DESTAQUES DA SEMANA #2 – 12/09/17

O post de segunda saindo na terça, mas tudo bem. Esse blog nunca teve prazo pra nada. Ainda estamos nos acostumando com a ideia de um post por semana, então relevem. De qualquer forma, fica aí nossos destaques semanais que ainda falham em falar só do episódio da semana.

Overkilledred

Ballroom e Youkoso #9-10

Diferente da maioria, os pescoços largos não eram o aspecto que mais me incomodava em Ballroom, mas sim a relação entre o casal de dançarinos. O foco parece ser sempre nos homens, no Sengoku, no Hyoudo, no Gaju e no Tatara. Personagens como a Shizuku ficavam apenas transitando por ali, sem ter muito o que desenvolver. Esses últimos episódios, embora, mostraram que há muito mais nela e na Mako como personagens individuais, e destacaram suas habilidades como dançarinas.

O episódio 9 nos apresentou o conceito de “quadro e flor”, uma metáfora para falar sobre a relação que cada gênero desempenha na dança. O homem, como quadro, precisa ser sutil para ressaltar a beleza da flor, que seria a mulher. A competição até agora parecia ser entre o Tatara e o Gaju, mas, na verdade, era entre os dois irmãos. Tatara é um iniciante e seria muito improvável ele competir com alguém que treinou a vida toda – apesar de ser plausível num mangá, embora forçado. Mas é justamente por não querer forçar a barra e tratar o desenvolvimento do personagem com naturalidade que Ballroom se destaca de outros animes de esporte, O protagonista tem um certo talento para observação, mas a dança nunca fez parte da vida dele, e ele só pode lamentar agora, enquanto se esforça para chegar no nível dos seus competidores. Ao tirar o foco dele e colocar na Mako, alguém que aplicou todo o esforço necessário para ser uma dançarina profissional mas nunca conseguiu um parceiro que a destacasse, esse arco faz muito mais sentido. Tatara precisava apenas ser o quadro, mas não como é geralmente o caso: ele apaga completamente sua presença para fazer a Mako ser uma flor que desabroxa sozinha no salão.

A cena em que a Mako dança como a flor é provida com um forte simbolismo e acompanhada de uma belíssima animação. O aspecto que mais me incomodava em Ballroom foi subvertido e o anime me conquistou de vez. Desde o começo já sabiamos que o anime teria uma animação acima da média, e já tivemos provas concretas de que há animadores muito talentosos por trás dele, mas essa cena fez com que o anime realmente mostrasse o seu potencial visual – algo que vai além dos movimentos de dança.

Por outro lado, no episódio 10, entendemos mais sobre a relação entre a Shizuku e o Hyoudo, assim como as suas motivações pessoais. Mais que parceiros de dança, ambos são rivais e estão constantemente tentando passar na frente do outro. Shizuku, entretanto, receia que Hyoudo seja muito mais talentoso que ela. Mas o que ela percebe nesse episódio é que ambos precisam de um gatilho para despertar seu potencial: Tatara. Ele é a chave para motivar os dois em sentirem que precisam dar o melhor, quase como um sentimento de inveja pela sua felicidade natural ao dançar no salão. Mais que se esforçar em ter sucesso na sua coreografia, Shizuku precisa demonstrar a paixão, a frustração, a raiva ou qualquer outro sentimento que a dança em questão necessite. O que eles estão fazendo não é algo motivado por movimentos automáticos depois de muito treino, mas sim uma forma de expressão corporal através das suas emoções.

Ballroom finalmente conseguiu colocar todos os seus personagens no mesmo pedestal, enquanto deixa de lado alguns preceitos do gênero de animes competitivos, e conseguiu me convencer que é o melhor anime dessa temporada.

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Boku no Hero Academia #22

Falando em animes em que as personagens femininas são mal exploradas geralmente, mas essa semana conseguiu reverter isso, BokuHero também se destacou. O arco do Hero Killer não foi tão interessante quanto eu esperava (ou até lembrava, visto que li o mangá até essa parte), então não andava tão animado com a série. Talvez seja um problema que tenho com os arcos envolvendo os vilões em geral, embora. Mas esse arco atual está bem interessante pelo fato que volta novamente ao aspecto que mais atraí no anime: o grupo de personagens como uma sala e como cada um deles está melhorando seu desempenho da sua própria maneira.

