ELEIÇÕES SMASH 2015

ELEIÇÕES SMASH 2015

Crossovers movem pessoas. A ideia de ver seus personagens favoritos se encontrando num mundo comum é algo que atiça nossa imaginação. Filmes como Os Vingadores lotam cinemas no mundo todo e quebram recordes de público. É a premissa de vermos todas nossas estrelas favoritas numa peça só.

Com videogames não é diferente e a Nintendo, como criadora de diversas franquias clássicas não fica de fora dessa mania. Um dos seus principais títulos é Super Smash Bros, uma mistura de fighting com party game, estrelando os maiores ícones da empresa.
Agora na sua quarta interação, já temos mais de cinquenta personagens no elenco e mais estão por vir. Após o anúncio da vinda de mais DLCs para o título, uma votação online foi aberta.

No meio de pedidos bizarros como Goku ou Bob Esponja (citados por Masahiro Sakurai, diretor da série), é comum que vejamos pedidos por mais representantes de franquias populares, como King K. Rool, de Donkey Kong, ou Krystal, de Star Fox.

Nada contra, inclusive acharia personagens interessantes, mas que tal darmos também chance à franquias esquecidas? Kid Icarus e Punch Out se beneficiaram de suas representações em Smash Bros e conseguiram novos títulos após anos de ausência.
Nas próximas linhas listarei alguns personagens que julgo diferentes, mas que representam bem diversas séries e a própria Nintendo.

1. Sukapon


Jogo: Joy Mech Fight (Famicom – 1993).
JP only.

Sukapon é protagonista de um dos jogos de luta da Nintendo. Lançado quase no fim da vida do Famicom (o NES japonês), Joy Mech Fight colocava diversos robôs excêntricos para lutar numa história similar a Megaman, com Sukapon, o heroi do título, tendo que derrotar os robôs malignos que estavam atacando o mundo.

Com 36 personagens, o jogo se tornou o fighting game com mais lutadores selecionáveis à época e só foi superado anos depois com o lançamento de King of Fighters ’98, com 38 personagens.

Popular entre fãs japoneses, Sukapon foi um personagem retrô bastante pedido, segundo o próprio Sakurai. Durante a produção de Super Smash Bros Melee inclusive sua participação foi considerada, embora tenha sido cortado depois.

O próprio Sakurai disse para não contarem mais com a participação de Sukapon em futuros títulos da série, mas conhecendo sua fama de não cumprir exatamente o que fala, não basta tentar pedir por mais uma chance para esse carismático robô de corpo desmembrado (better than Rayman).

2. Ayumi Tachibana

Jogo: Famicom Tantei Club (Famicom – 1988).
JP only.

Ayumi é uma dos protagonistas do adventure em texto, Famicom Tantei Club. O papel da heroína é praticamente o de uma ajudante (parecido com o de Maya Fey, na série Phoenix Wright) para o detetive sem nome controlado pelo jogador ao longo dos dois primeiros jogos da franquia. No terceiro, e último lançado, ela chega ao posto de personagem principal.

A série é um clássico em sua terra natal, um dos principais dos muitos adventures de mistério lançados no antigo console da Nintendo. Um remake do segundo jogo para o Super Famicom e releases digitais para os Virtual Console do Wii e do Wii U ressaltam o status cult de Tantei Club.

Ayumi ainda foi considerada como um possível personagem para Super Smash Bros Melee. Um trophy sendo evidência disso, segundo o próprio Sakurai. Quem sabe dessa vez?

3. Donbe e Hikari

Jogo: Shin Onigashima (Famicom – 1987).
JP only.

Donbe é um garoto selvagem, com um aspecto de homem das cavernas, uma inteligência não muito destacável e uma grande força física.

Hikari é seu oposto. Uma garota inteligente e criativa, mas fraca fisicamente.
Protagonistas do clássico adventure em texto Shin Onigashima, os dois são irmãos adotados e criados por um casal de idosos sem filhos.

