PREVIEW IN A BOX: TEMPORADA DE INVERNO 2017

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A temporada de inverno é, se me permitem o trocadilho, a mais fria de todas. Geralmente há pouquíssimos títulos promissores e o resto você assiste meio esperando ficar legal, mas a maioria acaba sendo medíocre. E é essa a minha expectativa para a desse ano. Provavelmente vou perder interesse em boa partes dos que vão ser comentados aqui e acabar recorrendo ao meu backlog como sempre. O que é bom, no final das contas. É sempre bom ter tempo para assistir outras coisas fora do circuito atual e não ficar apenas esperando sair um novo episódio semana que vem.  De qualquer forma, aqui está o que achamos da temporada até agora.

PS: Hand Shakers, Fuuka, Akiba'S Trip e Masamune-kun no Revenge não estão na lista porque nenhum de nós gostou e alertamos que é melhor que não vejam, mas cada um tem sua opinião própria e nós respeitamos isso. E ēlDLIVE e Seiren também não estão porque ninguém se importa.

 

Índice:

Youjo Senki
Urara Meirochou
Demi-chan wa Kataritai
Little Witch Academia
Schoolgirl Strikers
Idol Jihen
Gabriel Dropout
ACCA
Onihei
Kobayashi-san Chi no Maid Dragon
Minami Joshi
One Room
Kuzu no Honkai
ChäoS;Child
Kemono Friends
Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu
 

Youjo Senki

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Estúdio: NUT
Direção: Uemura Yutaka
Roteiro: Kenta Ihara                                                Baseado numa light novel por Carlo Zen
Número de episódios: Indefinido
Primeira Guerra Mundial. A conhecida guerra das trincheiras agora também é disputada nos ares. Esquadrões de magos sobrevoam e tomam o controle das batalhas com suas magias explosivas. No campo de batalha, uma garota sozinha consegue tomar controle da situação e aniquilar seus inimigos. Sem piedade por seus inimigos, Tanya Degurechaff é mais do que aparenta ser...

Overkilledred

No pior estilo "personagem perdedor reencarnado em outro mundo com alguma habilidade que se destaca", Youjo Senki consegue se superar em ter uma premissa, no mínimo, idiota. Ambientado numa fictícia Primeira Guerra Mundial, o anime foca numa nação chamada de Império (Alemanha, onde todo mundo tem von no nome para deixar claro) e seus esforços em combater forçadas armadas das nações ao redor, contando com ajuda de um esquadrão de magos, que aparenta ser algo comum naquele mundo. Dentre eles, existe uma garota que consegue aniquilar tropas inimigas sozinha, quase como uma força da natureza, chamada de Tanya Degurechaff... que na verdade é um salarymen reencarnado. E, deixando de lado toda questão problemática do anime com sua apologia ao fascismo, esse detalhe é o que mais que me incomoda. O que isso adiciona no enredo? Nada, até agora. O que isso pode adicionar ao enredo? Só faz parecer mais estúpido ainda. O protagonista não traz nada do nosso mundo em questões morais ou de estrategismo para aquele conflito em que foi teleportado, agindo apenas através da sua força inigualável e com um sentimento patriotista como todos os outros soldados. Me parece apenas uma justificativa porca de se encaixar num gênero proeminente e de sucesso. Talvez essa seja a justificativa para a crueldade da protagonista, como uma crítica social à forma como salarymen são alienados, mas conheço bem esse tipo de obra e nada me convencer de que era necessário para o enredo funcionar.

Feito pelo estúdio NUT, criado por um dos co-fundadores da Madhouse, a animação não é um ponto forte, com uso de CGI e cenas estáticas, embora algumas cenas dos embates entre os magos sejam decentes. Youjo Senki é um anime que a premissa diz muito sobre o que se esperar dele e, se você sempre quis um anime sobre um salarymen reencarnado como uma loli fascista, talvez consiga curtir.

 

Urara Meirochou

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Estúdio: J.C.Staff
Direção: Suzuki Youhei
Roteiro: Mieno Hitomi                                                            Baseado num mangá por Harikamo
Número de episódios: 12
A cidade de Meiro-machi é o centro de todos os tipos de adivinhações, seja por leitura de ervas no chá, cartas de tarô ou num tabuleiro. Um grupo de quatro garotas se reúne lá em busca de se tornarem clarividentes e desenvolverem seu estilo próprio de adivinhação.

Overkilledred

Urara Meirochou parece o típico slice of life em que o plot é mais um pano de fundo do que qualquer coisa e o foco está mais na interação entre as personagens, assim como o apelo fofo de cada uma. O que é uma pena, pois seria interessante focar mais nas várias formas de adivinhação e como cada uma delas funciona de forma única, com limitações e regras diferentes. Bom, talvez tenha um pouco mais de foco nos episódios futuros, já que envolve os dramas pessoais das personagens. É interessante, embora, como a ambientação usa uma estética mais surreal que evoca contos de fadas, com construções de um Japão mais feudal e uma grande diversidade de cores. Fora isso, acaba sendo mais um no pacote de animes adaptados da revista Manga Time Kirara, que parece ter um espaço garantido em todas as temporadas. Particularmente não tenho nada contra a maioria deles, mas não oferecem muito para mim em questão de humor ou até imersão, que acho o mais importante nesse tipo de obra.

