PREVIEW IN A BOX: TEMPORADA DE OUTONO 2017

A temporada mais aguardada do ano chegou, com títulos promissores e uma grande diversidade de estilos visuais.

Mostrando que ter esperanças compensa, Kino cumpriu a profecia e voltou quatorze anos depois. Também vemos que a indústria pretende animar todos os animes do prolífico autor Nisio Isin, então pode esperar algo novo todo ano. A Netflix continua matando o hype de um anime se recusando a fazer simulcast. Embora, para ser sincero, é difícil dizer de quem é a culpa. Além disso, temos um anime que vai ser injustamente comparado com Steven Universe pela premissa soar um pouco parecida. E a China mostra que continua como um forte investidor no mercado. Fora isso, mais uma adaptação de um mangá da Manga Time Kirara, de um shounen da Jump, mais um Garo, mais um anime sobre incesto como fetiche que serve como prova para leigos que anime é algo creepy. O de sempre aqui. Confira o que achamos de tudo isso!

 

 

Índice:



Himouto! Umaru-chan R




Estúdio: Graphinica
Direção: Hosoda Naoto
Roteiro: Murai Sadayuki
Baseado numa novel por Nisio Isin
Número de episódios: 12
Doze assassinos representando os animais do zodíaco chinês lutam entre si num tipo de battle royale chamado Juuni Taisen. O prêmio: qualquer desejo.

Overkilledred

Nisio Isin talvez seja o nome mais renovado da última década no universo de animes. Com o sucesso de franquia Monogatari, que começou em 2009 com Bakemonogatari, vários dos seus outros projetos também foram sendo adaptados no decorrer dos anos. Agora é a vez de Juuni Taisen, uma light novel no pior estilo battle royale, que quase sempre se prova ser horrível em animes. E bom, Juuni Taisen capta bem o que tem de ruim no subgênero sendo de fato muito trash, mas ainda sim é Nisio.

A ideia em si de serem assassinos representando signos chineses talvez nem seja tão absurda, mas o Nisio certamente conseguiu fazer ser. Os designs dos personagens são ridículos, com uns que chegam a ser cartunescos, e outros que realmente vão sempre servir de alerta que não dá pra levar tão a sério, mas ainda sim não há nada de cômico no anime. Mas é claro que dá pra levar tudo como uma sátira, com todo o exagero dos personagens e da ideia de que uma cidade foi toda evacuada (ou exterminada) para um jogo entre doze assassinos. E o conceito do anime é, de fato, um jogo. A ideia de que cada um tem um tipo de habilidade especial, algo que nem é explicado bem, só reforça o fato de que aqueles personagens estariam numa tela de seleção de um tipo de FPS à la Overwatch.

Cada episódio, pelo visto, vai focar em um personagem, apresentando seu passado e sua especialidade como assassino. O fato de todos eles serem extremamente excêntricos, tanto visualmente quanto pela suas personalidades, os fazem realmente interessante de acompanhar e cada morte pode ser sentida. Não exatamente por empatia, mas por parecer que o anime perdeu um pouco da graça sem aquele personagem. É essa a especialidade do Nisio, afinal. Ele sabe construir personagens divertidos e excêntricos, embora talvez não tenha espaço aqui para os seus famosos diálogos de manzai.

Visualmente, o anime é muito bem feito, com um nível de realismo nos cenários contrastante com o absurdo da premissa e dos personagens, que deixa tudo mais imersivo e constrói uma atmosfera de suspense intrigante. Mesmo com todos as extravagâncias e o alto nível de imprevisibilidade que o Nisio adora colocar nas suas obras, como anticlímaxes, visto a premissa, ainda é necessário que o anime nos deixe ansioso com o que pode acontecer a qualquer hora e nos faça temer qualquer conflito, então essa imersão se vê necessária. Além disso, as cenas de ação são bem animadas, então nada fica devendo.

Se você gosta das obras do Nisio, é bem provável que você vá gostar de Juuni Taisen, embora talvez não pelos motivos que você está acostumados. Mais ainda se você gosta de battle royales (ou especificamente Danganronpa). Bom, não que eu precise realmente barganhar para vender um anime violento como esse, que a maioria já tá convencida de ver só pelo fato de ser violento. Fica a minha recomendação, de qualquer forma.

Raizon

Por algum tempo o conceito de battle royale me fascinou. Não porque quero ver histórias com pessoas morrendo das formas mais violentas possíveis, mas porque tenho interesse no desenvolvimento emocional que tal situação tem o potencial de provocar. Ironicamente, comecei o livro há dois anos atrás e até hoje não animei de terminar. Não imaginei que um livro tão conceituado japonês tinha personagens que parecem ter saído de uma Light Novel. Bom, isso não é muito relevante, mas só para ilustrar que minha relação com o subgênero não é muito boa. Apesar de tudo, o livro ainda tenta trabalhar um realismo e a emoção que a situação provoca. Algo que todo anime baseado no conceito que já assisti falha completamente. E não é diferente em Juuni Taisen.

Com o princípio já dá para notar que nossa personagem ponto de vista é completamente odiável. Também imaginei que não seria a protagonista de verdade, e no fim do episódio parece ter morrido, então é provável que seja o caso. Esse episódio todo é completamente previsível, falando nisso. É previsível que a irmã da Inounoshishi que seria escolhida no flashback e que seria morta pela irmã mais velha. É previsível que ela “morreria” no fim. Há outras previsões que conclui assistindo episódio, mas não posso confirmar. A única coisa não previsível foi o fato que a história utiliza magia, o que parece tirar todo o sentido dela. De repente não é exatamente Battle Royale, mas Fate.

Os personagens são em sua maioria completamente odiáveis, e fico imaginando que o Nezumi será o principal ponto de visto, dado que é o personagem que parece mais humano do grupo. Mas nisso a história já falhou no que deveria ser o mais interessante do conceito, a emoção durante a tentativa de sobrevivência dos personagens. Isso não faz sentido quando você espera todo mundo morrer, transformando a história em shock value barato e torture porn.

Não sou muito fã do Nisio, mas seus personagens e história aqui parecem piores que o normal, ao ponto onde imaginei se não era a intenção ser uma paródia. Se há algo para elogiar é a animação. Então se a intenção é somente acompanhar batalhas, provavelmente é uma opção mais válida.


Estúdio: MAPPA
Direção: Satou KeiichiYabuta Shuuhei
Roteiro: Seko Hiroshi
Baseado num mangá por Oku Hiroya
Número de episódios: Indefinido 
Inuyashiki é um senhor de idade cuja família o destrata constantemente. Ao descobrir que tem câncer, fica com medo da reação de sua esposa e filhes ao contar. Bem ou mal, ele acaba sendo vítima de uma explosão alienígena que o concede um corpo robótico cheio de poderes além da compreensão humana. Assim, Inuyashiki se dedica a fazer o bem com seu novo corpo e restaurar sua dignidade como ser humano.

Lucina

É decepcionante como Inuyashiki falha em definir o tom da série pelo primeiro episódio. Se pegarmos a própria estreia de Kekkai Sensen S2 em comparação, notamos que este nos dá uma recepção cômica com seus eventos porque entende que o que está acontecendo na história é maluco e sem noção. Inuyashiki tenta nos fazer simpatizar por um personagem que tem a vida mais medíocre possível sem contextualização alguma.

A primeira reação que temos com o protagonista é um desconforto por ele sentir que não tem ninguém que se importe com ele, mesmo ele sendo “um cara normal”. Contudo, isso rapidamente tende a uma tragicomédia por não se trabalhar em um background apropriado. Uma tragicomédia até parece ser exatamente o que Inuyashiki pretendia, mas tudo o que se sente é que a vida daquele homem é ridícula — o que só aumenta com o passar do tempo. Não é engraçado, comovente, tampouco divertido.

Levar-se a sério demais sequer é o problema de Inuyashiki. Utilizando outro exemplo, podemos pensar no animê Kiseijuu. Por mais que tenha problemas, ele sabe definir o tom da história. O fato de o protagonista ter uma mão que vira um alienígena estranho, inconveniente e que interage com ele de forma prepotente e pragmática é o ar ‘esquisito’ que o animê reconhece para si. Assim fica mais fácil entrar no drama porque a ficção científica agora faz parte daquele mundo. As cenas cômicas são claramente cômicas. No caso de Inuyashiki, nós deveríamos sentir pena dele depois de todos os infortúnios apresentados, mas como fazer isso quando ele aparece com o rosto se separando do resto da cabeça e com uma cara de coitado?

É possível, através da premissa, entender como o mangá pode funcionar muito bem. Infelizmente, sua adaptação não captura nada desse suposto charme. O protagonista não é bom, nem mau: ele só se ferra o tempo todo. Se houvesse uma execução impressionante para tratar dos acontecimentos do enredo, seria mais fácil dar uma segunda chance.

A única coisa bastante a favor desse animê é sua abertura estimulante, já que a troca entre 2D e 3D no episódio em si também não ajudou muito. Mesmo que a história faça, a longo prazo, valer a pena essa experiência bizarra, ela não dá vontade de encarar semanalmente um cara aleatório sendo todo robótico e triste.

Overkilledred

Do mesmo autor de Gantz, Inuyashiki tem uma premissa tão curiosa quanto a obra anterior dele. Um senhor de quase 60 anos é morto por acidente num tipo de pouso por uma nave alienígena, ao lado de um adolescente que também estava no local, e ambos são reconstruídos como armas de destruição em massa. Sua vida antes triste, sendo desprezado por sua família e com apenas alguns meses de vida devido a um câncer, agora tem um novo sentido e cabe a ele decidir o que fazer com todo aquele poder.

