PREVIEW IN A BOX: TEMPORADA DE VERÃO 2017

Mais uma temporada de verão empolgante de animes, com títulos bem variados e muita coisa para acompanhar. Nesse post, descubra se o investimento de estúdios chineses em adaptações de mangás é algo bom, se o novo Fate e Kakegurui são bons animes para se assistir na Netflix em 2018,  se Ballroom e Youkoso é só sobre quem tem o pescoço mais comprido, se Isekai Shokudou vai te deixar faminto, se Made in Abyss é uma sacanagem de tão bem feito, e muito mais!

Talvez já não sejam as primeiras impressões, visto o quão avançado a temporada está, mas ainda tem muita coisa que sai do radar da maioria das pessoas que às vezes conseguimos gerar interesse pelos previews. Ou é o que gostamos de acreditar. De qualquer forma, fica aí nossas impressões da nova temporada!

 

Índice:


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Estúdio: MAPPA
Direção: Hayashi Yuuichirou
Roteiro: Kobayashi Yasuko
Baseado num mangá por Kawamoto Homura
Número de episódios: 12
A Escola Privada Hyakkaou abriga os estudantes mais ricos e privilegiados do Japão, com muitos dos futuros líderes do país sendo formados lá. Nessa escola, a hierarquia dos alunos é determinada por uma série de jogos em que eles apostam suas fortunas uns contra os outros, e aqueles que perdem e se endividam por conta disso se tornam escravos dos vencedores . Um dia, uma nova estudante aparece, alguém que joga apenas pela emoção das apostas, e visivelmente começa a perturbar a hierarquia da escola.

Raizon

Kakegurui é uma série de mangás sobre apostas que começou em 2014. Falo série de mangás porque já conta com diversos spin-offs, o que implica certa popularidade. Sempre tive vontade de começar a ler porque histórias de garotas que agem como psicopatas são, geralmente, interessantes. Ao menos quando não estão fazendo isso para chamar atenção do protagonista. Com o anúncio do anime, animado pelo estúdio MAPPA, resolvi esperar para conferir, então minhas impressões são somente dos episódios que assisti.

Ao contrário do que possa parecer, o personagem masculino, Suzui, não é o protagonista da história, agindo mais como o guia da verdadeira protagonista, Yumeko, durante o primeiro episódio. E depois como ponto de vista do público, visto que somos tratados como não tendo a mesma capacidade das demais personagens. Resumindo, Suzui é o “Watson” da história. A história que acompanhamos é de Yumeko ao se transferir para uma nova escola e descobrir de repente que se encontra em um lugar onde dinheiro é o poder absoluto e jogos de apostas são comuns. Apostas em que a própria dignidade do jogador está em jogo, ou até algo muito pior. Em meio a tamanho pesadelo, Yumeko se regozija. Está é a protagonista dessa história.

A premissa de apostas pode lembrar de outro anime mais culto chamado Kaiji, mas Kakegurui pouco tem a ver com esse fora o tema principal. Kaiji lida com o desespero de estar no meio de uma situação na qual é necessário apostar até mesmo sua própria vida. Enquanto em Kakegurui, nossa protagonista elimina qualquer desespero que a obra possa querer passar. Se a situação piora, Yumeko fica excitada ao invés de chorar, o que faz com que a história não tente passar uma sensação de aflição. Afinal, é como se estivéssemos seguindo a história do ponto de vista do oponente perigoso, e não do amador desesperado. Ao invés da emoção da aposta, a principal atração da série é as reações exageradas das personagens. Nunca fui muito fã das caras deformadas que animes gostam de fazer nesses momentos, e aqui é cheio delas. Tira um pouco da seriedade e não passa emoção alguma fora o fato de que estão tentando demais pintar aquela situação como desesperadora.

Até o momento, Kakegurui tem um grande problema, além de algumas lógicas de Yumeko que não fazem sentido (eu teria muita coisa para reclamar do final do terceiro episódio, mas vou me deter de colocar mais spoilers). Esse problema é o fato que os episódios parecem todos seguirem uma única fórmula: 1 – Yumeko encontra uma oponente; 2 – Yumeko joga o jogo perdendo as primeiras partidas; 3 – Yumeko percebe todo o esquema da oponente (que sempre está trapaceando), e consegue virar o jogo. Para se tornar algo realmente interessante, a série vai precisar fugir logo dessa fórmula.

Apesar disso, Kakegurui não deixa de ser interessante. Principalmente pelos jogos elaborados que cada novo oponente utiliza. Infelizmente não há aqui a emoção que se possa esperar de um anime baseado em apostas, mas para quem curte personagens psicóticas, é uma aposta sem falhas. Além de que as tramas das personagens e como elas humilham seus oponentes são bem divertidas de acompanhar.


Estúdio: A-1 Pictures
Direção: Asai Yoshiyuki
Roteiro: Higashide Yuichiro
Baseado numa light novel por Higashide Yuichiro 
Concepção original de Type-Moon
Número de episódios: 25
O mais novo capítulo na saga Fate. Agora, a Guerra do Santo Graal é disputada entre dois grupos, cada um com sete servos do seu lado.

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Talvez a franquia mais saturada dos últimos anos, Fate está se tornando um título quase que obrigatório todo ano. Com um conceito simples que gera interesse pelo fato de usar figuras históricas como personagens em uma guerra mágica, é fácil entender o sucesso continuo da série. Mas também é fácil perder o interesse a cada título novo, que parece só repetir da mesma fórmula. Fate/Apocrypha é um exemplo claro disso, em que o único “twist” nessa fórmula é o fato de ter dobrado o número de servos.

O gimmick de usar figuras históricas (ou personagens famosos o suficiente no imaginário popular) já não é algo tão atraente assim pra mim. A maioria são releituras, afinal, e dificilmente você vai conseguir encarar eles como a figura que representam, visto o quão descaracterizado alguns são. O apelo aqui é até mais otaku, com personagens como a Criatura de Frankenstein e o Jack o Estripador sendo garotinhas fofas.

