TEMPORADA DE PRIMAVERA & VERÃO 2017 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Finalmente saindo um post que sempre tivemos preguiça de fazer antes.  Como todo blog genérico de anime, vamos comentar os animes que acabaram nessa temporada, incluindo a segunda cour de animes da temporada passada, e se realmente valeram a pena ou não acompanhar até o fim.

É sempre complicado falar do começo e tentar julgar a obra como um todo, mas também é difícil esperarmos que as coisas se tornem melhor depois de x episódios. Mais ainda que o final salve tudo. Só que acontece. E é por isso que vale a pena insistir às vezes.  Só que às vezes as coisas perdem totalmente o controle e, quando você percebe, a protagonista tem um rei genocida como par romântico e tudo começa a encaminhar de um jeito que parece querer te provar que ninguém tinha noção do que tava fazendo com o roteiro.  Fazer o quê. Fica aí nossas considerações finais.



 Overkilledred

Isekai Shokudou

Isekai Shokudou talvez não tenha sido o anime mais ambicioso dessa temporada, mas provavelmente foi o mais agradável de assistir. Num formato episódico, com alguns callbacks à arcos e personagens passados, o anime trabalhou bem com a sua temática e conseguiu se manter renovado com cada episódio.

Meu receio com a série, entretanto, foi o fato dos personagens principais não interagirem mais. Seria uma boa forma de conectar personagens que, de outra forma, não teriam se conhecido. Cada personagem parecia que estava vivendo sua própria história, sem se preocupar muito com os outros clientes, o que fazia os arcos serem um tanto desconexos. Seria interessante, por exemplo, ver povos e raças inimigas chegando num tipo de trégua devido ao relacionamento deles com o restaurante. Ou simplesmente ser um tipo de intercâmbio cultural para eles. Meu ponto é que não conhecemos tão bem o outro mundo através dos personagens, apenas um pouco da suas vidas lá, e muita coisa ficou vaga.

Ainda sim, o foco do anime é o choque cultural de cada um ao experimentar algum prato do Neko-ya e como isso despertava algum sentimento neles, que então criavam uma relação afetiva com o restaurante. Embora simples, o anime conseguiu aproveitar bem a sua premissa.

A animação realmente se preocupou em fazer os designs dos personagens, da comida e do restaurante serem muito chamativos  e atraentes, assim criando um clima agradável. Foi um anime charmoso que se voltou para o que podia destacar para criar uma imersão maior, sem se preocupar em parecer desleixado em outras partes.

Talvez se torne repetitivo para alguns depois de um tempo, e é muito improvável que ele se torne melhor para quem não gostou desde o começo, mas Isekai conseguiu ser atrativo para mim do começo ao fim. Espero ansioso por uma segunda temporada (o que não parece muito provável, mas ainda tenho esperanças).


BALLROOM E YOUKOSO –
PRIMEIRA COUR

Chega ao fim o primeiro arco de Ballroom e é curioso pensar que a primeira competição do anime foi sobre fazer outra personagem que não o protagonista ganhar a competição. É uma pena que isso pareça o fim da relação entre o Tatara e a Mako, mas é interessante pensar que o anime vai tomar outro rumo na segunda cour.

O anime ainda me conquista em tratar o Tatara como o iniciante que ele é, e estabelecer uma derrota logo no primeiro arco. Em mangás de esporte, a derrota é sempre algo distante, que acontece depois de já ter estabelecido o grupo de protagonistas como capazes. Aqui, o protagonista não é um gênio que vai chegar num nível profissional com alguns meses de treinamento. Ele ainda precisa caminhar o que seus companheiros caminharam por anos. A frustração dele em ter conhecido a dança de salão tão tarde na sua vida é algo que você entende e simpatiza com o seu sofrimento. Isso que faz Ballroom ser tão interessante.

Embora o Tatara tenha se provado ao fazer a Mako derrotar a Shizuku, boa parte do mérito ainda é dela. A jornada dele ainda está bem no começo e, pelo visto, ainda há a questão de quem vai ser sua parceira. Bom, o PV do segundo cour já revelou isso, então não tem muito o que especular. De qualquer forma, estou muito ansioso por ela!


BOKU NO HERO ACADEMIA
2ND SEASON

No meu preview sobre a segunda de Boku no Hero Academia, eu escrevi que o ritmo estava atrapalhando demais o meu entretenimento, já que usava recursos desnecessários como uma introdução e uma recapitulação, e era muito frustrante ter esse tempo de tela perdido. Fora o fato de que esticavam demais algumas cenas, algo já notável desde a primeira temporada. O fato é que a Bones estava muito preocupada em ir adaptando a série sem queimar todo o estoque de capítulos de uma vez, o que é bom por um lado, pois podem sempre se manter numa distância segura e evitar fillers. Embora, por outro lado, gera um ritmo lento que tira o interesse. Felizmente, Bones é um estúdio extremamente competente e soube encontrar um ritmo decente ainda no começo da série, além de conseguirem prender com uma animação fantástica.

A luta entre o Deku e o Todoroki já se tornou um clássico, não só pela incrível animação do Yutaka Nakamura, mas também pelo peso dramático. E isso é algo que esse arco de BokuHero soube tratar bem. Ele conseguiu subverter o arco clichê de um torneio e transformou em batalhas de superação. O core da série é realmente sua parte mais emocional, em que cada um dos personagens tenta da sua forma ser um herói, uma idealização dos seus princípios, e o caminho que devem percorrer até lá. O fato de que há consequências em toda ação que o Deku toma ilustra muito bem isso.

O arco do Hero Killer é interessante pelo personagem, mas um tanto abrupto e com uma conclusão rápida que não o explora tão bem. Mas bem, a ideia das consequências do arco é realmente o legal dele, então não tive tantos problemas assim com ele.