É realmente uma premissa bem interessante, que combinada com a arte quase 3D do autor e um nível de detalhamento absurdo no mangá, faz com que qualquer um compre essa história. O anime faz uma mistura do 2D com o 3D para emular isso e não fica para trás também. Mas daí entra um problema que também tive com Gantz: o cinismo exacerbado. Todo mundo é apático, age de forma odiosa ou com ignorância, num exagero quase caricatural em mostrar o pior dos seres humanos. Claro que, com essa premissa, dá pra encarar que o anime tenta ser uma sátira, mas sátiras são sutis. Não tem nada de sutil aqui.  Como um médico que diz, sem tato ou preparo algum, que o paciente está com câncer e só lhe resta três meses de vida. Ou um adolescente que ameaça bater num senhor de idade no meio de um vagão de trem lotado e ninguém faz nada.

Nada em Inuyashiki parece plausível ou real nessa representação cínica da sociedade, então não dá para sentir nada do sofrimento do protagonista. É um mundo distorcido demais da realidade para que possamos sentir qualquer afeto real por ele,  já  que tudo acontece sem uma justificativa a não ser “todo mundo é babaca”. Tudo que acontece com ele é repulsivo, revoltante, mas de forma artificial, apenas para nos impelir de continuar lendo ou assistindo para que ele prove seu valor de alguma forma. Assim como colocar um vilão extremamente revoltante, que comete atos cruéis sem justificativa e captura todo nosso ódio, como uma forma de nos instigar a continuar a narrativa e vê-lo sendo derrotado, Inuyashiki usa uma estratégia barata de fazer o protagonista ser menosprezado por todos e nos prende por simpatizarmos com ele por um instinto natural.

Devo dizer que achei a solução para o clímax do episódio interessante, entretanto. Embora a situação em si tenha sido gratuita e caricata, com adolescentes agredindo idosos e mendigos até a morte como forma de diversão, a resolução de apenas denunciá-los ao espalhar um vídeo pela internet e transmitir pela TV foi bem mais interessante do que apenas ver o protagonista os matando por não controlar bem os poderes.

Inuyashiki promete muita coisa, mas entrega pouco. Com personagens caricatos e situações absurdas, nenhuma cena tem o efeito emocional desejado. Recomendo assistir ainda se tiver curiosidade, mas não parece que vale a pena acompanhar.


Estúdio: Studio Pierrot
Direção: Yoshihara Tatsuya
Roteiro: Murai Sadayuki
Baseado num mangá por Tabata Yuuki
Número de episódios: Indefinido 
Num mundo em que magia é algo comum e compartilhada por todos, Asta é um caso raro de alguém que não consegue usá-la. Abandonado quando bebê numa igreja ao lado de Yuno, um prodígio da magia, ambos sonham em  ser o Mago Imperador, uma figura lendária que salvou o mundo de uma criatura terrível. Em um evento em que novos magos ganham seu grimório, seu livro de magias, Yuno ganha o lendário grimório do trevo de quatro folhas. Asta, por outro lado, recebe um grimório sombrio que ninguém nunca ouviu falar: o de cinco folhas.

Overkilledred

É realmente curioso pensar como funciona um hype. Em uma temporada com adaptações de mangás consagrados como Mahoutsukai no Yome, Houseki no Kuni, além de outros que prometiam bem mais, tanto pela premissa quanto pela estilo de animação, Black Clover, um mangá com uma popularidade duvidosa da Jump, animado pelo estúdio Pierrot, conseguiu gerar um hype imenso em cima. É óbvio que eu tenho a noção de que existem animes que vão gerar expectativa dentro da comunidade de pessoas que geralmente consomem eles, e animes que têm a possibilidade de explodir e serem um sucesso entre não-fãs e consumidores casuais. A possibilidade de uma adaptação de um mangá da Jump conseguir ser essa segunda possibilidade é bem maior do que, bom, os exemplos citados. Por mais padrão, formulaico, clichê e tosco que seja, um anime como Black Clover sempre vai gerar muito mais sucesso que devia. Dito isso, é um anime horrível que tenta ser um amalgama de tudo que fez sucesso nos últimos anos.

Confesso que dificilmente consigo gostar de algo da Jump hoje em dia, mas por ser uma revista muito disputada por artistas, ainda havia um certo critério de avaliação para ter um mangá publicado lá sem ser cancelado nas primeiras semanas que eu confiava. Black Clover é um mangá que vejo sendo cancelado antes de compilarem o primeiro volume pela simples falta de originalidade e os personagens extremamente sem graça. Ele claramente sobreviveu lá pela falta de mangás melhores sendo a coisa mais básica do mundo. Não que a Jump não trabalhe com mangás assim também. Toriko é um bom exemplo de um mangá ruim que continuava na revista pelo simples fato de ter um apelo à nostalgia dos mangás de lá da década de 80, numa tentativa de emplacar um novo sucesso à la Dragon Ball. Nunca colou. Black Clover é provavelmente a tentativa de ser o novo Naruto, e que também nunca vai decolar.

Mas, óbvio, e o pior, é que as pessoas ainda vão gostar dele pelo simples fato de reconhecerem traços em comuns com outros animes que gostam. “Black Clover me lembrou Naruto”, ok, será que é porque tenta ser IDÊNTICO? Você realmente tem uma carência tão grande por animes assim que precisa de algo que nem tenta disfarçar que é uma cópia genérica? Bom, vivemos numa época em que Dragon Ball Super é algo, e pessoas assistem simplesmente por ser Dragon Ball. Quem gosta de Black Clover provavelmente não se interessa pela maioria dos animes e sobrevive catando sucatas com algum vínculo emocional causado pela nostalgia. Não julgo. Ou queria não julgar, mas me vejo nesse dever de criticar essa percepção limitada da mídia.

A propósito, o protagonista é extremamente odioso, que parece até uma paródia desses personagens fervorosos de shounen que se comunicam por berros. Não é possível que acharam ok o fato dele gritar daquela forma bizarra e irritante, sempre puxando a última sílaba de forma estridente. A maioria parece culpar o dublador, mas não é assim que as coisas funcionam. Ele só tava seguindo o que foi pedido, afinal. Mas o protagonista serve muito bem pra ilustrar como o autor não tem noção alguma do que faz personagens assim serem interessantes. Ele não consegue passar drama algum no arco dele, que tem um passado triste e sofre por não ter nenhuma habilidade mágica num mundo em que todos têm, pelo fato de que é um personagem unidimensional. Todo momento dramático é convertido em algo cômico pelo fato do personagem estar sempre gritando e se reafirmando. Não há sequer espaço para evoluir o personagem, porque ele é apenas o que é.

Eu realmente poderia fazer um post enorme falando mal de Black Clover, até de como a direção do anime é péssima, com a transição entre falas sendo toda atropelada, mas já chega. É um péssimo anime que só se sustenta nas costas dos catadores de sucata que sempre buscam um shounen padrão para acompanhar.


Estúdio: Studio Pierrot
Direção: Kyogoku Takahiko
Roteiro: Oono Toshiya
Baseado num mangá por Ichikawa Haruko
Número de episódios: 12
No futuro distante, uma nova forma de vida imortal e sem gênero chamada de Jóias povoa a terra. Xs 28 Jóias devem lutar contra os moradores da lua, que xs atacam regularmente para sequestrá-lxs e transformá-lxs em decorações. Cada Joia é atribuídx a uma classe, como um “lutadxr” ou um “médicx”.  Tendo apenas 300 anos de idade, Phosphophyllite é a mais jovem das Jóias e ainda não tem uma classe. Elx quer ajudar na luta contra os moradores da lua, mas é muito fracx e frágil para batalhas. Um dia, o mestre dxs Jóias, Kongou (Adamantine), atribui-lhe a tarefa de criar uma enciclopédia de história natural.

Dimentioluc

Adaptação de um mangá de sucesso, Houseki no Kuni é uma história fantástica sobre pessoas com corpos feitos de jóias num bizarro mundo isolado e sofrendo ataques de “monstros” da Lua.

A premissa é de que os personagens recebem cargos e funções sociais baseados na qualidade e dureza de suas estruturas de rocha. Phos, protagonista da história, é incumbido(a) de criar uma enciclopédia natural, já que sua resistência é baixa demais para servir nas lutas contra os inimigos lunáticos.

Phos não gosta disso e tenta se provar para os demais. É uma premissa que se apresenta logo de cara como uma história de busca por um espaço especial e as interações com as demais jóias reforça isso.

Ao encontrar Shinja (Cinnabar), Phos descobre uma pessoa com uma situação ainda pior que a sua. Shinja não pode interagir com o mundo por causa de seus venenos e tem como função fazer patrulhas inúteis à noite, já que não existem ataques noturnos e os seres da Lua não possuem interesse nele(a).

No episódio 2, Diamond – uma das personagens com maior dureza do grupo – se mostra invejoso (a) de Bort, que é ainda mais poderosa que ele (a). Mesmo no topo da mini sociedade que vivem, existe ressentimento e um desejo de ser mais do que o papel a eles(as) determinado.

A animação 3D combina com a idéia de rochas vivas e o uso das cores é excelente e dá elegância aos personagens tão interessantes e bem caracterizados do anime.

Houseki no Kuni é uma das obras que mais me chamou a atenção até agora pelo mundo criativo e misterioso, e como seus temas debatem a existência e vida de seus personagens imortais, mas ao mesmo tempo tão frágeis – tanto fisicamente quanto emocionalmente.