Se você gostou de séries como Gochuumon wa Usagi Desu Ka? ou Kiniro Mosaic, ou de outras séries da MTK em geral, provavelmente vai curtir Urara. Talvez eu veja outro episódio por curiosidade, mas não tenho grandes esperanças.

Dimentioluc

Com um feeling meio GochiUsa e uma arte pela mesma character design de Non Non Biyori, é bem claro o objetivo de Urara Meirochou: ser um anime de garotas fofas fazendo coisas fofas, explorando um ambiente único, com bastante comédia e carisma. Não que não exista um roteiro por trás disso, embora. A procura de Chiya por sua mãe na cidade das adivinhas abre possibilidades interessantes de roteiro. O setting dessa série é fantasioso e isso ajuda a criar uma atmosfera especial para as personagens terem aonde brilhar e crescer. Intrigam também os backgrounds e motivações das outras personagens querendo subir no mundo da adivinhação e chegar ao rank 1.

Os primeiros episódios são muito bonitos com cenários lindos e uma animação bem consistente que dá espaço para os belos design de Urara brilharem. Não queria escrever só elogios, mas sou biased. Se gosta de moe esse é um must watch com boas chances de ser o próximo grande hit dos anime adaptados da Manga Time Kirara.

Raizon

Urara Meirochou é a história de uma jovem garota que foi criada na floresta e vai para a cidade chamada Meirochou, ou cidade do labirinto, uma cidade composta só de mulheres que leem a sorte utilizando o poder dos inúmeros deuses invisíveis que habitam o local.

A primeira colocação que gostaria de fazer é que acompanho três séries da J.C Staff nessa temporada, e, apesar de todas serem tecnicamente competentes, Urara é provável a mais bonita delas. E não só pela animação das personagens, mas também do ambiente. Meirochou é uma cidade colorida e a animação tem o cuidado de construir sua atmosfera eficientemente. Nesse sentido me lembra outra adaptação de uma obra da Manga Time Kirara, GochiUsa, que também havia um grande foco em ilustrar o ambiente do local que se passa.

Há um certo preconceito com animes do tipo que vem desde K-On, onde todo mundo pensa que os episódios vão fugir do tema para focar somente em garotas sendo fofas. Raramente essas séries realmente fogem do tema, mas algumas o levam mais sério que outras. Parece o caso de Urara, pois a cidade tem toda uma história por trás dela, um sistema de rankings, e as próprias personagens almejam chegar a um ranking alto. A protagonista também aparenta possuir um poder misterioso, então é muito provável que episódios futuros tratem de desenvolvimento das personagens.

Urara Meirochou é uma série que provavelmente vai conquistar fãs de slice of life, e tem potencial para entrar na lista de melhores adaptações vindas da Manga Time Kirara.

E por fim, como não posso deixar de comentar, a série consta com subtexto yuri, assim como acontece com a maioria dos títulos que são adaptados da revista. E bem forte se o segundo episódio for uma boa indicação.

 
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Estúdio: A-1 Pictures
Direção: Andou Ryou
Roteiro: Yoshioka Takao                                          Baseado num mangá por Petosu
Número de episódios: Indefinido
Num mundo em que séries como vampiros, dullahans e súcubos (conhecidos como demis) vivem entre nós, a sociedade precisou se reajustar para adaptá-los. Um professor de biologia tem bastante interesse na forma como eles vivem e quer por tudo entrevistá-las.

Overkilledred

O "gênero" de garotas-monstros teve um boom nos últimos anos. Depois de Monster Musume no Iru Nichijou e Jitsu wa Watashi wa, Demi-chan wa Kataritai (Quero Entrevistar Demis) parece ser o próximo a carregar o bastão (que provavelmente vai depois ser entregue à Centaur no Nayami). Diferente desses dois citados, embora, o foco aqui não é o romance, mas sim como as personagens saídas de lendas (chamadas de demis) se adequam e interagem socialmente. O título se dá ao fato de um dos seus professores ter bastante interesse na vida que elas levam e deseja desenvolver uma pesquisa acadêmica sobre isso, então muita informação sobre as particularidades da vida das demis, como o fato dos vampiros receberem uma bolsa de sangue do governo, são detalhadas a ele. E isso é um aspecto interessante do anime, já que traça um paralelo com minorias e como isso afeta a vida de cada uma delas e suas necessidades especiais.

Demi-chan é essencialmente um slice of life cômico com um twist na fórmula, que traz não só um diferencial de outros animes do gênero como uma questão social a ser debatida. Por enquanto parece ser bem promissor. Se a série se mantiver nesse estilo, vai ser um dos mais interessantes de se acompanhar dessa temporada.