O último arco foi bem divertido por focar nos outros personagens e como cada um deles trabalha em equipe. Um problema comum em shounens é nunca saber lidar bem com um cast grande, os tratando como personagem sem importância ou simplesmente os jogando de lado da história, mas BokuHero conseguiu aqui tirar um pouco do peso de carregar a série nas costas do protagonista e dividiu com os outros personagens. Afinal de contas, todo mundo lá é um aspirante a herói com um poder interessante, então nada mais justo que explorar isso.

Com um ritmo lerdo no começo, mas que se encontra depois, e com arcos variados que tratam bem os personagens e entregam muita ação, a segunda temporada foi bem proveitosa, diferente da primeira. Que venha a terceira!


LUCINA

SAKURA QUEST

O que mais me impressionou em Sakura Quest foi a construção das personagens. Os desenvolvimentos delas, em si, são ótimos, mas a complexidade de suas personalidades e como se encaixam no roteiro é o que mais brilhou ao longo desses 25 episódios.

Maki parece começar como uma personagem cool demais para se importar com o que as outras meninas estão planejando. Logo vemos que isso é mera questão do estilo dela, já que Maki é bastante engajada com qualquer projeto em que ela se envolva. Ao mesmo tempo em que o animê faz ela passar por um arco onde precise voltar aos seus sonhos largados por medo e por rejeitar uma indústria problemática, Maki segue correndo atrás de ser uma atriz do seu próprio jeito ao formar um grupo de teatro em Manoyama, em oposição a lidar com atuação a partir de normas sociais inconvenientes.

Shiori aparenta ser uma menina que está sempre sorrindo, que gosta de todo o mundo e raramente se irrita. Alguém que não olha para si mesma por “não ter grandes problemas internos”. O animê desafia isso ao fazer ela se questionar bastante para expandir seus horizontes. Por bons motivos, temos até a oportunidade de presenciar um lado egoísta de Shiori. Embora não goste de conflitos, ela consegue confrontar qualquer pessoa se for colocada em uma posição onde externar suas opiniões seja necessário.

Ririko se apresenta por um bom tempo como a personagem “estranha” e antissocial que só tem olhos para o seu mundinho. Personagens como ela normalmente seriam vistas sempre se escondendo atrás de alguém com aparência mais forte — como Shiori. O que muda essa nossa visão dela é aprendermos sobre seu interesse em contos, tradições, pessoas, no mundo. O arco dela é muito sobre valorização da cultura, seja da terra dela ou de outros lugares. Seu crescimento pessoal e o suporte que recebe de suas amigas faz do seu desenvolvimento meu favorito.

A primeira vez que colocamos nossos olhos em Sanae, ela aparenta ser a “nerd desleixada”. Em um segundo momento, já vemos que ela é a que mais gosta de se vestir e se arrumar para sair. Todo o contraste de certos interesses que ela tem — como a cidade de Manoyama em si — com sua realidade — sendo a única das cinco meninas que cresceu em uma cidade grande — traz uma dinâmica inesperada em várias episódios.

Por fim, Yoshino é a protagonista enérgica que sempre tem planos malucos feitos para ajudar todo o mundo e resolver todos os problemas “no fim das contas”. O twist é que não só os planos dela quase nunca dão certo como muitas vezes são completos desastres. Ela é a definição do conceito desse animê no sentido de ser colocada em uma posição onde precisa saber o que fazer, e o mais rápido possível, mesmo sem o devido treinamento. Às vezes dar o máximo de si não é o bastante: ela precisa fazer as escolhas certas, na hora certa, do jeito certo. Yoshino é a representação ideal da história dessas meninas porque ela está tentando aprender com tudo isso ainda que sequer tivesse vontade de estar nesse trabalho no começo da série. Apesar de suas dificuldades, ela transmite todos os valores passados ao longo do animê ao ponto de ela mesma conseguir criar suas próprias ideias para ajudar as pessoas.

Sakura Quest tem alguns problemas quanto à falta de assertividade em relação a determinados temas (como velhas normatividades sexistas mesmo passando o ‘tom’ de ser progressivo), mas certamente acerta na mensagem principal ao tratar do início da jornada adulta de cinco jovens mulheres com tamanha sensibilidade.


Princess Principal

Uma coisa que me chama a atenção em obras como Princess Principal é como o roteiro se diferencia de produções ocidentais. Seja em suas interpretações em relação a um tema ou uma filosofia geral, isso se mantém na escrita. Mesmo ignorando aspectos evidentes como o character design (medíocre, diga-se de passagem) e a inclusão de uma personagem como a Chise (onde vários de seus costumes são constantemente realçados), notamos vários padrões de escrita mais comuns em mídias pop Japonesa, ainda que se trate de um mundo baseado em Londres.

Por um lado, essa mescla de cenário clássico ocidental com personagens “orientais” fez bem a Princess Principal. Não há muitas tropes normalmente encontradas em animês colegiais, mesmo que situe-se em uma escola com foco em meninas por volta dos 16 anos fazendo coisas que adolescentes normalmente não fazem  —  sempre com explicações malucas para isso. Ao mesmo tempo, existe uma insistência em, por exemplo, transformar a Dorothy em uma espiã cujo principal atributo é seduzir homens porque, bem, ela tem idade e peitos para isso, certo? Um clichê noir que me soa mais ocidental nesse contexto.

Apesar desses pormenores, é uma série que acerta em cheio na dinâmica entre suas cinco personagens principais. Cada uma recebe um background profundo o suficiente para nos importarmos com elas; e simples o bastante para caber na história. Ajuda muito que os visuais desse animê sejam tão criativos para acompanhar a jornada delas, nos passando uma variedade de sensações, de encantadoras a sinistras.

O que mais me intrigou após terminar de assistir ao primeiro episódio foi pensar em como o animê nos faria simpatizar com essas personagens agora que as víamos como espiãs sangue-frio. Esse ponto não necessariamente é essencial quando obras assim querem trabalhar com mistérios mirabolantes de sabor policial, mas aqui tínhamos uma melancolia que ressoava nas vozes trágicas das personagens desde o início. Por esta razão, ficava claro que, à medida que a história prosseguia, e cada vez mais, precisávamos nos aventurar no passado dessas meninas. Quando isso acontecia, tudo parecia fazer mais sentido, todos os pontos se conectavam. O enredo psicológico do animê ajudou a deixar as interações delas sempre frescas, ao passo em que se focava na parte do desenvolvimento delas que mais importava.