Primeiro, vemos a dupla de personagens adorados, Tsuyu e Tokoyami, lutando contra um dos seus professores e provando que, mesmo embora não ganhem tanto destaque na série quanto os outros, ainda são extremamente capazes e têm o total controle das suas habilidades. O autor pode se prender muito a certos clichês e tropes da Jump, mas ainda consegue mediar bem a relação entre todos os personagens e trabalhá-los individualmente, destacando o fato deles também fazerem parte daquela história.

E isso nos leva a Momo, uma personagem que, embora tenha uma quirk bem interessante e poderoso, ficou muito no escanteio até agora. Pior ainda, suas aparições eram quase sempre acompanhadas pelo Mineta abusando dela de alguma forma.  Ela só parecia desempenhar o papel de ser o fanservice ali, algo que parece inevitável num mangá da Jump. E depois da sua derrota no torneio, a personagem parecia ter perdido ainda mais espaço.

Esse episódio foi muito importante em tentar reverter tudo o que havia acontecido com a Momo e mostrar o quão capaz ela. Foi bem interessante o fato dela ter feito dupla com o Shouto, o mais poderoso da sala, e ter lutado contra Aizawa e seu quirk que anula quirks. Essas circunstâncias provaram ser extremamente eficazes em mostrar o quão engenhosa ela é e como sua habilidade é extremamente versátil.  A personagem conseguiu finalmente mostrar que é tão capaz quanto todos os seus colegas de sala e não ser só a personagem feminina que vem acompanhada de piadinhas sexuais.

O autor ainda precisa me convencer mais que ele é capaz de trabalhar melhor personagens femininas. A Uraraka ainda é bem o padrão das heroínas da Jump, que parece estar lá mais pra ser um suporte emocional do protagonista e depende muito dele. Talvez isso mude um pouco na sua batalha no próximo episódio.

O último arco de BokuHero dessa segunda temporada tá muito divertido e espero ver mais dos outros personagens. Não estou particularmente ansioso pela luta de Deku e Bakugou contra o All Might, considerando que não vai ter um grande constraste nos poderes, mas quem sabe eu me surpreenda.

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Dimentioluc

Sakura Quest #23

Chegando ao fim, Sakura Quest continua desenvolvendo e trabalhando bem seus personagens. Nessa semana a história tratou de uma confeitaria querendo abrir uma loja de sua rede em Manoyama e a resistência que isso leva dos moradores locais do distrito comercial, que não querem ceder o aluguel de suas casas, mas ao mesmo tempo desejam que seus conhecidos aluguem pelo bem da cidade.

Chitose e Kadota tentam convencer um velho morador local, que recusa insistentemente. É interessante como o anime trata esses dois personagens, em constante conflito, mas sempre trabalhando para o interesse maior da sua cidade. Chitose e Kadota não são mais os jovens sonhadores da adolescência, mas os dois mantêm viva a vontade de reanimar sua terra, rejuvenescer e modernizar seu lar.

Na reunião dos comerciantes os moradores se juntam para criticar o que está recusando a oferta que pode salvar os negócios locais, traçando um paralelo com a história do dragão que continua servindo de analogia para os dilemas do anime (aliás, PA, você não precisa dizer isso diretamente pela fala de uma personagem. Dá para entender e isso diminui a sutileza!).

No fim tudo é resolvido após um discurso de nossa rainha Yoshino  sobre como forçar a decisão era não respeitar a vontade pessoal do velho, receoso com gente de fora de Manoyama por uma má experiência passada o que leva outro morador a aceitar ceder sua casa à loja. Típico de Sakura Quest que procura esse meio termo e um apreço pelo diálogo e ~entendimento~.

Vamos ao arco final com a “quest” de recriar o festival e as personagens precisando impedir a sua nova cidade de ser acoplada por uma outra maior. Esperando que consigam encaixar isso bem na personalidade desenvolvida de cada uma das personagens do cast principal… e por favor mais Chitose e Kadota.

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Kira Kira Precure a la Mode #31

Precure a la Mode segue uma fórmula bem definida de rotacionar desenvolvimento entre as Cure por episódio. Episódio da Himari, episódio da Aoi, episódio da Yukari, etc. Pode soar cansativo, mas funciona bem – ainda mais numa franquia como Precure que trabalha tanto com conceitos como “monster of the week”, só que nesse caso o anime oferece mais visões dentro das vidas e construções pessoais de cada uma das personagens.

O episódio da semana focou em Ichika, a protagonista, e demonstra bem o quanto isso oferece mais de cada personagem. O problema/dilema da vez é sobre o relacionamento de Ichika com sua mãe, sua maior inspiração, que trabalha como médica humanitária em países mais pobres.