Dimentioluc

Monster Girl realmente estão na moda com muitos anime recentes usando esse conceito, Demi-chan é mais um vindo nessa linha, mas com uma ideia diferente - trazer isso para um setting mais realista e relacionável com a realidade. Neste anime as garotas monstro são tratadas como minorias basicamente. Aceitas na sociedade, mas ainda encaradas com um pouco de estranheza pelos humanos normais. É uma visão bem interessante que consegue lidar com problemas dessas diferenças na convivência pacífica de um mundo mais moderno. É possível traçar paralelos com situações reais, mesmo que não sejam analogias diretas. Os personagens são razoavelmente interessantes, embora ainda é cedo para elogiar sem ver como irão se desenvolver. O protagonista ser um professor adulto abre mão para desenvolvimentos harém que não são exatamente o que procuro, mas diálogos que fugiram do comum me dão esperança do anime não ir por esta rota (embora já haja um pouco de romance no ar).

Interessante, mas que tenho certos receios com a direção que pode tomar.

Raizon

Talvez uma das mais novas modas quando se trata de animes é monster girls. Enquanto o mais conhecido é o harém Monster Musume, o conceito é usado em diversos gêneros diferentes. Demi-chan é um desses animes, mas aqui a história foca no dia a dia das personagens ao invés de romance e fanservice.

Sinceramente não tenho muito a falar do anime em si, exceto que achei bem medíocre. As personagens não são muito carismáticas, o protagonista é muito genérico, praticamente não há humor e os diálogos são desinteressantes e muitas vezes nem fazem sentido. Mas além de tudo, eu queria criticar o tema principal da história.

Demi-chan teoricamente trata sobre minorias. Usar monstros para tratar de histórias de discriminação não é incomum, e inclusive outro mangá que será animado futuramente chamado A Centaur’s Life faz isso muito bem. Mas em Demi-chan só me parece vazio. Utilizar características que o público vai achar “cool” ou fofa para mostrar discriminação é covarde. Além de que o anime evita qualquer tipo de minoria que pudesse provocar uma reação no público ou ser relacionada a uma situação real. Comparando novamente com Centaur’s Life, que além usar características físicas que podem causar repulsão, ainda utiliza de minorias que não tem nada a ver com a aparência, como sexualidade, religião e costumes culturais.

Talvez meu maior problema com Demi-chan seja o fato que conheça uma obra melhor com o mesmo tema. Talvez funciona para alguns como um slice of life comum. Mas mesmo assim eu fiquei entediado no primeiro episódio.

 

Little Witch Academia

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Estúdio: Trigger
Direção: Yoh Yoshinari
Roteiro: Michiru Shimada
Número de episódios: 25
Com o sucesso dos OVAs, Little Witch Academia finalmente virou série de TV. A história se passa num colégio de bruxaria e segue Akko, uma bruxa atrapalhada que está decidida a ser tão renomada quanto a sua ídola, Shiny Chariot.

Overkilledred

Finalmente aconteceu! Para quem não sabe, Little Witch Academia surgiu de um projeto do governo de incentivo à novos animadores chamado de Anime Mirai, que foi da onde também surgiu Death Parade. Com o sucesso do OVA, um crowdfunding pelo Kickstarter foi aberto para a produção de mais um episódio. O primeiro OVA é bem divertido, mas o segundo é mais do qualquer um poderia imaginar, com uma animação fantástica reminiscente de projetos da antiga Gainax, tais como Tengen Toppa Gurren Lagann, que traz todo o potencial da temática. O carisma do estúdio Trigger e sua animação frenética e cartunesca fazem Little Witch Academia ser o saturday morning anime que todos nós sonhamos em assistir um dia. O character design do Yoh Yoshinari, também diretor, é tão carismático e com tanta vida, que mesmo em cenas estáticas consegue agradar visualmente. É claro que, como uma série de TV, o orçamento vai ser muito mais moderado e não dá pra esperar nada tão grandioso quanto os OVAs, mas o que o anime ofereceu até agora é suficiente para provar que a série não perdeu seu charme com esse formato.

Entregando o prometido, LWA é a luz no meio da escuridão desta temporada. Tá, talvez seja cedo para julgar alguns, mas mesmo numa temporada melhor seria difícil não escolher LWA.

 

Schoolgirl Strikers: Animation Channel

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Estúdio: J.C.Staff
Direção: Nishikiori Hiroshi
Roteiro: Yoshioka Takao
Número de episódios: Indefinido
Num futuro próximo, a escola Goryounkan tem outro propósito para seus alunos. Uma força especial formada por estudantes é treinada para combater inimigos conhecidos como Oburi.

Raizon

Adaptações de jogos de celular raramente podem ser considerados bons animes, mas algumas vezes podem ser divertidas. Kantai Collection e Ange Vierge são exemplos recentes de adaptações que, apesar de seguir uma fórmula padrão, apresentavam certa identidade que fazia o fato de acompanhá-los mais interessante. Infelizmente, para Schoolgirls Strikes há somente uma forma de descrever: medíocre.

Medíocre é a melhor forma de descrever, porque o seu problema não está nos defeitos, mas na falta de qualidade. É como se alguém pegasse um guia genérico para fazer anime. Mesmo a animação é competente, mas ainda falta identidade.