Com uma trilha sonora competente e um mundo cheio de possibilidades, Princess Principal arrisca no “improvável” de colocar esse romance entre as duas personagens principais no meio de uma revolução. Poderia ter entrado mais a fundo nos acontecimentos, tanto os episódicos quanto da trama principal — principalmente das diferenças sociais entre Ange e Charlotte, considerando que as experiências de vida transformaram as duas. Elas fizeram muita coisa errada e não há bem um arco de redenção. Todavia, a obra se sobressai em explorar os sentimentos das personagens. O resultado é bem singular. É o tipo de obra que só se encontra em animês.


KAKEGURUI

Kakegurui é sobre apresentação acima de conteúdo. Me remete a um outro animê que se assemelha nesse quesito em alguns episódios, No Game, No Life, porém em proporções consideravelmente maiores e menos ridículas. Ambos tratam de apostas e jogos como guia à trajetória de personagens. Kakegurui, no entanto, possui várias características que se destacam em relação a esse.

A começar que, apesar de, como dito, a premissa dos dois priorizar forma, o lado técnico das apostas de Kakegurui é sempre melhor explicado e aprofundado. Aspecto determinante disso é o fato de Jabami Yumeko, a personagem principal, ser trazida como um “gênio”, com inteligência lógica e matemática excepcional. Ainda que isso se aplique a Nogenora também quanto à dupla principal, Kakegurui trata o restante de seus personagens como humanos comuns, e não como meras peças. Embora o colégio lá favoreça “os mais fortes”, esses tendem a ser os que têm mais dinheiro, simplesmente. As situações são sempre mais críveis, por mais absurdas que sejam, porque Yumeko é uma personagem feita para se destacar mesmo que outres tenham vantagens injustas, e não por tentar parecer inteligente mostrando o quão ignorantes os outros são. A punchline não é “sou mais esperta que você, otárie”, e sim “minha audácia vai esmagar seu privilégio”.

Isso nos leva a outra ponto: o diferencial da Yumeko como jogadora. Se Nogenora tem a dinâmica de ter não só um ‘gênio’, mas dois que se auxiliam de diversas formas, Yumeko tem a seu favor o fato de que não se importa em perder. Por isso o arco com a Midari, a psicopata que só quer saber em sentir dor através das apostas, é tão forte. No fundo, a possibilidade de perder ou ganhar é que faz o jogo ser excitante, ter gosto. Se alguém joga esperando apenas uma das duas (no caso de todes desonestes do animê, ganhar), não só está estragando o sentido do jogo como está limitando seu campo de visão. É disso que Yumeko tira vantagem. Ver como cada personagem lida com isso, quer reconheça essa variável ou não, é um ponto chave para receita dessa série.

Curiosamente, Yumeko ainda possui uma pitada de valores em sua jogatina além do fato de trazer essa essência da aposta. O objetivo dela é fazer todo o mundo se sentir desconfortável, sair de sua bolha. Por isso temos um protagonista tão entediante quanto Suzui (bem, além de self-insert), pois ele absorve todos os padrões sociais mais simples e diretos e os traz como óbvios. Yumeko afeta es oprimides dando oportunidades para sentirem o gosto do poder (não através dos melhores método…), mas brilha por colocar abaixo todes que são arrogantes o suficiente para pensarem que não têm como cair. Em vários episódios, ela discute a importância de personagens oprimides como seres humanos, mesmo que todes esperem que ela seja somente uma viciada em jogos sem moral alguma. Esse lado do animê é reforçado por personagens como Saotome Mary, que, independente de suas motivações egocêntricas, se incomoda com a hierarquia do colégio.

Com um finale aceitável para uma conclusão original, foi um animê super divertido. Embora não seja um show de moralidade (o fato de a personagem principal se identificar com todas as psicopatas do animê diz muito sobre; sem contar várias cenas de muito mau gosto), Kakegurui toca nessa quebra de estrutura capitalista, ainda que de modo bem fetichista. Que maneira melhor de fazer isso do que ver gente rica desesperada ao perder tudo?


ISEKAI SHOKUDOU

Uma palavra: nostalgia. Esse é o sentimento que melhor me parece definir o apelo desse animê. Seja pela gentileza do tema de encerramento ou pelo episódio onde o prato principal servido lembra as personagens de suas infâncias, Isekai Shokudou é um conto de fadas.

Isekai me lembrou de alguns episódios de Aria (preciso revê-los alguma hora para poder falar melhor, mas vamos tentar) onde, em meio ao cotidiano, fala-se sobre questões sérias do passado, como guerras, conflitos etc. Há muitos animês sobre comida por aí, mas este é o que melhor representa a ideia de refeição como parte de nossas vidas, em contraste com outros onde se glamoriza muito um prato e faz ele ser a coisa mais importante da cena. O fato de se tratar de um mundo de fantasia, cheio de coisas fora do nosso comum ocorrendo a todo episódio, só aumenta essa noção por tratar-se de um slice of life no fim das contas.

Com exceção da dublagem, não há muitos destaques dentro dos valores técnicos. A divisão de cada episódio em dois arcos é agradável e flexível o suficiente para ir e voltar em personagens na medida em que se vê conveniente para a história. As interações inesperadas de cada personagem, como a comida traz um lado afável de cada ume mesmo que tenham, por exemplo, recém chegado de um campo de batalha, tudo isso dá grandes expectativas para o que se pode construir com personagens tão diferentes. Chega um ponto no animê onde ir ao restaurante se torna um tipo de ritual, o que é exagerado pelo fato de só poderem ir lá a cada sete dias, porém é um jeito romântico de valorizar o espaço dessa ‘reunião’.

Infelizmente, essas conversas entre personagens completamente diferentes não se veem tão recorrentes. Por outro lado, isso acentua o feeling rotineiro, já que estar naquele ambiente é algo que se faz intuitivamente, onde tudo o que se espera é comer.