Após um ataque de onis, os pais de Donbe e Hikari são capturados e assim as duas crianças saem numa jornada por um Japão místico tentando resgatá-los.
Com um aspecto próprio para a época, o jogo segue uma história no estilo dos contos folclóricos japoneses, algo incomum para a época na qual mistérios eram o tema comum de outros jogos do tipo.

Outro grandes destaque de Shin Onigashima era a possibilidade de trocar entre os protagonistas e realizar ações próprias do personagem, além de conseguir respostas e reações diferentes dos NPCs.

Com status de clássico, cameos dos personagens do jogo são comuns em outras franquias da Nintendo com destaque para aparições de Donbe e Hikari em Kirby’s Dreamland 3, um trophy em Melee e um remix da música tema do jogo presente em Super Smash Bros Brawl.

4. Lip

Jogo: Panel de Pon (Super Famicom – 1995).
JP only.

Panel de Pon é um puzzle criado pela Intelligent Systems para o Super Famicom. A ideia é trocar a posições de blocos coloridos, fazer sequências de três e impedir que a progressão vertical da tela leve as peças ao topo da tela.

Talvez essa premissa seja reconhecida por muitos como a base do jogo Tetris Attack, um quebra cabeça lançado para o Super Nintendo estrelando Yoshi.

Na verdade, Tetris Attack é quase uma “reskin” oficial da Nintendo que, achando o jogo muito “feminino”, preferiu utilizar a imagem e o nome de franquias clássicas para o lançar no Ocidente.

Lip, a protagonista da versão original, então foi renegada ao desconhecimento deste lado do mundo.

A história original é basicamente essa: Lip é uma fada com poderes mágicos e precisa salvar o reino no qual vive após acontecimentos estranhos levarem outras fadas a agirem de maneira agressiva e descobrir o que há por trás de tudo isso… por meio de batalhas de puzzle num esquema Puyo Puyo-like.

O jogo, independente de versão, é considerado um dos melhores do gênero e gerou diversas sequências, como Pokémon Puzzle League e outros Panel de Pon no Japão. Todos recebendo uma boa recepção por fãs e crítica.

Muito pedida pelos japoneses, Sakurai considera o jogo uma “masterpiece”, mas acha que ainda falta reconhecimento internacional à personagem.

Mesmo assim Lip é lembrada com seu característico bastão-flor como um item na série Smash Bros e seu próprio tema presente em Brawl e Smash Bros 4.

5. Captain Rainbow

Jogo: Captain Rainbow (Wii – 2008).
JP only.

Outro adventure em texto, mas desta vez muito “singular”.

Nick, nosso protagonista, é um ator e interpreta Captain Rainbow, um heroi de TV com um viés “tokusatsiano” e que, de um dia para o outro, perde toda sua popularidade.
Buscando a redenção, Nick ruma para uma ilha habitada apenas por personagens esquecidos da Nintendo (como alguns dessa lista) e utiliza de seu alter ego heroico para ajudá-los com seus problemas peculiares.

Com até que uma boa recepção, o jogo não conseguiu chamar a atenção dos jogadores japoneses e nem recebeu lançamentos nas outras regiões do globo.

No entanto, o heroi marcou sua presença no mais novo Smash Bros. No stage de Punch Out, uma composição do jogo é uma das possíveis opções de música do stage, provavelmente uma referência ao segmento no jogo no qual Little Mac é ajudado por Captain Rainbow a perder peso e recuperar sua velha forma.

Sua inclusão no roster de Smash 4 é muito improvável, mas se existe um heroi capaz do improvável esse é Captain Rainbow.

6. Nintendouji

Jogo: Nintendouji (DSiware – 2012).
JP only.

Provavelmente o jogo mais obscuro listado aqui, Nintendouji é uma mistura bizarra de RPG, dungeon crawler e card game. Também foi distribuído apenas para membros premium do Club Nintendo japonês. É realmente um título jogado por poucos.

A premissa do jogo é buscar tesouros sagrados perdidos em dungeons. Tesouros como cascos azuis do Mario Kart, rupees de Zelda e o barril de Donkey Kong.

