ANIMES NÃO ESTÃO MORRENDO: MAS SUA NOSTALGIA DEVIA

Gundamep21h

A famosa “crise de criatividade” está afetando todos os ramos da indústria de entretenimento. No cinema, tudo agora é coordenado por velhas ideias em novas roupagens: Remake é a buzzword da nova era e nada mais se destaca no meio de tantas franquias que lucram em cima de um público sem pretensões. No outro lado do globo, os famosos animes no Japão perderam sua soberania no mercado mundial e se contentam com produções voltadas para seu próprio público – ou mais especificamente, para o público otaku. Esse “controle” pelo público acontece de tal forma que reflete o mercado em sua totalidade, vista tamanha homogeneidade e qualidade duvidosa nas produções e suas baixas pretensões.  Ou ao menos é o que se tanto se dissemina por aí, dentre um jornalismo preguiçoso que se sustenta de um público mais preguiçoso ainda.

Afinal de contas, por que é tão comum a mentalidade de “não se produz anime de qualidade como antigamente”? Diante de um mercado que cresceu demasiadamente, tanto em termos de produção como de público, esse tipo de afirmação é um tanto ousada se não fosse, na maioria das vezes, ignorante. O mercado de animes estava no seu auge nos anos 80, com um grande número de animadores talentosos na ativa, e não coincidentemente foi quando a importação de alguns títulos ao exterior começaram. Mas poucos títulos realmente saíram do Japão e tiveram qualquer reconhecimento lá fora. O reflexo que se tem de animes fora do Japão é apenas uma parte minuscula do grande número de produções que aconteciam na sua terra-natal. As produções que encontraram seu caminho até o mercado ocidental pouco reflete o que realmente estava acontecendo por lá. Então com que base alguém comentam tal afirmação? Acreditando firmemente que as produtoras selecionavam de forma arbitrária os melhores animes da sua época e importavam, assim secando a fonte ao longos dos anos e refletindo a pouca popularidade por falta de títulos nos tempos atuais? Não parece algo tão simples assim.

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Animes alcançaram seu estrelato por aqui com obras como Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya) e Dragon Ball. Dois shounens clássicos que refletiram bem o seu sucesso no Japão no exterior e conseguiram alcançar o hall eterno de melhores animações já feitas segundo a nostalgia de todos que assistiram na falecida TV Manchete. E aqui se encontra uma palavra-chave para essa argumentação: nostalgia. O que normalmente se entende por algo que tem traz sentimentos de lembranças memoráveis e possivelmente idealizadas, é associado ao gosto crítico, e como consequência a noção do que se fazia antes ser melhor do que o se faz hoje. Em comparação com desenhos da época como os do Hanna-Barbera, voltados para criança e com a ausência de uma narrativa constante, animes com um enredo relativamente complexo e um nível de violência moderada como os já citados com certeza devem ter parecido o mais elevado nível de entretenimento que se podia ter de uma obra animada. Animes como YuYu Hakusho e Shurato fortaleceram mais ainda essa convicção e um novo tipo exigência pelo público foi surgindo.

Com o passar dos anos, outros fenômenos foram acontecendo, de forma que animes tornaram-se sinônimos de sucesso e de uma febre que cativava um vasto público infanto-juvenil. Animes agora eram marcas mundialmente conhecidas e dominavam o mercado de animações com suas novas tendências. Pokémon e Digimon foram os desbravadores de animes ao estilo tamagotchi; Yu-gi-oh  conseguiu popularizar seu card game; Beyblade fez piões serem algo descolado. E Naruto conseguiu fazer com que todo mundo usasse uma bandana e fizesse cosplay de algum membro da Akatsuki como se tivessem perdido o senso de ridículo.

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Diante de tantas obras de sucesso mundial, uma “cara” foi construída para os animes. Todos os padrões narrativos e estéticos foram firmados pelo púbico que cresceu assistindo e consumindo produtos dessas obras. E assim um mercado com um grande potencial em diversidade de conteúdo foi selado para sempre e encontrou um público estagnado em obras que pouco refletiam sua imensidade. Mesmo com a popularização de fansubbers, grupos feitos por fãs que legendavam animes, poucas obras se destacavam e seu conteúdo pouco divergia do que se viu na TV. Os “fãs” de animes se tornam um grupo amador em termos de conhecimento e obras, abrindo espaço pra ignorâncias de pessoas que pouco se preocupavam em entender a fundo o mercado de animes. A nostalgia criou um exército de ignorantes auto-proclamados fãs que se fixou em um conhecimento limitado e uma mídia especializada que refletia isso.