Mesmo com uma produção simples, é uma obra que constrói sua história aos poucos. A relação entre todes personagens vai se moldando no decorrer dos episódios e nos faz querer saber como tudo se encaixa. Seria bom ouvir mais da Aletta, já que, sendo uma moradora de rua e sofrendo preconceito por ser uma menina demônio, é uma personagem bem única servindo como protagonista.


NEW GAME!! S2

É difícil para mim falar de New Game! sem tocar muito no lado pessoal e sentimental. Da composição de cada cena ao desenvolvimento individual, profissional e afetivo das personagens, todas as mensagens que o animê passa levemente entram na minha cabeça como que para me ajudarem nos momentos difíceis. Elas ficam lá quando preciso delas.

Um dos momentos mais marcantes dessa segunda temporada é ver a ilustração final da Kou quando ela competiu com a Aoba pela posição de character designer. No momento em que se coloca os olhos nela, não tem como não se espantar, como não pensar no trabalho que a Aoba teve, comparar as duas, e chegar à conclusão de que parece que o jogo PECO é que foi feito para combinar com a ilustração, e não o contrário. Todos os sentimentos estranhos provindos desses momentos, muitos deles sem resposta, podem assombrar ou revigorar alguém em qualquer situação. Todas as vezes em que Aoba fez e refez uma personagem figurante para Fairies Story na primeira temporada parece que vêm com peso naquele instante.

A inclusão de duas novas personagens a da maior participação da Nenecchi também é um aspecto importante dessa temporada. Ao mesmo tempo em que New Game! é sobre crescimento pessoal, em muitos momentos nos deparamos com personagens que estão correndo atrás de outras. Isso é corroborado através de vários paralelos, seja pela Momo tendo uma mentalidade diferente mesmo lidando com sentimentos semelhantes aos da Aoba, que tem Kou como modelo; seja pela Nenecchi tendo a própria Aoba como inspiração, com o animê mostrando o progresso dela lado a lado com o trabalho da Umiko (esta que recebeu muito mais atenção nessa segunda temporada também); dentre outros exemplos, como a Narucchi, que, por sua vez, se inspira na Momo, ainda que tenha todo uma história familiar e pessoal complexa que faz com que ela se cobre mais do que o normal.

A Narucchi também trouxe outra questão que me foi inesperada: o fato de ela ser um tanto quanto babaca com a Nenecchi, independente de haver um background explicando os motivos de ela agir daquela forma. Kou já é uma pessoa bem problemática em certos quesitos, mas ela ao menos tentava ser boa. Narucchi vai um pouco além ao trazer uma personalidade que simplesmente existe em muitas pessoas, mas que eu imaginaria que New Game! teria medo de explorar. Foi uma surpresa que o animê tenha tratado disso com consideração e sem desculpar as atitudes dela.

Como nem tudo são flores, o problema dessa temporada foi sacrificar tempo que poderia ser utilizado para trabalhar com outras personagens que já eram importantes. Hifumi é o maior exemplo, apesar de notarmos uma diferença absurda no comportamento dela em cada temporada. Aliás, é incrível como, em muitos momentos da primeira temporada, as meninas pareciam tão estranhas para mim, e agora eu sinto como se as conhecesse há tanto tempo…

Poderia dar outro exemplo de falta de desenvolvimento com a Rin, porém ela acabou sendo protagonista da cena mais tocante desse animê. Do cliffhanger do penúltimo episódio às cenas em que ela sorria para Kou com um olhar tão triste e choroso, o fato de que ela consegue aturar tanto as besteiras da Kou me dá um nó no coração. O amor dela é insuperável e é tão lindo que elas tenham se resolvido (por enquanto).

Por fim, queria parabenizar esse animê por ter tantos tipos de interações boas entre personagens femininas. O romance entre a Kou e a Rin é maravilhoso, mas também é importante que essas personagens gays tenham outros tipos de relacionamentos e foco em vários tipos de assuntos além da identidade delas. Não há melhor forma de concluir esse pensamento do que retomar à alma de New Game!, uma história de admiração e superação.


RAIZON

Re:Creators

Posso dizer que minha reação com essa série é no mínimo curiosa. É comum gostar muito de algo na maior parte do tempo mas achar o final decepcionante. Dependendo do quão decepcionante ele é, pode prejudicar a memória da série em si. Mas o contrário também é possível, como Re Creators mostra. É preciso admitir que se trata de uma série com potencial desperdiçado. Uma história de ação que possui mais exposição do que qualquer coisa. Que tenta falar sobre a magia das histórias com um cast no mínimo esquecível. E mesmo assim, nos últimos episódios consegue entregar sua mensagem de forma mais eficiente. Talvez uma daquelas histórias escritas com o final em mente antes do resto, mas dificilmente uma desculpa aceitável.

A relação entre criadores e criações é trabalhada durante toda a série, mas seus melhores momentos se concentram em suas cenas finais. Em especial a relação de Blitz com sua criadora merece destaque. Como ela representa o lado mais cruel de um escritor que não tem escrúpulos em criar as mais horríveis situações desde que seja interessante. Mas ao menos tempo confia que seus personagens possuem a força para lidar com qualquer desafio que jogue a eles. É claro que sua criação a odeia, mas sabe que precisa viver nas mãos dela. Esse tipo de dinâmica é interessante, e talvez teria sido melhor de ser explorada desde começo. O que leva ao outro problema da série: os personagens mais interessantes passaram quase o tempo todo do lado dos antagonistas. Blitz, Alicesteria, Mamika e Altair. Do lado dos protagonista tínhamos um grupo de personagens genéricos por serem em sua maioria os protagonistas de suas respectivas histórias. O que faz sentido, mas ilustra um problema com animes em geral: a incapacidade de fazer protagonistas mais interessantes que personagens secundários ou antagonistas. Isso curiosamente reflete de forma meta na história em si, pois o motivo de Altair ser tão poderosa deve-se ao fato que o público torce por ela ao invés dos heróis.