Ainda sim, a ação não decepciona e a animação é o que se espera do estúdio A-1 – ao menos no título que eles estão convencidos que vai vender. O que, sinceramente, sempre foi o mais atrativo da série. Os personagens, na sua maioria, nunca foram muito interessantes, com uns que beiravam a vilões cartunescos e outros com ideologias idiotas. Não parece ser muito diferente aqui, com a interação entre um ou outro personagem sendo realmente interessante. Ele provavelmente deve repetir os mesmos erros das outras séries, já que também aparenta reaproveitar alguns subplots delas.

Se você gostou de Fate/Zero e de Fate/stay night, não tem como você não gostar do Apocrypha. Ou talvez tenha após você reavaliar seus conceitos e as falhas da série terem se tornado mais berrante com o passar do tempo.


Made in Abyss

Estúdio: Kinema Citrus
Direção: Kojima Masayuki
Roteiro: Kurata Hideyuki
Baseado num mangá por Tsukushi Akihito
Número de episódios: 13
O enorme sistema de cavernas conhecido como “O Abismo” é o único lugar inexplorado no mundo. Ninguém sabe o quão profundo ele é, habitado por criaturas estranhas e cheio de misteriosas relíquias antigas cujo propósito é desconhecido para a sociedade moderna. Gerações de aventureiros ousados foram atraídos para as profundidades crípticas do abismo. Com o passar dos tempos, os corajosos o suficiente para explorar o perigoso abismo vieram a ser conhecidos como “Cave Raiders“. Rico, uma garota que sonha ser uma grande Cave Raider como sua mãe foi, ao explorar as profundezas do abismo, se depara com um estranho garoto, que na verdade é um robô…

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Baseado no mangá de mesmo nome por Akihito Tsukishi, Made in Abyss segue a protagonista Riko em um mundo de fantasia onde uma cidade existe em volta de um abismo, explorado por escavadores para trazer riquezas. Riko, assim como as outras crianças do orfanato onde vive, trabalha aventurando-se nesse abismo para trazer relíquias para a superfície, que seu orfanato poderá então vender. No abismo Riko encontra um garoto robô chamado Regu que pode ser a resposta para os mistérios do abismo.

A primeira vista, Made in Abyss parece até um anime infantil, com seu ambiente fantasioso e traço simples. Porém, mesmo nos primeiros episódios já revela a tendência a uma história mais pesada, considerando a natureza do abismo. Riko é uma das poucas personagens femininas que possui o seu papel na história, como uma jovem aventureira que deseja seguir os passos de sua mãe, famosa por ter ido até às profundezas do abismo. Com a adição de Regu, podemos dizer que essa é uma história do estilo “girl meets boy”, contrário do “boy meets girl” que tanto se vê no gênero. Apesar de um tanto mais séria do que geralmente se espera do estilo. Desde o primeiro episódio é claro que a morte é uma possibilidade próxima para esses exploradores, apesar de serem crianças.

A atmosfera é provavelmente um dos maiores atrativo de Made in Abyss, e é perfeitamente capturada pelo estúdio Kinema Citrus, que sempre produz uma animação bonita, mas nunca recebe o reconhecimento que merece. Sendo assim, Made in Abyss parece ser um ótimo anime para quem procura uma história de aventura um pouco diferente do que estamos acostumados.


Ballroom e Youkoso

Estúdio: Production I.G
Direção: Itazu Yoshimi
Roteiro: Kenichi Suemitsu
Baseado num mangá por Takeuchi Tomo
Número de episódios: 24
Fujita Tatara é um garoto introvertido e tímido que está no seu último ano escolar e não tem ideia do que pretende fazer depois de se formar.  Um dia, ao se esbarrar com uma conhecida da sua escola num estúdio de dança, ele acaba sendo confundido com um novo aluno e descobre o mundo da dança de salão. Impressionado com a performance de um dos professores, Tatara decide se dedicar a dança e entrar no meio profissional.

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O mais novo anime da Production I.G, conhecida por grandes hits de esportes como Kuroko na Basket e Haikyuu!!, Ballroom e Youkoso é provavelmente um dos animes mais chamativos desse ano, com uma premissa bem inusitada e uma animação impressionante.

Eu citei outros animes de esportes do estúdio porque Ballroom também é um. Dança de salão é vista como uma “dança esportiva” e existem várias competições. E, claro, sua estrutura é a mesma de um anime de esporte. O protagonista, Tatara, é um garoto que descobre a dança e logo percebe que tem alguma aptidão para aprender observando os outros, iniciando sua jornada de treinamento árduo e autodescoberta ao lado de companheiros e rivais. O anime não se destaca exatamente na sua estrutura, e provavelmente deve seguir muitos tropes e clichês do gênero, mas a sua temática é interessante o suficiente para relevar isso.

Mas, claro, a animação faz um ótimo trabalho em destacá-los dos demais do gênero. Production I.G é com certeza um dos estúdios mais capacitados em conseguir elevar a movimentação do esporte através da animação, tanto de forma mais realista quanto mais estilizada – vide os saques em Haikyuu. Os movimentos da dança no mangá são desenhados de forma exagerada e agressiva, quase como se fosse uma batalha, para demonstrar o seu aspecto mais esportivo e competitivo. E o anime consegue adaptar muito bem isso com uma animação dinâmica e realista, que alterna entre a delicadeza e a agressividade dos passos, e uma animação mais crua para impactá-los. A dança de salão no anime é viva, fluida e transpõe a esportividade implícita nela.

Talvez o anime cause um pouco de estranheza pela sua anatomia esquisita em alguns momentos, com pescoços que se estendem de forma um tanto exagerada, mas nada que te tire dele. Com uma animação extraordinária que se destaca numa temática que envolve movimentos de dança de forma elegante e fervorosa, Ballroom e Youkoso é o anime de esporte mais empolgante e bonito que você vai ver em um bom tempo. Ou ao menos depois de Yuri!! On Ice.


Isekai Shokudou

Estúdio: Silver Link.
Direção: Jinbo Masato
Roteiro: Jinbo Masato
Baseado numa light novel por Inuzuka Junpei
Número de episódios: 12
O restaurante Youshoku no Nekoya é especializado em culinária ocidental e é bem popular entre salarymen. Entretanto, a cada sete dias, uma porta especial aparece em algum mundo paralelo e clientes de todos os tipos e espécies o visitam para apreciarem suas refeições favoritas.

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Tem algo extremamente relaxante em ver pessoas comendo refeições com uma animação bonita e detalhada. Ainda mais quando isso envolve outros mundos interligados e diversos seres com culturas diferentes.

