acabar sendo um fator importante na história de sequência que virá após o episódio 6, o que justificaria melhor a necessidade de contar essa história agora.

Um fato curioso é como os vertex que enfrentam nesse episódio são os mesmos que Yuuna e as outras enfrentam no começo da temporada passada. Também é possível notar que será a morte de Gin que irá iniciar o sistema de fadas, existindo para proteger as heroínas e provavelmente o próprio mankai.


Houseki no Kuni – #4

Houseki no Kuni é uma das surpresas mais agradáveis dessa temporada. Algo que não esperava muito ao começar, mas acabou sendo um dos títulos mais interessantes. Episódios passados desenvolviam mais worldbuilding e personagens, e eram divertidos nisso, mas nessa semana finalmente a história central é revelada, e é mais interessante do que esperava.

Sem entrar em spoilers, pessoas que jogaram um certo jogo podem reconhecer o conceito aqui. Claro, não só esse jogo, mas a história não é exatamente nova ou original. Geralmente não se trata de originalidade para sabermos se a qualidade será boa, porém, e até agora não temos motivos para duvidar. Há muitas formas diferentes de trabalhar a história sobre humanos se dividindo em três formas diferentes. O que acontecerá, por exemplo, se as três se juntarem, como a parte da alma assim deseja? Irá a alma dominar o resto do corpo ou os três farão uma fusão para gerar um novo ser, completo? Por que o corpo e ossos criaram personalidades para começar? Se é tão importante juntar as três partes, porque lunarians usam gemas como armas para lutar? Essas questões podem não ser exatamente relevantes ou respondidas, mas demonstram como a série tem muito potencial para se desenvolver.

Esse episódio também mostrou, assim como os outros, o quão bonito esse anime consegue ser no seu visual, com detalhes na parte animada embaixo da água. Em momentos é fácil esquecer que ele é todo feito em CG, visto o quão natural a animação parece.


Dimentioluc

The Idolm@ster SideM – #3


Depois dos dois primeiros episódios (e o OVA do Jupiter) introduzindo todos os personagens, o terceiro episódio volta ao grupo principal do anime, os Dramatic Stars.

Achei que o anime já ia pular o foco para algum dos outros subgrupos da agência 315, mas fiquei feliz que escolheram um de principal. Ajuda a criar uma boa base para o resto do anime e não se importa em só mostrar um pouco de cada personagem superficialmente.

Enfim, indo ao episódio. O plot desse é focado no Tsubasa, que não teve muito do background explorado na estréia. Ele era um piloto que em seu primeiro voo não conseguiu reagir a uma turbulência pesada e, por causa de seu medo, acabou se afastando da profissão que tanto admirou pela vida. É bem realista e interessante para o personagem mais otimista do trio ter esse tipo de experiência.

Tsubasa é sonhador, quer realizar grandes coisas, mas tem medo de si mesmo – da falha. Esse medo que um dia sentiu como aviador, de sua falha causar problemas aos outros, se transfere para sua carreira de idol. Tsubasa trava no meio de um ensaio pelo pavor de arruinar a carreira de seus amigos.

A partir daí é a dinâmica típica de idol anime. Teru e Kaoru ajudam Tsubasa a superar seu medo, não dizendo que vão o proteger, mas que ele não precisa pensar nos dois. Precisa pensar em si.

No geral, o episódio todo possui diálogos e situações bem sinceras e realistas que funcionam muito bem numa história com personagens de mais de vinte anos. O script forte dá credibilidade para a história, mesmo que não seja a mais original do mundo. É uma boa mistura de maturidade dos personagens, com um pouco de inocência do gênero do anime. Os três membros do Dramatic Stars ficam cada vez mais carismáticos e interessantes.

O final com a primeira apresentação do grupo, com excelentes coreografias e animação, os eleva a idols de verdade finalmente. Este começo interessante me deixa ansioso para as próximas semanas com como Teru, Kaoru e Tsubasa vão reagir à fama e crescer.


Overkilledred

Juuni Taisen – #04-5

Juuni Taisen sempre teve seus problemas. Sempre foi previsível ao focar no personagem que iria morrer ao fim do episódio, mas talvez isso não importasse tanto se o episódio fizesse um bom trabalho em apresentar o personagem para sentirmos a morte dele num nível emocional. Mas no final são todos assassinos. E por mais interessante que eles possam ser, suas ações são desprezíveis o suficiente para sua morte ser algo que mais entretê, dentro da premissa de battle royale, do que nos deixa comovidos. Mas daí nenhuma morte também consegue ser interessante, pois são simplesmente aleatórias, como se tivesse apenas se livrando dos personagens para focar nos que importam.

No episódio 4, vemos o passado da Shuryuu, a única pacifista do torneio, que viveu sua vida tentando acabar com conflitos – apenas para perceber que aquilo geraria um conflito maior. Mas não há algo realmente interessante nesse flashback, nem na sua sua discussão sobre ideologias com o Nezumi, porque trabalham apenas com conceitos óbvios e de maneira superficial, já que a personagem só conclui que vai continuar acreditando nos seus ideais, por mais inconsequentes que sejam. E esse talvez seja meu maior problema com os flashbacks de Juuni Taisen: eles são genéricos e não dizem nada sobre o personagem que faça nos importar mais com ele. Parece que não há esforço algum na construção deles, já que vão todos morrer de qualquer forma.

O 5 também repete essa fórmula, embora não acabe com o personagem morto. O passado do Hitsujii é entendiante e não mostra nada que nos faça se importar mais com ele. E é mais um episódio que serve para provar meu ponto.

O que me chamou atenção inicialmente em Juuni foi a atmosfera, a ação e os personagens excêntricos, mas isso é deixado de lado para flashbacks genéricos que não trazem nada de relevante para a premissa. O Nisio Isin é um bom escritor e é conhecido por criar diálogos intrigantes, com discussões que conseguem se aprofundar no tema e levantar questionamentos interessantes. E claramente não é o caso em Juuni, que trata tudo de maneira superficial e tediosa. Provavelmente irei terminar o anime ainda por curiosidade, mas eu volto atrás agora na minha recomendação do preview.

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