Um argumento comum é o que não há mais espaço para obras voltadas ao público casual, o que se entende como o público não-otaku. Obras com garotinhas peitudas ou fofas ao extremo viraram sinônimo do anime moderno que visava homens que buscavam conforto naquela idealização de mulher e sua obsessão em consumir em excesso produtos do gênero. A presunção que todo um mercado foi consumido por um único tipo de público é extremamente ignorante e feita por pessoas que pouco se preocupam em conferir o conteúdo que se produz hoje, porque afinal de contas, é mais fácil generalizar um mercado do que procurar distinções nele. E estamos falando de um mercado essencialmente de nicho, que refletia e carregava os genes da cultura que a produzia. Animes são produtos culturais, formas de representação de um povo, e sua ambição era apenas agradar um público que tinha contato e conseguia se identificar naquela obra. Mesmo obras que carregavam genes de outras culturas, como do diretor Shinichiro Watanabe (Cowboy Bebop, Samurai Champloo), eram uma forma de levar aquela cultura adiante e mostrar para o mundo aquele mundo distinto.
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Muitos diretores renomados da indústria já deram sua opinião sobre o que vem ocorrendo nos últimos anos. Hayao Miyazaki, co-fundador do estúdio Ghibli e diretor de boa parte dos seus filmes de sucesso como Meu Amigo Totoro (Tonari no Totoro), Princesa Mononoke (Mononoke Hime) e A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi), acredita que os otakus estão destruindo a indústria, tanto por dentro como por fora, pois os animadores não conseguem transpor sentimentos nas suas animações por sua ineptidão social e longas horas trabalhando, assim como o público que consome tais obras e alimenta mais ainda seus vícios na superficialidade do enredo e de seus personagens. Anno Hideaki, diretor do aclamado clássico Neon Genesis Evangelion e eterno discípulo do Miyazaki, deu declarações reforçando esse ponto de vista, na medida em que o mercado se encontra em um impasse por não conseguir um público novo e todas as produções são sustentadas por esse único pilar que são os otakus. Embora eles estejam certos em alguns pontos e acima de tudo tenham o direito de argumentar como membros pertencentes à indústria, levar tudo que é dito por eles como verdade universal é uma grande ingenuidade. Como diretores que conseguiram cativar um grande público com suas obras e alcançar um nível artístico desejado, são de fatos casos louváveis, mas não são deuses que precisam ter ensinamentos seguidos por todos os animadores cegamente. O mercado de animes, assim como qualquer outro mercado, segue tendências.E essas não são ditadas por ninguém se não o público. O apelo a um grupo distinto, embora visível, não prejudica o mercado em sua totalidade.

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O mercado de animes não está morto simplesmente porque não consegue atingir um grande público como antes. Ele encontrou meios de ser auto-sustentável e, embora questionado por muitos que limitam-se a declarar que o mercado é dominado por animes otakus, é possuidor de obras distintas e de qualidade. O que torna isso tão impossível de ser visto é a forma como o grande público encara animes, filtrado por um”óculos de nostalgia”, e não consegue enxergar o potencial de outras obras além daquelas que fazem parte da construção da identidade nostálgica de um anime.

Dificilmente há o que se possa chamar de um mercado de animes hoje no Brasil, com a transmissão de títulos quase nula e com DVDs caríssimos, sua propagação é extremamente escassa nos dias atuais por meios legais. Diante de um público consumidor que tem preferência por versões piratas e a falta de interesse de investidores, dificilmente essa estagnação de títulos antigos e de um imaginário de uma geração passada serão substituídas em uma nova geração, que consomem cada vez mais conteúdo online e faz do youtube a TV dos dias atuais. A nostalgia continuará controlando a massa com a sua lavagem cerebral e animes serão para sempre apenas uma mídia que só teve seu valor em seu passado glorioso e ilusório.
IkoXeEH

Defensor da indústria de animação japonesa atual e de todos os mercados de nicho, Overkilledred luta contra a desinformação passada pelas mídias especializadas em cultura pop e tenta salvar o público da alienação.

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Defensor da indústria de animação japonesa atual e de todos os mercados de nicho, Overkilledred luta contra a desinformação passada pelas mídias especializadas em cultura pop e tenta salvar o público da alienação.