Outra coisa que sempre me pego pensando quando acompanho esses anime é: “para quem isso está sendo feito?”. O mais normal é imaginar que é uma propaganda para trazer mais gente para o jogo, ao invés de algo feito para quem já joga e não tem nada novo para oferecer a empresa. Mas se essa é a ideia, por que usar mecânicas do jogo como mecânicas do universo, mesmo quando não faz sentido? Schoolgirls Strikers é provavelmente mais culpado disso que a maioria. Desde quando treinamento físico faz você receber armas melhores, afinal? Contextualizar as mecânicas do jogo de uma forma que faz sentido no universo seria mais interessante.

 

Idol Jihen 

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Estúdio: MAPPA, Studio VOLN
Direção: Yoshida Daisuke
Roteiro: Hayashi SoutarouKawashima Sumino      Baseado num mangá por Coco Natsuki
Número de episódios: Indefinido
Com o crescente número de reclamações e insatisfação popular com o governo, a política do Japão não anda muito popular. Mas há uma solução: grupos de idols agora podem fazer parte dos seus próprios partidos e concorrem à eleição!

Overkilledred

Com um aumento cada vez maior de animes de idols, e a necessidade de fazer algo diferente dos outros, é difícil se surpreender com a premissa de Idol Jihen. É basicamente um "e se grupos idols pudessem concorrer a cargos públicos?", mas que essencialmente ainda é um anime sobre idols e a disputa por popularidade entre os grupos rivais. Não dá pra dizer até agora como a parte delas estarem envolvida em política será relevante, já que a protagonista responde apenas falando que vai fazer o melhor quando perguntam o que ela pretende fazer caso seja eleita (o que, pra ser justo, não é diferente da política real), então parece ser mais um gimmick do que uma parte essencial do enredo. A impressão que tive é que, no fim das contas, os políticos de terno vão ser apenas um contraste para as idols coloridas.

Por mais boba que seja a premissa, o anime em si não é tão diferente da fórmula. Se você curte idols em modelos CGI dançando e cantando, provavelmente vai curtir Idol Jihen.

Raizon

O curioso sobre Idol Jihen é que podemos separá-lo em duas partes. A princípio é um anime de idol comum. Nesse nós temos garotas com sonhos e dramas, superando problemas e trazendo força para seus fãs. Essa é a parte mais competente do anime. Curiosamente ela me lembra muito mais animes infantis de idol como Aikatsu do que animes para público otaku. De fato, muita coisa me lembra muito Aikatsu Stars. A protagonista, a frase de efeitos dela, as auras, o talento da parceira da protagonista. Se fosse somente isso, seria um anime divertido de acompanhar e sem muitos problemas, mas…

A segunda parte é sobre como essas idols estão ajudando o povo contra a corrupção de políticos malvados. E aí entra o problema. Eu entendo, políticos em sua maioria são corruptos, egoístas e arrogantes. Isso não significa porém que deveriam representá-los na forma de vilões cartunescos. O problema aqui não se trata da imagem dos políticos, mas como isso quebra a harmonia do anime por colocar algo tão irreal e forçado que se torna bobo.

Não há muito a se falar de Idol Jihen fora isso. É um anime competente de idols que tenta fazer uma mistura no gênero, mas não é competente nela.

 
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Estúdio: Doga Kobo
Direção: Oota Masahiko
Roteiro: Aoshima Takashi                                                  Baseado num mangá por Ukami
Número de episódios: 12
Depois de se formar na escola de anjos, Gabriel está finalmente pronta para descer ao reino dos humanos e guiá-los a um caminho melhor. Empolgado com sua missão inicialmente, as coisas mudam quando ela se depara com uma das formas mais populares de entretenimento entre os humanos: jogos online. Gabriel, agora, totalmente viciada em seu hobbies, pouca se importa com o mundo fora de seu quarto.

Overkilledred

Gabriel DropOut certamente reflete o trabalho passado do estúdio Doga Kobo, Himouto! Umaru-chan. A protagonista, Gabriel, é uma anja que se destaca entre seus colegas pela sua proeza acadêmica e é amada por todos ao seu redor. Entretanto, as coisas mudam quando ela vem cumprir sua missão no reino dos humanos e decide experimentar um jogo online. Com a típica piada de ficar completamente viciado em um MMO,  ela se torna o estereótipo do otaku hikikomori. Esse arquétipo da "menina popular que é uma otaku disfarçada", embora nesse caso seja mais sobre a mudança nas atitudes da protagonista de modo geral, já se tornou algo bem repetitivo de uns anos pra cá, então boa parte das piadas com essa transição não tiraram muita reação de mim. A animação da Doga Kobo merece destaque, como sempre, pelo visual vibrante e movimentação fluida das personagens, que criam um clima mais agradável e dão à serie impacto nas suas cenas com humor físico.

Com uma premissa saturada, piadas típicas e personagens sem muito carisma, Gabriel DropOut não oferece nada de especial fora a sua animação.  Dá pra viver essa temporada sem ele.