Estúdio:  ShirogumiEMT²
Direção: Kubo Amika
Roteiro: Yoshioka Takao
Anime original
Número de episódios: Indefinido
Uma invasão extraterrestre ataca Harajuku a fim de roubar sua cultura. O apego de três amigas, Mari, Rito e Kotoko, pelo distrito desencadeia um poder dentro delas para que possam protegê-lo. Ao mesmo tempo, uma garotinha que havia sido capturada pelos alienígenas aparece com um mascote em forma de camarão que pretende auxiliá-las em sua trajetória.

Lucina

Urahara é uma peça imaginativa, criativa e colorida sobre o distrito de Harajuku, em Shibuya. Com sua identidade mahou shoujo, que conversa com a moda diversificada pela qual o local é conhecido, é um animê sobre crianças e sobre juventude. O empoderamento das meninas através de seus gostos, sua amizade e seu carinho pelo lugar onde convivem se torna a atração principal que se choca com o posicionamento delas em relação aos “adultos que as abandonaram”.

O primeiro episódio já joga uma bomba em cima de nós (literalmente) ao mostrar a tentativa estadunidense de “eliminar os aliens” que invadiram a área. Considerando que ainda não sabemos exatamente a natureza desse aliens, nós temos essa ideia de conflitos que estão fora do controle dessas meninas, e elas são colocadas no meio da bagunça sem supervisão, apoio ou entendimento da situação.

A fim de que tenham forças para encarar esses desastres, o animê já nos apresenta elas como melhores amigas. Esse laço entre elas é gradualmente reforçado para nós, mas não necessariamente desenvolvido, pois a premissa é colocar o sentimento que elas já possuem entre si e em relação a Harajuku em colisão com os eventos que se fazem presentes.

Ajuda muito que a dublagem delas capture tão bem suas personalidades. São bastante diferentes, abrindo portas para interações engraçadas e fofas. Suas habilidades e trejeitos também são destacados nas horas das batalhas. Com tudo isso dito, será que haverá algum tipo de desenvolvimento individual maior quanto às personagens principais? Ou será que personagens secundárias e/ou episódicas aparecerão eventualmente com esse intuito narrativo? Qualquer que seja a resposta, os diálogos entre elas prometem ser sempre um dos principais destaques de entretenimento do animê. Ainda que não tão a fundo quanto Shoujo Shuumasu Ryokou, Urahara reserva parte dessas conversas para trazer alguma mensagem universal.

Os esquemas de cores pastéis com cenários malucos e ‘inconsistentes’ dão um toque final bem único à série. Não sei prever ainda o que acontecerá na história, tampouco com a menina misteriosa de quem elas estão tomando conta, porém garanto que aprenderemos mais sobre Harajuku ao longo dos episódios por uma perspectiva bem artística. Há espaço para se pensar sobre o que significa os “aliens” ‘roubarem’ a cultura local, e por que elas precisam protegê-la dessa forma, bem como qual a função da garotinha misteriosa e o camarão falante (além deste servir como mascote). Questionamentos que vão depender das abordagens da série com o tempo, o que pode vir a ser bem mais direto e descompromissado do que as possibilidades que me vêm em mente no momento.

Raizon

Animes não são feitos por mágica, e independente do talento de animadores ou diretores, sempre haverá um limite no quão algo possa ser bem feito, também conhecido como dinheiro. Urahara é produzido por empresas pequenas, como o site chinês billibilli e o Crunchyroll, então é fácil notar que esse limite é pequeno. Outro fato é que a diretora é completamente novata.

O que fazer então quando a animação é limitada? A resposta de Urahara é transformar em estilo. Meio que lembra como cartoons do Adult Swim funcionam, mas aqui ao invés de simplesmente deixar feio, há uma preocupação em deixar agradável. Uma beleza quase amadora. Além de colorido. A direção também é, de certa forma, única, dado o fato da diretora ser novata. As cenas são em muitas vezes divididas em quadros na tela, algo que provavelmente ajuda a criar mais dinâmica com a animação limitada.

A história é simples. Aliens invadiram o planeta para roubar sua cultura, então as três protagonistas resolvem proteger o bairro que amam. É uma história de mahou shoujo, mas não dramática como se espera hoje. Somente um tanto psicodélica. Também é uma desculpa para mostrar a cultura de harajuku, visto que as personagens foram originalmente criadas como mascotes de uma loja da região.

A maioria das pessoas não vai dar uma segunda chance para Urahara, visto que a animação não é muito convencional e a história é despretensiosa. Porém, há algo de divertido e charmoso nesse estilo que alguns provavelmente vão considerar um motivo para continuar.

Dimentioluc

Um anime parceria entre o Crunchyroll e empresas japonesas, Urahara fornece uma experiência diferente do anime comum em muitos sentidos, sobretudo na direção geral cheia de gimmicks e na bela arte pastel presente tanto nas personagens quanto nos belos backgrounds disformes da série.

Três garotas adolescentes precisam combater forças extraterrestres que tentam capturar a cultura da Terra. A história se passa em Harajuku, o centro da cultura fashion e jovem do Japão, e as protagonistas inclusive trabalham numa loja de moda. Tudo em Urahara gira em torno dessa cultura pop, feminina e representante de um Japão kawaii. Urahara não quer ser sério, mas criar um playground para seu estilo tão único.

A direção de Amika Kubo, trabalhando como diretora de um anime de TV pelas primeira vez, mas conhecida por seus artísticos trabalhos independentes, é bem não convencional por manter a estrutura temática da obra funcionando num todo. Os pequenos quadros de movimento aparecendo em frente ao background são um bom exemplo dessa vontade de desafiar a percepção comum, presente tanto na história quanto na animação e na direção.

O anime é bizarro num todo e não enrola para introduzir o espectador ao seu mundo. As personagens aceitam rapidamente a existência dos alien e a necessidade do combate direto contra eles. Não é um roteiro que quer criar contexto para a invasão, mas que quer representar a natureza de Harajuku, um local no qual a cultura é criada e expandida e o estranho se é aceito com tanta facilidade.

Urahara é estupidamente frenético em todos os aspectos, o que acaba criando uma bela harmonia de caos e fofura. Existem problemas como a clara falta de staff ou tempo para a animação ficar mais fluída e representante das boas idéias do storyboard. Talvez não para todos, mas que me conquista por ir tão a fundo pela busca de sua própria identidade. Só espero que o anime consiga realizar as criativas intenções de seu staff.


Estúdio: WAO World
Direção: Morii Kenshirou
Roteiro: Hirota Mitsutaka
Anime original
Número de episódios: 12
O anime foca em Minoa Asagaya, uma nova aluna na escola particular Sakaneko. Apesar de ter pouco conhecimento sobre animes, sua colega de classe, Arisu Kamiigusa, convida-a para fazer um “clube de pesquisa de anime” na escola. Através de conversas com seu colega de classe, Miko Kouenji, assim como vários outros colegas com um alto conhecimento sobre anime, Minoa gradualmente se interesse mais em animes.

Raizon

Animegataris é basicamente uma homenagem a animes e seus fãs. Meio como Genshiken, mas deixando de lado aqui o lado mais creepy dos fãs e focando na paixão pela mídia. Me vem em mente o famoso projeto cool japan que o país implementou para a copa, embora acredito que o governo não esteja envolvido nisso. Mas ao objetivo do anime parece ser dar uma imagem favorável ao público otaku que ama animação japonesa. O problema é que, enquanto ignora estereótipos otakus, o anime abusa de estereótipos dos próprios animes, fazendo mais meta do que devia. Também há um elemento sobrenatural aqui que por enquanto parece meio deslocado.

O anime tem seu charme, e o primeiro episódio faz um bom trabalho ao apresentar a premissa. Porém, quando se trata sobre discutir o tema principal que aborda, a escrita é um pouco forçada. Em parte parece mais um tutorial sobre animes e fanbase de animes mais do que qualquer coisa. Não duvido que seja essa a intenção, visto que a protagonista não é uma fã de anime e o gato falante até mesmo dá dicas para ela de como se enturmar. Há diversas referências a títulos populares, tanto novos quanto clássicos, então fãs de longa data vão sentir uma familiaridade enquanto assistem.

Animegataris parece ter a intenção de apresentar anime ao público geral, mas também tentar manter uma boa história. Ao menos em seu segundo episódio, isso provocou um resultado desarmonioso, que tentou apresentar personagens demais enquanto emular discussões sobre animes que o público provavelmente tem na vida real. Se tivermos mais história, desenvolvimento de personagens ao invés de um completo tutorial nos episódios seguintes, ainda pode ser uma série divertida.


Estúdio: Lerche
Direção: Taguchi Tomohisa
Roteiro: Murai Sadayuki
Baseado numa light novel por Sigsawa Keiichi
Número de episódios: Indefinido
Num tipo de fábula moderna, Kino e Hermes, sua motocicleta falante, viajam entre países em que permanecem apenas três dias.

Overkilledred

É uma experiência um tanto surreal voltar a assistir Kino quatorze anos depois do fim da primeira série. Lembro de ter assistido quando tinha uns 14 ou 15 anos e, na época, não consegui apreciar tanto quanto aprecio hoje. Eu cheguei a ler alguns volumes da light novel por curiosidade e consegui absorver melhor a obra, assim como mantive meu interesse renovado mesmo depois de todos esses anos.

Esta nova série pode ser encarada como um reboot, mas pouco importa no final. Kino não é uma série em que a linha narrativa importe. Tudo que acontece na sua jornada é mais algo jogado para o telespectador/leitor interpretar do que uma construção narrativa da própria personagem. Ela é apenas a viajante, afinal. Alguém que está ali para observar e servir como nosso ponto de vista referencial dos eventos que transcendem em cada país.