Nintendouji, o protagonista que dá título ao jogo, ainda possui habilidades de onmyouji envolvendo magias e uso de cartas, que inclusive relembram o passado da Nintendo como fabricante de hanafuda.

Se ele é popular no Japão? Não. Se ao menos é considerado como um possível personagem? Também não. Mas ainda assim não deixa de ser um personagem único, que relembra o passado da empresa e que faz jus ao Nintendo de seu nome.

7. Isaac

Jogo: Golden Sun (Game Boy Advance – 2001).

Possivelmente o personagem mais popular, mais conhecido e mais pedido dessa lista, mas mesmo assim protagonista de outra franquia deixada para escanteio.

Isaac é um jovem garoto de cabelo pontudo e roupa extravagante, com poderes psiquícos~mágicos, controle de seres elementais e dono de grande habilidade com a espada.

É o heroi e principal ícone da série de RPG Golden Sun. Um título aclamado por críticos e fãs, que recebeu várias sequências e se tornou um clássico, um dos títulos obrigatórios do GBA.

Isaac é bastante pedido pelos fãs japoneses e ocidentais. Alcançou o posto de Assist Trophy em Brawl, e uma das músicas de seu jogo foi incluída na trilha desse mesmo Smash. Em Smash 4 desapareceu dos possíveis trophies invocados pelo jogador o que ainda o mantêm com boas chances de fazer uma aparição no título se depender da opinião popular.

8. Ray

Jogo: Custom Robo (Nintendo 64 – 1999).

No final da década de 90 eram comuns os titulos, em anime ou jogos, envolvendo crianças e monstrinhos coloridos batalhando lado a lado. Pokémon, Digimon, Yugioh e Beyblade são alguns dos exemplos.

Embora a Nintendo já publicasse Pokémon, investiram em outra franquia no mesmo viés também.

Custom Robo era um título para Nintendo 64 que envolvia lutas entre pequenos robôs controlados por crianças em arenas de miniatura. Action paced, uma parte importante do título era derrotar os inimigos e usar de suas peças para o desenvolvimento e melhora do seu próprio robô.

O sucesso do título gerou sequências e, embora protagonistas mudassem e as histórias fossem completamente diferentes, algo em comum era mantido: o primeiro robô dado ao jogador ser da série de produção Ray.

O nome Ray se tornou o ícone da franquia e constante pedidos levaram ao MK III, “principal” de Custom Robo Arena, a aparecer como um Assist Trophy em Smash Bros Brawl.

Com a franquia em hiatus desde 2006, fãs de Custom Robo ainda mantêm a esperança de ver um dos robôs da série como personagem jogável em Smash 4 devido ao fato de Ray não aparecer mais de AT.

9. Andy

Jogo: Advance Wars (Game Boy Advance – 2001).

Até 2001 a franquia de RPG tático Wars era completamente desconhecida no Ocidente. Embora três títulos já tivessem sido lançados, nenhum nunca havia saído do Japão pela Nintendo acreditar que a complexidade do título afastaria os jogadores deste lado do mundo.

Esforçando-se para fazer um título acessível, ao mesmo tempo que mantendo os princípios da série, a Intelligent Systems desenvolveu Advance Wars para o GBA e convenceu a empresa a lançá-lo na América.

O sucesso crítico e de vendas impulsionou a Nintendo a localizar mais jogos do tipo, incluindo o hoje grande e popular Fire Emblem.

Andy é um dos protagonistas do título e o primeiro personagem controlável da subfranquia Advance Wars. Um jovem engenheiro mecânico, é um ícone reconhecível tanto pela sua presença nas sequências da série, como pelo seu visual engenheiro que remete às máquinas de guerra clássicas de AW.

10. Mach Rider

Jogo: Mach Rider (NES – 1985).

Muito antes de trabalhar com videogames a Nintendo fez muita coisa. De braços esticáveis até máquinas para “testar” o amor, a empresa lidou com diversos produtos ao longo de sua história centenária. Mach Rider nasceu de um desses.