Dimentioluc

Borrões! Borrões da Doga Kobo! Não existe melhor motivo para se adorar um anime e GabDro é cheio dessa maravilhosa animação agitada e movimentada. Mas ignorando meu lado fanboy, é difícil não comparar essa série com Himouto! Umaru-chan do mesmo estúdio. Com duas protagonista com aparência enganadora, mas tendências otaku/hikkikomori fortes por dentro e muito tsukkomi por parte das personagens mais sérias.  Até o diretor é o mesmo de Umaru: Oota Masahiko, famoso por vários slice of life de sucesso, como Minami-ke e Yuru Yuri. Mas é bobagem dizer que não existe originalidade em Gabriel Dropout: a dinâmica das personagens cheias de defeitos funciona bem e a fórmula da série de manter vários pequenos sketches com situações cômicas a torna muito leve e confortável de assistir.

Para quem gosta de animes super coloridos, comédia um tanto cínica e SoL mais “explosivos” parece ser uma boa pedida.

 

ACCA: 13-ku Kansatsu-ka

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Estúdio: Madhouse
Direção: Natsume Shingo
Roteiro: Suzuki Tomohiro                                        Baseado num mangá por Ono Natsume
Número de episódios: Indefinido
 O reino de Dowa é dividido entre treze estados, todos supervisionados por uma organização chamada ACCA e suas agências subsidiarias. Jean faz parte da agência de investigação, que aparenta não ter muita utilidade num mundo pacifico e é quase fechada por isso. Mas talvez algo que prove o contrário esteja para acontecer.

Overkilledred

ACCA é um anime curioso que eu não sabia bem o que esperar. Meu interesse vinha mais do fato de ser uma adaptação de um mangá da Ono Natsume, conhecida por Saraiya Goyou. O anime começa jogando você numa ambientação aparentemente complexa, um tipo de reino com estados autônomos administrados por organizações burocráticas, e sua trama dá indícios de que algo pode abalar aquela estrutura. Embora a exposição em algumas partes não seja a mais sútil possível, ainda há certas sutilezas na caracterização do ambiente ao redor, com o anime tomando seu tempo em criar uma atmosfera agradável e relaxante, como se a parte mais séria do enredo fosse tomar seu tempo até ter um impacto real. O traço da Ono Natsume também passa esse sentimento de que há um lado mais descontraído no meio do que aparenta ser uma trama política.

É difícil julgar por hora o rumo do anime, e o quão grandioso ele vai ser, mas ele é charmoso e interessante o suficiente para prender atenção e fazer você sentar e esperar por mais episódios.

 

Onihei

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Estúdio: M2
Direção: Miya Shigeyuki
Roteiro: Desconhecido                                                         Baseado num livro por Shoutaro Ikenami
Número de episódios: 13
O conto de Hasegawa Heizou, conhecido como Onihei, o comandante de um grupo de samurais patrulheiros, que consegue reformar criminosos e usar de sua ajuda para resolver casos.

Overkilledred

Baseado em um livro, Onihei é um drama histórico bem popular no Japão, contando com diversas adaptações para TV e para o cinema. O seu protagonista, o samurai patrulheiro Hasegawa Heizou, já é um personagem que faz parte da cultura popular no Japão e agora finalmente temos sua versão animada... que não surpreende muito. Com muita previsibilidade, nada chama muito atenção na trama. Esse personagem mitológico, que a princípio aparenta ser um policial estrito que utiliza de métodos de torturas cruéis para conseguir o que quer mas depois se mostra como alguém mais empático e honroso, é um personagem que em tese devia ser interessante, mas cai mais no arquétipo comum de samurai do que de um personagem mais autoral. A animação é travada e não muito agradável de assistir, embora entregue nas cenas de ação. Não se tem muita informação sobre o estúdio M2, que aparenta ter sido fundado recentemente e possivelmente por conta desse projeto em particular, e visto que é uma produção de TV, é bem provável que seja algo bem barato de fato.

Não fui esperando muito em Onihei e a expectativa foi correspondida. Com uma animação sem inspiração num drama histórico com personagens típicos, o anime não chega a ser tedioso, mas não oferece nada além de uma premissa muito básica.

 
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Estúdio: Kyoto Animation
Direção: Takemoto Yasuhiro
Roteiro: Suzuki Tomohiro                                    Baseado num mangá por Cool-kyou Shinja
Número de episódios: Indefinido
Depois de uma noite de bebedeira, Kobayashi acaba salvando um dragão e prometendo que as duas poderiam morar juntos. A garota dragão, Tohru, então aceita sua proposta e, depois de ouvir o fascínio de Kobayashi por maids, decide trabalhar como uma para ela.

Overkilledred

Novo anime da KyoAni que, depois de um longo tempo sem, tive alguma expectativa. A história não toma muito tempo tentando se explicar e funciona mais com a lógica de uma comédia. A protagonista, Kobayashi, perde total controle quando está bêbada e declara todo o seu amor por maids, ao ponto que, em um de suas bebedeiras, acabou salvando um dragão e a chamou para morarem juntos. Sem lembrar de nada, Kobayashi é surpreendida quando um dragão aparece na sua porta, que logo em seguida se transforma em uma garota vestida de maid e se apresenta como Tohru. As duas agora vão ter que aprender a conviverem juntas, enquanto Tohru precisa aprender que na forma como os humanos vivem não há muito espaço para suas especialidades como dragão. Boa parte das piadas do anime vem da forma como como Tohru tenta servir Kobayashi, como limpar suas roupas salivando em cima ou cortar seu rabo e servir como comida; ou até atirar um raio de fogo no céu nublado para poder abri-lo e conseguir enxugar a roupa. Diferente dos projetos mais atuais da KyoAni, Maid Dragon tem um estilo mais típico das comédias do estúdio e utiliza bem de seus amplos recursos visuais para dar mais impacto às piadas. E se te um estúdio que consegue animar um dragão imenso que não seja um CGI tosco e sem vida, e são totalmente nerds de estudarem a anatomia e o comportamento de repteis para colocarem detalhes como a forma que os olhos deles piscam, é a KyoAni.