Talvez a intenção de fazer protagonistas tão desinteressantes é essa, fazer com que torcemos por Altair junto com o público dentro do anime. Mas isso é uma contradição na mensagem que a série nos passa, sobre como acompanhamos as histórias para torcer pelo sucesso dos protagonistas e recebermos a coragem deles. Quando um vilão é mais simpático que os heróis, isso é um erro na construção de roteiro. Ao menos essa culpa nunca é jogada nos telespectadores. “Eles escolheram ela como a protagonista”, os heróis falam. E o problema veio do fato que suas histórias não eram tão dignas de simpatia quanto a dela.

Também é interessante como Souta se redime ao trazer Setsuna, que o anime implica ser a própria que voltou como um milagre, mas ao mesmo não permite que ele possa viver com ela novamente. Setsuna volta para Altair que nunca a abandonou, enquanto Souta tem uma última chance de pedir desculpas. Ele tem seu perdão, mas as consequências em sua vida continua. O final foi um completo absurdo, é claro. E o melhor episódio ainda foi cheio de conversas. Mas é mais válido um episódio cheio de conversa emocional do que exposições que ninguém nunca pediu.

Também gostaria de chamar atenção para a cena que Altair, contra todas as possibilidades, salva Setsuna e cria dois universos inteiros para elas. Digo isso porquê o mais esperado naquela cena era Setsuna se despedir e “morrer” novamente. A série já tinha abandonado qualquer sinal de realismo a tempos, então é melhor que se use os poderes over the top da personagem para criar um final menos previsível. No fim, apesar de uma jornada fraca, Re Creators terminou deixando uma forte impressão. Talvez seria um título melhor com menos episódios e algumas edições.


Shingeki no Bahamut: Virgin Soul

O fim de uma saga… é possível encontrar um texto inteiro nesse blog sobre os problema que vi com a segunda temporada de Shingeki no Bahamut. Não preciso dizer portanto que não esperava boa coisa desse final. Apesar de tudo, devo confessar que senti um prazer meio mórbido ao acompanhar a jornada, achando engraçado o quanto tentavam convencer que era uma linda história de amor, ou que Charioce era só um coitado incompreendido. A história ia ficando mais ridícula a cada episódio, então eu naturalmente estava esperando um final horrível. Foi pior do que pensei.

Começando pela revelação do plano de Charioce. Recapitulando, Bahamut era um dragão imortal que de tempos em tempos acorda para “resetar” os seres vivos. A temporada passada nos deixa claro que só o dente do dragão ancião pode feri-lo e que é impossível matá-lo, o que significa que nossos heróis tiveram que sela-lo. Ótimo. Mas agora Charioce de repente encontra uma arma que os deuses esconderam e é capaz de matar Bahamut, apesar do fato que os deuses nunca mencionaram tal arma na temporada passada. Essa arma estava sendo investigada por um demônio, que também não falou nada na temporada passada. Então o plano de Charioce é acordar um dragão que provavelmente ficaria selado por pelo menos 100 anos para matar ele??? Ao invés de guardar o segredo e achar um jeito de passar o conhecimento para aquele que estiver no comando quando o monstro acordar.

Onde matar deuses e escravizar demônios entra no plano de Charioce? Todo mundo amaria ter Bahamut morto, então porque ele não contou seu plano e pediu ajuda? Eu entenderia mais se ele tivesse feito exatamente isso e fosse negado, mas não. Ele assumiu que ninguém ajudaria apesar do fato que faria sentido todos quererem a morte do dragão. Faria sentido dizer que ele é racista contra demônios, exceto que a cena dele jogando futebol com a criança demônio existe para mostrar exatamente o contrário. Também é interessante como Favaro fala que Charioce não matou El pois não faz sentido comprar briga com os deuses se o que ele queria era matar Bahamut. Favaro, por favor, isso é exatamente o que ele fez a série toda!

Após isso o próximo absurdo é a morte de Kaisar que deu sua vida para defender Charioce porque… porque… eu não sei. Kaisar nem sabia do plano de derrotar Bahamut. Por que ele daria a própria vida pelo rei que tentou o fazer lutar até a morte na arena? Faria algum sentido caso fosse Favaro, mas acredito que ninguém teria coragem de fazer isso. Ah sim, essa é a última cena que Jeanne e Azazel fazem qualquer coisa. Pobre Jeanne, um dia será respeitada como merece. Antes de morrer Kaisar fala: “sua majestade, morrer é tão pacífico”. Implicação dessa frase é hilária no final do episódio.

O que acontece após é que Charioce vai finalmente usar sua arma, e Nina resolve que ela vai usar junto para proteger a vida de seu amado. Aqui é o momento que paramos para lembrar que Nina supostamente é a protagonista da história. Ainda assim, sua única ação é dar suporte a Charioce para salvar sua vida. Algo que ela nem sabe se é possível, pois acreditou por conta própria que colocar junto o braço na máquina (que esqueci o nome e estou renomeando para Deus Ex Machina) junto com Charioce de certa forma diminuiria os efeitos colaterais nele. Embora se considerarmos que na primeira vez ele perdeu a visão de um olho e dessa vez perdeu do outro, parecem efeitos equivalentes, e vou acreditar que Nina cometeu um sacrifício inútil.

Deus Ex Machina acaba matando Bahamut com um só tiro, e ninguém nunca vai se perguntar o porquê dos deuses e demônios terem ignorado essa possibilidade. Como consequência, Charioce perde o resto de sua visão e Nina perde a voz, fazendo com que ambos tenham um relacionamento onde é impossível se comunicar e só podem dançar juntos. O que, para ser justo, define bem o relacionamento dos dois. Charioce é considerado um herói e continua sendo o rei de alguma forma, apesar de estar completamente cego e aparentemente não fazer nada exceto ficar sentado o dia todo no trono com cara de tédio. Os demônios resolveram esquecer que foram escravizados por motivo algum e vivem em harmonia com os humanos. Final feliz!

