POR QUE SEU ANIME FAVORITO NÃO GANHOU CONTINUAÇÃO?

POR QUE SEU ANIME FAVORITO NÃO GANHOU CONTINUAÇÃO?

 

Uma das maiores frustrações que um fã de anime pode sentir é o seu anime favorito não ter qualquer tipo de continuação, seja como série de TV, OVAs ou filmes.  O motivo para tal às vezes é evidente, já que a indústria se sustenta pela venda de DVDs e produtos licenciados, então o fracasso comercial é um grande empecilho. Mas outras vezes nem tanto. Para entender melhor isso, entretanto, é preciso analisar o método de produção de animes.

Primeiramente, fazer um anime é caro. É dito que em média se gasta de 100 à 300 mil dólares por episódio, então uma produção de 12 episódios custa entre 1.2-3.6 milhões. Logo, é evidente que o retorno comercial é essencial. Mas de onde os estúdios de animação tiram tanto dinheiro? É aí que entra o chamado Comitê de Produção (ou Seisaku Iinkai), um grupo de investidores que analisam o conteúdo e investem de acordo com seus interesses, seja para merchandising de produtos, promover a obra original ou lançar um single de um novo cantor ou banda. Ou seja, todo o dinheiro da produção de um anime vem por interveio de parties exteriores. Decidido quem faz parte do comitê, a parte de produção fica a cargo da produção de animação, um estúdio contratado. É aí que nasce o equívoco de culparem o estúdio, visto que ganham o reconhecimento por serem os principais responsáveis pela animação existir – e acabam levando a culpa pela suposta falta de interesse em continuar suas séries –, quando nesse caso não passam de um mero contratado e têm pouca a nenhuma palavra final na decisão da produção, estando somente na mão de seus contratantes.

Levando os fatos citados em consideração, nota-se que o sucesso de um anime é relativo. Se suas vendas de DVDs/BDs foram baixas, mas em contrapartida se tornou uma franquia forte em produtos licenciados ou conseguiu um aumento considerável de vendas da obra original, uma continuação ainda é uma possibilidade. E mesmo isso pode ser relativo, pois, reforçando, fazer um anime é caro. A chance de ter um retorno satisfatório não é 100%.  É lógico, então, que os produtores vão sempre querer sair quando ainda estão na frente e descartarem a ideia de uma segunda temporada.

Há outro método, entretanto, similar aos encontrados nos EUAs e aqui no Brasil, na qual a audiência é levado como um fator decisivo na decisão de continuar ou não o anime, pois ele é bancado pelo canal de TV (tais como NHK ou TV Tokyo). Claro, isso só serve para animes que passam em horários nobres  – que são relativamente poucos comparado aos transmitidos na madrugada, os chamados late-night animes –, então são poucas as exceções. Casos como Bakuman, Gatchaman Crowds e Log Horizon são exemplo disso.

Quem quiser ler mais sobre (e tenha um bom conhecimento do inglês), o site de notícias americano de cultura pop japonesa ANN fez uma série de posts sobre a produção de um anime. Uma leitura bem informativa para quem tem interesse em saber a fundo sobre as etapas de produção.

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É possível também que o estúdio não queira trabalhar com uma suposta continuação. Dependendo do seu renome e o número de produções nas costas, é mais provável que invistam em novos títulos do que foquem em títulos já consagrados. Com o sucesso comercial de Durarara!!, sempre foi um mistério o porquê da Brains Base não fazer uma segunda temporada. Eis que então uma parte dos membros da produção envolvidas em DRRR!! saem do estúdio e decidem criar seu próprio (Studio Shunka). E como primeiro projeto anunciam uma continuação do anime baseado na séries de Light Novels, levando a crer que sempre teve um interesse da editora (Media Works/Kadokawa) em continuar com o projeto. O anime Yahari Ore no Seishun Love Comedy wa Machigatteiru (Oregairu, para os íntimos) também recebeu o mesmo tratamento pela Brains Base e só foi ganhar sua continuação nas mãos do estúdio feel..

É interessante analisar esse caso, porque demonstra que os dois lados precisam chegar num acordo para a produção de fato acontecer. Mas se o estúdio não quiser, outros vão querer. Isso é facilitado pelo fato de vários membros do comitê de produção terem liberdade de trabalharem em outros estúdios, não destoando do tom da produção original. Ou seja, se uma continuação for possível, ela vai acontecer, independente do estúdio que produza.

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Outro caso é quando o estúdio tenta obter um lucro maior, bancando sua própria produção e fazendo parte do comitê. Após anos de trabalho conjunto com a Kadokawa, a Kyoto Animation é um desses casos, sendo a principal financiadora de seus projetos atualmente. Além disso, são detentoras dos direitos autorais da obra original, pois são produtos publicados por sua própria editora através de um concurso no qual o vencedor tem seu trabalho publicado – e possivelmente animado. Novamente, quem quiser conhecer um pouco mais sobre a evolução da KyoAni e tenha um bom conhecimento de inglês, esse post fez um ótimo resumo.

Provavelmente há muito mais para ser entendido sobre as produções de um anime e outros casos a serem analisados, mas espero que através desse post algumas dúvidas tenham sido esclarecidas e possam entender melhor o que acontece por trás de cada uma delas, antes de saírem culpando o estúdio pelo fato do seu anime favorito não ter ganhado uma continuação. E, pra ser justo, dificilmente algo hoje em dia não ganha uma merecida sequência, por mais longo que seja o período entremeio. Uma franquia não morre tão fácil e esperar pelo seu retorno é uma boa opção, por mais desesperançoso que pareça.

Mas Baccano! nunca vai ganhar uma segunda temporada.

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Defensor da indústria de animação japonesa atual e de todos os mercados de nicho, Overkilledred luta contra a desinformação passada pelas mídias especializadas em cultura pop e tenta salvar o público da alienação.

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