O anime tem piadas divertidas, com um humor absurdo que sua premissa evoca, suportado pela animação vibrante e fluida da KyoAni, e certamente tem o potencial para ser a melhor comédia da temporada.

Dimentioluc

O Kyoto Animation que abre o ano é um tanto diferente dos últimos sucessos do estúdio, como Euphonium e Musaigen no Phantom World. Mais simples e menos realista, Maidragon é uma volta a um estilo mais cartunesco do estúdio, como o visto em Nichijou. Ver a animação de ponta da Kyoani fazendo algo mais criativo e menos pés no chão é bem divertido e já garante muitos pontos para este anime. Indo para a parte de roteiro e personagens: é uma comédia romântica bem divertida, com uma maid dragão apaixonada por uma mulher adulta. É muito original para o gênero, com piadas diferentes e situações que não seguem as tropes padrões típicas de romcom.

No geral tudo parece bem único. Animação, diálogos, personagens. A primeira impressão que tive (não li o mangá) foi muito boa e estou empolgado para ver mais disso.

Raizon

Provavelmente meu título mais esperado da temporada, mas basicamente porque eu já conhecia o mangá. Foi uma surpresa saber que o título seria animado pela Kyoto Animation, porque era algo que nunca esperava. O mangá não combinava com o estilo que estavam seguindo atualmente. No entanto, o humor lembra trabalhos antigos deles, como Nichijou.

Considerando que era uma série já conhecida e que eu gostava muito, não há muito o que comentar a não ser comparar a adaptação com o material original. E não há muito o que reclamar. As cenas são fiéis ao original e, ao invés de tirar coisas, ele acrescenta. De fato, eu diria que o anime provavelmente é ainda mais divertido que o mangá. Inclusive dando uma atenção maior à relação delas, que no mangá em muitos momentos era só um elemento para fazer as piadas. O traço típico da Kyoto Animation pode incomodar alguns, principalmente considerando o quão diferente o original é, mas particularmente eu achei que conseguiram inseri-lo bem na atmosfera.

Apesar de ser mais comédia, a trama original conta com uma história de fundo e algumas vezes pode se tornar mais séria, então é interessante ver o que KyoAni vai fazer com isso.

 

Minami Kamakura Koukou Joshi Jitensha-bu

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Estúdio: J.C.Staff, A.C.G.T.
Direção: Kudou Susumu
Roteiro: Sunayama Kurasumi                                      Baseado num mangá por Matsumoto Noriyuki
Número de episódios: 12
Maiharu Hiromi se mudou para cidade de Nagasaki e se impressiona com a beleza local. Para poder aproveitar melhor e se locomover com facilidade, ela decide andar com a sua bicicleta... ou foi o que ela esperava, pois ela não havia de fato aprendido à andar numa ainda. Mas esse foi o pontapé para sua relação com o clube escolar de ciclismo e novas amigas!

Overkilledred

Ciclismo parece ser mais um trending recente em animes. Não sou fã de Yowamushi Pedal, e Long Riders passou batido, então minha expectativa com Minami Joshi não era das maiores. Bom, pra ser justo, o foco não parece ser o ciclismo esportivo nesse caso, mas sim de como é prazeroso andar em uma bicicleta e aproveitar de uma bela vista, a qual o anime faz questão de realçar. A animação de background é detalhada, tingida de rosa com pétalas de sakura chovendo constantemente e o oceano ao fundo, cintilando à luz solar, que consegue o evocar o sentimento que as personagens sentem ao se banharem com aquela visão. Por outro lado, a protagonista é sem graça, sendo a típica personagem muito atrapalhada e sem confiança, e todas as cenas com ela parecem que vão ser arrastar pra sempre.

Ainda é cedo para julgar, visto que nem metade do elenco das personagens foi apresentado, mas, por hora, não deve vale muito a pena se o anime for carregado pela protagonista e esse ritmo letárgico.

Dimentioluc

Se andar de bicicleta com as garotas de Long Riders na temporada passada não rendeu muitos frutos, com MinaKama a tendência é irmos mais longe. Animação estável e de qualidade, personagens clichê só que adoráveis e uma boa ambientação de litoral são os pontos fortes dos primeiros episódios da série. Uma história de uma jovem colegial se apaixonando por um esporte e criando laços por ele pode não parecer muito original, mas a quantidade de animes esportivos do tipo que fazem sucesso levam-me a crer que muitas vezes a execução é o que mais conta mesmo nesse tipo de série.