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45 Comentários em "ANIMES NÃO ESTÃO MORRENDO: MAS SUA NOSTALGIA DEVIA"

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Guilherme Alencar
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Como o cara no comentario disse a industria de animes não vai realmente “morrer” no sentido de acabar,mas vai ficar por baixo ja q o declinio criativo e a saturação do mercado é claro, quem trabalha nesse meio recebe mal e trabalha muito,outros mercados de animação estão crescendo e podem muito bem ultrapassar o japones em tempos futuros. Mesmo animes de muito sucesso como SnK era evidente a falta de verba pra fazer o anime,cenas com pouquissimos frames,episodios q pareciam q faltava terminar de colorir,muitas cenas eram apenas pinturas,tudo isso mostra q não tinha grana pra dividir igualmente em todo… Read more »
mexicano21
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Que crise? Bons e maus momentos vem em ondas, mas o Japão continua produzindo bons animes sim. Alguns anos mais, outros menos. E falta de verba? Provavelmente os animes que você ama foram produzidos nos anos 1980 ou 1990 com ainda menos verba que Shingeki no Kyojin (que é apenas mediano e uma propaganda do mangá, não um legítimo bom anime original, embora seja sim divertido). Se produz muito anime ruim? Muito anime parecido? E daí? Em que época isso foi diferente? Você só se lembra do melhor que você conheceu de décadas de produção e está comparando isso ao… Read more »
Guilherme Alencar
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Primeiro eu comecei anime pra valer no ano de 2010,ainda não sabia q dragon ball e cavaleiros eram animaçoes asiatiacas e mesmo sendo super fã das obras nãs os considero realmente boas em todas a sua trajetoria. Qunado comecei a ver animaçoes assistia as da temporada e procurava animes mais antigos pra não ter q espera 1 semana por epi e assisti tudo de uma vez e vi q antigamente saia menos animes por temporada,ate ai nada demais,o mercado aumentou de lá pra cá tinha tinha mais dinheiro pra ser investido e ainda se tem mais dinheiro pra ser investido… Read more »
mexicano21
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Começando pelo fim: a indústria adapta porque seus animes são na verdade propagandas de outros produtos. É isso o que dá dinheiro para os estúdios: se Dungeon vai vender ou não é irrelevante para o estúdio, ele está recebendo para adaptar Dungeon porque a editora da novel tem interesse em torná-la popular. Com animes originais a história é diferente, aí sim é o dinheiro do estúdio que está em jogo. Por isso originais sempre serão em menor quantidade. Sobre antigamente haver menos animes por temporada, isso não importa tanto assim. Menos animes permitia animes mais longos, e é basicamente essa… Read more »
Guilherme Alencar
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Sobre as perguntas,no terceiro ano q eu assistia anime eu ja me encontrava desanimado com as temporadas,não conseguia ver diverenças entre os colegias da temporada winter,summer e por ai vai,via animes com premissa interessante q eram mal executados,mas é claro q vi coisas boas,pricipalmente comedias,era oq eu menos precisava me apegar,me concentrar,e oq eu menos espero alguma coisa, maou sama é um exemplo disso. Sobre ser impossivel se fazer animes longos hoje em dia,creio q não seja realmente verdade,tudo depende se o estudio e a produtora estão afim em embarcar em um projeto de longo praço, temos o exemplo de… Read more »
Overkilledred
Visitante
A questão de animes longos, no caso de animes que passam na madrugada, é que se tornou um horário muito concorrido e sempre tem algum anime novo pra preencher, então esse formato de “cours” entre 12 e 24 episódios se tornou mais viável. Em contrapartida, ainda existem animes que passam de manhã cedo e são voltados para o púbico infantil, que conseguem ter mais espaço e não trabalham em um número restrito de episódios. De fato, não é tão difícil ter projetos com um número relativamente grande de episódios, mas não são projetos tão ambiciosos como você imagina. Só pra… Read more »
Eduardo Ketsura
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Animes desde a sua criação é de carater comercial, só ver que o Tezuka criou vários animes baseados em seus mangás como forma de um comercial de 24 minutos.