Exceto na última cena onde Bahamut desaparece e Favaro fala a única frase que deu uma visão diferente para todo esse final: “Bahamut não está morto”. Sério mesmo? Quer dizer que tudo isso que aconteceu até então, tudo aquilo que Charioce fez, foi LITERALMENTE PARA NADA? Bahamut ainda vai voltar depois de algumas centenas de anos, exatamente como estava a situação antes do anime começar? É impressionante como podem destruir toda a narrativa do anime para deixar um gancho para uma possível terceira temporada. É extremamente engraçado também, e o final não estaria completo sem isso. Oh sim, e Kaisar foi transformado em um zumbi pela Rita. Lembremos de seus momentos finais onde ele sorri e fala como morrer é pacifico. Bom, Rita não aceita nada disso e faz com que seu corpo fique aprisionado eternamente num estado morto-vivo.

Grande anime!


Made in Abyss

O último episódio de Made in Abyss se mostra um dos mais emocionantes da temporada, talvez junto com o penúltimo episódio de Re Creators. Mas enquanto Re Creators me deixou feliz, o final de Made in Abyss foi doloroso. Nanachi foi uma personagem interessante que chegou para salvar um grupo com os não tão interessantes Reg e Riko. E sua história foi a mais forte até agora. Novamente a produção da Kinema Citrus foi um dos maiores motivos para a força da cena.

A despedida de Nanachi e Mitty em particular, quando Nanachi parece se arrepender e abraça Mitty, assim como quando começa a falar que perdeu seu tesouro, é uma cena forte e difícil de não se emocionar. Nesse ponto é óbvio que esse episódio duplo final é o ponto mais forte da série, parecendo ter provocado também uma forte reação no público japonês, visto o boost de vendas que provocou e colocou a série nos TT do twitter.

No fim Made in Abyss foi um dos destaques da temporada, mas não sem alguns problemas que me incomodaram. Um dos quais já mencionei anteriormente, mas a jornada suicida da Riko não faz muito sentido. Todos os apitos brancos parecem ser meio alterados psicologicamente, o que faz sentido considerando o tempo que viajam pelos territórios infernais do abismo, mas Riko é só uma garota normal. A idéia que ela não teria problema em seguir naquela aventura que é quase morte certa é surreal. Esse último episódio também me fez pensar que o anime não devia ter se preocupado tanto em jogar os personagens dentro do abismo logo. Há coisas que ainda poderiam ser trabalhadas na cidade, como o efeito do abismo na sociedade que vive nela. Há alguns mistérios em volta daqueles que vivem ao redor do abismo que provavelmente vai ser trabalhado em segundo planos, mas era uma oportunidade perfeita de introdução.

Meu outro problema foi como a história trata Riko, que a princípio parece ser a protagonista, mas logo é deixada de lado ao ponto que a história foca nas ações do Reg. O que me faz imaginar que seria muito mais interessante se Reg não fosse um robô. Vendo duas crianças tentar sobreviver sem super poderes seria muito mais interessante. Me deu curiosidade de descobrir como Lyza sobrevivia o abismo sendo uma pessoa normal. Ou como Ouzen o fazia antes de virar a super mulher que ela é hoje. Ou melhor, como Ouzen acabou assim. Essa evolução de personagens fracos lidando com as situações monstruosas do abismo exigiria muito mais imaginação da história do que jogar um robô imune a todos os efeitos e que solta raios pelas mãos.

Não sei se teria gostado do anime como gostei se fosse animado por outro estúdio. Acredito que a atmosfera e direção foi um dos principais motivos que deixou essa história memorável e interessante, apesar de seu potencial ser um pouco desperdiçado. Mais do que uma suposta segunda temporada de Made in Abyss, que não é tão improvável, estou interessado em ver o que mais esse estúdio pode trazer para a mídia. Bom, exceto o harém isekai que estão fazendo para o próximo ano, ao menos.


Senki Zesshou Symphogear AXZ

Acompanhei a primeira temporada de Symphogear no lançamento e confesso que na época achei tão ruim que não animei de ver as outras temporadas. Após ler muito sobre como as temporadas seguintes melhoram (e ter vontade de ver mais séries de ação com garotas lutando), resolvi dar uma chance para as duas temporadas que antecedem AXZ – e acabei gostando bastante. Não sei se fiquei menos exigente ou elas são mesmo melhores, ou o fato de que só fui esperando uma ação boba, pois em parte foi isso que encontrei.

Mas não vou focar nas três temporadas apesar de ter visto todas praticamente juntas, e falar de AXZ. Antes da temporada começar, havia um ceticismo da maioria dos fãs sobre se os escritores sabiam o que estavam fazendo, afinal GX foi considerada uma temporada decepcionante, em parte devido ao final focar em um personagem que ninguém se importa e um vilã com um objetivo estúpido. Mas também há de se considerar que AXZ trouxe de volta pontas da história deixadas soltas desde a primeira temporada, como Adam, o antagonista dessa vez.

Vou ignorar a maioria dos desenvolvimentos da metade da temporada. Não por não serem importantes, mas existem para trabalhar as personagens mais do que qualquer coisa. Quanto a isso só devo dizer que é curioso que após quatro temporadas ainda há partes dessas personagens que não foram trabalhadas. E não são histórias inventadas do nada, visto que o flashback da Miku foi algo comentado pelo escritor desde a segunda temporada, assim como o passado de Chris nunca tinha sido tocado desde ela.

Mas no fim o que faz Symphogear AXZ brilhar é a protagonista, Hibiki. É importante considerando o tanto de obras que o protagonismo de um personagem desinteressante e irritante estraga a história. Mas devo admitir que ao longo das três temporadas que acompanhei quase em seguida, Hibiki acabou se tornando para mim uma das melhores heroínas em animes de ação que assisti. Enquanto temos personagens em outras obras que vivem forçando seus ideais em cima dos antagonistas, Hibiki é uma das poucas que para e considera o porquê da outra pessoa acreditar naquilo, o que faz sentido considerando que o tema de Symphogear é comunicação. Como ela não quer machucar os outros, tenta sempre entender o oponente e os motivos por trás de suas ações. O que pode ser algo pequeno, mas que muito anime esquece ao criar seu protagonista. Nós precisamos nos importar com esses personagens, e heróis não deviam ser aqueles que nunca questionam seus ideais, mas aqueles que possuem uma evolução pessoal por se questionar.