Cada episódio de Isekai Shokudou foca em dois personagens que acabam se esbarrando com uma porta mágica que os leva ao restaurante Nekoya, o qual fica no nosso mundo, e a experiência ao comerem típicos pratos daqui. É basicamente um food porn com um tempero a mais de ter personagens de mundos medievais e fantásticos tendo um choque cultural com a nossa culinária.

Mas a forma como a relação entre o restaurante e o visitante é construída é o mais interessante do anime. Cada um deles tem uma razão para visitá-lo e um prato favorito, algo que está relacionado à sua raça, cultura ou com o tipo de vida que levavam no seu mundo de origem. Assim, cada prato tem um significado diferente que faz com que nos descubramos mais sobre os personagens e seus backgrounds.

A animação é um ponto forte ao trazer vida ao ambiente do restaurante e a comida, o que faz com que a experiência de assistir os personagens comerem os pratos do Nekoya seja algo invejável. O design dos personagens, adaptado da arte do Enami Katsumi, conhecido por ter feito o design de Baccano, também é muito charmoso e conseguiu captar bem a beleza do traço original. É notável, porém, que o foco dos animadores está mais nessa apresentação e a animação em outros momentos, como em batalhas ou em movimentações dinâmicas, é bem pobre. Nada que atrapalhe o entretenimento do anime no final, já que isso não é o foco.

É difícil encarar Isekai Shokudou como realmente um “isekai”, um gênero clássico que está bombando ultimamente, porque ele soube criar algo muito mais interessante em cima de um conceito manjado. Ele não se preocupa em ter um plot épico e grandes batalhas, mas sim passar uma experiência calma e despretensiosa. Como um dos grandes destaques dessa temporada, Isekai Shokudou é realmente um excelente anime para assistir, relaxar e provavelmente salivar.


Netsuzou TRap

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Estúdio: Creators in Pack
Direção: Hirasawa Hisayoshi
Roteiro: Yūichi Uchibori
Baseado num mangá por Kodama Naoko
Número de episódios: 12
Yuma, uma colegial do segundo ano, está desfrutando mais de todos os seus dias agora que tem seu primeiro namorado. Depois que ela pede um conselho de relacionamento para Hotaru, sua amiga de longa data que tem muito mais experiência, ela a provoca por sua inexperiência e faz coisas com Yuma que mesmo seu namorado ainda não fez. O relacionamento secreto de Yuma e Hotaru continua a escalar, e ela se vê incapaz de negar como se sente em relação a isso. Esse é um drama escolar que conta a história das vidas entrelaçadas dessas duas meninas e seus namorados.

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A única parte do preview que importa para pessoas sem interesse específico em yuri: animação ruim e desenvolvimento extremamente corrido que nem faz sentido. Realmente não vejo nenhum motivo para assistir isso, a não ser que queira ver cenas de sexo censuradas por luzes mágicas. Pelo menos Sakura Trick se dava ao trabalho de animar as cenas de beijo de forma decente.

O resto do preview provavelmente só será de interesse daqueles que acompanham e possuem interesse no gênero, já que é sobre a série em si. Aproveito para falar disso agora para não acabar tentado a fazer um post só para a série no futuro.

Netsuzou TRap é provavelmente o título mais problemático sendo publicado na revista Yuri Hime atualmente. E os problemas vão além do que ele representa, e me fazem pensar como ele é permitido lá e porque é a terceira série de maior sucesso da revista (quarta, talvez, já que felizmente outro drama parece estar roubando sua relevância). Quando a série foi anunciada, foi apresentada como uma história sobre garotas traindo seus namorados. Algo que, ignorando o quanto isso pode ofender a moral individual de alguém, faz completo sentido no contexto da revista e do gênero. Há diversas séries saindo toda hora e os autores estão sempre procurando novas maneiras de deixar o romance interessante e diferente. O problema é que o foco muda logo aqui. Deixa de ser sobre trair os namorados e passa ser sobre uma das garotas sofrendo chantagem de um deles, sendo abusada fisicamente e sexualmente enquanto nenhuma das duas fazem nada para reverter a situação. Os únicos personagens que possuem qualquer atitude na história são os meninos. Ou seja, não é uma história na qual os garotos sofrem NTR (netorare, ou seja, traição) e sim as garotas, o que numa revista do gênero yuri não deveria existir. De fato, parece uma história que se encontraria em pornografia. Atualmente está ainda mais anti-yuri quando a história implica que a pior coisa que poderia acontecer na vida da personagem é descobrir que ela é homossexual.

Em resumo, o sucesso desse título para o gênero é uma situação triste. Como tal, não consigo desejar sucesso para essa animação, que felizmente quase ninguém está assistindo. Não sou grande fã de Citrus, mas é uma história melhor, e espero que receba um tratamento adequado. Começando por não serem episódios de 8 minutos de duração.


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Estúdio: MAPPA
Direção: Furuhashi Kazuhiro
Roteiro:Takagi Noboru
Baseado num mangá por Katou Kotono
Número de episódios: Indefinido
Por décadas o estado turco e o império de Balt-Rhein se opuseram e um conflito maior parecia inevitável. Quando um ministro imperial é encontrado morto e a culpa cai em cima de um soldado turco, se torna evidente que existe uma conspiração como o objetivo de incitar uma guerra. Mahmut Tuğrul é um jovem pasha que perdeu sua mãe na guerra e precisa impedir os planos do império para que a história não se repita.

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Inspirado na história do Império Otomano, Shoukoku no Altair é um anime que parecia interessante pela sua ambientação e minha expectativa era que o estúdio MAPPA conseguisse representar bem ela visualmente com uma animação de qualidade. Mas pelo visto eles estão muito mais focados em Bahamut e Kakegurui e a animação pouco impressiona. Não chega a ser ruim, mas é um tanto frustrante um anime que use de uma cultura única como pano de fundo não ter uma animação que se destaca.