É uma relação calorosa e de amor, mas que se mantêm escondida por máscaras. Ichika quando pequena, num momento de choro, recebeu um conselho de sua mãe: “não chore, isso deixa o mundo triste. Sorria, pois isso deixa todos felizes”. Essa frase dita a história do dia.

Ichika não chorou no dia da partida de sua mãe. Ela até encorajou sua partida, falando como ela seria uma heroína e faria bem aos outros. Ela colocou os ideais que recebeu de sua mãe acima da sua vontade pessoal, foi um ato de auto sacrifício para as duas – mas que resultou em certos sentimentos presos no interior de cada uma.

O episódio inteiro é sobre essa visita da mãe e o quanto a idéia de só ficar com ela por um dia machuca Ichika, que entende a situação, mas ainda assim sente falta diariamente de sua presença, acreditando que precisa demonstrar seu crescimento pessoal fazendo um bolo igual aos que recebia de sua mãe quando menor.

Ela falha. E na frente de seus pais tenta segurar o choro. Um choro reprimido por anos. As duas se abraçam, a mãe chora e logo depois as duas estão em prantos. Existe um entendimento por parte das lágrimas das duas. Ichika lembra a frase sobre o sorriso, mas ambas compreendem que não tem problema chorar ali.

Ao fim, o monstro da semana aparece e Ichika, renovada por dentro, é quem se despede de sua mãe – não acompanhando-a ao aeroporto. O anime realmente mostra como a personalidade da Cure Whip é basicamente a responsabilidade que Ichika recebeu e aceitou pelo bem dos outros, assim como sua mãe trabalha pelos que precisam. Confiante, ela fica a luta toda com um sorriso estampado no rosto, dessa vez um real e não um substituto para lágrimas. Vencida a batalha temos a cena final de uma filha que admira sua mãe feliz e orgulhosa dela que, mesmo distante, a ensina tanto.

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Aikatsu Stars #72

Hmm, queria comentar toda cena desse episódio uma por uma só para explicar como adorei a direção e o storyboard e como eles mesclaram bem com o roteiro.

O tema desse episódio de Aikatsu é em comparar o crescimento pessoal tanto de Yume quanto de Koharu e o contraste que se criou entre as duas. É continuação do que aconteceu no 71, com a Koharu querendo tomar parte da criação dos vestidos da brand de sua amiga.

Duas histórias paralelas passam durante isso, uma com Yume fazendo comercial para uma marca de curry e outra com Koharu fazendo ponta numa novela de época. Quase toda cena foca muito em mostrar o cenário, em ângulos diferentes que consigam mostrar os “mundos” diferentes de cada uma.

É interessante como o episódio até começa com as duas numa divisória numa porta e como essa temática está presente o tempo todo ali (Yume no carro com o reflexo na janela, com um assento vazio ao lado como se fosse para alguém, por exemplo). No fim, quando todos os desenvolvimentos do dia se resolvem, as duas personagens encaram o lago da escola, que reflete o brilho da lua como se um pilar as unindo, mostrando como agora trabalharão juntas (Yume aceita a proposta do vestido). Gosto de ver como Aikatsu Stars recentemente se preocupa mais em ter episódios únicos e bem harmonizados. É uma boa direção para um anime que é uma caixinha de surpresas semanal.

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Raizon

Shingeki no Bahamut: Virgin Soul #21

Mais um episódio de “Nina Estraga Tudo de Novo”. Essa semana a série teve o que foi provavelmente a última chance de se redimir, e jogou fora completamente. Então Mugaro/El está morto, e qual o motivo? Causar drama? Provocar uma guerra que já ia acontecer? O mais importante, uma chance para Nina acordar. Perceber que estava sendo egoísta esse tempo todo e lutar contra Charioce. É uma ótima oportunidade de criar um desenvolvimento para a personagem, justificando todos os acontecimentos absurdos da série até agora e talvez, talvez, eu até pediria desculpas por ter escrito um texto equivocado sobre isso. Exceto por um pequeno detalhe: Charioce não mandou matar Mugaro. É o que todos acreditam, e estão enganados. Ora, é fácil ver para a onde a história irá daí pra frente.