Para o começo foi bom e espero que a série consiga decolar para pontos mais emocionantes logo e não fique só na formação do clube da escola.

 
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Estúdio: TYPHOON GRAPHICS
Direção: Andou Ryou
Roteiro: Eiji ManoAose Shimoi
Número de episódios: 12
 O conto de três irmãs e um quarto.

Raizon

Não é incomum animes feitos inteiramente para agradar otakus que gostam de se imaginar com garotas fofas. E eu sei que existem vários desse gênero que são totalmente inúteis de outro modo. Como aquele anime de fazer exercícios junto com uma garota de anime (que sabemos que na verdade ninguém faz exercício com ela), ou o episódio onde podemos assistir uma garota de anime dormindo... que sinceramente me parece um bom modo de vender DVDs sem precisar gastar com animação. Eu nunca assisti nenhum desses, então não posso comparar. E na verdade só assisti a um episódio desse porque não fazia ideia do que era. Mas agora que assisti, tenho que comentar.

Para começar a história é que você, quem está assistindo o anime, é o protagonista que está conversando com essa garota que veio te pedir ajuda. Mas nem isso faz sentido, porque o protagonista deve ser um mutante se a ideia é usar primeira pessoa, já que a câmera muda toda hora para focar na saia dela por trás, nos peitos, nas pernas. Sinceramente não consigo imaginar alguém achando isso interessante. Há visual novels e dating sims se alguém se interessa pelo estilo. Não é algo que faça sentido numa mídia não interativa. Inclusive, imagino ser meio triste a imagem de alguém comprando esse anime para fingir que está falando com uma garota de anime.

Ah, e para não dizer que é só com homens otakus, ainda teremos no futuro o Side M, dessa vez com personagens masculinos. Apesar de história nos fazer deduzir que a câmera se comportará um pouco melhor nesse, ainda será basicamente a mesma coisa. Essa tristeza não é exclusivamente masculina.

 
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Estúdio: Fuji TV
Direção: Andou Masaomi
Roteiro: Uezu Makoto                                                Baseado num mangá por Yokoyari Mengo
Número de episódios: 12
Hanabi Yasuraoka é apaixonada por seu vizinho mais velho desde que era criança e se empolga quando descobre que ele vai ser um dos seus professores. Mas o que ela não esperava é que ele fosse se apaixonar por uma colega de trabalho. Porém ela também não esperava encontra alguém com um destino parecido com o seu, Mugi Awaya. Os dois desenvolvem um tipo de relacionamento no qual são apenas substitutos, até o dia em que terão sucesso com suas verdadeiras paixões.

Overkilledred

Kuzu no Honkai não é meu tipo de anime. É um drama adolescente com paixões unilaterais num clima pesado, que é reforçado na animação por um filtro mais escuro, e parece que tudo tem mais peso dramático do que deveria. A relação entre os dois protagonistas é basicamente de um lambendo a ferida do outro num relacionamento próximo de sex-friends, exceto que sem sexo. E não é difícil imaginar o que vai rolar depois disso. Bom, não posso julgar tanto assim porque gosto de Toradora, mas o seu tom era muito mais cômico e o drama bem pontual. Kuzu no Honkai não tem tanto sucesso com essa trama tão saturada, que o anime consegue fazer ser mais desagradável ainda ao enfatizar tanto o drama e paixões platônicas com professores, que mesmo começando alguns anos antes ainda parece um tanto fetichista.

Como já disse, não é meu tipo de anime, então talvez tudo que eu tenha dito seja algo positivo para quem geralmente costuma gostar desse tipo de obra. A direção de arte é realmente muito boa, com imagens enquadradas remetendo ao mangá e cenas com belas ilustrações, que ainda criam uma atmosfera agradável no meio daquele clima de chuva constante. Não sei muito sobre o mangá para poder opinar sobre a ideia do enredo no geral, mas imagino que ainda há espaço para os protagonistas se envolverem com outros personagens e o drama ser maior do que foi apresentado até agora. E não pretendo assistir mais para presenciar isso.

 

82119l
Estúdio: Silver Link.
Direção: Jinbo Masato
Roteiro: Shikura Chiyomaru                                      Baseado numa Visual Novel da Nitroplus
Número de episódios: Indefinido
Seis anos depois dos eventos de Chaos;Head, estranhos acontecimentos voltam a acontecer, inclusive mortes misteriosas.

Dimentioluc

Mais uma temporada, mais um anime da série Science Adventures. Dessa vez uma continuação para o famoso Chaos;Head (incluindo um recap desse como episódio 0). Chaos;Child é uma história que se apresenta já supondo que você esteja familiarizado com os conceitos de seu predecessor. Não existe muita calmaria antes da série revelar seu lado sombrio. Mortes, conspirações e mistérios dão a cara direto, sem tentar esconder a natureza real do anime nem por um momento.

O começo é interessante e pode ser sinal de que desta vez não teremos apenas conceitos bons, mas uma história concisa acompanhando. Agora é torcer para os problemas de sempre da franquia (protagonismo exagerado, twists usados apenas pelo choque, complexidade desnecessária) não deem as caras.