Ou você quer falar mal do Tezuka na tal “era de ouro”?

mexicano21
Visitante
Oh, não exatamente. Tezuka queria fazer animação desde o começo (seus mangás mais antigos são praticamente storybords; e o estilo cinemático que ele adotou se cimentou como uma das características marcantes do mangá para sempre), mas as condições técnicas e econômicas do Japão que não permitiram. Depois ele seguiu sua vida se dedicando tanto a mangá quanto a anime. Até a década de 1980 era a regra que animes baseados em mangás adaptassem a obra inteira, assim sendo gigantescos. Claro que isso esquentava as vendas do produto original, mas nem tanto; não é como se você estivesse perdendo algo se… Read more »
overkilledred
Visitante
Só reforçando seu ponto: animes viraram uma mídia de caráter comercial tão forte, que as obras promovidas (mangás, principalmente) se tornaram um grande mercado por si nos últimos anos. A relação entre ambos hoje em dia, na maioria dos casos, é de uma marca sendo promovida por um outdoor para alcançar um público maior. Não há uma necessidade em fazer animes muitos longos ou de adaptarem a obra toda porque o interesse do público pela obra continua e migra para o mangá, ou pelo menos é essa a intenção. É diferente do que ocorre com quadrinhos e filmes, por exemplo,… Read more »
overkilledred
Visitante
Olá, Guilherme. Concordo que a indústria de animes tá num ritmo muito acelerado e os estúdios estão produzindo mais coisas do que dão conta, o que é uma resposta para demanda exacerbada que ocorre hoje em dia. O Anno Hideaki falou que os animes irão morrer partindo de uma visão artística, pois ele acredita que as animações precisam de uma certa independeria financeira para serem feitas com mais dedicação e vida. O que é entendível, mas não é algo que realmente leva em conta as condições financeiras do mercado atual. Mesmo que haja outros mercados asiáticos de animações em ascensão,… Read more »
Guilherme Alencar
Visitante
fanservice,ecchi,moe nunca me fizeram não gostar de um anime,mas se o mesmo for baseado somente nisso fica obvio q sua qualidade é duvidosa,creio q se em um anime se propoem em ter ecchi,ele tem q ser utilizado das melhores formas possiveis,para se fazer comendia ou ação,pra mim tanto faz essa questão, Ex: seria High School DxD q pra mim é um pessimo anime com um otimo ecchi. Sobre o moe,eu evito simplesmente por esse tipo de genero/conteudo estão em historias q particularmente não gosto. Com isso eu não coloca a culpa no ecchi,moe ou no fanservice,eu coloco a culpa na… Read more »
mexicano21
Visitante
Ninguém vai defender que é tudo ótimo e que a indústria de anime e todos seus produtos são perfeitos. Eu pelo menos não vou, longe disso. O que eu combato é a ilusão de que “antigamente” fosse muito melhor. Não era. Ou pelo menos até agora ninguém demonstrou que era. Ou, só para ficar no assunto dos animadores, você acha que a profissão era mais prestigiada e recebia melhor nos anos 1980? Então se você gosta do “antigamente” não existe razão nenhuma para não gostar do “hoje em dia”, exceto, claro, gostos subjetivos, e isso não serve para dizer que… Read more »
overkilledred
Visitante
Achei um tanto exagerado esse texto. Como eu disse, cada caso é um caso. Não dá pra generalizar e dizer que todos os animadores são submetidos as mesmas condições de trabalho, como qualquer mercado de trabalho. O texto mesmo exemplifica isso. E não entendi o ponto dele ao afirmar que não vale a pena mais produzir anime quando esses necessitam de produtos relacionados para compensarem o custo. Quando que valeu a pena, então? Quando animes não tinham quase nenhum reconhecimento comercial? Animes, inclusive, se usam desde sempre como propaganda de brinquedos e coisas do gênero. Sobre o apelo à fandoms,… Read more »
Felipe
Visitante

Traduzindo: o pessoal antigo odeia ecchi e atrapalha o mercado por querer um anime que mostre algo mais que peitos e bundas :v

dimentioluc
Visitante

Sim, tomara que voltem a produzir grandes animes sem ecchi algum como Urusei Yatsura ou Cutie Honey. Como ousam sujar a imagem pura da indústria de animação japonesa.

overkilledred
Visitante

Exatamente.

Guilherme Alencar
Visitante

Over não estou conseguindo dar Reply la em nossa discussão, tem como eu resolver isso? gostaria de debater mais,so q colocar em outros lugares vai ficar estranho.

overkilledred
Visitante

Opa, Guilherme. Não aparece o botão de reply ou você não consegue enviar? Não sei qual é o problema, mas tenta atualizar a página ou trocar de navegador. E não tem problema começar outro post para continuar a discussão.

mexicano21
Visitante

O WordPress limita o nível máximo de respostas. Isso as vezes é configurável, dá uma olhada no admin. No caso, parece estar limitado a 3 (comentário, resposta e réplica).

overkilledred
Visitante

Ah, sim. Consegui aumentar o número agora. Obrigado, Mexicano. 🙂

Eduardo Ketsura
Visitante

E implicando que não havia lolis em Nadia, um anime dos anos 90!

mexicano21
Visitante

Um anime dos anos 1990 famoso o suficiente para ter sido remasterizado e retransmitido pela emissora estatal japonesa há pouco tempo. Eu particularmente não gosto, mas é um dos marcos de sua época, não posso negar.