Ainda sim, o anime ainda consegue ser interessante pela temática e pelo seu lado mais político. Embora se passe num mundo fictício, a autora se especializou em história turca e usou seu conhecimento como base para a caracterização do seu universo. Muito da cultura turca, como vestimentas e danças típicas, estão presentes no anime, assim como sua estrutura política (embora não exatamente do período em que é baseado.) Os personagens, entretanto, não chegam a ser tão interessantes por hora e a forma como a relação entre eles é trabalhada é algo problemático…

E isso talvez seja um problema que está relacionado com um fator técnico de Shoukoku no Altair: a direção. Tudo parece que é jogado na sua cara sem nenhuma explicação prévia, num ritmo frenético que não se preocupa em estabelecer bem os personagens antes de envolvê-los em alguma trama. E isso é algo ainda mais problemático visto que um conflito que envolve a relação entre o protagonista e algum personagem próximo dele é algo recorrente no anime. Fora que a forma como os flashbacks são colocados para entendermos a relação entre eles é quase amadora de tão abrupta e não consegue passar direito a emoção da cena. Não sei dizer o que aconteceu aqui, pois o diretor é um veterano com um bom currículo, mas Altair com certeza não vai ser lembrado por ter uma boa direção.

Não chega a ser um anime ruim, mas talvez a melhor recomendação nesse caso seja o mangá. Com Altair e Arslan tendo produções problemáticas, me pergunto se um anime medieval com fundo político é algo tão difícil assim de se fazer de forma decente.


Princess Principal

Estúdio: Studio 3Hz; Actas
Direção: Tachibana Masaki; Nomura Kazuya
Roteiro: Okouchi Ichiro
Anime original
Número de episódios: Indefinido
Ambientado em Londres no século XIX, onde uma parede divide o leste e o oeste do reino de Albion, cinco meninas matriculadas no prestigiado colégio Queens May Fair  estão envolvidas em atividades de espionagem que envolvem disfarces, infiltração, perseguição de carros e muito mais. Essas garotas usam de suas habilidades para habitarem o mundo das sombras.

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Junto com Kinema Citrus, outro estúdio injustamente esquecido é o Studio 3hz. Apesar de consideravelmente novo e com poucos títulos produzidos, todos têm uma produção muito boa e geralmente uma ideia diferente de outras séries exibidas ao mesmo tempo. Ano passado Flip Flappers foi um dos meus animes preferidos do ano, e Dimension W foi uma série de ação decente, no estilo antigo de Darker Than Black. Mesmo Sora no Method, o mais medíocre de seus títulos, e o primeiro a produzirem, possuía uma produção acima da média. Princess Principal é produzido com colaboração de Studio 3hz e Actas, outro estúdio que já provou ser capaz de fazer ótimas produções, como Girls und Panzer e Regalia, mas que há tempos não consegue terminar um projeto sem atrasos enormes. Com esses dois nomes é fácil criar expectativa para o anime, e na parte técnica ele não desaponta, sendo uma das animações mais bonitas da temporada.

Outro elemento importante a considerar é o roteiro de Ichiro Okouchi, famoso pelo seu trabalho em Code Geass e infame por produções como Guilty Crown, Valvrave e Kabaneri. Princess Principal parece pegar muito mais de seu trabalho mais conceituado, porém, já sendo comparado com Code Geass em alguns lugares.

Resumindo a história, que parece mais complexa do que parece a princípio, ela se passa em uma Londres dividida por um muro após a descoberta de uma nova substância que possibilitou avanços tecnológicos. E a história centra na batalha entre espiões dos dois lados do muro. O primeiro episódio (que é na verdade o episódio 13) nos apresenta a esse mundo e às personagens. Não sou muito fã desse formato, colocando episódios fora de ordem, mas pode ser uma boa ideia se isso resultar em algumas surpresas que mudem nossa impressão desse primeiro episódio no futuro. Como um episódio solo, ele não impressiona, embora. Apesar de suas ótimas cenas de ação e animação bem trabalhada, o fato que somos atirados no meio daquela situação sem nem entendermos bem as personagens faz com que seja difícil nos importar. Situação essa que felizmente muda com os episódios seguintes. Quando o anime finalmente apresenta as personagens e situações que se encontram, nota-se seu potencial. Sem entrar em detalhes porque o episódio 2 já tem um grande spoiler, mas cada personagem e a relação que compartilham são o suficiente para fazê-lo um dos melhores animes dessa temporada, se a qualidade se manter. E esse é o problema, visto que o escritor tem um histórico de inconsistência ao desenvolver suas histórias, que muitas vezes começam com um grande potencial, mas uma decisão idiota acaba estragando tudo.

Ainda sim, pelo que apresentou no momento, Princess Principal é um ótimo anime para quem procura uma história bem desenvolvida de ação com personagens interessantes e dramas pessoais bem montados. Além, claro, da ótima animação e trilha sonora.


Centaur no Nayami

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Estúdio: Haoliners Animation League
Direção: Oizaki FumitoshiKonno Naoyuki
Roteiro: Machida Touko
Baseado num mangá por Murayama Kei
Número de episódios: 12
Himeno é uma doce e tímida centauro. Em seu mundo, todos parecem ser algum tipo de criatura sobrenatural e possuem algum tipo de chifre, asa, cauda, halo ou outra parte do corpo visível. Apesar de suas diferenças, Himeno e suas melhores amigas, Nozomi e Kyouko, têm uma vida diária comum e divertida.

Raizon

Sempre é difícil falar da adaptação de algo que já se é fã pela obra original. Assim como aconteceu com Maidragon, acho difícil decidir se Centaur no Nayami é um bom anime ou estou somente associando com o bom mangá que já conheço. Primeiro gostaria de retomar o que mencionei em outra temporada, quando Demi-chan estava sendo exibido. Minha opinião era que Demi-chan era covarde por tentar falar de minorias sem se dar ao trabalho de criar uma, ao invés disso usando características que quem assiste acharia mais atraente que qualquer coisa. Centaur não cai na mesma armadilha, embora, novamente, é difícil perceber pela animação dos primeiros episódios.

O anime trata do dia a dia de Hime e suas amigas e família. Hime é uma centauro, vivendo em um mundo onde todos os humanos possuem a forma de “monster girl”. E “boys”, claro. Ou seja, todo mundo ou é um centauro, ou sátiro, ou possuem asas de anjo ou orelhas de gato. Tudo qual é justificado no universo do anime, apesar de a explicação ser no mínimo engraçada. Mas o anime faz questão de trabalhar as dificuldades desse mundo com espécies tão diferentes vivendo em comunidade.