Nada na série é realmente concreto. Tudo que vemos são conceitos, ideias, questionamentos e provocações em forma de civilizações hipotéticas. A Kino, como nós, está constantemente numa jornada de autoconhecimento e reflexão. Ela quer entender mais do mundo, das relações humana e sobre si própria. A sua jornada é apenas a vida como vivemos.

A animação não é das melhores, mas não é algo necessário pra Kino. Talvez o CGI incomode um pouco pra quem acha a pior coisa do mundo, mas não é algo que usem com tanta frequência pra ser um fator negativo no entretenimento do anime. Esteticamente, embora, o anime consegue ser charmoso e bem vivido com as cores. Por mais mórbido e depressivo que os contos sejam às vezes, essa estética viva e meio surreal, quase como um sonho, é algo que combina bem com a proposta do anime.

A nova série ainda vai animar um ou outro arco que já foi animado no antigo (como o segundo), mas levando em conta o tempo que se passou, talvez seja algo necessário. Considerando que o segundo episódio apresenta um personagem que reaparece algumas vezes em outros arcos, faz sentido terem adaptado ele de novo também. De qualquer forma, a maioria dos episódios vão ser novos arcos, então é quase uma segunda temporada. Se você está gostando da nova série, aproveite pra assistir a antiga. Vale a pena. Kino é bom, pessoal.

Raizon

A versão de 2017 de Kino no Tabi não é uma continuação, como esclarecido pelo próprio autor, mas uma série nova. Dessa forma, há de se esperar que o resultado final não seja o mesmo que se possa querer, se é fã da série antiga. Aqui temos o mesmo esquema de remakes que temos com tantas outras séries, no qual o objetivo é fazer mais próximo do original do que a série antiga. Dessa forma, o resultado é provavelmente diferente do que fãs antigos esperam. Kino tem um design mais similar com o da light novel por exemplo, e o segundo episódio que foi aumentado e com detalhes adicionados na série anterior, aqui mantém a visão original.

No momento não há muito a reclamar da nova série, exceto pelas diferenças visuais em comparação com a antiga, mas isso vai incomodar mais pessoas afligidas pela nostalgia mais do que qualquer outra. Há uma escolha de frase no segundo episódio que impediu de passar a mesma mensagem do original, embora a intenção original seria difícil sem narração. Mas isso demonstra uma direção um tanto menos inteligente, ao menos. Apesar do episódio ter sido refeito somente para apresentar um personagem que será usado novamente no futuro.

No geral, é a mesma série. Como agora adapta mais fielmente a história, podemos esperar os problemas serem mínimos, visto que Kino no Tabi possui em geral histórias que podem ser facilmente incluídas em um episódio. Maiores problemas virão de pessoas que podem não se acostumar com o novo estilo, assim como a comparação com os poucos episódios que serão refeitos.


Estúdio: A-1 Pictures
Direção: Masuyama Ryouji
Roteiro: Zappa Gou
Baseado num mangá por Nakayama Miyuki
Número de episódios: Indefinido
Maika Sakuranomiya tem problema em achar um emprego de meio-período pelo fato dela sempre fazer uma expressão assustadora quando sorri. Isso, entretanto, chama atenção de Dino, o dono de uma cafeteria onde as garçonetes interpretam arquétipos como uma tsundere e uma irmã mais nova. Maika é dada o papel de agir como uma sadista.

Raizon

Mangás da Manga Time Kirara são conhecidos principalmente por um elemento principal: garotas fofas. Geralmente esses títulos são totalmente desprovidos de personagens masculinos, ou possuem personagens masculinos irrelevantes. E quando surge um que tenta ser o contrário, mostra que o melhor é continuar evitando. A premissa de Blend S é no mínimo um tanto creepy. Basicamente um café onde cada garçonete representa um fetiche diferente, então homens frequentam para que elas satisfaçam suas fantasias, como serem humilhados por uma sadista ou receberem uma resposta típica de uma tsundere. É uma fórmula diferente de como títulos Kirara geralmente funcionam, já que tentam evitar esse nível de implicação sexual. O fato que a protagonista não está muito confortável com a situação não ajuda muito.

Outro problema é um dos personagens masculinos principais, que além de extremamente irritante, tem como principal gag o fato de que é apaixonado pela protagonista, com todas as suas cenas sendo uma reação exagerada para com ela. Esse personagem possui uma característica de sangrar pelo nariz quando fica muito excitado, o que parece uma ideia barata de fazer cenas típicas de personagem pervertido sem comprometer tal personagem como de fato pervertido.

No fim, o pior crime de Blend S, porém, é ser extremamente sem graça e esquecível. Slice of life muitas vezes tem a má fama de serem todos iguais, e são coisas como esse anime, sem qualquer alma, que acabam contribuindo para isso. As piadas são prontas do gênero, as personagens não fogem demais de seus estereótipos. Sinto que vou ter várias oportunidades para chamar isso de Bland S.

Dimentioluc

Você já imaginou se a A-1 conseguisse arranjar uma forma de fazer ainda mais temporadas de Working? Blend S está aí para provar que é “possível”.

O staff nem é o mesmo, mas é difícil não comparar. Da abertura com backgrounds coloridos, à mistura de comédia com romance leve, é bastante similar em estrutura a Working.

Adaptação de um mangá da Manga Time Kirara, a obra tenta se dar uma roupagem diferente, com as personagens todas possuindo um gimmick de personalidade bem específico, ao mesmo tempo que segue os passos de sua inspiração até perto demais.

Blend S acaba ficando sem muita identidade e as piadas claramente não conseguem carregar a série. O apelo maior ao público otaku é uma das formas que tenta preencher seu vazio, com referências de anime e fanservice sensual.


Estúdio: Signal. MD
Direção: Okamoto Hideki
Roteiro: Fudeyasu Kazuyuki
Baseado num mangá por Kokuyou Rin
Número de episódios: 10
Depois de largar seu emprego, Moriko, uma mulher de meia idade, se torna uma NEET e decide dedicar todo o seu tempo a um MMORPG. Usando o avatar masculino, ela se encontra com Lily, um jogador que usa o avatar de uma garota meiga, que a ajuda a se adaptar àquele novo mundo.

Dimentioluc

Um romance que tenta inverter os papéis dos personagens por meio de suas interações com avatar de gêneros opostos num MMO. A mulher, que usa um personagem masculino, é mais velha, reclusa e impressionável; enquanto o homem, que usa uma personagem feminina, é mais jovem, prestativo e tímido.

Net-juu no Susume não é tão inovador quanto parece. O gimmick principal é essa inversão, mas de resto flui como uma história de romance normal. Boa parte da interação entre os dois protagonistas é passada rapidamente, acontece um certo timeskip para um momento no qual os dois já são bem próximos. Isso indica que o foco ali deve ser em como seus sentimentos podem sair da esfera virtual e quebrar as barreiras do choque inicial da realidade de quem são, não um espadachim heroico e uma garota mágica, mas uma NEET de 30 anos e um salaryman de 20 e pouco.

Dou destaque para a protagonista, Moriko, que é interessante por assumir tão bem esse papel de “a fera” da relação. Ela se recusa a arranjar um emprego e encarar os perigos da vida social, preferindo viver esse mundo de MMO aonde pode escapar de seus problemas. A dublagem de Mamiko Noto é excelente também, fazendo um tom bem inesperado do padrão dela e dando bastante personalidade à personagem.

Net-juu no Susume não é um SAO. O MMO existe como o ponto de encontro do cast e para demonstrar o quanto usam dele de máscara para suas vidas reais.

Não é um anime que achei ruim. Não é inovador, mas diverte. Lembra um pouco roteiro de dramas japoneses, ainda mais com um ikemen de interesse romântico da protagonista “sem graça”. No entanto, o tom do começo é leve e cômico mesmo que tenha um par adulto de casal principal. É bom para contrastar com a enxurrada de romances adolescentes melodramáticos que andam fazendo.


Konohana Kitan

Estúdio: Lerche
Direção: Okamoto Hideki
Roteiro: Yoshioka Takao
Baseado num mangá por Amano Sakuya
Número de episódios: 12
Yuzu é uma raposinha youkai que sempre viveu nas montanhas, mas muda-se para a cidade para trabalhar em um hotel com águas termais, o Konohana-tei. Este fica em uma cidade que conecta o mundo humano e o espiritual, onde Yuzu aprenderá sobre um pouco de tudo da vida, principalmente com suas colegas do Konohana-tei.

Lucina

Konohana Kitan é um dos tipos de histórias que animês sabem contar de melhor. Slice of life com muitas personagens expressivas, que vão conhecendo umas às outras e a si mesmas ao mesmo tempo em que exploram as maravilhas de um mundo que esse tipo de obra também sabe descrever muito bem, tanto em palavras quanto visualmente. Esses mundos que capturam o lado místico do dia a dia por meio de suas filosofias — neste caso, uma rotina de trabalho em um hotel tradicional Japonês.

Gosto como as primeiras imagens do animê são multidões em meio à cidade grande onde a protagonista, Yuzu, vai trabalhar. Mas, entre todes figurantes, temos destaque aos youkai, que são as criaturas sobrenaturais proeminentes na série. Sem precisar se aprofundar nisso, esses poucos segundos ajudam a normalizar a fantasia no mundano.