Eduardo Ketsura
Visitante

E tem uma loli, oxi, então as lolis tão matando os animes desde os anos 90?

arkaneseeker
Visitante

A parte legal: a última temporada teve 7 animes ecchi entre os 40 lançados. Foda hein, tem ecchi demais, meu deus, acabou a indústria.

mexicano21
Visitante
Um artigo que eu gostaria de ter escrito. A defesa que eu normalmente faço é pedir para qualquer um que afirma que o anime está “morrendo” provar isso com números. Comparar a produção atual com a de qualquer época que escolher, e evidenciar a suposta piora. Ninguém faz isso. É só nostalgia. Quando é otaquinho bobão falando isso no Facebook eu não me importo muito, mas fiquei realmente irritado com o videocast do Omelete. Como um portal com a credibilidade que eles têm se presta a algo tão burro, sem fundamento? Você assistiu? Eles só falaram groselha. Eu esperava pelo… Read more »
overkilledred
Visitante
Sim, eu vi o vídeo. Na verdade, esse texto foi minha resposta para ele. Como você constou, é um argumento bem comum por aí e nunca há uma prova definitiva disso. E da mesma forma nunca vi uma defesa clara do outro lado, então achei necessário criar meu argumento como alguém que realmente acompanha a indústria. O problema é que o Omelete se ver no direito de comentar tudo que é relacionado a cultura pop, já que é a área na qual eles possuem credibilidade, mesmo que sejam assuntos que eles não tenham qualquer embasamento. Achei um absurdo, inclusive, quando… Read more »
jplay
Visitante

Eu canso de repetir isso também. Hoje em dia chega a ser chato o tanto que as pessoas repetem coisas idiotas como “O ecchi está destruindo a industria” ou “O moe é o culpado pela crise da industria”, se difundio essa ideia errada de que a industria está em crise e que os culpados são os ecchi e o Moe, como se a industria não fosse saturada disso a decadas atrás também.

overkilledred
Visitante

Sim. Tudo que se tem hoje é um reflexo do que se tinha antigamente. O que ocorre é que todo mundo é mais exposto a esse tipo de obra nos dias atuais, enquanto antes havia um filtro. Essa necessidade de achar um culpado por não conseguir achar alguma obra que adeque ao seu gosto – muitas vezes por não investir nessa busca – é o que mais se ver por aqui. A ignorância de certas pessoas consideradas fãs é o que causa essa grande pobreza de títulos diversificados entre o grande público.

Cojiro
Visitante

Eu acredito que isso dependa do ponto de vista que está se olhando. Se você pensa em qualidade, convenhamos, poucos ecchis/moes/haréns/ haréns inversos são realmente bons. Eu achoque precisaria de um bom tempo pra citar um. Mas é como dito: Isso não mata o mercado, pelo contrário, o movimenta e o mantém vivo porque é o que há de popular e que vende. Precisa-se de uns 20 animes nesse estilo para termos uma de qualidade aceitável.

Adilson
Visitante
Acredito que isso esta refletindo em todo mercado de entretenimento, eu so saudosista e não sei dizer ao certo qual é o problema dessa cultura POP de hoje, mais eu sinto uma falta de criatividade, ja tentei da chances a nocas series bem faladas, mais parece que o publico que ela quer abrangi e um publico diferente, como disse nos comentários que li, nos saudosista, queremos animes mais sérios, mais dramáticos, com base em algo que faz mais sentido, acho que cenas cutes, bundas e peitões realmente não é algo que consegue fazer a gente ficar preso nas telinhas dos… Read more »
mexicano21
Visitante

O que você quer dizer com “herói [que] vestia sua armadura para salvar vidas inocentes”? Está falando de battle shonens clássicos? Tem um punhado nessa temporada. Dependendo do que exatamente você quer dizer, quase todos os animes que eu estou assistindo podem ser reduzidos a isso, ou nenhum – nem os battle shonens que são exatamente isso.