As diferenças entre as espécies são grandes o suficiente que discriminação e racismo terem chegado a níveis críticos faça sentido. Além disso, há exemplos de outras minorias que não são somente características físicas, como diferentes crenças religiosas e sexualidades. Mesmo entre obras nicho (mesmo considerando o gênero yuri e yaoi), é um dos poucos mangás que não tem medo de usar a palavra “lésbica” diretamente. Embora isso talvez não seja uma comparação justa, porque o autor claramente resiste a uma vontade de fazer todas as personagens serem gays de uma vez, então há mais uma questão de preferência junto com o comentário social. Mas tais comentários estão lá, de várias formas diferentes. E esse é um dos primeiros pecados da adaptação. Sinto que algumas mudanças feitas não conseguem capturar as nuances que explicam aquela sociedade. A ideia de que as diferenças são tão grandes que as leis tentando impor igualdade parecem ser exageradas. Quando paramos para pensar, porém, não são tanto, mas isso já é um assunto mais longo.

Outro fator bastante criticado é a animação. Não vejo problema nesse quesito, considerando que é um estúdio chinês pequeno. Não há como comparar com produções feitas por estúdios japoneses com mais experiência e recursos. E mesmo assim, a produção é decente. Os personagens importantes são geralmente consistentes e, levando em consideração que animar cavalos parece um dos maiores problemas com animadores, a consistência da protagonista e outros centauros é admirável.

No geral, Centaur no Nayami vale a pena nem que seja para conhecer esse universo curioso que Hime e suas amigas vivem. O mangá possui muitos detalhes que naturalmente serão pulados pelo anime, podendo fazê-lo mais confuso e pobre. E alguns desses detalhes são extremamente bizarros (apesar de que aparentemente ainda teremos os aliens). Mas mesmo com as mudanças, o curioso dia a dia dessas personagens deve prender a atenção de fãs de slice of life procurando por algo diferente.


Estúdio: Studio Deen
Direção: Nagahama Hiroshi
Roteiro: Suzuki YasuyukiStan Lee
Anime original
Número de episódios: Indefinido
Anos depois de um estranho acontecimento no qual o céu foi tomado por uma fumaça misteriosa, chamado de The Reflection,  pessoas com poderes misteriosos começaram a surgir pelo mundo. Tomando o papel de heróis e vilões, as pessoas vivem agora num mundo que aparenta ter saído de uma história em quadrinhos.

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Talvez o título mais curioso dessa temporada, The Reflection é uma colaboração do diretor Nagahama Hiroshi, conhecido por Mushishi e Aku no Hana, e uma das grandes mentes por trás da Marvel, Stan Lee. E o resultado é surpreendentemente decente! Embora a maioria das pessoas parece discordar, visto a nota baixíssima no MyAnimeList.

Minha expectativa não era das melhores pelo fato que o Stan Lee já havia provado com Heroman que seu envolvimento com o roteiro de um anime podia ser algo bem desastroso. Embora em ambos os casos sua participação seja apenas na concepção do enredo, Heroman claramente refletia o pior das histórias que ele estava acostumado a fazer nos quadrinhos nos anos 60 e 70. Então minha preocupação era que isso se repetiria aqui. Mas com uma trama que remete aos X-Men, um conceito bem mais interessante, junto a um estilo visual único e uma boa direção, faz com que The Reflection seja um anime que mereça destaque nessa temporada.

Com um estilo de animação que remete ao estilo gráfico de uma história em quadrinhos, o anime parece ter causado controvérsia e afastado boa parte do público, mas particularmente eu achei bem interessante. O diretor Nagahama já havia causado essa repulsa antes ao usar rotoscopia na adaptação de Aku no Hana, embora o fato de não ser particularmente bem feito também tenha contribuído para isso. Em The Reflection também dá pra entender um pouco dessa aversão além do visual. Os movimentos nele são lentos, quase como se estivéssemos vendo algo em velocidade reduzida, o que faz com que a ação não seja muito empolgante. E isso também reflete no seu ritmo. Novamente, não chega a ser um problema para mim e consigo encarar como parte da estética do anime.

Com certeza não é um anime para todos pela forma como tenta ser único, então é difícil recomendar. É evidente a rejeição pelo grande público, mas é sempre bom se colocar fora dele e tirar suas próprias conclusões. Recomendo assistir ao menos os dois primeiros episódios para isso, visto que o primeiro foi feito de forma um pouco confusa com alguns buracos na narrativa e o segundo os preenche.


Mahoujin Guruguru

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Estúdio: Production I.G
Direção: Ikehata Hiroshi
Roteiro: Hisaaki Okui
Baseado num mangá por Etou Hiroyuki
Número de episódios: 24
O selo que por centenas de anos confinara o rei demoníaco Giri desapareceu. Um menino chamado Nike é escolhido (contra sua vontade) como o herói. Juntamente com Kukuri, uma menina que é a única sobrevivente da tribo que usou magia negra para selar Giri, os dois partem para salvar o mundo, no melhor estilo RPG.

Raizon

Nostalgia está, infelizmente, em alta em quase todas as mídias. Portanto, faz sentido que tentem trazer de volta séries que emulam algum estilo passado ou até mesmo novas versões de séries que foram populares épocas atrás. Mahoujin Guruguru tenta isso, sendo adaptação de um mangá dos anos 90 assim como remake de um anime da mesma época.

Guru Guru é uma grande paródia de JRPGs clássicos de NES/Snes, particularmente Dragon Quest. Sem ter pretensão maior do que fazer uma comédia descarada, o anime joga piada atrás de piada, sem se preocupar muito em fazer sentido. Geralmente é uma boa fórmula para comédia, mas considerando que se precisa criar dezenas de piadas para preencher 20 minutos, muitas vezes serão mais falhas do que realmente engraçadas. O estilo de humor é basicamente humor de shounen dos anos 90. Um menino pervertido e uma garota fofa e inocente saem para salvar o mundo, cheio de piadas com cunho sexual. Isso pode parecer estranho porque o mangá possuía um público infantil, mas faz sentido considerando o tipo de humor que revistas como shounen jump colocam. Infelizmente esse é também o maior problema da série. Gostar ou não da série vai depender do quanto você atura o personagem de “garotos pervertidos”, já que aparentemente todos caem nessa categoria. Se simpatizar com personagens estilo Enma-kun de Dororon é impossível, provavelmente curtir esse anime também será.