Konohana Kitan parece uma mistura de Urara Meirochou e Hanasaku Iroha, com os melhores lados de cada um. Das animações divertidas das personagens à importância que se dá em desenvolver os sentimentos relacionados às circunstâncias de vida de cada uma, há uma montanha de emoções sobrevoando esses primeiros dois episódios. A série enquadra bem o lado bom de se trabalhar em um ambiente de hotel com um ar sobrenatural.

Apesar de suas diferenças, Yuzu demonstra uma grande admiração por sua colega Satsuki. A protagonista constantemente nos lembra de coisas que Satsuki diz para ela como se fossem ensinamentos. Esse lado da Yuzu é muito bonito de se observar, além de ela sempre conectar diálogos do enredo além do fato de Satsuki estar simplesmente xingando ela ‘por xingar’. Mas é difícil não pensar que, por mais que isso caiba na definição narrativa de slice of life, de a Satsuki falar algo aleatório e a Yuzu retomar isso com significado cenas depois, é um tanto vazio e desconexo do jeito como é dirigido, já que Satsuki não pensa tanto antes de falar as coisas. De qualquer modo, Yuzu consegue abstrair essas mensagens da convivência e tirar o melhor de cada momento. Há propósito, porém falta foco nessas cenas. Em outra interpretação, podemos imaginar que elas estão aprendendo umas com as outras aos poucos a partir de conselhos moldados pela experiência com o passar do tempo. Nem sempre elas acertam.

Por mais importantes que os pensamentos de Yuzu ou de Satsuki sejam para determinadas cenas, seria mais interessante se o animê tentasse mostrar o que se passa na cabeça delas indiretamente às vezes, sem palavras. Jogos de linguagem corporal e significados com gestos e objetos ao redor (que existem no animê, realmente) podem nos dar pistas para descobrir muita coisa. Konohana não faz proveito suficiente disso para uma série tão romântica. De qualquer forma, palavras têm, de fato, bastante poder nesse animê, principalmente vindas de Yuzu.

Konohana Kitan tem visuais muito atraentes e um uso de cores que transmite elegância e graciosidade. A composição das cenas combina de forma absurda com a trilha sonora nas cenas mais marcantes, criando esperanças de que a relação entre Yuzu a Satsuki floresça lindamente.

Raizon

Há uma história curiosa em Konohana Kitan. O mangá começou sendo publicado em 2009 na Comic Yuri Hime S com o nome Konohanatei Kitan, escrito e desenhado por Sakuya Amano. Na época, porém, a autora estava envolvida em outros projetos e resolveu colocar a série em hiato. Anos depois, resolveu procurar uma revista na qual pudesse continuar a história, e nas primeiras tentativas, houve diversas condições impostas por revistas que se interessaram em publicar a história. Entre elas colocar um protagonista masculino e transformar num gênero harém, outras pediram para não usar garotas raposas, pois acharam que não teria apelo algum. Só em 2014 conseguiu voltar a publicar a história em sua visão original na Comic Birz, pertencente à Gentosha, renomeada para Konohana Kitan. Quando muitas histórias são destruídas por má decisões de editores, acredito que tem valor em uma história sobre uma autora que lutou para manter a visão original até o fim.

Mas e quanto ao anime? O curioso dessa história toda é que provavelmente ele não existiria se Amano tivesse continuado trabalhando na Yuri Hime, visto quão curtas as séries da revista costumam ser. Também para qualquer pessoa que esteja pensando se a história pode ser considerada do gênero yuri, bom, ela literalmente iniciou numa revista yuri. A nova versão não desmente a versão antiga, sendo uma continuação direta. Inclusive, os primeiros capítulos exibidos são os mesmos que foram publicados na Yuri Hime.

O anime é um slice of life relaxante sobre garotas raposas trabalhando em uma casa de banho para deuses. A atmosfera é muito bem feita e as personagens carismáticas. É também interessante como o cenário é exatamente o de uma cidade clássica japonesa, visto que a maioria dos personagens que aparecem são criaturas como deuses e youkais. Mas o foco está no relacionamento entre a protagonista Yuzu, que sempre viveu uma vida reclusa com as outras personagens de Konohanatei ou clientes que visitam a casa de banhos. Em uma temporada em que a adaptação Kirara existente é no mínimo decepcionante, é bom ter algo que possua um clima semelhante a elas, mas seja bem feito.


Two Car

Estúdio: Silver Link.
Direção: Tamura Masafumi
Roteiro: Takayama Katsuhiko
Anime original
Número de episódios: 12
Segue a história de Yuri Miyata e Megumi Meguro, duas colegiais que disputam motociclismo contra outras seis rivais.

Dimentioluc

Anime de meninas colegiais em corridas de carro. Os diversos pares com personalidades e visuais bem distintos lembram um pouco de um estilo Saki de anime, mas sem charme e com uma vontade estranha de adicionar rivalidades e conflitos quando ainda nem conhecemos as personagens.

Two Car parece antiquado. O triângulo amoroso com o professor sendo a motivação principal, a rivalidade forte entre as duas principais. Pode soar original, mas no fim parece mais uma falta de compreensão do anime em como caracterizar duas garotas competitivas.

A direção é confusa também. O primeiro episódio vai e volta de flashbacks e flashbacks em flashbacks. É outra tentativa de dar originalidade à história, mas que mais fracassa no que tenta.

As corridas do começo ainda não são reais, mas fico receoso do quanto podem trabalhar essa parte do anime. As protagonistas já parecem melhores que as concorrentes, que vão ser sempre as mesmas durante a série toda. Talvez a implicação seja mesmo que o maior desafio delas seja superar suas desavenças.

Sem muita expectativa para uma melhora substancial, mas veremos.


Estúdio: MAPPA
Direção: Park Seong-Hu
Roteiro: Yoshimura Kiyoko
Baseado numa série live-action por Okazaki Takashi
Número de episódios: Indefinido
Em Russell City, uma cidade americana próspera, um presságio que ameaça acabar com a paz dela surge. Um homem chamado Sword é o primeiro a sentir o que está para acontecer, e se joga em uma guerra sombria para expô-la. Sua única pista é a palavra-chave “El Dorado”. Ele conhece Sophie, uma mulher à procura de seu irmão mais velho desaparecido, que a deixou com as mesmas palavras: “El Dorado”. Como Sword também perdeu sua irmã mais nova no passado, ambos são atraídos pelas palavras e trabalham juntos para descobrir o seu significado.

Overkilledred

Para aqueles que não são familiares com a franquia, Garo era uma série tokusatsu conhecido por ter um apelo mais adulto, com um estilo mais sombrio, gritty e violento. Não sou muito fã de toku, mas assisti alguns episódios por curiosidade alguns anos atrás… e ainda me pareceu muito algo que preferiria ver como um anime. Bom, felizmente, resolveram fazer um anime. Ou dois. Três! E o curioso é como são todos bem diferentes visualmente, mesmo embora sejam todos da MAPPA.

O primeiro anime de Garo é divertido, fugindo da premissa da série de se passar nos dias atuais e indo pra um tipo de Espanha-Europa medieval. Lembra um pouco Shingeki no Bahamut, do mesmo estúdio, com uma mistura de ação, drama e humor, que destoava do que a série era conhecida. Não cheguei a ver a segunda série, mas a recepção não foi uma das melhores. E agora temos o terceiro anime, com o estilo visual de Redline, e que parece ser o mais inspirado na série toku.

A premissa não é muito diferente do gênero toku em geral: criaturas que nasceram de emoções negativas dos seres humanos e guerreiros que usam um henshin para equiparem uma armadura que os auxila na batalha contra eles. Como disse, o diferencial da série era fazer algo mais sombrio, mais próximo de um terror, dentro da fórmula que já estamos acostumado.

Vanishing Line é tudo a que série toku parecia tenta ser: ação frenética com um protagonista “badass“, no ápice do rule of cool. Claro, isso implica em ter personagens femininas extremamente sexualizadas e piadinhas com seios enormes. Hollywood estaria orgulhoso.

A animação é bem feita, com a MAPPA realmente mostrando que é um estúdio competente em misturar animação 2D com 3D, e as cenas de ação empolgam bastante.

E é isso, acho. Não é o tipo de coisa que me sinto muito confortável assistindo hoje, mas também reconheço o apelo. Se for fã da série toku, provavelmente você vai gostar. Ou simplesmente se quiser um anime com uma ação bem feita e empolgante.


Estúdio: Wit Studio
Direção: Naganuma Norihiro
Roteiro: Takaha Aya
Baseado num mangá por Yamazaki Kore
Número de episódios: 24
Chise é uma jovem que possui a habilidade de enxergar criaturas mágicas invisíveis a todos aqueles ao seu redor, mas que nunca teve muita sorte na sua vida, sendo sempre rejeitado pelas pessoas ao seu redor, o que a tornou extremamente apática. Não se importando mais com a sua vida, ela decide aceitar ser vendida num leilão como um tipo de raridade.  Ela então é comprada por um estranho mago, que decide torná-la sua discípula.

Overkilledred

Mahoutsukai no Yome é adaptação de um mangá consagrado, que já contava com 4 OVAs que servem de prequel, e provavelmente era o anime mais esperado dessa temporada pela temática com magia e o visual chamativo. E realmente merece toda essa atenção.

A história foca na relação entre Chise, uma garota que é uma existência especial para as fadas, e de Elias, um mago com a aparência de uma besta, que formam um contrato após ele ter comprado ela num leilão. Elias decide torna Chise sua aprendiz e, sem muita justificativa até agora, sua noiva. Como alguém que viveu a vida toda sendo desprezada por todos ao seu redor, uma consequência da sua circunstância especial para as fadas, Chise agora precisa reaprender a aceitar pessoas na sua vida e recuperar sua vontade de viver.