Guilherme Alencar
Visitante
Não faz muito tempo e veio uma onda de continuaçoes ou coisas do tipo, como sailor moon,Digimon,Dragon Ball,ate mesmo Pokemon voltou com sua musica de abertura original kkkkkkk,o desenho é horrivel,mas a musica é outro nivel. Eu gostaria de me dizer saudosista,mas não assisto animes a tanto tempo para ter esse sentimento,comecei a assistir animes com 13 anos e qualquer coisa me agradava,fosse a violencia e o ecchi alucinantes de HOTD(q ainda adoro) ou a guerra ideologia entre Kira e L em Death Note,mas agora com 18 anos vejo q muito do q eu assisti acho eu não consigo assistir,ecchi… Read more »
mexicano21
Visitante

Steins;Gate o primeiro game é de 2009, mas o anime é de 2011.

Guilherme Alencar
Visitante

valeus, as fontes de onde eu estava olhando não eram tão confiaveis.

overkilledred
Visitante
Ué, mas por que coisas simples assim acabariam? Ainda há, sim, enredos com essa premissa básica da jornada do herói, exaltando a figura dos protagonistas como altruístas e salvadores da humanidade numa batalha na qual o bem e o mal são conceitos simples. O que faz isso ser melhor para você antes do que agora é o simples fato de ter crescido com isso, logo tinham mais impacto e eram mais emocionantes. Se você defende ideias que ainda permanecem nos dias atuais, com a diferença sendo a época em que foram produzidas, não há uma distinção clara do que é… Read more »
Guilherme Alencar
Visitante

Um dos animes recentes q saiu com essa ideia foi samurai FLamenco q pra mim foi uma das maiores decepçoes q ja tive,começou otimo,mostrando um mundo realista e tals,me parecia um kick ass mais leve,so q tomou um rumo,q pelo amor de deus,quase cortei os pulsos.

overkilledred
Visitante

Samurai Flamenco foi um caso interessante. Sei que muita gente defende o seu começo e a sua proposta inicial, mas se tivessem conseguido trabalhar melhor a série depois daquele “twist”, creio que ainda teria como mantê-la interessante. Pena que perdeu totalmente o rumo depois disso e não soube como se levar adiante, apelando cada vez mais para paródias de sentais.

Adilson
Visitante

Gostei da tua resposta, fez eu refletir melhor sobre, realmente muitas das coisas tem seus 2 lados, que devem ser bem analisados.

andrevaldir
Visitante

Só normie nojento acha ecchi moe ruim. :^)

GoldSlash
Visitante

Malditos casuais.

GoldSlash
Visitante

É uma brincadeira. Concordo com boa parte do texto. E também vejo como uma preguiça pela busca de conteúdo relativo ao gosto da pessoa, além claro da nostalgia e mágica da infância. Também sou da geração antiga, mas consigo gostar facilmente de animes de agora.
Como o próprio Steins;Gate, Death Parade,etc… Achei Madoka um saco.

Aliás existem inúmeros animes antigos que ainda não assisti, como era o caso de LOGH, que é excelente também.

overkilledred
Visitante

Enquanto você for receptivo à novos títulos e tiver paciência ou meios para buscar coisas novas, é bem provável que sempre vá ter algo do seu interesse. O problema é que, ao criticar os títulos da atualidade, muita gente usa como base animes que fazem muito sucesso e chegam facilmente à elas. Esse “filtro” prejudica a visão que o grande público tem da mídia e muitas obras de diversos gêneros acabam tendo pouco ou nenhuma exposição, criando essa estagnação e fixação com obras do passado.

Anime não é uma mídia morta, mas para alguns com certeza aparenta ter sido aleijada.

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[…] de escrever meu próprio texto eu li esse artigo no JunkBox e assisti esse vídeo do Capslock. Recomendo ambos, concordo com basicamente todos os argumentos […]

Edungeon
Visitante
Nostalgia e Ignorância. É realmente isso que explica essa sensação que as pessoas tem do passado,concordo com o autor do post. Muitas pessoas parecem ter dificuldade para lidar com o fato de que alguma coisa que era popular quando gostaram hoje virou nicho, mesmo que isso possa até ter sido uma mudança para melhor. Eu concordo que hoje em dia tu não vai ver as crianças correndo soltando kamehamehas ou usando bandanas de Naruto, mas com um pagamento da CR eu tenho acesso legitimamente a mais animes do que eu sonhava ver no Cartoon Network. Existem eventos dedicados, editoras, mangás… Read more »
trackback

[…] Já fiz um texto explicando como isso não é exatamente algo ruim e outro no qual disserto sobre a nostalgia como algo prejudicial na construção da representação de uma mídia, mas a minha intenção agora é esclarecer o porquê de vivermos numa época em que o antigo tenta […]

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