No geral, não há muito na série exceto para quem gosta de humor dos anos 90 ou adora JRPGs clássicos, em particular Dragon Quest. O estilo nostalgia é, como na maioria das séries que utilizam ele, o maior motivo para se assistir Mahoujin Guru Guru.


Dimentioluc

Production I.G não é um nome que me excita. Não que sejam ruins, mas parece ser um estúdio que se contenta em estar na média. Fazer algo razoável e sentir que não precisa dar aquele passo a mais para um toque especial. Sei que isso é tudo subjetivo e pessoal, então entendo alguém discordar desses meus sentimentos, mas é importante eu deixar isso claro antes de comentar o quanto esse remake de Mahoujin Guruguru foge disso para mim.

Baseado num clássico mangá e anime da década de 90, Guruguru é basicamente uma grande paródia dos clássicos RPG da época, principalmente Dragon Quest (a editora do mangá era a Enix, a desenvolvedora da franquia), e tira sarro de várias tropes clássicas do gênero.

Essa adaptação é bastante charmosa. A animação e a arte são excelentes com cores vibrantes e um estilo bem único e o pacing, acelerado para cobrir o mangá todo, funciona bem graças ao tema de videogame e às constante piadas. Parece que a IG realmente quer marcar sua identidade nesse anime e não só seguir à risca o material original ou o anime passado.

A comédia pode soar datada em alguns sentidos (piadinhas pervertidas/escatológicas de anos 90 aparecem com regularidade), mas fazem sentido considerando o tema e o que estão parodiando. Ver certas expressões faciais como gotinhas atrás da cabeça dão um certo ar de nostalgia para a série também, mas com o adendo de uma produção moderna e de qualidade junto.

Mahoujin Guruguru funciona bem para quem gosta de RPGs clássicos, anime dos anos 90 ou até para quem gosta de comédia non-sense com um ritmo absurdamente acelerado… e sim, se você quiser ver só pela Kukuri ser adorável, vá em frente.


Youkai Apartment no Yuuga na Nichijou

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Estúdio: Shin-Ei Animation
Direção: Hashimoto Mitsuo
Roteiro: Yamada Yasunori
Baseado numa light novel por Kouzuki Hinowa
Número de episódios: Indefinido
Inaba Yuushi é um estudante do ensino médio que perdeu seus pais num acidente e vive sobre a tutela dos seus tios. Porém, seu maior desejo é de viver sozinho para não ser um peso para eles, e assim decide alugar um apartamento. Sem escolha, Yuushi se vê num apartamento velho habitado por seres que talvez não sejam desse mundo.

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Youkai Apartment é um anime baseado em uma série de novels publicadas entre o período de 2003 a 2009, algo que provavelmente reflete a sua temática. Histórias sobre youkais (todo tipo de criatura fantástica da mitologia japonesa) são algo que vimos até a exaustão em animes, com séries como Natsume Yuujinchou saindo até hoje, mas fora franquias consagradas, não parece ser uma temática que gere muito interesse atualmente. E talvez a fraca recepção dele seja um reflexo disso.

A história é basicamente sobre Inaba Yuushi, um garoto que quer independência para morar sozinho, e sua única escolha é um apartamento habito por todo tipo de youkai. Todos eles convivem em paz com outros humanos, os quais ou já se acostumaram com a situação ou porque possuem alguma relação com o lado espiritual, sendo médiuns ou exorcistas. Yuushi decide então aceitar e se adaptar à convivência com seus vizinhos, enquanto supera seus traumas passados e se torna uma pessoa mais aberta com seus sentimentos.

Embora a temática seja manjada, e o anime não tenha nada que realmente o destaque dos demais, ainda é atrativo para mim e consigo me divertir com ele. O aspecto slice of life dele funciona bem e é relaxante ver um apartamento com várias criaturas de lendas convivendo em paz. Talvez seja uma comparação injusta, mas tem um quê de Ghibli nessa relação entre humanos e youkais (até o design do apartamento remete um pouco).

A animação é feita pelo estúdio Shin-Ei, um estúdio antigo por trás de grandes clássicos como Doraemon e Crayon Shin-chan, e seu staff também é formado por nomes experientes. Mas a produção não parece ser uma das mais ambiciosas e o anime possui uma animação travada e não muito agradável de ver. Visto o histórico do estúdio, imagino que seja uma animação para TV, o que geralmente implica em um orçamento mais modesto.

Talvez não seja o anime mais original e mais bem produzido da temporada, mas ainda sim é um bom anime para acompanhar e relaxar um pouco. Mas talvez ser só isso nessa temporada não seja o requerimento mínimo, visto que há muito mais coisas interessantes para se acompanhar.


Estúdio: J.C.Staff
Direção: Yonetani Yoshitomo
Roteiro: Minakami Seishi
Baseado numa light novel por Fujiki Rin
Número de episódios: 12
Dentro do Vaticano, existe um grupo responsável por verificar a veracidade de milagres relatados por pessoas do mundo todo. O padre Nicholas e o padre Hiraga usam de seus conhecimentos específicos para descobrir a verdade por trás deles, mas talvez exista alguma conspiração muito além do que imaginam.

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Vatican Kiseki Chousakan é um anime sobre dois padres que fazem parte de uma equipe especializada do Vaticano em verificar relatos de milagres e descobrir se são reais ou se há algum tipo de explicação lógica por trás daquilo. Com uma estrutura que aparenta ser episódica, cada um desses relatos possui um mistério maior por trás, que talvez esconda algo muito mais macabro.

Ele é basicamente uma mistura de Scooby-Doo com O Exorcista, em que vários mitos cristãos, como a grávida imaculada, a estátua da santa que chora, estigmas e possessões demoníacas, são usados como elementos do mistério, mas que são desmentidos pelos protagonistas ao chegarem numa explicação lógica. Mas isso chega a ser cômico de tão forçado, como um garoto sofrendo de overdose de cocaína sendo a explicação para o que parecia ser essa possessão demoníaca. Tudo que acontece parece só um pretexto para usar esses mitos e não se preocupa em convencer quem assiste que aquilo é plausível. Fora que o ritmo é desenfreado por alguma razão, com cortes abruptos de cenas em que os personagens conversam sobre algo importante, e não dá nem tempo de criar uma atmosfera de suspense. As respostas são simplesmente jogadas na nossa cara sem nem ter construído bem o mistério ou aberto uma discussão para as possibilidades do que possa ter acontecido.