A ideia de ser um conto de fadas moderno, utilizando de áreas isoladas da Europa como background por boa parte, é o que faz o anime ser tão atrativo. A animação do estúdio WIT consegue trazer toda a beleza que aquelas áreas verdes e montanhosas passam, que criam essa alusão a um mundo fantástico que se veria numa high-fantasy. Particularmente, eu adoro o conceito de low-fantasy (pense em algo como Harry Potter) pelo simples contraste que isso cria, a assim como a ideia de ter um mundo escondido, e o quão próximo deixa a magia de nós. O anime entende que o apelo da magia é na sua concepção como algo artesanal, algo que nos fascina na beleza das coisas que ela pode proporcionar – e não a banalizando como poderes extravagantes de um shounen. Como uma personagem define: a magia é algo capaz de criar milagres. E é isso que o anime tenta mostrar.

Mahoutsukai é uma fantasia que consegue trazer o melhor do gênero. É comovente, com um visual belo e detalhado, com uma mitologia que parecia rica. Vale muito a pena acompanhar.


Estúdio: J.C.Staff
Direção: Ishiguro Kyohei
Roteiro: Yokote Michiko
Baseado num mangá por Umeda Abi
Número de episódios: 12
Chakuro é um garoto arquivista  da Baleia de lama, uma ilha quase utópica que flutua na superfície de um infinito mar de areia. Nove em dez dos habitantes da baleia de lama foram abençoados e amaldiçoados com a capacidade de usar saimia, poderes especiais que os condenam a uma morte precoce. Chakuro e seus amigos já avistaram outras ilhas, mas nunca conheceram, viram ou até ouviram falar da existência de outros humanos fora os da sua ilha. Um dia, Chakuro visita uma ilha tão grande como a Baleia de lama e conhece uma menina que mudará seu destino.

Dimentioluc

Um anime visualmente lindo da J.C. Staff, com um mundo interessante, um protagonista não convencional e muitos mistérios. Ishiguro Kyōhei, o diretor, já foi responsável por outros anime com excelente qualidade visual e Yokote Michiko, a escritora principal, é talentosa e uma das minhas favoritas na indústria. Não me espanta o resultado inicial ser tão bom.

KujiSuna oferece um cenário isolado como ponto de partida da história, uma ilha navio viajando num mar de areia. Chakuro, o protagonista, é o arquivista da pequena sociedade que lá existe, dividida entre as pessoas com poderes psíquicos e vida curta e aqueles sem esses poderes, mas com vidas de longa duração em troca.

A quebra do status quo se dá quando Chakuro e seus amigos encontram uma outra ilha e nela uma garota com poderes similares aos deles. Isso impacta a estrutura do “navio”. Existem mistérios relacionados à menina e o mundo exterior que podem destruir a ordem mantida pelos velhos que controlam a comunidade.

É difícil avaliar o quão bem KujiSuna explora seus temas no começo. É bastante introdutório, mas funciona ao atiçar a curiosidade do espectador e o fisgar com uma arte tão única e bonita. Chakuro, ao não ser um típico herói destemido e forte, é interessante como protagonista, e sua principal qualidade é a empatia que sente pelos outros – indo ao ponto de chorar por pessoas que nunca conheceu. Qualidades normalmente associadas às heroínas de muitas histórias de aventura, mas que fazem dele um protagonista especial numa história que parece  tratar da necessidade das emoções na sociedade humana.

O fim do episódio dois abre muitas possibilidades para o anime. Agora é torcer para a qualidade ser mantida, mesmo com o tone shift que deve vir logo no próximo capítulo.


Shoujo Shuumatsu Ryokou

Estúdio: White Fox
Direção: Ozaki Takaharu
Roteiro: Fudeyasu Kazuyuki
Baseado num mangá por Tsukumizu
Número de episódios: Indefinido
Acompanhamos as aventuras de duas meninas, Chito e Yuuri, que tentam sobreviver em um mundo sem pessoas. As duas vagam sozinhas pelas ruínas de civilizações em busca de suas necessidades básicas enquanto encontram significado em pequenos momentos do dia a dia.

Lucina

Em talvez uma das maiores coincidências relacionadas a animês que ocorreram comigo recentemente, eu me encontrava pensando em ‘introduções’ em geral no mesmo dia em que vi Shoujo Shuumatsu Ryokou. Como é difícil encontrar introduções cinemáticas, que exploram bem o ambiente e tentam fazer o máximo da atmosfera antes de começar a apresentar a história e personagens. Não que seja necessário, mas animês, particularmente os que adaptam mangás, costumam se preocupar muito em cobrir o roteiro minuciosamente em seus episódios, e acabamos tendo muita tradução literal de uma mídia para outra sem saborear momentos que só a animação, com todos seus recursos audiovisuais, pode proporcionar. Para minha surpresa, Shoujo Shuumatsu ultrapassou minhas expectativas ao ter um dos melhores primeiros minutos em um animê de temporada que vi nos últimos anos.

Um ponto de luz na escuridão. Shoujo Shuumatsu inicia essa nossa jornada com um ambiente frio, sem vida, mecânico, neutro. Um pingo de água de um cano que não é usado por humanos há muito tempo pode dar a largada para encontrar o que se procura. Sem que o clima se torne demasiado sinistro, uma música afável nos convida a dar uma olhada em um pequeno veículo pilotado por duas jovens nesse ambiente sombrio. Dramático na medida para nos dizer que elas têm um objetivo, convidativo na medida para nos fazer pensar que elas estão em uma aventura, agora estamos prontes para descobrir quem são nossas heroínas: Chito e Yuuri.

Em busca de uma saída (e de comida) desse tal lugar subterrâneo em que elas se encontram — e que elas mesmas sequer saber dizer onde é — , as duas conversam como se já se conhecessem há algum tempo. Suas interações são dinâmicas a ponto de poderem nos divertir muito e de saberem dividir as tarefas e conhecimentos a partir de suas habilidades. Em meio às conversas, dizem que estão nesse lugar há semanas, talvez, já que perderam um pouco a noção de tempo e seus olhos agora estão acostumados com a escuridão. Quando finalmente encontram uma saída, são iluminadas, quase cegadas pela claridade da rua. O que talvez não esperássemos por essa energia que a cena nos passou, mas sendo exatamente a reviravolta da atmosfera para se conectar com o fato exagerado de elas estarem tão desacostumadas com a luz da natureza, é que essa luz fosse do céu noturno.

Shoujo Shuumatsu é, em teoria, um animê pós-apocalíptico. Como tal, ele traz diálogos relacionados a guerras, desastres e vários aspectos que levam seres humanos à destruição. Ainda assim, por mais difícil que seja dizer isto às vezes, a vida continua. Ela tem que continuar, e nosso cotidiano muitas vezes não muda tanto assim. Se muda, nos adaptamos.

Levantando a voz sem necessidade em brigas bobas, se encantando com estrelas cadentes, a obra ainda mantém toda uma sensibilidade ao tratar das personagens. Quando quer, retrata a situação delas com certa secura, beirando à apatia, como se estar usando uma arma como passatempo (e esse som ser o único que soa em quilômetros) fosse consequência de um mundo que deu errado. Quando precisa, volta ao tom mais acolhedor.

Com todas as ferramentas para ser uma adaptação acima da média, Shoujo Shuumatsu Ryokou é incrível do início ao fim. Para que os próximos episódios sejam tão divertidos quanto a estreia, e feitos com a mesma paixão.

Raizon

Quando se pensa em histórias pós apocalípticas, o que tendemos a imaginar são histórias violentas, com guerra, mortes. É exatamente isso que Shoujo Shumatsu não é. A história aqui se passa após a guerra ter acabado, e as protagonistas são supostamente as únicas sobreviventes naquele mundo. Os episódios acompanham o dia a dia delas tentando sobreviver nesse mundo devastado e com poucos recursos. Se trata basicamente de um slice of life em um cenário raramente usado para o estilo.

Apesar do foco do dia a dia, a série trata de momentos sérios, lidando com a sobrevivência e a questão que as personagens encontram nesse mundo. Afinal, estão em uma situação na qual precisam aprender tudo sozinhas. Dessa forma, questões existenciais também não são ignoradas. Se considerarmos o tipo de arte que a autora fazia antes de começar uma série, faz sentido que a história montada por ela possua uma carga um tanto pesada.

Shoujo Shuumatsu é um dos títulos com maior potencial nessa temporada. Desde a premissa interessante, personagens bem escritas, ótimo visual e estilo único. Detalhe para o fato de que a animação do encerramento é desenhada pela própria autora.

Dimentioluc

Histórias pós-apocalípticas nos interessam. A idéia de um mundo em seu epílogo permite que o possamos resumir e tentar o entender. O que levou ao seu “fim”? Como ele era? Quem eram aqueles que viviam ali?

Shoujo Shuumatsu Ryokou mostra o cotidiano de duas garotas que vivem e viajam por uma Terra sem mais ninguém. As duas chegaram a viver o fim de uma guerra, mas eram muito crianças para entender exatamente o que estava acontecendo. Isso cria um dos fatores únicos deste anime, é uma história pós-apocalíptica no qual o mundo acabou durante o processo de crescimento das duas protagonistas – que se desenvolvem agora dependendo uma da outra, de suas interações e como convivem com as lembranças deixadas pela humanidade que se foi.

Chito é séria, inteligente e facilmente irritável, Yuuri é infantil, bobal e despreocupada. A dinâmica entre as duas é reminiscente de outros slice of life, com Chito ficando incomodada com sua amiga causadora de problemas, mas sempre no fim a união das duas passando por cima disso.