Nina ao menos percebe que Mugaro morrer foi culpa dela? Se o plano que ela arruinou tivesse funcionado, o assassinato nunca teria acontecido. Porém, ela age como se ela não tivesse culpa nenhuma nisso tudo. É somente o Charioce, então ela vai atrás de vingança. Isso até descobrir que ele é “inocente”, é claro. E ao menos importa que Charioce não mandou matar Mugaro? Ele não mandou matá-lo agora, mas tinha a pretensão de matá-lo no passado. Por que isso é diferente? De fato, ele provavelmente ordenaria matá-lo se alguém se desse ao trabalho de perguntar. Isso também mostra novamente a hipocrisia de Nina. Tudo bem matar inocentes, claro, desde que não sejam pessoas que ela se importa.

O pior de tudo? A história parece estar se desenvolvendo para antagonizar Jeanne e Azazel na batalha final. Se isso acontecer, é a segunda vez que Jeanne se torna antagonista injustamente por uma decisão idiota de roteiro. Ainda há três episódios para concluir esse fiasco, mas eu realmente acredito que a chance de arrumar esse roteiro já passou.

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Made in Abyss #10

Esse episódio nos faz lembrar quando Ouzen espancou duas crianças e perceber o quão gentil ela estava sendo. Ela realmente estava certa. Se não puderam derrotar ela, não teriam chances contra o abismo.

A cena com Riko sofrendo pela maldição do abismo e o braço envenenado foi muita bem dirigida. Quando Reg teve que quebrar seu braço e começar a cortar, ela tentando falar entre a dor. Havia genuína emoção na cena, e novamente mostra o quão forte a direção desse anime é. Infelizmente, esse episódio também realça outro grande problema que eu tenho com o anime: O que diabos Riko está fazendo? Ok, eu sei, indo atrás da mãe. Mas sinceramente, é literalmente suicidio. Acho que podemos descontar o fato que uma criança ainda iria tentar isso, mas pelo menos dois adultos sabiam o que ela estava planejando e permitiram ela a seguir em frente. Sinceramente, seriam mais gentis tendo estrangulado ela com as próprias mãos. Riko e Reg só sobreviveram por uma série de coincidências. Se Ouzen não tivesse treinado ambos, já eram história. Se Nanachi não tivesse aparecido agora, Riko com certeza teria morrido. De fato, Reg nem mesmo sabia realizar primeiros socorros básicos. Ouzen estava certa, eles vão morrer. Ou melhor, eles deviam morrer. Não faz sentido sobreviverem a essa jornada.

Claro, o problema não é sobreviver contando com a sorte. Eu não vou ser chato e reclamar de realismo em animes. E coincidências realmente existem. Meu problema é com o fato que eles fizeram essa jornada conscientemente, sendo que qualquer um veria que ela é praticamente suicídio. O escritor deveria ter pensado numa forma de obrigar Riko a descer no abismo, contra sua própria vontade, o que seria mais fácil de aceitar.

Independente disso, o anime continua entretendo, embora boa parte disso é a ótima qualidade do estúdio, mais que a obra original. E Nanachi parece uma personagem interessante. Definitivamente mais do que Riko e Reg.

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Hina Logi #11

Hina Logi tem tido episódios tanto decente quanto medíocres durante esses 11 episódios de exibição. Este último está do lado dos decentes, embora essa opinião muito provavelmente é biasada pelo conteúdo do episódio. Mas meus elogios não são tanto para a segunda parte, que é usada como comédia de uma forma que outros diversos animes já usaram, inclusive Little Witch Academia, e de que tenho perdido a paciência com o uso com o tempo. Aqui, porém, o contexto se torna mais tolerável tanto pela atitude de Lion quanto pela primeira parte do episódio. Desde o primeiro episódio é claro que Lion sente uma forte afeição por Nina, mas em ambas as partes desse episódio deixa claro que essa intenção é claramente romântica, e ela entende isso. O beijo que ela dá em Nina na primeira parte, nos lábios, é sem nenhuma forma de magia ou mal entendido, o que é extremamente raro com duas garotas em animes onde o tema não é romance yuri.

A segunda parte, porém, coloca a situação clichê de fazer as personagens serem afetadas por uma magia do amor. Embora as reações de Lion, não afetada, também deixam óbvio seus sentimentos. Nina, por outro lado, apesar do final com sua atitude tsundere, ainda está no espectro duvidoso sobre como se sente em relação a Lion, o que provavelmente continuará até o final. E parece que foi decidido que yuri seria o tema principal desse episódio, visto que até as professoras ganham uma cena típica ao invés de novamente chorar por não terem namorados, o que é inconsistente com o que foi mostrado até agora, mas tudo bem. Resta descobrir o que disso será levado para o próximo episódio. Acredito que não muita coisa, mas foi um episódio divertido de qualquer forma.