Se você gosta de animes de suspense e nessa estrutura detetivesca de casos de assassinatos, talvez ainda seja algo que te prenda atenção, mas ele provavelmente vai te perder quando apresentar as respostas. Mas talvez o fato dele ser tão camp seja algo que consiga também te divertir pelos motivos errados. De qualquer forma, acho melhor focar nos títulos dessa temporada que conseguem ser bons porque têm algum mérito.


Hina Logi: From Luck & Logic

Estúdio: Doga Kobo
Direção: Asai Yoshiyuki
Roteiro: Sugawara Yukie
Baseado num card game por Bushiroad
Número de episódios: 12
Liones Yelistratova é uma princesa ingênua de uma pequena nação, que parte para Hokkaido para entrar na ALCA, uma instituição educacional dedicada ao ensino dos chamados “Logicalistas”, que são responsáveis por defenderem a paz mundial. Liones entra na classe S, e encontra muitos colegas de classe únicos, incluindo a Logicalista Nina Alexandrovna.

Raizon

Ano passado DogaKobo animou o anime Luck & Logic, para promover o novo jogo de cartas produzido pela Bushiroad. No fim acabou sendo um battle harem medíocre, o que talvez impulsionou a escolha de mudar o estilo para o próximo projeto, tirando o protagonista masculino e focando em garotas estudando em uma academia para a nova série. O problema é que a única evolução foi de um battle harem medíocre para um slice of life medíocre.

As personagens de Hina Logi até possuem um charme quando são trabalhadas, mas estão presas em uma história na qual isso não importa. É o já conhecido “fantasia onde o mundo está em paz e usamos nossos poderes por esporte” que é usado em séries como Dog Days. E como tal, nada muito interessante sai disso. Não que exista algum esporte como tal no anime, mas o modo como tratam disso é bem similar, como competições para ver quem é mais forte e pequenas rivalidades.

O principal conceito da série passada era sobre o relacionamento dos “Logicalistas” com a entidade de outro mundo com quem fizeram um pacto. De fato, o protagonista e a garota principal possuíam um romance sutil usando essa ideia. Mas em Hina Logi esse conceito é atirado de lado. As entidades de outro mundo mal são personagens, e sim ferramentas para fazer as protagonistas ganharem super poderes. O que faz a existência de tais entidades sem muito sentido para começar. Trabalhar esse lado podia ter dado a série uma relevância maior, embora a anterior já nos mostrou que poderia ser tão medíocre quanto.

Nem mesmo a comédia é um bom atrativo, apesar de ser a maior parte do anime. As piadas são compostas de “running gags” clichês, como a tsundere com bom coração, a menina não muito expressiva que adora animais fofos ou a professora que está desesperada para achar um namorado.

No fim, o único motivo para se assistir Hina Logi é “garotas fofas lutando”. O que se torna dispensável quando já há dezenas de séries, atuais ou antigas, que utilizam esse conceito de forma muito mais eficiente. Vale mais a pena economizar esse tempo assistindo a todas as temporadas de Symphogear até chegar à atual, por exemplo.


Keppeki Danshi! Aoyama-kun

Estúdio: Studio Hibari
Direção: Ichikawa Kazuya
Roteiro: Gotou Midori
Baseado num mangá por Sakamoto Taku
Número de episódios: 12
A história gira em torno de Aoyama, um talentoso jogador de futebol que prioriza a limpeza acima de tudo, e que durantes as partidas se recusa a dar cabeçadas ou rasteiras e só joga usando luvas.

Dimentioluc

Obras de sucesso influenciam indústrias. Quando um anime como Shingeki no Kyoujin fez sucesso, isso abriu as portas para similares como Terra Formars e Kabaneri. Neste caso, a adaptação de Aoyama-kun claramente existe pelo sucesso de Sakamoto Desu Ga?.

São dois anime de comédia com estilos parecidos. Personagens principais estoicos que parecem infalíveis, mas são bondosos e amigáveis por dentro – tendo assim diversos fãs em suas escolas. As histórias também são similares com Sakamoto/Aoyama ajudando da forma mais extraordinária possível algum dos personagens do cast secundário.

A diferença de Aoyama-kun é a mescla entre anime de comédia e esporte. O pano de fundo da história é que Aoyama, o protagonista, é um grande jogador de futebol, mas que possui germofobia. Ele odeia sujeira e faz o máximo possível para se manter limpo. Isso cria um contraste com o futebol, um esporte associado com suor, grama e terra. Na cultura do futebol um bom jogador é aquele que termina o jogo sujo de tanto se esforçar pela equipe – o humor único da série está nisso.

Essa mistura funciona? Diria que até sim. É bem fácil de assistir casualmente e dar algumas risadas, a parte de esporte não é tão séria e o roteiro é bem episódico. Os personagens são um pouco arquétipos demais porém, prejudicando o quanto o anime consegue envolver o espectador com a “história” do dia. É difícil se preocupar com os personagens nos momentos mais “dramáticos” dos episódios.

Não diria que é especial, mas para quem quer algo parecido com Sakamoto ou só para quem gosta de comédias casuais vale a pena ao menos checar o começo e tirar seu próprio julgamento.


Action Heroine Cheer Fruits

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Estúdio: Diomedea
Direção: Kusakawa Keizou
Roteiro: Arakawa Naruhisa
Anime original
Número de episódios: Indefinido
A “heroína lutadora local” de uma certa cidade tornou-se popular ao ponto de ser reconhecida nacionalmente. Devido a isso, uma febre de “heroínas locais” começou a surgir em vários outros lugares, e seus “eventos de ação” se tornaram bem populares por todo o país. Na cidade de Hinano, a colegial Misaki Shirogane e outras meninas se tornam heroínas locais (a pedido da tia de Misaki, a governadora da prefeitura) e prometem produzir eventos de ação ao vivo.