Essas personalidades dão base para conversas interessantes. A ignorância de Yuu sobre o porquê pessoas guerrearem se é ruim para os dois lados soa sábia, ao mesmo tempo que inocente, enquanto Chito responde usando seu conhecimento “guerreavam porque os dois lados tinham interesse numa mesma coisa”. Logo mais tarde no episódio, Yuu usa da força para tomar uma barra de chocolate de Chi. São pequenas interações representando a mentalidade humana nas duas..

A produção é excelente. Os cenários são lindos e vastos, sempre deixando claro que até pouco ali existia uma sociedade viva – é ligeiramente melancólico para contrastar com a vida tão presente nas duas protagonistas. A animação é ótima também e utiliza bem o estilo artístico das personagens, com seus rostos parecendo de massinha de tanto que são distorcidos ou amassados para efeito cômico.

A apresentação inicial de Shoujo Shuumatsu Ryokou é de um anime de contrastes. Chito x Yuuri, a solidão absoluta de um mundo vazio x a companhia constante das duas, as memórias da guerra espalhadas pelo cenário x a paz total do pós apocalipse. Numa Terra adversa e fria, duas meninas que aceitaram sua realidade, vivem uma rotina de sobrevivência e cooperação como se fosse a coisa mais típica do mundo.

Talvez meu preferido da temporada nesse começo. A expectativa de mais um pouco desse moe um pouco depressivo, boas interações e um certo comentário social é empolgante. Que seja um bom tour.


Estúdio: A-1 Pictures
Direção: Satou KeiichiYabuta Shuuhei
Roteiro: Ayana Yuniko;  Sugawara Yukie
Baseado num jogo de celular da Bandai Namco
Número de episódios: 13 
Spin-off da popular série de idols. Acompanha a vida de um grupo de idols homens.

Dimentioluc

Quando se tem uma franquia tão grande quanto idolm@ster é esperado que certos padrões de qualidade sejam alcançados. Nem sempre se consegue atender à expectativas tão altas, mas ao menos o começo de Side M inspira confiança.

O spin-off masculino da famosa série de idol é carismático e divertido. Tanto o OVA do Jupiter quanto os dois primeiros episódios focam em detalhar o começo da agência 315 e o início da carreira dos diversos homens que foram contratados para esse lançamento.

As histórias são simples, tratando do desenvolvimento interno dos vários grupos da 315. A vantagem de Side M em relação às várias adaptações de mobile com vários personagens é como o anime soa natural. Não existe uma necessidade constante dele de repetir o nome dos personagens ou criar diálogos inúteis.

É interessante ressaltar também o o quão similar  é com anime de idols garotas do que com séries como Utapri. Existe uma positividade absurda exalando de cada personagem, os diálogos são leves e o foco é sempre em retratar como interagem um com o outro – não muito diferente do iM@S original.

As cores vivas e animação decente (temos até cenas de dança que não parecem retiradas de um PS2!) deixam esse anime ainda mais divertido de se assistir casualmente. É uma boa série que oferece fanservice para os fãs do material original, mas ao mesmo tempo não abandona quem está vindo conhecer esses personagens apenas agora pelo anime.


Estúdio: Shaft
Direção: Shinbou Akiyuki
Roteiro: Seko Hiroshi
Baseado num mangá por Umino Chika
Número de episódios: 22
Kiriyama Rei, um prodígio do shogi, conseguiu sua independência aos 17 anos e vive sozinho. Mas seu passado ainda o tormenta e ele precisa superar seus traumas se quiser seguir com a sua vida. Ao lado de seus companheiros de shogi e de três irmãs, Rei tenta recuperar o que perdeu no passado.

Overkilledred

Sangatsu é um anime sobre depressão, o que talvez não seja óbvio para muitos. E acredite, muita gente falha em notar isso ao focar no shogi, sem notar  o que ele simboliza.

Rei, após ter perdido sua família, e se sentir culpado por destruir outra, encara o shogi, algo que ele se destaca, como a única coisa que dá valor a sua vida, algo que ele pode focar todo o tempo da sua vida e não pensar na dor que ele carrega. Para quem encara a depressão como algo alienígena, talvez certos traços de personalidade do personagem não sejam claros, como o fato dele estar sempre fazendo caminhadas à noite e procurar um lugar para limpar sua mente. O anime ilustra muito bem essa necessidade ao transformar a cidade à noite numa pintura Van Goghiana, um lugar misterioso e atraente, que nos enfeitiça e relativiza todos os nossos problemas. É isso que Rei está sempre buscando quando não consegue encarar sua dor.

O que Rei aprende no decorrer do anime é que o shogi  em si não é tudo na vida dele, mas sim as relações que ele pode conseguir através dele. Cada partida também servia como uma forma dele entender o ponto de vista de cada jogador, de que forma o shogi era importante para eles, e o que ele podia aprender de tudo aquilo.

O anime possui uma ótima direção de arte, que consegue transmitir muito bem o que cada personagem está sentindo. O primeiro episódio dessa segunda temporada faz um contraste bem interessante com o da primeira para mostrar como a vida de Rei mudou, por exemplo. Como uma adaptação, Sangatsu realmente mostra todo o potencial que uma animação agrega.  E continua surpreendendo. O Shinbou, como diretor, realmente evoluiu muito.


Hoozuki no Reitetsu 2nd Season

Estúdio: Studio Deen
Direção: Yoneda Kazuhiro
Roteiro: Gotou, Midori
Baseado num mangá por Eguchi Natsumi
Número de episódios: 13 
Sequência de Hoozuki no Reitetsu. Num inferno extremamente burocrático, Hoozuki, como a figura de maior poder atrás apenas do Rei Enma, tenta resolver todos os problemas que acontecem por lá.

Overkilledred

Muita gente parece ter problema em conseguir gostar de animes de comédia. Algumas vezes pelo tipo de humor, ou simplesmente por ser muito inacessível devido as referências culturais. Hoozuki é com certeza o segundo caso.

O anime nos apresenta o inferno budista como uma instituição burocrática do governo, parodiando o fato de que ele de fato se assemelha a uma pela forma como se organiza. Existem várias áreas lá, um para cada tipo de crime ou pecado, e cabe a administração gerenciar isso. Hoozuki é o oni que de fato controla tudo e consegue manter as coisas nos seus eixos, com o Rei Enma, a entidade que, segundo o budismo, julga os mortos no submundo, sendo apenas o governante simbólico.

O humor do anime se baseia tanto nessa questão burocrática de como se organiza o inferno, como em referências à mitologia e a mídia japonesa em geral. Referências a programas de TV, comerciais, celebridades e, claro, outros animes. Para alguém que não se interessa tanto ou não tem nenhum contato com isso, a maioria das piadas provavelmente não vão surtir o efeito desejado.

Por outro lado, o humor de Hoozuki não é aquele manzai tradicional que você veria em Gintama, por exemplo. Não há aquelas retóricas cômicas aos berros, embora ainda seja comum cenas bem exageradas. Mas o humor reflete muito a personalidade de Hoozuki, alguém frio e pragmático, que tende a resolver as questões da forma que melhor lhe convém. É tudo contido, com um ritmo mais lento, quase como um slice of life, que cria uma sensação agradável de acompanhar, com o humor surgindo naturalmente na construção do episódio.

Talvez não seja para todos, mas ainda sim é uma comédia refrescante para aqueles que não costumam gostar delas. Mesmo sendo de outro estúdio, mesmo sendo do Deen, a qualidade se manteve, assim como o humor. Recomendo muito para aqueles que não assistiram a primeira temporada.


Estúdio: Sunrise
Direção: Jukki Hanada
Roteiro: Seko Hiroshi
Anime original
Número de episódios: 13 
Sequência de Love Live! Sunshine!!, spin-off da popular série.

Dimentioluc

A segunda temporada de Sunshine começa de uma forma estranha. Logo de cara a primeira cena parece saída diretamente de um musical, com um diálogo “meta”, personagens falando em grupo de uma maneira estranha e as falas sendo todas direcionadas à “câmera”.

O primeiro episódio inteiro desta temporada tem um tom estranho de querer relembrar o espectador da síntese de Sunshine. De como não são o u’s do original, mas que com a força de vontade podem salvar sua escola da mesma forma.

É estranho isso, considerando o quanto a primeira temporada fez questão de separar os dois grupos. As Aquors não são o u’s 2.0 na primeira temporada, elas até tentam acreditar nisso, mas a história prova que a realidade é mais complexa e que nem sempre somos os “escolhidos”.

A cena da Chika no fim desse episódio é estranha também. Ela vai correndo sozinha de manhã renovar seus votos de esperança num campinho e, por acaso, todas as membras do grupo estavam lá. Todas com suas frases de efeitos e pensamentos semelhantes ao de Chika.

Love Live funciona porque é natural. São garotas comuns que tentam se tornar idols. Elas possuem problemas pessoais e não são agenciadas, uma face mais humana do que a apresentada por outros anime de idol. Por isso o primeiro de Sunshine S2 me incomodou: é estranhamente superficial, como se o roteiro todo tivesse sido feito no automático e ignorando a individualidade das personagens e só as colocando como um grupo em uníssono.

O segundo episódio já é mais do que quero ver. Desavenças e reconciliações. O drama em Love Live não precisa ser grande, mas humano, e mostrar uma discussão interna entre as garotas do Aquors as humaniza mais que uma cena “épica” aonde todas por acaso pensaram a mesma coisa.