Não sou muito fã de desenvolvimentos como o da luta final da temporada, onde todas dão o poder para a líder que derrota o vilão praticamente sozinha. Por algum motivo, não me incomodou aqui. Talvez seja bias pela protagonista ter conquistado minha simpatia ao longo da história. Porém, na próxima temporada, que deve ser a última, espero ver todas as gears lutando juntas contra o inimigo final, que é visto como sombras por trás de Adam na batalha final de AXZ.

Após a batalha final, que curiosamente se passa no aniversário de Hibiki, ela se reúne em casa com suas amigas (e sua esposa) para comemorar e temos uma pequena cena slice of life que é relaxante de acompanhar após a intensidade da batalha. Mas então as pontas soltas para a próxima temporada são expostas. O mesmo poder que permitiu que Hibiki se tornasse pura o suficiente para ser tornar o corpo de deus também atingiu Miku. Considerando que o plano do Japão é adquirir esse mesmo poder como precaução após o ataque sofrido pelos EUA, é fácil imaginar como a próxima temporada vai continuar.

Somente uma opinião pessoal, mas seria interessante se Song escondesse que Miku tem o mesmo poder, fazendo com que o governo resolva usar Hibiki e Miku precisa salva-la em algum momento. Miku já foi donzela indefesa por vezes demais, afinal.

O que dá para perceber nessa temporada é o quanto GX foi irrelevante como temporada. A única coisa que ele fez foi apresentar os alquimistas e introduzir Elf 9, que apesar de uma boa personagem, dificilmente é tão importante quanto as contribuições de outras temporadas. AXZ porém retoma histórias da primeira temporada com Chris e da segunda com Miku. E tudo agora se encaminha para a próxima temporada que, eu espero, vai ser a conclusão da história. Não porque eu queira que ela acabe, mas porque vai ser difícil manter a história relevante após a batalha que estão implicando sem começar a forçar.


Princess Principal

Outro dos títulos mais fortes da temporada. Princess Principal me deixou receoso no começo pelo diretor envolvido. Nunca assisti Code Geass, mas Kabaneri foi uma tragédia, em todo sentido. Como a ideia aqui era interessante, fiquei torcendo para ele não estragar tudo pelo caminho. Talvez o que salvou o anime foi o formato episódico que dispensa grandes twists e nos deixa apreciar a história na forma simples que foi formulada. A série se destaca nas personagens carismáticas e em suas interações, assim como nas ótimas cenas de ação. Apesar de que as partes de espionagem muitas vezes exigem que deixemos um pouco a lógica de lado, mas nada tão absurdo que chegue a estragar.

Uma coisa que achei estranho ao encarar a história do começo ao fim é a mudança de tom que ela sofre após o primeiro episódio. Nesse episódio, que tem um tom mais sério e sombrio, Ange elimina um espião duplo atirando nele a sangue frio, apesar de saber que ele só queria salvar a irmã. Entra em contraste com o último episódio onde Dorothy impede a mesma Ange de matar um mob inimigo que poderia ser problema para elas no futuro. E essa não foi a única vez. Nenhuma de nossas protagonistas nunca agiu tão friamente quanto Ange no primeiro episódio, fazendo com que ele pareça destoante em comparação. Dorothy em particular tem moral demais para trabalhar como espiã, de um modo que chega a ser ingênuo. Não consigo entender o porquê dessa mudança de tom. Talvez acharam que personagens que assassinem tão friamente não teriam a simpatia do público, ou o primeiro foi escrito com o propósito de chocar. Não me incomoda, pessoalmente, mas é um detalhe curioso.

É difícil falar muito mais sobre Princess Principal pelo simples fato que a história ainda não acabou. Os dois últimos casos enganam em demonstrar uma grandeza que não chegam a alcançar. No final a resolução de tudo só retorna a série para o status quo, pronta para continuar em uma provável segunda temporada. Se isso era planejado desde o princípio ou se o sucesso inesperado fez com que mudassem planos, é difícil saber, mas eu ficaria espantado se não fosse anunciado uma sequência logo.

Também é importante ressaltar como o estúdio 3Hz, responsável pelo anime junto com Acta, até agora não produziu nada abaixo de decente. Então fico feliz de ser seu primeiro sucesso considerável, mesmo que o anime não seja tão bom como Flip Flappers, mas é bom o suficiente.


DIMENTIOLUC

Hina Logi

Minha surpresa da temporada. Um anime de garotas fofas fazendo coisas fofas num mundo fantástico que recém saiu de uma grande guerra (de Luck & Logic). É um setting bem interessante no que pode produzir. Como é viver num mundo que já foi salvo pelos heróis?

Hina Logi é um slice of life divertido, explosivo, mas que ainda consegue desenvolver interações únicas para seu gênero. A ideia da Nina ser uma ex-combatente adolescente, algo tão comum em histórias do tipo em anime/mangá/light novel, precisando retomar uma vida normal, e como a Lion, que é basicamente a personificação dessa vida mais simples e boba, a ajuda nisso.

Não, o anime nunca diz diretamente que Lion quer “salvar” Nina. Ela até apoia o sonho da sua amiga em voltar à carreira de guerreira. Essa é a graça de Hina Logi: ver como experiências banais do cotidiano começam a mudar Nina. É o anime tentando mostrar como era importante para ela se reintegrar à sociedade não como uma soldado, mas como um ser humano com seus problemas pessoais, amizades, inseguranças, etc.