 

Kemono Friends

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Estúdio: Yaoyorozu
Direção: TATSUKI
Roteiro: Tanabe Shigenori                                      Baseado em um jogo de mobile
Número de episódios: Indefinido
Num safári onde por um estranho fenômeno os animais tomam formas humanas, uma garota se perde e precisa da ajuda desses animais para retornar para casa.

Dimentioluc

A primeira impressão geral de Kemono Friends é padrão: a aversão ao 3DCG digno do Playstation original que é a animação da série, mas por trás disso se esconde algo estranhamente cativante. Talvez até por seus modelos estranhos e explicações educativas sobre o mundo animal, lembra desenhos da Cultura. O plot por trás de uma garota humana precisando se virar num reino animal e utilizando sua engenhosidade humana como trunfo, enquanto interage com garotas bicho, é interessante também e garantiu que nostalgia não fosse o único motivo para achar o primeiro episódio no mínimo divertido.

Raizon

Kemono Friends é um anime curioso. Primeiramente porque aposto que mesmo a equipe fazendo ele não sabe muito bem quem é o público alvo. Para começar, é baseado em um jogo de celular que acabou antes do anime começar. Se a ideia era promover o jogo, o anime nem tem mais sentido de existir. Além disso, é um anime que se sentiria em casa na programação da tarde da TV Cultura. Uma garota encontra animais e o anime vai ensinando curiosidades sobre esses animais para o público enquanto vão seguindo uma história simples, como procurar uma biblioteca ou buscar um ônibus, o que dá a entender que é um anime infantil. Exceto que o jogo não era exatamente infantil. Alguns design possuem algum fanservice, apesar de não exagerado, que foram utilizados no anime. Então ficamos com uma série que tem alma de desenho infantil, design para otakus e feita para promover um jogo que não existe mais. E é estranhamente agradável de assistir, em parte provavelmente pela nostalgia que evoca.

Claramente não é um anime para todo mundo. A maioria vai passar longe só ao ver o CG feio da animação. Mas para quem quiser dar uma chance, pode acabar encontrando uma pequena série charmosa para passar o tempo.

 

Sequências

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Estúdio: Studio Deen
Direção: Omata Shinichi
Roteiro: Kumagai Jun                                            Baseado num mangá por Kumota Haruko
Número de episódios: Indefinido
Continuação da saga de Kikuhiko e Sukeroku, dois contadores de história com uma paixão mútua por rakugo  e seus destinos trágicos.

Overkilledred

Rakugo Shinjuu é um excelente anime e a primeira temporada, de certa forma, já é uma história completa de forma satisfatória, então a sensação que a segunda temporada passa é mais de um epílogo do que uma continuação. O anime retoma o arco de Yotaro, aprendiz de Kikuhiko apresentado no primeiro episódio, e seu caminho até ter o cargo mais alto entre os praticantes de rakugo, assim como a relação de ambos com a filha de Sukeroku, Konatsu. Determinado a se tornar o novo Sukeroku, Yotaro também herda o desejo de moldar o rakugo e criar novas histórias para uma audiência que se interessa mais em assistir TV e duplas de manzai.  Esse retrato cultural, e a forma como o ambiente ao redor se molda para criar novas formas de entretenimento, é umas das coisas que mais me atraem no anime. Vemos o rakugo florescer em tempos de pós-guerra, mas também perder espaço aos poucos para outras mídias de entretenimento pelo conservadorismo dos praticantes. Todas as mudanças ao redor, assim como a mentalidade de cada época, influem no tipo de entretenimento e abrem espaço para novas formas, que precisam sempre seguir novas necessidades. O fim do rakugo é iminente porque, assim como os personagens colocam, é melhor que ele acabe antes que alguém o mude. Kikuhiko toma essa sina para si, mas é dividido pela ideologia de Sukeroku de querer criar algo novo. Esse dilema é herdado por Yotaro, que agora precisa achar um jeito de carregar o desejo de seus dois mestres.

A história de Rakugo Shinjuu, a principio, é um conto de dois amigos que vivem um legado e querem criar um futuro para ele, mas que aos poucos percebem que cada pessoa vive seu próprio conto e não há nada mais tedioso que trilhar um caminho pronto. E por isso precisam passar o bastão para uma nova geração e uma nova forma de pensar, para que não salvem só o rakugo, mas também tudo que viveram por conta dele. Porque, como Yotaro fala, rakugo não é apenas sobre o divertimento que aquelas histórias trazem, mas o sentimento de empatia que gera na sua audiência.

E para você....

Overkilledred

Escarlate como o inferno, Overkilledred é um dos admins do blog e adora utilizar terminologias em inglês por se achar cool. Defensor da indústria de animação japonesa atual e de todos os mercados de nicho, ele luta contra a desinformação passada pelas mídias especializadas em cultura pop e tenta salvar o público da alienação.

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1 Comentário em "PREVIEW IN A BOX: TEMPORADA DE INVERNO 2017"

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[…] na sua segunda temporada (que alguns aqui fizeram um preview e comentaram sobre ela), Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu é um conto sobre contadores de história, e […]

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