Rant aleatória feita: eu tenho esperanças de ver mais uma boa temporada da franquia. As personagens são divertidas e o humor é bem leve, do estilo que gosto. Produção é de qualidade também. Só que, por favor, deixem a saga das Aquors ser mais que uma repetição de uma história que já vimos.


Kekkai Sensen & Beyond

Estúdio: Bones
Direção: Takayanagi Shigehito
Roteiro: Kamo Yasuko
Baseado num mangá por Nightow Yasuhiro
Número de episódios: 12 
Continuação de Kekkai Sensen, com um novo diretor.

Lucina

Como uma grande fã de Kekkai Sensen, tenho alguns sentimentos controversos quanto a esta segunda temporada até então. Grande parte da produção que fez Kekkai Sensen ser tão dinâmico e divertido está de volta, não há muito o que criticar até aí, só o que aproveitar. Por outro lado, talvez tenha me acostumado demais com o clima criado pela diretora Matsumoto, e a troca de direção me atingiu mais forte do que esperava.

Pode ser que parte de mim esteja rejeitando a mudança antes mesmo de testá-la, mas é difícil não comparar, já que a sequência é dirigida por Takayanagi Shigehito. O animê tem emulado o estilo e o feeling geral que vimos anteriormente, mas parece que voltou sem algo que fazia a primeira temporada ser especial.

Como alguém que não leu o mangá, não sei qual caminho estamos tomando, mas sinto que estaremos o adaptando mais fielmente desta vez. Onde Kekkai Sensen & Beyond falha é em não nos fazer sentir ‘em casa’, levando em consideração que a Libra sempre foi tratada como uma família para o Leo. Isso definitivamente possui o toque da Matsumoto, mas, em vez de meramente trazer de volta a música, o estilo de luta e o ritmo do humor, a estreia precisa nos fazer ver mais do cenário costumeiro, algo que nos relembre a maestria da química dessas personagens e, talvez mais importante, trazer um senso de propósito para o enredo principal. Como a primeira temporada nos deu um rumo diferente do original do mangá, agora precisamos saber para onde ir. Parece que Kekkai Sensen & Beyond voltou a contar histórias episódicas sem fazer qualquer conexão entre o arco final da primeira temporada — que foi um evento fenomenal na vida do Leo — com o que veremos daqui para frente. O roteiro aparenta querer voltar a adaptar o mangá como se nada demais tivesse acontecido, mas o primeiro episódio, inclusive, faz questão de ter uns segundos de flashback da White, o que desmente essa noção.

Kekkai Sensen & Beyond já é bem diferente do que veio antes dele. Ser diferente não é ruim, porém a comparação é inevitável. Como mencionado antes, a série continua bem divertida dentro de sua proposta geral. O problema é termos ido de uma insanidade mágica para uma série de ação sobrenatural apenas competente de uma hora para outra. Nos faz querer que Kekkai Sensen se esforce mais para mostrar tudo o que pode. Espero que, até o fim desta temporada, ela prove que conseguirá repetir a façanha de ser tão incrível quanto sua antecessora — ou que, no mínimo, abra portas para encontrar o que está faltando.


Yuuki Yuuna wa Yuusha de Aru: Washio Sumi no Shou

Estúdio: Studio Gokumi
Direção: Kishi SeijiFukuoka Motoo
Roteiro: Takahiro
Anime original
Número de episódios: 6
No ano 298 da era dos deuses, as meninas Sumi Washio, Sonoko Nogi e Gin Minowa são encarregadas de uma missão importante: devem se tornar guerreiras e lutarem contra Vertex, um inimigo misterioso que está atacando Shinju-sama, o árvore divina que protege Shikoku, a única área no mundo ainda é habitável. O que eles não sabem é que essa luta os custará mais do que jamais imaginaram.

Raizon

Depois do sucesso de Madoka, diversos animes surgiram teoricamente tentando chamar atenção do público querendo o que começaram a chamar de mahou shoujo dark. Embora a maioria dos projetos fossem ideias antigas, é justo considerar que a produção saiu do lugar ou acelerou por conta do sucesso da obra anterior. Porém, a maioria desses títulos acabaram sendo ou cópias baratas ou desinteressantes. Dois que tiveram destaque foram Symphogear e Yuuki Yuuna. Symphogear logo parou de fingir que a ideia é ser dark e só continuou como um bom anime de ação. Yuuki Yuuna, por outro lado, funciona por usar uma alternativa totalmente diferente de Madoka.

Yuuki Yuuna é sobre heroísmo. A primeira temporada nunca abandonou essa ideia, e, mesmo quando o drama começou, nunca fragilizou as personagens de forma que pareçam menos que heróicas. A segunda temporada começa como uma prequel da primeira, e, até o momento, a atmosfera e intenção é parecida. Não que faça sentido julgar isso agora, sendo que essa história foi escrita como uma light novel ao mesmo tempo da primeira. Mas podemos notar aqui melhor a caracterização de personagens que conhecemos pouco, como Sonoko (que por sinal é a personagem mais adorável da série toda) e Minowa, assim como descobrirmos como Washio era antes de perder a memória. Para quem não lembra, Washio é a Tougou da série principal.

A única coisa que me preocupa é se a série não cairá no erro de começar a colocar dramas inconsequentes somente para chamar atenção. Por mais que a série antiga trabalhava o sofrimento das personagens, ela nunca deixou de lado suas ações heroicas. Esse deve ser o foco que não deve ser esquecido para essa continuação não perder a qualidade.


Wake Up, Girls! Shin Shou

Estúdio: Millepensee
Direção: Itagaki Shin
Roteiro: Green Leaves.
Anime original
Número de episódios: Indefinido 
Sequência de Wake Up, Girls!, com novo estúdio, diretor e design.

Raizon

Infelizmente é difícil pensar em Wake Up, Girls sem pensar no diretor anterior. Yutaka Yamamoto, ou Yamakan como já foi apelidado, é infame na indústria por atos que vão desde declarar anime morto e insultar seus fãs, até tentar diminuir os crimes cometidos pelo Japão na segunda guerra. Por motivos desconhecidos, ele foi despedido do projeto WUG, apesar de ser um dos idealizadores desse. Desde então Yamakan tem criticado toda a equipe nova do anime no twitter frequentemente. Recentemente, após o primeiro episódio da nova temporada, ele lançou outros de seus twitter furiosos quando as dubladoras fizeram uma brincadeira sobre como a calcinha das personagens não apareceu no primeiro episódio da segunda temporada. O antigo diretor tomou as dores pelo assunto, apesar de seu nome não ser citado.

O histórico de Yamakan é importante porque a primeira temporada de Wake Up, Girls ainda é elogiada como sendo uma crítica à indústria de idols japonesa. Crítica essa feita pelo cara despedido por supostamente assediar colegas, que criticou uma cantora que foi esfaqueada por um louco por “desrespeitar seus fãs” ou se recusa a admitir que Japão obrigou mulheres a prestar serviços sexuais a soldados japoneses na guerra. A crítica de Yamakan na primeira temporada também serviu de desculpas para um dos pantyshot mais descarados, além de um episódio inteiro com as garotas em roupa de banho enquanto homens velhos passam a mão nelas. Normalmente, o melhor seria um projeto assim morrer de vez, mas considerando que as dubladoras realmente tem sua carreira como idol e não tem culpa nenhuma na história, até mesmo criticando as decisões do diretor, sinto que tirá-lo do projeto e tentar uma nova visão foi a melhor alternativa, e torço para que isso dê certo.

Apesar de tudo isso, a nova temporada não está abandonando a crítica à indústria, mas parece levar ela a um nível de menos mau gosto, como vemos no primeiro episódio no qual o grande grupo de idol A-1 está fechando uma de suas units por falta de popularidade. WUG, como um grupo impopular dentro da indústria, provavelmente ainda terá muitas dificuldades pela frente, mas, se a entrevista com as dubladoras for algo a ser considerado, provavelmente não precisarão tirar a roupa para isso dessa vez.


Himouto! Umaru-chan R

Estúdio: Doga Kobo
Direção: Masahiko Ohta
Roteiro: Takashi Aoshima
Baseado num mangá por SankakuHead
Número de episódios: Indefinido 
Sequência de Himouto! Umaru-chan. Acompanha a vida de Umaru, uma garota esforçada e popular na escola, mas que age como uma NEET preguiçosa em casa.

Dimentioluc

A segunda temporada de Umaru tem algumas mudanças claras na personalidade da personagem principal ao mesmo tempo que mantêm uma estrutura similar à temporada passada.

Umaru agora é menos mimada. Enquanto ela continua tendo uma personalidade explosiva em casa, a vemos se empolgando com a perspectiva de sair com as amigas ou mantendo a limpeza da casa para ajudar o irmão.

As interações entre ela e as outras três garotas da história (Ebina, Kirie e Sylphyn) também são mais comuns e “positivas” no geral. A temporada já começa com a amizade entre elas bem estabelecida e começa a explorar situações de comédia com as personalidades tão diferentes delas entrando em contato.

Outro aspecto interessante é o quanto as personalidades diferentes da Umaru (da escola, hamster e UMR) parecem mais relevantes. Com as suas amizades consolidadas, ela precisa manter relações únicas com cada uma das garotas de acordo com o “disfarce” que usa naquele momento.

Enfim, no geral é mais da primeira temporada, mas com uma protagonista mais gostável. Eu mesmo achava ela um pouco irritante no original (embora fosse até a intenção), mas agora sinto uma simpatia maior por ela.

Como fã do estúdio Doga Kobo, é impossível não me divertir só pela divertida produção. Um bom slice of life casual para acompanhar.

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