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Re: Creators #21

Continuando de onde parou semana passada, o absurdo e falta de lógica continua nesse episódio. Porém, foi o melhor episódio da série até então. É claro, ainda são 20 minutos de conversa. Mas se vai colocar 20 minutos de personagens falando, que seja de uma forma emocionante ao invés de exposição. E preciso admitir que foi uma das cenas mais emocionante que assisti esse ano. Toda a direção e interpretação estava perfeita, o que me faz imaginar que toda a série só existiu para esse momento. E como já tinha deixado claro, estava torcendo para a felicidade de Altair, então esse final foi o mais satisfatório. Gosto principalmente de como a história parece que vai se encaminhar para um final clichẽ onde Setsuna convence Altair e desaparece como é seu destino, mas a criação usa todo seu poder de absurdidades para reescrever o destino de sua criadora e, com a aceitação do público, conseguiu criar dois universos inteiros e virar deusa junto com Setsuna. Ei, a história já estava zoada mesmo, então aceito que usem esses poderes ridiculos para fazer um final interessante. Também é interessante notar o quão meta a série se torna no fim, considerando que não só o público dentro do anime torce por Altair. Observando comentários online, o público no mundo real também torcia por ela. Altair era tanto vilã quanto protagonista dessa história.

Bom, vou me parar de elogiar mais o final porque ainda não acabou. Temos mais uma história que pode ferrar tudo que aconteceu até agora, e as chances são grandes quando os produtores falaram que o último episódio amarrará com o primeiro. Guardo minhas impressões finais da série para após assistir o último episódio. Também não acho que esse desenvolvimento redime a série inteira. Só queria dizer que foi um belo episódio.

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Kira Kira Precure a la Mode #31

Gostaria de salientar o quão importante esse episódio foi. Para isso precisamos analisar como certas escolhas de roteiro são projetadas de acordo com nossa vida social. Há dois tipos de história quando se quer trabalhar um drama ao tentar conciliar família e trabalho. O primeiro é o personagem que decidiu que dinheiro não é mais importante que a família e resolve dedicar menos tempo ao trabalho e mais tempo ao lar. O segundo é o personagem que precisa sacrificar seu tempo com a família para fazer aquilo que acha certo, geralmente uma função onde o resultado mais importante não é o dinheiro. Acredito que ambas as narrativas são válidas e tem seu valor, mas há de se observar um fato curioso. A primeira história é muitas vezes relacionada a uma personagem feminina, principalmente no ocidente, visto que são raras histórias japonesas que lidam com mais trabalhadoras. O segundo tipo de história é quase exclusivamente relacionado com personagens masculinos. Não há como negar o fator social nessas escolhas, o público tem muito mais dificuldade de aceitar uma mãe priorizando o trabalho contra a família, enquanto os pais são visto como motivo de orgulho se sacrificam tempo com os filhos para fazer aquilo que acham certo. Essa posição é tão verdadeira que muitas histórias chegavam a antagonizar mulheres que acreditavam estar “negligenciando” a família.

Precure contém geralmente as histórias mais positivas para o papel feminino na tv japonesa. Desde o relacionamento forte entre as garotas até uma personagem que sonha em ser primeiro ministra. Porém, mesmo essa série quase sempre contava com uma família bem tradicional para a protagonista, o pai com algum trabalho que provê para a família e a mãe como dona de casa, deixando personagens secundárias para trabalhar com temas envolvendo mães com profissões fora do lar. Por isso é tão importante que agora que a série possui uma protagonista que não vê a mãe com frequência por ela estar sempre viajando a trabalho, esse tema seja trabalhado de forma correta. E esse episódio definitivamente mostra que os escritores estão cientes disso.

Embora trabalhe o drama e a relação entre as duas tenha momentos triste, em nenhum momento o episódio tentou culpar a mãe da Ichika por trabalhar fora o ano inteiro como doutora, salvando pessoas onde é mais preciso. Além disso, ela é a figura em quem Ichika se espelha para tomar as decisões na própria vida. É a sua heroína e role model. O roteiro tem a sensibilidade de ilustrar a situação difícil enquanto respeitando a personagem e, por consequência, respeitando as centenas de mães trabalhadoras que tomaram a mesma decisão. E isso é importante, não só para crianças e não só para o Japão. É curioso como um anime infantil feito em uma terra criticada por pensamentos retrógrados consegue trabalhar isso de forma tão sensível. Isso para lembrar o que acredita já faz alguns anos, que Pretty Cure é uma das séries de animes mais importantes sendo exibida atualmente no Japão.

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