Raizon

A realidade de um país sempre vai ter alguma influência em suas obras. Atualmente Japão passa por um período na qual a baixa natalidade condena cidades pequenas, onde há mais pessoas idosas e jovens vão embora à procura de novas oportunidades. Assim, muitas dessas cidades procuram um modo de serem revitalizadas, trazendo interesse para que não desapareçam. Assim como o mais popular Sakura Quest, esse é o tema de Action Heroine Cheer Fruits, com um adicional de referência a populares séries sentai.

Curiosamente a história não começa com a intenção de reviver a cidade de Hinano, onde o anime se passa, mas o cancelamento de um show de uma heroína popular de uma cidade vizinha. Afinal, heroínas locais são populares no universo do anime. Após o cancelamento, a irmã de uma das protagonistas, Mikan Rise, começa a chorar por não poder ver sua ídola, fazendo com que sua irmã prometa trazer o show para a cidade. Após encontrar a atlética Ann Akagi, as duas montam um pequeno show para a garotinha, e outras crianças da cidade, com coreografia típica de tokusatsus. O show que era para ser um só evento chama a atenção de Misaki Shirogane, filha do governador que deseja revitalizar a cidade de Hinano. Assim começa o plano de montar um grupo de heroínas locais para Hinano.

Action Heroine Cheer Fruits não pode se comparar com o mais competente Sakura Quest, a começar por ser tratar de uma produção visivelmente inferior, tendo uma das piores animações da temporada. O diretor Keizou Kusakawa, cujo maior sucesso foi duas temporadas de Nanoha e após isso caindo para diversos projetos sem muito reconhecimento, não dá muita segurança. O anime em si é difícil de julgar, pois conta com episódios fortes, como o primeiro, que são adoráveis, ou completamente aleatórios e esquecíveis. As protagonistas possuem personalidades interessantes, mas com alguns gimmicks questionáveis, como conversar com trens imaginários. E apesar das referências a sentai, a animação fraca do anime pode deixar as cenas mais decepcionantes do que deveriam.

Apesar de todos os defeitos, Action Heroine possui um certo charme. Nunca chamaria atenção como o melhor, nem mesmo como um dos melhores da temporada, mas pode ser algo relaxante para assistir se estiver procurando por um anime slice of life.


Estúdio: Silver Link.
Direção: Akitaya Noriaki
Roteiro: Kuroda Yousuke
Baseado num jogo de mobile por COLOPL
Número de episódios: Indefinido
No ano de 2045, o mundo foi contaminado por misteriosos invasores chamados de Irousu, que confinaram a raça humana. A Shinjugammine Girls Academy é uma escola para  treinar meninas chamadas de “Hoshimori” (Estrelas Guardiãs), que estão destinadas a combater os invasores.

Dimentioluc

Sabe aquela sensação de estar numa conversa e as outras pessoas começam a falar sobre um assunto de qual você não possui conhecimento nenhum? Esse anime é basicamente isso para qualquer um que não tenha jogado o smartphone game no qual ele é baseado.

Logo de cara o espectador é introduzido para uma terra pós-pós-apocalíptica (a história se passa DEPOIS de salvarem a Terra pós-apocalíptica do jogo) e inúmeras garotas coloridas vão aparecendo com diversos bordões e personalidades “bem definidas” (elas são basicamente estereótipos ambulantes). Tudo isso supõe que você: a. Conhece elas pelo jogo ou b. Não se importa o suficiente e só quer vê-las em histórias aleatórias e, de vez em quando, lutando com os aliens monstros genéricos do anime.

É difícil julgar Battle Girl High School. O anime todo não criou nenhum interesse em mim, não senti vontade de saber como é o jogo original, não me importo com as personagens e suas histórias, não tenho curiosidade de entender o mundo no qual elas vivem. Ao mesmo tempo talvez seja exatamente isso o que os fãs da série queiram? Não sei.

Ao menos como uma história original, Battle Girl High School não oferece nada de novo e parece só um amontoado de personagens criadas numa máquina de produção industrial de garotas de jogos gacha. Você tem um design interessante, uma personalidade inteira definida por um gimmick bobo (jogos, gostar de idols, ser durona, etc) e é isso.

Não é um anime que me ofende muito. É medíocre e esquecível. E talvez isso seja até pior.


Sequências

Jigoku Shoujo: Yoi no Togi

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Estúdio: Studio Deen
Direção: Omori Takahiro
Roteiro: Kanemaki Kenichi
Anime original
Número de episódios: 12
Quarta temporada de Jigoku Shoujo. O anime conta histórias de pessoas que estão sendo atormentadas por alguém e podem pedir ajuda através de um site para enviar essa pessoa para o inferno. Em troca,  sua alma também é condenada ao mesmo destino.

Dimentioluc

Continuação da franquia Jigoku Shoujo, esse anime é bem autocontido e não exige que você assista as temporadas anteriores para entender a narrativa, graças à natureza episódica da franquia.

Uma história sobre um site correio sobrenatural que permite pessoas enviarem aqueles que odeiam ao inferno. Cada episódio conta uma nova história dramática que culmina em alguém sendo enviado ao inferno. Assisti tudo da franquia e, no geral, acho fraca com alguns bons momentos, como a direção criativa para as “punições” em Futakomori, e alguns episódios mais experimentais em Mitsuganae.

Yoi no Togi é pior do que tudo feito anteriormente em Jigoku Shoujo. As histórias são extremamente forçadas e abandonam a moralidade cinza que era parte da identidade da série no começo. É impossível simpatizar com a maioria das situações ali só pela falta de realidade nelas. Se os roteiristas querem mostrar variedade, talvez criar personagens bidimensionais fosse uma boa, mas preferiram focar no “shock value” – em causar espanto abusando de violência sem sentido e personagens terríveis.

A animação terrível (é muito ruim mesmo) e a direção sem graça acentuam o quão decepcionante Jigoku Shoujo Yoi no Togi é tanto para quem assistiu as temporadas passadas quanto para qualquer um que queira começar por aqui.

Overkilledred

Escarlate como o inferno, Overkilledred é um dos admins do blog e adora utilizar terminologias em inglês por se achar cool. Defensor da indústria de animação japonesa atual e de todos os mercados de nicho, ele luta contra a desinformação passada pelas mídias especializadas em cultura pop e tenta salvar o público da alienação.

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