As outras personagens cobrem arquétipos comuns do gênero slice of life, só que todas com uma pitada de originalidade. A Yayoi é uma ojou que, apesar das risadas “ho ho ho” típicas, é incrivelmente prestativa e gentil com as amigas; Mahiro, a tomboy, não sente problemas com sua personalidade ou falta de feminilidade. Não são personagens exatamente complexas, mas são bem vivas e com relacionamentos críveis.

O trabalho da Doga Kobo em manter esse tom de vida alegre, ao mesmo tempo que com um pouco de caos infantil, é excelente. Um dos meus estúdios preferidos de longe, mas não posso deixar de elogiar aqui também. As cores são lindas, as expressões faciais das personagens vão do cartunesco cômico ao dramático sem perder a identidade visual (o rosto da Lion deve ter sido a maior fonte de diversão dos animadores) e a versatilidade com que a direção se adapta bem à idéia de cada episódio ajuda muito bem a manter um sentimento de “caixa de surpresas” em Hina Logi – cada história é inesperada e bem feita de sua maneira.

Um ode à vida comum num mundo incomum. Hina Logi preenche todas as minhas caixinhas de como um slice of life pode dar valor ao banal. Sinto que, como Nina, a diversão boba e honesta aos poucos me convenceu desse anime.


Jigoku Shoujo Yoi no Togi

Anime que mais detestei da temporada. E de longe.

Jigoku Shoujo Yoi no Togi é uma continuação da história das três temporadas anteriores, mas não consegue inovar em nada. O roteiro principal inteiro é uma repetição do usado em Mitsuganae, só que com uma construção muito mais pobre e uma falta de diálogo entre os personagens principais. O conflito entre Ai e Michiru praticamente não existe – elas mal interagem -, mas o anime insiste que há um (e que se resolve da forma mais repentina possível).

Os casos são todos ruins também individualmente. Apesar das muitas falhas das temporadas anteriores da franquia, os episódios tentavam manter um certo tom de realismo para tentar aproximar os espectadores da história contada (não entrando no mérito se sucedia ou não nisso), mas Yoi no Togi tenta muito mais causar repulsa e shock value – indo de violência doméstica até abuso infantil.

Os personagens agem da maneira mais vil possível em quase toda situação, não existe sentido quase nenhum na maioria das relações entre eles e a violência injustificada virou o gancho das histórias. Lembra até sequência de filme de terror: aumentar o sangue, diminuir a história.

A produção é péssima também. A animação é ridiculamente travada e sem graça e não sei dizer se a distorção bizarra dos rostos dos personagens foi uma decisão consciente (falha) da direção, tentando ressaltar a natureza distorcida dos personagens, ou se realmente não conseguiram nem isso fazer direito.

Não vou nem citar como algo negativo os seis últimos episódios serem recaps das temporadas passadas, ao menos me pouparam de mais seis episódios de Jigoku Shoujo Yoi no Togi.


Action Heroine Cheer Fruits

Cheer Fruits foi um anime estranho que, mesmo sem muita originalidade, nunca cheguei a desgostar. Nada marcante, mas que, até pela sua natureza meio boba, aceitou ser medíocre.

Existem alguns fatores interessantes nele. Misaki, a presidente do conselho e líder do grupo, é bem insegura e azarada – diferente do comum desse tipo de personagem. Isso cria certas dinâmicas que variam do cômico ao dramático, como diversas situações banais ruins do cotidiano causando um sentimento de inferioridade e apreensão nela. É um tipo de drama que de tão comum, talvez possa ressoar bem com quem esteja vendo. Quem nunca teve uma sequência de dias/eventos ruins e pensou que estivesse amaldiçoado ou num inferno astral?

O maior problema de Cheer Fruits é que ele tenta ser um Love Live de tokusatsu, mas não consegue transmitir esses vínculos de união entre as personagens ao espectador – sei que são amigas porque o anime diz, não porque pude ver uma construção dessas relações. O que posso dizer de Mana, a menina de cabelo verde? Praticamente nada. A personagem dela é basicamente só o gimmick do dinheiro e ela mal se relaciona numa escala pessoal com as demais garotas do Hina Nectar. Dar um episódio focado em cada uma faz sentido, mas Cheer Fruits falha em transformar isso numa forma delas serem relevantes nos demais episódios. Os desenvolvimentos não convencem.

Referências de tokusatsu e repetição de uma fórmula de sucesso não conseguem carregar mais uma obra sem sal do estúdio Diomedea, que a cada anime deles que assisto, crio menos expectativa para o próximo.


Keppeki Danshi Aoyama-kun

Minha impressão inicial de Aoyama-kun era de que se tratava de uma comédia genérica se apoiando em outras obras similares, mas usando uma temática de futebol como algo para se diferenciar. Minha impressão final é exatamente a mesma.

O anime inteiro gira em torno de como pessoas diferentes encaram sua vida com o Aoyama por perto, do rival amoroso aos colegas de time e etc. No entanto as piadas são repetitivas e basicamente sempre terminam em “o Aoyama é perfeito”. Comparei com Sakamoto Desu Ga? no começo e dá para ver fácil porque um funciona e o outro não. O Sakamoto eleva os personagens secundários, ele é perfeito, mas as interações dele com o resto do cast são ótimas e produzem até desenvolvimentos interessantes. Aoyama-kun não, os outros personagens existem apenas para o anime ressaltar o quão incrível o Aoyama é.

Não vou ser injusto e dizer que nunca ri assistindo. Algumas piadas são boas, mas acabei percebendo que ria muito mais de cenas SEM o Aoyama. A Gotou Moka dando dribles e humilhando o resto do time ou o Zaizen sendo um filhinho de papai mesmo agindo como o típico personagem ardente de anime de esportes.

É chato como alguns personagens do dia também sumiam completamente depois dos seus capítulos. Talvez não seja uma crítica justa considerando que é uma adaptação de só doze episódios de um mangá e possivelmente queriam colocar o máximo possível de personagens no anime, mas ainda assim sinto que deixa o mundo do show menos vivo.

Aoyama-kun tenta muito ser o mais maluco possível, mas joga seguro demais para alcançar esse objetivo. Bem casualmente esquecível.

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