Após adquirir os direitos de um carrinho de brinquedo da Hasbro, a Nintendo vendeu o brinquedo com o nome de Mach Rider no ano de 1972 no Japão.

Em 1985, anos depois após embarcar no ramo dos videogames, um jogo com o mesmo nome foi lançado para o NES.

Mach Rider era um título de ação que envolvia o heroi mascarado de mesmo nome do título atacando aliens invasores com sua moto num mundo MadMax-like em trajetos perigosos e cheio de curvas.

Nunca outro título da franquia foi produzido, mas F-Zero foi criado como um sucessor espiritual e manteve a ideia de agressividade e velocidade.

Devido ao final da versão de arcade, existem especulações sobre o gênero do protagonista do título. A sua imagem gradualmente desaparece ao vencer os percursos e uma mulher segurando uma adaga aparece em seu lugar, embora nenhum texto indique que essa seja o/a verdadeiro/a Mach Rider.

O personagem já foi lembrado com um trophy em Smash Bros Melee, após Sakurai ter comentado, na época do 64, que ele era a sua inclusão preferida para um possível sucessor do então recém lançado Smash Bros.

11. Chibi Robo

Jogo: Chibi-Robo! (Gamecube – 2005).

Shigeru Miyamoto se envolveu com pequenas proporções mais de uma vez durante a era do Gamecube. Além de Pikmin, o lendário diretor se envolveu também com outra franquia envolvendo um protagonista que não passa de centímetros: Chibi Robo.

Criado pela desenvolvedora Skip, o jogo envolvia um pequeno robô realizando afazeres domésticos querendo apenas agradar seus donos, o problema para isso sendo seu tamanho. Com o tamanho de 10cm, qualquer tarefa cotidiana se tornava colossal para o minúsculo protagonista que ainda precisava recuperar suas energias em tomadas após as atividades.

A ideia foi originalmente oferecida para a Bandai, que a recusou, e coube à Nintendo resgatar o conceito, após Miyamoto se interessar pelo título.

O jogo foi lançado, e embora sem grandes vendas, recebeu críticas positivas e conseguiu se manter de modo que mais três sequências foram produzidas, a última inclusive para o 3DS, fazendo de Chibi Robo o personagem dessa lista a receber um título mais recentemente.

Mesmo que o máximo de representação da franquia em Smash Bros tenham sido alguns stickers em Brawl, nenhuma tarefa é impossível quando estamos tratando do audacioso Chibi Robo.

12. Isa Jo

Jogo: Sin & Punishment Star Successor (Wii – 2009).

O Sin & Punishment original por anos foi conhecido como um clássico perdido do Nintendo 64. Criado pela Treasure, desenvolvedora de jogos bullet hell, o jogo era conhecido pela sua jogabilidade rápida, cheia de ação e o fato de nunca ter saído do Japão.

Tudo isso mudou quando em 2007 a Nintendo fez um release internacional do título pelo Virtual Console do Wii. As vendas foram boas e impulsionaram a Nintendo a pedir por uma sequência.

Nesse meio tempo Smash Bros Brawl foi lançado e Saki Amamiya, protagonista original da série, apareceu como Assist Trophy utilizando de suas características armas e espadas.
Em 2009, Star Successor, a continuação, foi lançada. O protagonista, Isa Jo, se envolve numa aventura espacial envolvendo humanos e extraterrestres e continua o legado de Saki do primeiro jogo.

O título foi um sucesso de crítica, embora as vendas não tenham impulsionado outra sequência. Recentemente foi anunciado planos de portar o jogo para o Virtual Console do Wii U.

Em Smash 4, Saki novamente aparece como um AT, e na esperança de vermos um representante jogável da franquia voando pelos cenários do crossover da Nintendo temos Isa Jo como realmente um possível sucessor.

Dimentioluc é um apreciador da cultura japonesa. Eclético, é fã tanto de robôs gigantes quanto de meninas tomando chá. Só abre um espaço especial no seu coração para uma certa empresa de jogos de inicial N. Opiniões (não) imparciais.

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